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domingo, 2 de dezembro de 2012

[Resenha] Esperar para Sempre

Por Igraínne Marques

- "Esperar para Sempre"
- Waiting For Forever (2010)
- Direção: James Keach
- Roteiro: Steve Adams
- Atores: Rachel Bilson, Tom Sturridge, Jaime King, Nikki Blonsky...
-  Romance / Drama - 14 anos - 94 min. - Trailer









Mini-crítica: 
"Waiting for Forever" - por algum motivo não consigo chamar pelo nome em português - é um filme com uma história simples (em teoria), onde um garoto se apaixona por sua amiga de infância. Depois que os dois crescem e tomam caminhos diferentes, no entanto, esse menino continua apaixonado, e agora ele leva isso tão a sério que segue a tal amiga por toda parte - sem jamais contar que está ali ou que gosta dela. Você poderia achar que ele é algum tipo de maníaco do parque homicida e raivoso, mas acontece que você não acha. Na verdade, toda a coisa da perseguição tende muito mais para a depressão do que qualquer outra coisa. Chega um ponto que você começa a acreditar que é loucura (e é), mas aí o filme inteiro vira um looping de loucura, e nada mais faz sentido. 

Quer saber mais? Clique abaixo para conferir a resenha completa.

Deixe-me deixar claro uma coisa: eu nem sabia que esse filme sequer existia. Eu acabei assistindo porque ele tava lá e a Dana meio que me convenceu que só tinha isso pra ver e etc. Daí eu pensei: ah, romancezinho água com açúcar deve ser legal (a outra opção era liga da justiça versão animação e vocês sabem que eu não sou exatamente fã de super heróis e tudo mais).

Enfim, enquanto escrevo essa resenha, estou tentando decidir que nota dar. Porque na verdade o filme é uma sequência de cenas jogadas que por acaso possuem uma ordem cronológica. Sério, sem querer ser chata nem nada, mas eu não curti o filme. Porque primeiro você pensa: Will Donner  (Tom Sturridge) vai se declarar na metade do filme, deve ter alguma coisa pra atrapalhar os dois, e daí vão ficar juntos. Não que todo romance siga essa ordem, mas no final é sempre previsível. E não é que eu não quisesse me surpreender, não é isso: o filme podia ser diferente e me agradar, mas não me agradou.

Hã?

Will na verdade persegue Emma Twist (Rachel Bilson), mas jamais falou com ela a respeito dos seus sentimentos. Desde o início meio que fica claro que Will passou por situações difíceis em sua infância, e Emma foi a amiga que o ajudou a não pensar nos problemas. Quando o filme começa, Will está pedindo carona em uma estrada porque finalmente Emma voltará para a sua cidade natal. Will vê nisso uma oportunidade de falar com ela - o que já começa errado, porque ele a segue desde sempre, todas as vezes que ela estava por perto era uma oportunidade....

Enfim, detalhes à parte, Will se hospeda por tempo indeterminado na casa de um casal de amigos, porque ele não tem onde ficar - nem como se sustentar - já que hoje em dia sua única família se resume ao irmão. Seu irmão, aliás, que ainda mora nessa cidadezinha, é o cara que supostamente subiu na vida, casou, teve filhos, é o cara que avançou, o adulto. Will, no entanto, chega a fazer um contraste com ele: é a luz da infantilidade, um Peter Pan meio torto que não só não quer crescer como não cresceu mesmo. Pelo menos não mentalmente. Will trabalha como um palhaço de rua, faz mimicas pelas cidades, só vive de pijama, um verdadeiro nômade que não liga para a ascensão financeira.

Bananas de Pijamas?

Enfim, Emma, no entanto, é uma apresentadora de TV. O que na verdade me pareceu mais uma característica que deve ter surgido no início do filme, mas depois virou uma coisa meio aleatória, sem muito sentindo. Se eu tivesse escrito o roteiro, com certeza teria retirado essa parte. De qualquer forma, Emma foi para o sua cidade natal porque o pai adoeceu. O que ela não esperava era achar o amigo Will ali no meio, como quem não quer nada. Chega a ser um encontro casual, do tipo "quanto tempo!", mas é muito nítido que a falta de conexão entre os dois deixa tudo muito superficial. Não me convenceu em nada. Fora que Emma está passando tempo com Will só para não passar um tempo com seu ex - que praticamente tem uma história sozinho, a parte do filme inteiro (!)

Isso tudo sem falar na relação dos pais de Emma. Com a doença, a impressão que dá é que as pessoas não sabem o que fazer - o que de certa forma é compreensível, por conta do suposto sofrimento. Mas o problema é que parece que nem o diretor do filme sabe direito o que está fazendo (ou talvez o roteirista...).

Enfim, o filme tem uma proposta inicial, depois tudo se perde para inúmeras outras propostas e depois volta para a ideia do início e fim. Sendo que nenhuma dessas propostas é tratada a fundo, nenhuma delas recebe a devida atenção e desenvolvimento. Aliás, a parte de voltar pro início acontece em 5 minutos ou menos. É romance, é drama, é suspense.... E a protagonista só parece ter sentimentos com o próprio pai, porque o possível desaparecimento de pessoas do seu círculo de amigos nem a deixa minimamente abalada.

Dá abracinho de irmão pra compensar o filme, dá.

Sobre a nota: eu vou dar 3 porque embora tenha uns problemas de continuidade inegáveis, algumas relações me convenceram (infelizmente não o casalzinho principal). Pra começar tem o irmão do Will, que para mim meio que salva o filme; depois tem o próprio pai de Emma com a Emma, e por fim o Will e seus amigos recentes de beira de estrada. Fora isso, eu talvez tivesse gostado mais de Liga da Justiça -oi.

(3/5 conversinhas)

Até o/



sábado, 24 de novembro de 2012

Gostando ou não, você vai agradecer a Crepúsculo


O último filme chega aos cinemas e é aquele momento que você deixa a inimizade de lado e decide rever tudo o que aconteceu até agora. Querendo ou não, foram anos de algo que atingiu proporções enormes. Yep, Harry Potter pode ser o livro mais vendido e ter milhões de créditos, mas não é a série (me recuso a usar saga) que a faxineira te para no McDonald's para perguntar os horários. Ou que você escuta enquanto está distraído em uma loja: "- E ela tá grávida?! É do lobisomem?!"*
*A mesma frase serviria para Harry Potter... nesse caso a resposta seria "sim".

Twilight: Em coração de mãe sempre cabe mais um

Durante esses anos, principalmente nos últimos, eu juntei vários desses momentos. O que mais me chamou atenção foi um grupo de amigas (de 20 e poucos anos!) descendo do ônibus e uma falando no telefone "hoje to saindo com as amigas pra assistir o novo Crepúsculo!" Vocês repararam em como o filme virou símbolo de algo "feminino"? Tipo pintar as unhas ou amar compras. 

É claro que não foram anos de apenas memórias boas. Os vampiros de Twilight logo começaram a ser sacaneados, Edward mais ainda, depois o Jake entrou na parada e a "falta de expressão da Kristen" foi criticada até não poder mais. Aquilo de Team Edward vs. Team Jake do início virou uma brincadeira boba e ridicularizada. Aliás, a história inteira foi ridicularizada (o que acontece quando vai longe demais e pessoas caem de paraquedas na história sem saber o contexto). 

