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quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

[Resenha] Uma Garrafa no Mar de Gaza, de Valérie Zenatti

por Dana Martins
- Livro: Uma Garrafa no Mar de Gaza
- Livro Único 
- Autor: Valérie Zenatti
- Editora: Companhia das Letras
- Comprar: Travessa
- No skoob











Mini-crítica ~ Resumo:
 Uma garota israelense joga uma garrafa no mar de gaza com uma carta que é um desabafo sobre a própria vida, tudo o que ela quer é ter certeza de que na Palestina alguém também quer a paz. Ela consegue a resposta, mas não é o que esperava. Com o nome de "gazaman" um homem (velho? garoto? menino?) aproveita o contato para despejar o ódio diretamente. Mas ela é muito sonhadora para desistir com algumas palavras rudes. A história, que nós conhecemos através de cartas e diários dos personagens, acaba sendo sobre "se conhecer". Nós conhecemos os personagens e os personagens se conhecem, como