O que mais me incomodou é que os próprios filmes se transformaram nessa ridicularização, principalmente o Amanhecer Part 1 (infelizmente isso vai um pouco até a Part 2). Não que os livros da Stephenie Meyer sejam algo sagrado pela própria perfeição, mas existe um limite, né? 
Twilight feat. Zombies: melhor que Twilight em Breaking Dawn part 1
Aliás, os filmes são cheios de altos e baixos. A cada filme a produção e recursos melhoraram, mas nem sempre foram usados muito bem. Acredito que eles também tenham se perdido no próprio conceito da história e só no quarto (part 2!) encontraram o próprio caminho. Na verdade, a melhor sequência em TODOS os filmes foi justamente quando eles se livraram da preocupação de ser fiel e fizeram algo realmente criativo, na batalha do 4.2. Ficou até mais perto do que a Stephenie passa do que cenas mais "fiéis".  

"Amanhecer Parte 2" é o melhor de todos? Bem, em muitos quesitos realmente é. Mas eu também gosto muito do primeiro, Crepúsculo, que mostra como nenhum outro a "alma" de onde tudo começou. Muitas pessoas tratam Twilight como grande franquia que agora é, mas esquecem que no começo não era bem assim. Foi uma adaptação levada na vontade de fazer isso tornar real porque ninguém acreditava, escolha de ator foi feita na casa de fulaninho e muitos dos que participaram foi tipo "ele já trabalhou comigo em tal lugar, vamos ver se ele quer participar". Agora você vê Summit em um monte de lugares, mas não era bem assim. Foi meio que um filme alternativo de baixo orçamento feito por uma empresa pequena que deu muito certo. 

Eu quase consegui lembrar como era legal agora...
Eu realmente não esqueço de quando minha amiga me mandou um arquivo de word escrito "twilight" e falou que era legal. Eu pensei "wtf, história de vampiro, não quero isso não". Depois de ler eu gostei tanto que pulei para o arquivo de word de Lua Nova. Os dois eram traduções da internet porque não tinham lançado aqui ainda. Eclipse tinha sido lançado há pouco tempo lá fora e ainda não tinha tradução, então comprei em inglês e li mesmo assim porque eu queria continuar (aliás, foi meu primeiro livro em inglês, que eu comprei e saí lendo mesmo sem saber se eu ia entender). O Breaking Dawn comprei na pré-venda na Amazon. 

Aliás, você sabe desses eventos de lançamento de livro? Agradeça a Crepúsculo. O primeiro foi do lançamento de Breaking Dawn em inglês enquanto a Intrínseca se preparava para lançar Crepúsculo. 

Eu lembro também do lançamento do filme meia noite e tudo aquilo de tentar mostrar para o mundo que Crepúsculo era legal, tipo a gente faz com Jogos Vorazes. Ah! E Jogos Vorazes? Tenho que agradecer a Stephenie Meyer também. Ela indicou o livro assim que foi lançado e eu estava procurando algo para ler em inglês, então decidi comprar. 

(clica para ver maior) Quão estranho é saber que uma das primeiras fãs de Hunger Games foi a autora de Twilight?
E, só para deixar registrado, também lembro dos filmes. Lembro de um site pequeno com fundo escuro e uma foto ruim mostrando um monte de gente. Falava que a Kristen tinha sido escolhida como Bella e do Robert Pattinson como Edward (que eu não gostei). A Alice (Ashley Greene) foi a melhor escolha e mesmo tendo perdido espaço continua uma das melhores no filme. Ainda teve as discussões sobre "como vão fazer esse garotinho magrelo virar o Jake?". 

E lembro de todas as estreias à meia noite. Meia dúzia de gente em Crepúsculo no Downtown, eu pensando "quero logo os lobos!" e "essa maquiagem tá fail". Depois jogar baralho na fila de Lua Nova e da confusão dentro do cinema porque uma família atrasada roubou o lugar das minhas amigas (atrasaram o filme por causa disso, cinema inteiro gritando pra família sair e os seguranças vieram tirar eles). De Eclipse eu já não lembro muito, só de achar a abertura dos newborn bem legal. Esse é o filme mais bem feito/adaptado e ao mesmo tempo o mais neutro. O quarto nem fui mais na meia noite, decadência. O quinto também não fui na estreia e foi o que mais me surpreendeu, porque eu não esperava muita coisa. (SPOILER) Chorei da morte do Seth até a música da Ellie Goulding. OH, WAIT, O QUE A ELLIE GOULDING TÁ FAZENDO AQUI?" (/SPOILER)

E, pra terminar, o melhor e mais inquestionável dos filmes de Crepúsculo: as trilhas sonoras. Paramore no primeiro e trazendo Muse para o mapa (se algum dia você for a um show de Muse, agradeça a Stephenie Meyer). Todas as outras são legais, mesmo a do Amanhecer Part 1 que é mal encaixada. Nunca gostei da score querendo dar um lado épico/fantasia a um filme de romance/urbano, mas vamos fingir que não está lá e pronto. E eu já disse que eles colocaram Ellie Goulding? 


Se Harry Potter é o pai das mudanças no mundo literário/da cultura jovem hoje em dia, Twilight é a mãe. Deal with it. 

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Entrevista com roteirista de Divergente, Evan Daugherty


Fãs de Divergente por aí? Trazemos hoje uma tradução do que até agora é a nossa melhor fonte do que esperar na adaptação do livro. O roteirista Evan Daugherty (na foto ao lado da Veronica Roth, autora de Divergente) deu uma entrevista ao Bookish falando de como foi fazer a adaptação para as telas. Você pode ver abaixo!

Para quem não sabe, Evan Daugherty também foi o roteirista de "Branca de Neve e o Caçador", o que eu diria que não é lá o melhor filme para se ter no currículo. Mas depois de ver essa entrevista até que me animei mais. Agora é só torcer para ele ter conseguido fazer direito. \o/

Bookish: Como você escolheu como próximo projeto uma adaptação YA?

Evan Daugherty: Eu estava dando uma olhada em um monte de coisas - um monte de histórias em quadrinhos - e lendo um monte de livros, e no meio disso eu li cinco desses livros YA. Eu li Puros (da Julianna Baggott), Legend (da Marie Lu), Delírio (da Lauren Oliver) e This Dark Endeavor (de Kenneth Oppel) - que é uma espécie de versão adulta cool da história Frakenstein.


Bookish: Então, você obviamente leu os populares entre os mais vendidos, por que escolheu adaptar "Divergente"?


Evan Daugherty: É uma relação de sentir que a sua perspectiva sobre o material combina com o que o estúdio está procurando. As coisas que me atraíram para "Divergente" foram os detalhes sobre o caráter da Tris. Ela começa incrivelmente fechada para o mundo, altruísta, pacífica e então ela decide se juntar ao equivalente dos Navy Seals [principal força de operações especiais da marinha dos EUA]. Isso é um grande arco de personagem, é divertido acompanhar isso. E "Divergente" se diferencia por estar na mesma linha que alguns filmes que eu realmente gosto, uma espécie de filmes de treinamento militar - como "Top Gun" ou um guilty pleasure meu que é "Até o Limite da Honra" (G.I. Jane).


Bookish: Qual foi o maior desafio na adaptação para você?


Evan Daugherty: Rastrear a mudança da Tris do início até o final. É complicado porque Divergente é um livro bem comprimido com um monte de grandes ideias. Então, transformar isso em um filme fiel de duas horas é desafiador. Não só você tem que estabelecer cinco facções, mas você tem que reconhecer que há uma outra entidade, que é o divergente, e você também tem os sem facção. Portanto, há um mundo que realmente tem que ser construído para o cinema... O filme vai fazer isso um pouco mais eficiente.


Bookish: E, claro, há necessidade de dar ênfase ao romance entre Tris e Four.


Evan Daugherty: Eu dou atenção ao fato de é um livro YA com muita ação, e eu sei - tendo conversado com a Veronica Roth sobre isso - de que ela tem orgulho disso. Eu estou preocupado com a parte difícil do filme, mas de igual importância é a história de amor entre Tris e Four. É inerente e indissociável da jornada de Tris como personagem. Haverá muita tensão sexual e química, mas é importante que todas essas coisas não pareçam apenas terem sido jogadas ali, e sim que tudo isso ajuda Tris a crescer como um personagem.


Bookish: Como você tem trabalhado para passar as cenas das simulações para as telas?


Evan Daugherty: As simulações proporcionam alguns dos maiores desafios. Para referências cinematográficas, Chris Nolan fez um ótimo trabalho em “A Origem” com aquele mundo de sonhos que pareciam reais mas não eram reais. Você quer que as simulações sejam visualmente ricas, e você também quer que elas se sustentem. Você quer que elas sejam assustadoras e quer que elas sejam reais. 


Bookish: Você imaginou atores nos papeis que você está escrevendo?


Evan Daugherty: Apesar de todos os rumores do elenco que eu vi, eu realmente não deixei que as ideias entrassem muito na minha cabeça - provavelmente porque eu li o livro muitas vezes antes de começar a ver que a discussão acontecia [em fan-sites].



Veja também:

domingo, 23 de setembro de 2012

[Resenha] Procura-se um Amigo para o Fim do Mundo, filme

por Dana Martins


- "Procura-se um Amigo para o Fim do Mundo"
- Seeking a Friend for the End of the World (2012)
- Direção: Lorene Scafaria
- Roteiro: Lorene Scafaria
- Atores: Steve Carell, Keira Knightley, Adam Brody...
- Drama / Romance / Comédia - 14 anos - 101 min. - Trailer
- Nos cinemas brasileiros desde 31 de agosto de 2012









Mini-crítica: 
O que você faria se soubesse que o mundo vai acabar? "Procura-se um Amigo para o Fim do Mundo" é um drama/romance/comédia que fala justamente sobre isso. Nada de efeitos especiais ou eventos apocalípticos, apenas duas pessoas viajando atrás de seus últimos desejos. Ela percebe que depois uma vida incerta e com vários namorados quer é voltar para a família; ele , por outro lado, depois de uma vida segura e simples, quer reencontrar o amor de sua juventude. Vizinhos que nunca se falaram, acabam juntos nessa história sobre companhia. "Procura-se..." é um filme que eu descreveria como "light" ou suave, bem feito e que vale mesmo se você relaxar e aproveitar o que está assistindo.

Quer saber mais? Clique abaixo para conferir a resenha completa.

Olá, senhoras e senhores! Hoje nós vamos falar sobre o fim do mundo, ou quase isso. A cada dia que passa nós estamos mais próximos desse momento e a cada dia que passa mais um filme com esse tema estreia nos cinemas. Porém, "Procura-se um Amigo para o Fim do Mundo" não é apenas mais um desses filmes com esse tema, eles decidiram explorar o fim do mundo de um modo diferente.
*Aqui é a Dana falando, mas tem opinião da Igra também.

Se você soubesse que o mundo vai acabar em menos de um mês, o que você faria? Essa frase é até comum, mas eu não lembro de ver um filme que explorasse exatamente isso. Em uma mistura de drama, comédia e romance, "Procura-se um Amigo para o Fim do Mundo" nos mostra de um jeito leve os últimos dias de Dodge e Penny.

Ele é aquele cara que tem a segurança de um emprego fixo vendendo seguros(!), ela é aquela figura quase anos 60 meio desajeitada com uma longa lista de ex-namorados. Vizinhos, sem nunca se falarem, acabam juntos em busca dos seus últimos desejos. Ele quer encontrar uma namorada do colegial que era "o amor de sua vida". Ela quer retornar para a família.

Não espere por efeitos especiais ou a ação que normalmente são associados ao tema. A diferença desse para um drama/romance comum é que o mundo está acabando, então todo mundo decide fazer as coisas acontecerem e surgem algumas situações inusitadas.


Acho que esse não é muito um filme para se discutir, é mais para aproveitar a história enquanto assiste. Eu realmente gostei e assistiria outra vez numa boa. O estilo dele é diferente dos que eu fiz resenha até aqui, então não dá para colocar lado a lado.

Eu assisti com a Igra e ela tem a mania de me perguntar toda vez que o filme acaba: quantas conversinhas? Eu disse 4 (nunca foi tão fácil dar nota) e ela disse "daria uns 3,5". O argumento dela, que eu concordo, é que o romance entre o casal principal surgiu muito rápido. É claro que desde antes de assistir o filme você já sabe que eles vão ficar juntos. Ninguém procura só um amigo para o fim do mundo, mesmo que no contexto do filme "amigo" faça muito mais sentido do que "namorada". É sobre a companhia, entende? De qualquer forma, é um pouco rápido demais. Isso não me perturbou exatamente, só não é aquele amor QUE VOCÊ AGARRA A CADEIRA E REZA COM TUDO PARA ELES FICAREM JUNTOS! Na minha humilde opinião, o jeito suave de tudo combina com a história.

Eu fico com 4 porque o filme é bem pensado, sabe? Os personagens são diametralmente opostos, ele escolhe A e ela escolhe B. No fim do mundo, ele percebe que precisa do B e ela percebe que precisa do A. Na aventura para conseguirem isso, acabam dando conta de que juntos eles formam esse equilíbrio. E tudo isso você vai descobrindo durante o filme, no meio de uma caracterização "cool", cenários bem feitos, situações de fim do mundo legais e embalado por uma trilha sonora que vale a pena.

E por que não 5? O filme é legal, com certeza, mas não é AQUELE FILME OH MEU DEUS DO CÉU. A conversinha que falta nessa nota é mais porque o filme não chega lá do que por faltar alguma coisa. Além disso, acho que muita gente acostumada ao padrão simples do romance não vai gostar tanto assim, mas Para Sempre está aí para isso.

Além disso tudo, preciso acrescentar que o filme é com a Keira Knightley. Se esse nome não faz diferença nenhuma pra você, ignora.

Classificação:
(4/5 conversinhas)

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

[Resenha] Apaixonados, de Lauren Kate

por Paulo Vaughan
- Livro: Apaixonados
- Série Fallen #3,5 (foi publicado depois do livro 3, mas não faz parte diretamente da série)
- Autores: Lauren Kate
- Editora: Galera Record
- Comprar: Submarino, Travessa, Saraiva.
- No skoob








Mini-crítica:
“Apaixonados” é um livro que traz quatro contos da série “Fallen”, todos ambientados em um mesmo dia dos namorados na Inglaterra medieval. O livro é bem legal e rápido, leitura para um dia - dois, no máximo. Os quatro contos – que trazem a história de Ariane, Roland, Shelby, Miles, Luce e Daniel – foram construídos de uma forma bem legal pela autora, eles são uma mesma história dividida em partes, cada uma focando em um personagem.

O legal do livro é que ele não traz nenhum spoiler dos livros lançados antes dele e, por isso, é uma boa para você que quer conhecer a série “Fallen”, mas que não sabe se vai ou não gostar ou não (além de ser mais barato do que os outros livros da série).

Quer saber mais? Clique abaixo para conferir a resenha completa.

Apaixonados é um livro com quatro contos – de amor, como diz a capa – da série “Fallen”. Todos os quatros contos são ambientados no dia de São Valentim, o dia dos namorados, na Inglaterra medieval.

O livro se passa depois do momento em que Luce viaja no tempo através de um Anunciador e várias pessoas vão atrás dela, no fim de “Paixão”. Mas se você não leu algum dos livros da série (ou até mesmo nenhum), não se preocupe porque essa resenha não tem nenhum spoiler importante.

O primeiro conto, “O amor onde menos se espera”, traz a história de Shelby e Miles, os nephilim que se tornaram amigos de Luce em Shoreline. É o conto mais simples do livro, parece que a autora só o colocou ali para introduzir os outros contos e aproveitou para dizer logo como os dois se apaixonaram.

O conto seguinte é do Roland, um dos anjos caídos, e se chama “Lições de amor”. O título já é uma dica; nesse conto o Roland do presente “reencontra” o seu verdadeiro e único amor, que teve que abandonar por ser imortal. Eu gostei bastante desse (é o meu segundo na ordem de preferência), porque ele desenvolve mais um personagem tão legal que não tem taaanto destaque assim nos livros da série.

Depois, temos o meu conto preferido, “Amor ardente”, que é da Ariane. Vocês não sabem o quanto eu gosto da Ariane (ela até é, junto com o Cam, a minha personagem preferida da série) e eu adorei o conto. Nele temos a (sofrida) história de amor dela com a Tess, uma anja caída que se aliou à Lúcifer.

O último conto é, pelo menos para mim, o mais sem graça e monótono. Tinha que ser, é claro, da Luce e do Daniel. “Amor sem fim” traz uma "noite inesquecível" (palavras da sinopse! Haha) do casal mais chato da literatura.

Não sei se vocês sabem (acho que não porque nunca resenhei nenhum livro da série antes), mas eu gosto muito de “Fallen”. É uma daquelas séries que tem os protagonistas mais chatos, história clichê, mas que te prende, sabe? E, como eu já imaginava, eu gostei bastante de “Apaixonados”. O livro é bem rápido e divertido, li em um único dia.

Uma das coisas que mais me agradou no livro foi a forma como a Lauren Kate o estruturou. Os contos não trazem histórias aleatórias do dia dos namorados, eles contam uma mesma história dividida em partes, cada uma contando uma história de amor. O livro, porém, seria melhor se tivesse um conto para o Cam.*
* Eu prefiro a Luce com o Daniel, sim, mas o Cam é um personagem com uma história muito mais interessante do que o seu “rival” no triângulo amoroso.

Uma coisa que eu pensei logo depois que terminei o livro e que é uma dica legal, é que se você não sabe se vai gostar ou não da série “Fallen” e tem medo de começar, leia “Apaixonados” antes. Por mais que ele seja localizado depois do terceiro livro, ele te dá uma ideia do que é a série e é vantajoso para você lê-lo primeiro porque, além de ser menor, é mais barato. 

Sobre a nota: “Apaixonados” é legal, mas assim como os outros livros da série,  leva apenas 3 conversinhas porque não é especial nem tem uma história para receber uma classificação maior.

Classificação:
(3/5 conversinhas)

Até a próxima! ;)

quarta-feira, 20 de junho de 2012

[Resenha] Dividindo Mel, de Iris Figueiredo

por Paulo Vaughan
- Livro: Dividindo Mel
- Livro Único
- Autora: Iris Figueiredo
- Editora: Draco
- Comprar: Amazon, Travessa, Saraiva.
- No skoob










Mini-crítica:
O livro conta a história de Melissa Prudente, uma garota de 19 anos que começa relacionamentos amorosos tão rapidamente assim como os termina. Depois de conhecer um cara bonitão na rua e ter descoberto que ele é filho do advogado de seu pai, ela logo se apaixona por ele. Eles namoram mas logo Mel fica abalada enquanto redescobre os seus sentimentos pelo melhor amigo, Mateus. A leitura foi muito agradável porque o livro é leve e descontraído, daqueles que você pode ler em um único dia, sem compromisso. Recomendado para os amantes do gênero e também para quem, assim como eu, está querendo descobri-lo.

Quer saber mais? Clique abaixo para conferir a resenha completa.

 “Dividindo Mel” traz a história de Melissa Prudente, uma garota de 19 anos. A garota tem uma espécie de carma: ela se apaixona rápido demais (e, consequentemente, namorando demais) e termina esses relacionamentos na mesma velocidade (para vocês terem ideia, em uma passagem do livro ela namorou dez garotos em um período de dois anos). O livro começa depois de ela ter terminado com um namorado e ela está naquele período de fossa e tal, ela não fica, porém, sozinha. Ela tem a Rebeca, que é a sua melhor amiga e é daquelas com que você pode contar em todas as horas.

Do jeito que a Melissa é, bastou conhecer um cara bonitão na rua para se apaixonar novamente. A situação piorou (ou melhorou?) para ela depois de descobrir que Ricardo, o cara que conheceu na rua, era filho do advogado do seu pai. Os dois começaram um relacionamento, mas, como a Frini sempre diz, tem que ter dois gatinhos na história.

O segundo gatinho de “Dividindo Mel” é, na verdade, o melhor amigo da Melissa, o Mateus, que ela conhece desde criança. Depois da viagem que ela e seus amigos fizeram durante as comemorações de fim de ano ela percebeu que na verdade sempre o amou. Bem, o resto você já deve ter percebido qual é.

“Dividindo Mel” foi uma surpresa boa por dois motivos. Primeiro porque esse foi primeiro chick-lit* que eu li e foi uma leitura bem agradável. E segundo porque eu adorei a escrita e o estilo da Iris Figueiredo o que de certa forma foi uma surpresa porque eu adoro as resenhas dela (para quem não sabe, ela é a dona do Literalmente Falando) e não tinha certeza se o livro dela seria tão bom quanto.
*Não gosto muito desse termo, maaaas...

Gostei bastante da escrita e do modo que a Iris narra, é bem leve e agradável. Uma coisa que não incomodou a mim especificamente, mas que pode ter incomodado alguém é que o livro é bem “regionalizado”. É que a autora situou a história em Niterói e ao longo do livro ela acabou usando nomes de ruas e avenidas que mesmo eu morando em uma cidade vizinha eu não conheço e acabei ficando "desnorteado". Sei que outros autores situam suas histórias em países distantes e do mesmo jeito eu não sinto isso, porém esses autores descrevem as ruas e fica mais claro e quando usam o  nomes de alguma rua é uma já famosa e tal. Não sei se ficou claro, mas de qualquer forma não é exatamente uma reclamação, apenas um detalhe que eu não gostei muito.

E fiquei feliz porque os diálogos foram bem convincentes. Digo, depois de ter lido alguns livros de autores brasileiros com uns diálogos bem falsos e superficiais meio que fiquei traumatizado (?). E não pense que é preconceito meu, tem muito livro de autor estrangeiro com diálogos como esse que eu inventei para exemplificar:
- Amiga, amei seu penteado novo!
- Ah, fiz pra festa de hoje, não está lindo?!
- Sim! Agora você está pronta, força na peruca!
- Não posso é balançar se não desmancha tudo! - Ri.

Enfim, "Dividindo Mel" me proporcionou um bom momento de lazer e indico para aqueles que procuram um livro para as férias ou um "feriadão". Leva 3 conversinhas porque o livro é divertido, agradável e tudo mais, porém não foi para mim especial a ponto de levar 4 conversinhas.

Sobre o ebook
Eu comprei um kindle recentemente e li esse "Dividindo Mel" nele e tenho que dizer que gostei bastante. A diagramação é tão "bonita" quanto ao livro físico, porém nessa versão não há as ilustrações em cada começo de capítulo que eu vi as pessoas dizendo que tem. De qualquer forma, vale muito a pena comprar porque custa apenas 5 dólares e, obviamente, não há nenhum custo de frete. Aliás, se você tiver um kindle vale a pena conferir livros de autores nacionais lá. A própria Draco além de ter vários de seus livros em versões ebook (que variam de $5 até $10) tem diversos contos de autores brasileiros por $1 e $2. “Perdida”, um livro nacional que me chamou bastante atenção também tem versão em ebook por $5, mas não sei se outros da Baraúna estão disponíveis no formato. Isso é uma coisa muito legal porque é um sinal de que a editoras brasileiras estão investindo no ebook a preços bons* e espero que isso melhore ainda mais quando a Amazon finalmente chegar ao Brasil.
*Enquanto isso ainda tem muita editora grande cobrando no ebook apenas R$10 a menos do que o livro físico, o que se você pensar bem não é vantagem nenhuma.


Classificação:
(3/5 conversinhas)


Até a próxima!

domingo, 17 de junho de 2012

[Resenha] Para Sempre, filme

por Dana Martins


- Filme: "Para Sempre"
- The Vow (2012)
- Direção: Michael Sucsy
- Atores: Rachel McAdams, Channing Tatum, Jessica Lange, Sam Neill, Scott Speedman...
- Romance/Drama - 14 anos - 104 min. - Trailer
- Nos cinemas brasileiros desde 7 de junho de 2012







Mini-crítica: 
"Para Sempre" é mais um romance, mas não apenas mais um romance. Baseado em um caso verdadeiro, fala sobre Paige e Leo que tiveram sua história de amor interrompida tragicamente depois de um acidente em que ela perdeu a memória dos últimos 5 anos. Sem reconhecer o marido, ela precisa entender o que aconteceu nos últimos anos e por que havia se afastado da família. Ah, e por que teria se casado. Do outro lado, Leo busca um jeito de tentar reconquistá-la e lidar com a situação. O filme traz o romance de uma perspectiva de filmes mais alternativos, constada pela trilha sonora com tendência indie, e inova um pouco. É uma boa resposta para aqueles casos em que a pessoa chega em um locadora e pergunta "O que tem de bom de romance por aí?". Independente do livro, a história com certeza funcionou no filme. Ainda mais se você lembrar que tem a Rachel McAdams e o Channing Tatum como o casal principal.

Quer saber mais? Clique abaixo para conferir a resenha completa.

Eu fiquei sabendo desse filme há bastante tempo, antes mesmo de saber que tinha um livro, e já quis ver de cara. O motivo é simples: Rachel McAdams. Ela é uma das atrizes que eu sigo tanto quanto posso (até agora não me decepcionei). É claro que o Chaning Tatum também faz chamar atenção, mas não sei se correria para o cinema só por causa dele.

Mesmo querendo ver, eu não esperava muito do filme. Achei que ia ser aquele simples romance água com açúcar que todo mundo já conhece e assiste mesmo assim. No entanto, me surpreendi ao encontrar um filme que vai um pouco além e traz o romance/drama de um ângulo alternativo (e, aliás, não é só romance). Lembra um pouco ao clima de "Uma Noite de Amor e Música", mas mais adulto.
Paige e Leo se conhecem, se apaixonam, se casam... e sofrem um acidente. Ela perde a memória dos últimos 5 anos e não sabe nem quem ele é. Para piorar, durante esse tempo ela havia mudado radicalmente a própria vida (se mudou para a cidade, não falou mais com os pais, trocou a faculdade de direito por artes...). É como se ela acordasse como a Paige de 5 anos atrás e não fizesse ideia de por que ela teria feito tal mudança. No caminho para colocar a vida no lugar, ela precisa lidar com os pais que estão felizes em apagar os últimos anos e com Leo que decide reconquistá-la. 
Por essa sinopse, faz parecer que a história é centrada na Paige e é já por isso que o filme começa a se destacar. O filme é como se fosse o ponto de vista dele, há até uma narração e uma tendência para torcermos por ele. Ao mesmo tempo, a parte de evolução e descobertas acontece com ela, o que cria um romance mais equilibrado.

Outra diferença interessante é que é um romance que não é muito focado na descoberta do romance, "Para Sempre" é mais sobre a validação do amor entre um casal. Nós vemos, é claro, como eles se conheceram e vários dos momentos bonitinhos que eles compartilhavam (aliás, eles aparecem em vários momentos do filme, no maior estilo "owwwn"), mas não é apenas isso.


Por exemplo, assisti do mesmo estilo "Querido John", também com o Channing Tatum, e é um filme até legalzinho, mas muito simples e comum. Ao mesmo tempo não é igual ao "Diário de uma Paixão" com a Rachel McAdams, que acho que é referência quando se fala em filmes e história de amor.
*Aliás, os dois atores são conhecidos por filmes do estilo, sempre que sentir vontade de ver um romance é uma boa dar uma olhada na filmografia deles. 

Os romances empacotados normalmente tem dois extremos: ou a comédia ou o drama. Você vai rir com as confusões do casal, tipo "A Verdade Nua e Crua", ou morrer de chorar tipo "A Casa do Lago" (ou qualquer um do Nicholas Sparks, só não quis repetir). Já em "Para Sempre" você vai conseguir rir e chorar, mas não exageradamente. Existem vários momentos que vão te fazer sorrir e até rir, o suficiente para divertir. Ao mesmo tempo, vai ter aquele momento que vai fazer os mais sensíveis derramarem algumas lágrimas, nada depressivo.

O filme foi baseado em um livro que teve base em uma história real. Eu não li o livro e não sei até que ponto foi fiel e nem se o livro foi fiel ao que aconteceu de verdade, porque as coisas parecem bem encaixadas demais no filme para ter acontecido igual na realidade (ou no livro). De qualquer forma, ainda ficou realmente bom e traz aquele ar "o mundo real não é tão ruim..".

Comentários aleatório: Gente, não sei se é o meu novo vício em Homem-Aranha, mas o Scott Peedman nesse filme me lembrava toda hora ao Andrew Garfield (nesse filme, em alguns momentos. antes que vocês achem que eu enlouqueci). E a trilha sonora, hein? Não é A trilha sonora, mas com algumas músicas legais que valem a pena. Me surpreendi agora com a censura de 14 anos, deve ser só por causa da bunda do Channing Tatum.

Livro vs. Filme
Eu não li o livro, então realmente não posso fazer Livro vs. Filme de verdade, mas como eu sei que teve gente que leu e não gostou, achei que valia a pena comentar. Não sei se o livro é bom, mas a história no filme funcionou bem e serve para quem está procurando um romance. Eu não li o livro e sinceramente não tenho vontade de ler, não é exatamente o meu tipo de história (para ler). Acho que como filme já está muito bom, gostei de ter visto.


Sobre a nota: Um 4 acho que é uma boa nota. Ele não deve nada ao estilo, dificilmente alguém vai sair do cinema reclamando e chega até a acrescentar alguns novos elementos. Não posso dar 5 conversinhas simplesmente porque não dá para dizer que é O romance do século, como alguns outros. Só para lembrar: quando eu dou essa nota eu não estou comparando com um tipo "Branca de Neve e o Caçador", que recebeu a mesma aqui, mas que é de outro estilo.

Classificação:
(4/5 conversinhas)

terça-feira, 12 de junho de 2012

Três livros sobre... amor



A Iris Figueiredo tem no blog dela, o Literalmente Falando, uma "coluna" chamada 'Três livros sobre...'. A proposta é pegar um tema e depois escolher três livros dentro dele e comentar sobre cada um, se gostou ou não, as diferenças e semelhanças entre cada um, etc. Nós do CC resolvemos (com autorização da Iris, claro) fazer uma adaptação da coluna e postar aqui no blog. Como somos três na equipe, cada um de nós escolheu um livro dentro do tema - o de hoje em homenagem ao dia dos namorados, o amor - e comentamos a respeito. Quer saber o resultado? É só continuar lendo esse post. (: (E aproveitem o dia dos namorados! haha)


Acho que tem romance em todos os livros na minha estante (menos, imagino eu, na edição de "Código Civil" do meu avô), mas para ser sincera eu quase não li livros focados no romance em si. Deve ser por isso que quando o tema é romance eu lembro de "Três Metros Acima do Céu". Eu li faz muito tempo e "roubado" da minha amiga, mas até hoje eu lembro de partes da história e dos personagens.

A história é básica: Babi uma garota meio "patricinha" e ligada nas regras esbarra com Step, o tipo bad boy. Mas, acho que até por ser de um autor italiano, não é o clichê. Nós vamos conhecendo os personagens e vendo todos os momentos que eles passam nessa relação te quero/não te quero. É jovem, divertido e cria momentos ótimos. Para o dia dos namorados, até dá umas dicas do que fazer (um namorado da Babi faz tipo um "caça ao tesouro" com ela, como no clipe de "Secret Valentine" do We The Kings). Você já deve ter visto algum dos outros livros do Federico Moccia e todos parecem ser focados no romance. fikdik
-Dana Martins


Vocês já devem ter percebido que eu não canso falar de "Um Dia", já falei dele nas indicações para quem procura amor e também já fiz um "Livro vs. Filme" para ele. Acontece que esse livro do David Nicholls é maravilhoso e todos precisam ler. A história é a seguinte: Emma Morley e Dexter Mayhew - ou simplesmente Emma e Dex - se conheceram em 1988, na festa de formatura da universidade. Eles sabem que no dia seguintes seguirão caminhos diferentes, mas como esquecer um ao outro? A história se desenrola e vemos os vinte anos seguidos narrados no Dia de São Swithin - 15 de julho. Entre erros e acertos vemos como a vida e a amizade dos dois foi seguindo depois daquele dia cheio de expectativas para o futuro em 1988. 

"Um Dia" é lindo,  fiquei emocionado com vários trechos, não posso negar. O mais engraçado é que eu não sou nem um pouco fã de livros que focam somente no romance*, Nicholas Sparks e companhia não tem o meu amor. Não consigo me identificar, acho meloso demais (mas tem alguns livros YA que tem bastante foco no romance e que eu gosto), mas mesmo assim "Um Dia" me prendeu. Acho que porque ele tem tudo na mesma medida, o autor não exagerou no "melado" nem no "seco" (?), ficou na medida, "natural". 
*Não posso dizer que não gosto de romance, como a Dana disse, todos os livros que lemos tem romance. E acho isso positivo, porque, por mais eu odeie essa palavra, é o "natural" da vida.

O mais legal de "Um Dia" é que não tem um público que leia mais, todos leem. Para terem ideia, o livro está emprestado com uma tia minha (Ei, você está com o livro há 5 meses e só passou da metade agora. Estou de olho!), depois uma amiga quer e depois ainda vai para meu tio-avô. E o chato é que você vai procurar outros do autor querendo mais um romance lindo mas pode acabar ficando decepcionado, "Resposta Certa" que a Intrínseca está lançando esse mês, por exemplo, parece seguir um estilo bem diferente.

-Paulo Vaughan


A maioria dos livros que eu li continham alguma coisa mais que o romance em si. Na verdade, acho que quase nenhum deles possuía apenas o romance. Não como foco, pelo menos. Acho que foi por isso que eu acabei me voltando para o tio Nicholas Sparks. É meio difícil falar em história de amor sem lembrar dele. Fora que os filmes baseados nos livros são tantos que quase equivalem à quantidade de obras que ele publicou.

Embora eu só tenha lido esse livro dele, acredito que todos devem seguir a mesma linha. Ao menos a maioria. Um casal apaixonado que precisa enfrentar algum tipo de obstáculo para conseguir ficar junto. No entanto, "Noites de Tormenta" talvez seja o livro com os protagonistas mais velhos.  Paul e Adrienne têm ambos mais de 50 anos quando a história começa. E diferente de Diário de Uma Paixão, que faz um retrospecto para quando ambos eram jovens, dessa vez vemos um passado não tão distante assim. Os dois se conhecem já depois de terem tido filhos e já terem sido casados. Durante uma tempestade que dura pouco mais de um fim de semana, os dois são sobressaltados pelo sentimento que julgavam não serem mais capazes de sentir (não depois de tanto tempo por aí).

Adrienne, mãe de três filhos, fica responsável por uma hospedaria enquanto sua amiga (a dona) viaja devido a um casamento. Paul, o único hóspede, se instala no lugar por conta da necessidade de falar com alguém que mora na região. No entanto, o curto período de tempo - que não chega nem a uma semana - é suficiente para fazê-los se aproximar. A aproximação é ainda mais intensa porque há uma tempestade chegando, o que acaba dificultando a saída dos dois do local - mesmo que seja para fazer compras no supermercado. O romance é lindo, algumas passagens são realmente muito boas e embora  eu não tenha a idade deles, é bem fácil imaginar que a maioria das pessoas, ao chegar nessa fase da vida, se sente da mesma forma. É quase familiar, mesmo que de alguma forma seja surpreendente.

- Igraínne Marques

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

[Resenha] Ainda não te disse nada, de Maurício Gomyde

por Dana Martins
- Livro: Ainda não te disse nada
- Livro único
- Autor: Maurício Gomyde
- Editora: Porto 71
- Comprar: Loja virtual do autor *onde eu comprei o meu, segura e rápida
- No skoob
*Acho que com a minha resenha pode acabar parecendo que é tipo Thalita Rebouças, mas não é. É mais adulto (garotas a partir de 14?), eu diria que um público parecido com o dos filmes "Cartas para Julieta" (já citado) e "Amizade Colorida". E garotos podem gostar também, se não tiverem preconceito. 




Mini-crítica: 
"Ainda Não Te Disse Nada" é sobre uma garota que deixa a cidade no interior e vai morar sozinha em São Paulo para se dedicar ao seu sonho: seguir na carreira de moda. No meio disso, sem querer, acaba virando um "anjo carteiro". O que ela faz é responder as cartas de um senhor em Portugal que acredita que está falando com um antigo amor. A história oscila entre a dedicação de Marina pela carreira, a vida amorosa dela e o mistério das cartas, todas essas pontas que no final acabam se encontrando. É um livro pequeno e leve que pode valer a pena para quem quer passar o tempo com um romance que lembra ao filme "Cartas para Julieta". Provavelmente, por ser uma história simples e tocante, o maior ponto positivo do livro é você poder emprestar para amigas, primas, tias...

Quer saber mais? Clique abaixo para conferir a resenha completa.
Esse livro começou a parecer em vários blogs por aí e pela capa bonita eu pensei que fosse algum novo da Intrínseca (vai entender...) ou algo assim, então foi uma surpresa quando eu descobri que era de um autor brasileiro. Ainda sem saber muito sobre o que era, vi que estava barato e decidi comprar, porque eu sempre tenho a esperança de encontrar bons autores daqui. A leitura foi uma surpresa, simples e um jeito gostoso de ler, trazendo uma história brasileira, atual e que não deve nada ao que tem lá fora. 

Sinopse: "Ainda não te disse nada" conta a história de Marina Albertini, uma garota de cidade de interior que troca a segurança de seguir os passos dos pais assumindo o negócio da família para se aventurar em São Paulo e estudar moda. Ela trabalha durante o dia numa agência de Correios e de noite vai para a faculdade, mantendo um pequeno apartamento onde ela mora sozinha. Os dias dela são praticamente isso: trabalho, passa em uma livraria para estudar até a hora da faculdade, faculdade e casa. Rotina que volta e meia é alterada para uma visita aos pais ou sair com as amigas. A vida dela continuaria assim, se dedicando à carreira e esperando uma oportunidade, se não fosse uma conversa com uma amiga de trabalho sobre o valor das cartas em um mundo cheio de técnologia como o nosso. Conversa que é seguida por um encontro estranho com uma mulher que se diz ser um "anjo carteiro", pessoa que é contratada para escrever fingindo ser um antigo amigo de alguém e, com isso, trazer algum ânimo para vida dessa pessoa. Logo depois, Marina se vê na mesma situação: escrevendo para um desconhecido como se fosse uma antiga namorada.

O livro é bem leve e consegue equilibrar todos esses conflitos com um tom de comédia romântica (me faz lembrar um pouco ao filme "Cartas para Julieta" e do livro "Três Metros Acima do Céu", do italiano Federico Moccia). Quando eu fui ler, imaginei que seria muito mais sobre as cartas, mas "Ainda não te disse nada" não é só sobre isso, até porque a Marina precisa de certo tempo no início para entender o que é, começar a fazer, duvidar se vale a pena... Só para o final que essa parte ganha realmente mais força. É aí que eu acho que o autor fez algo inteligente: se o livro fosse só as cartas, o início poderia ser cansativo, mas habilmente ele coloca a vida amorosa dela em jogo e traz um professor bonitão para criar expectativa. Sem falar das amigas dela que trazem boa diversão.

Aproveitando isso, outro ponto que vale lembrar é como os personagens recebem certas características: uma das amigas, quer ser escritora e vive parando para gravar pensamentos, o que rende boas piadas entre elas; A outra tem uma filha menor; Todas elas estão sempre falando de "questões amorosas"; E a própria Marina tem a mania de fazer listas de músicas com artistas que começam com a mesma letra (seria algo como Maroon 5, Mariah Carey, Mamonas Assassinas...), o que eu achei bem legal. São detalhes aqui e ali que dão mais cor - ou sabor - ao livro.

O livro é narrado em terceira pessoa e às vezes vemos trechos das cartas que ela recebe e escreve, mas o que realmente chama atenção são os diálogos. O modo deles falarem é muito próximo do natural (garotas jovens, da nossa época, brasileiras...). No início, a leitura fica estranha por falta de costume, mas depois de se acostumar flui normalmente. Esse jeito de mostrar o modo como elas falam só acrescentam na criação dos personagens e na aproximação entre livro e leitor. Eu não falo como elas, mas consigo imaginar claramente muitas pessoas ali.

Já que estamos falando de "imaginar muita gente ali", vou aproveitar para comentar sobre esse lado "atual" do livro - e não vejo isso apenas como uma forma de "agradar os leitores" como diriam por aí. Marina é uma garota decidida a fazer moda, tem um blog, fala como a gente, sai à noite (apesar de nem sempre ter vontade), pensa como boa parte das garotas e ainda tem amigas bem comuns. Às vezes, buscando fazer um livro "correto", o autor acaba passando por cima disso. Às vezes, não usar gíria ou se espelhar na realidade assim é o mesmo que fazer um filme de época e aparecer o ator de calça jeans (imagine "Tróia" com o Brad Pitt de jeans e camisa quadriculada \o/).

Como eu também gosto de equilibrar, o livro tem, sim, seu lado "negativo". (1) O público é meio restrito, ao mesmo tempo que é muito mais fácil indicar para aquela sua amiga que não costuma ler, não é nem para sua priminha nem para o seu pai. Garotos podem ter problemas se tiverem a cabeça mais fechada. (2) Uma coisa que sempre me faz questionar é por que as amigas dela fazem a mesma faculdade sendo que uma quer ser escritora e a outra é corretora (ou algo do tipo), além de parecer que elas nem têm tanto interesse (só em um momento do livro isso aparece e pouco). Parece mais que dessa vez o Maurício Gomyde fez isso só porque era mais conveniente. (3) Porque sempre tem um três, mas vou aproveitar para repetir: é um livro que depende de gosto, então não é qualquer um que vai ficar feliz.

Então, no geral, é um livro fácil de ler e que dá curiosidade, bom dentro do próprio estilo e que muita gente pode gostar. As minhas partes preferidas são, com certeza, as que mostram a dedicação da Marina, que desenha e busca crescer na carreira. O final um pouco previsível, mas que não deixa de surpreender, também é uma das partes mais legais. O drama por causa das cartas e algumas coisas quanto à forma de raciocinar eu não gosto muito (ou seja, isso é pessoal). O livro tem só umas 230 páginas, então passa rápido e vale a pena.

Pequeno aviso: eu sei que tem gente que não gosta, então é bom saber que em algumas partes a descrição vai mais longe do que "e eles se beijaram". Quanto a isso, "Ainda não te disse nada" está muito mais para "Amizade Colorida" do que para "Cartas para Julieta".

Extra - É seguro comprar o livro?
Eu comprei o livro pela loja do autor e sempre que a gente encontra algo de uma fonte "desconhecida" dá um medo, não é? Eu, pelo menos, tenho o maior cuidado com isso na internet. Resolvi tentar e deu tudo certo. O próprio autor, Maurício Gomyde, me respondeu rápido e cheio de educação. Enviou logo no dia seguinte e o livro não demorou a chegar aqui. Veio até autografado. Eu gostei tanto do atendimento que fui pedir uma parceria com o autor, que nos chamou agora para a nova promoção dele. Quem quiser/puder, participa aqui que é muito importante para gente e para o autor. Além de estar bem fácil ganhar o livro dele. :)

Classificação:

4 de 5 conversinhas, porque eu não vejo nada de negativo para não receber nota máxima (no caso, 4). Só dou 5 para os que viram preferidos. 

Semana que vem tem mais... e não esqueça de concorrer ao livro!

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Em Outros Bares #9 - Chick-lit, Capas, Slogans e uma garota que lê


O nono EOB traz quatro notícias - tem para todo mundo, desde livros, romance, fotografia, e até... Chuck Norris? Não exatamente. Separei os posts que mais nos chamaram a atenção nos últimos dias e quero saber se você também achou algo legal! Viu um post interessante por aí e achou que ele tem a cara do CC? Preencha esse formulário e nós indicaremos o post aqui!

>>>Você  sabe o que é chick-lit? - Estante Vertical
É tanta classificação que tem por aí no mundo literário que a gente acaba se confundindo de vez em quando (Chick-lit pra um lado, YA pro outro, distópico, contemporâneo... Tem para todos os gostos). É por isso que eu adoro esses posts que discutem as variedades, como nós fizemos com Triângulos Amorosos por aqui. Conhecendo ou não, vale a pena dar uma passadinha para ver um pouco mais sobre o que é chick-lit.

>>>Capas pelo Mundo - April-1993 
Adoro capa de livro (MESMO) e outro dia estava comentando sobre a capa espanhola de "A Guerra dos Tronos" no twitter. Então eu adorei quando encontrei no April-1993 uma coluna as diversas capas pelo mundo afora. O link indicado é para as da série Feios, cujo último livro, Extras, está sendo lançado pela Galera Record por aqui.

O título não é de um post, mas de um dos slogans que esse site faz. Como o próprio nome diz e é fácil deduzir: é um site simples que cria slogans. Uma montanha deles, com diversos temas. Basta entrar, digitar o nome e clicar em "Make a Slogan!". Pronto, aí está o seu. Porque... "mmmmh... ConversaCult". Ou, como a Dana tentou: "Dana is your freedom" (mas é claro que fizemos um slogan pra a gente e pra tudo o que conhecemos! u.u).

>>>Namore uma garota que lê - Equalize da Leitura
Achei esse texto por acaso na internet, e achei muito interessante. Não só pelo clima leve, mas também pela veracidade dos fatos. Tudo que é dito é inegavelmente verdade, e ao mesmo tempo... lírico.  E se você é do tipo que não curte muito poesia em post, saiba que o amor está em todo lugar! E também (é claro), está presente nos livros, mas aposto que dessa parte você já sabia. E leitura faz sim diferença! Esse post que o diga.

Veja Também:



Até a próxima!

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

[Resenha] Sangue Quente, Isaac Marion

por Dana Martins


- Livro: Sangue Quente
- Livro único
- Autor: Isaac Marion
- Editora: Leya
- Comprar: Saraiva, Fnac, Walmart
- No Skoob
- Sinopse: Incluída na resenha








Mini-crítica: 
Sangue Quente é uma história de zumbi sobrenatural sobre uma maldição que atacou a humanidade. O livro tem um toque de mitos antigos (como histórias de pirata), mas ambientado em um cenário pós-apocalíptico onde os humanos tentam dar os primeiros passos para se reerguer. Além disso, como tudo é narrado da perspectiva de um zumbi, não há tanto daquele terror de "mortos-vivos me seguindo", o lado levemente macabro fica com os esqueletos. Só para terminar: não é um livro bonito pra criancinhas e menininhas apaixonadas, é bem cru (mais pelo lado psicológico). Se você procura o zumbi de laboratório ou romance, essa não é a sua opção. Pelo mundo, pode ser um Gone para pessoas um pouco mais velhas. 

Quer saber mais? Clique abaixo para conferir a resenha completa e a sinopse. 


Não tem como começar uma resenha sobre esse livro de outra forma que não seja: tudo o que você pensa está errado. Errado porque pelo menos 80% das pessoas que conhecem ou vão ficar sabendo sobre Sangue Quente vão formar uma ideia diferente. Eu era uma delas. 

Adoro zumbis e histórias de sobrevivência em um mundo dominado por eles (se não for terror, é claro). E quando eu vi que Sangue Quente era um livro narrado por um zumbi que pensava e ainda se apaixonava, meu lado superprotetor ficou todo atacado. E a história só piorou: “é um romance!”, disseram. “É o Crepúsculo dos zumbis!”, “Necrofilia!”. Comecei o livro pingando preconceito e pronta pra criticar até a pontuação. E, olhe só, agora estou aqui introduzindo uma resenha com o meu lado superprotetor a favor de Sangue Quente.

Sinopse: O livro é centrado em R, um zumbi. “R” porque é tudo o que ele consegue lembrar de seu nome, mas isso é uma sorte, alguns não lembram de nada. R sempre foi um zumbi diferente e refletia muito sobre o que acontecia, apesar de não conseguir verbalizar. Ele vivia no nada, cedendo à fome, até que um dia ao comer o cérebro de um garoto e roubar suas memórias as coisas mudam. Essas memórias são mais vívidas que o normal. Ele também acaba assumindo o espírito protetor do garoto quanto à namorada dele, Julie. A partir disso, todas aquelas reflexões deixam de ser apenas pensamentos largados e começam a se agrupar, ele começa a mudar.

O livro é sobre a busca de R para voltar à vida (não uma história de amor entre um zumbi e uma garota!!!). Como o autor até falou em algumas entrevistas, é meio que uma brincadeira com o próprio ser humano que vai se afastando dos significados da vida e vivendo no “automático”. E, no próprio livro, os humanos (Vivos) também acabam ficando meio no automático, mesmo ainda vivos.

No caminho da busca à vida, ele tem Julie, a quem quer proteger e, de certo modo, sente como se fosse a ligação dele com o mundo dos humanos. Tem o Perry, o garoto de quem ele comeu o cérebro e partilha das memórias. M, seu melhor amigo zumbi. Nora, a melhor amiga humana de Julie. Todos personagens criados com certa profundidade que contribuem para a história ser o que é. 

O livro é encaixado em YA e há aquela comparação a Crepúsculo, como eu disse no início. Só que o livro não é nem um pouco inocente, tratando de assuntos sérios, que me fez lembrar até de Os 13 Porquês pelo clima às vezes. A escrita também é bem trabalhada e às vezes a descrição é tão boa que você consegue imaginar exatamente a expressão do personagem. Aqui há um ponto que pode ser criticado, talvez, por ser estranho um zumbi pensar com um vocabulário tão amplo, mas depois do início isso não chama mais tanta atenção.

Outro ponto positivo do livro é o mundo criado. Sangue Quente não se passa quando tudo está acabando (tipo Apocalipse Z) nem quando tudo já foi reconstruído (Jogos Vorazes). A história é a de que o mundo já estava desandando e ocorreram as tempestades, o mar avançou em áreas e todos aqueles problemas típicos de fim de mundo (que me fez lembrar até da história do fim dos EUA em Jogos Vorazes). Uma das consequências negativas disso é o zumbi, que só apareceu depois que tudo já tinha desandado. Então, nesse período “intermediário”, as coisas são diferentes. É muito interessante ver como eles tratam de coisas que são importantes hoje em dia e mudaram com tudo isso, tipo o dinheiro e a ideia de país.

E o zumbi? Realmente perdeu a essência? Pelo contrário, esse é um dos (se não o) zumbi mais comum que existe. Eu nunca tinha visto ou lido algo com um zumbi tão estereótipo de zumbi. Ele come gente (principalmente cérebros), anda torto, se arrasta, faz aquele grunhido estranho... Eu já suspeitava enquanto lia, mas em uma entrevista do autor ele diz que foi exatamente essa a intenção. Até isso do zumbi se comunicar já apareceu em um filme do George Romero. A principal diferença desse zumbi, talvez, é que parece surgir uma salvação. Aí sim é que muda toda a perspectiva e alguns não entendem e criticam.

Uma coisa que eu não posso deixar de comentar é a justificativa disso tudo. Vírus? Diabo? Na verdade, a palavra com que eu defino Sangue Quente é maldição. É como se fosse uma maldição jogada na humanidade e ela precisasse se livrar disso, então toda a história é baseada nessa ideia. Me fez lembrar muito Piratas do Caribe, em que os piratas têm aquela maldição porque roubaram o tesouro e na lua viram esqueletos. Ah, aliás, há esqueletos presente nesse livro e eles, sim, são a ameaça.
*dizer que o que acontece em Sangue Quente é ruim porque é sobrenatural e fantasioso é o mesmo que dizer que Piratas do Caribe é uma droga porque o Kraken não existe. Você tem que sentar para ler Sangue Quente da mesma forma que você leria A Bela e a Fera, em mente que há um tom de magia em tudo. 

Então, com isso, termino a resenha de Sangue Quente com uma outra “sinopse”, que vai dar ideia do que o livro é:
Ele é um pirata amaldiçoado que vaga sozinho pelos mares sem esperança, até encontrar essa mulher, uma pirata aventureira que parece a sua chance de salvação. Seguindo-a, ele busca sair desse estado e voltar para vida, mas nem todos vão ficar felizes com isso.
Agora pegue a história que você imaginou e adapte-a num cenário do futuro em que o nosso mundo está caindo aos pedaços. Sangue Quente.

Sobre o filme:
O livro está sendo adaptado para os cinemas, ainda sem data de estreia (dizem que em agosto). Nicholas Hoult (Skins e X-Men: Primeira Classe) será R e Teresa Palmer (Eu Sou o Número Quatro) será Julie.  A primeira imagem divulgada, um pôster Crepúsculo-wannabe, assustou a todos (e não por causa do zumbi!), mas as mais recentes parecem salvar um pouco mais a situação. Você pode ver algumas do R aqui (de onde eu tirei essa de baixo) e algumas do cenário pós-apocalíptico aqui. Veja mais no IMDb do filme.



Classificação:
 (4/5 conversinhas)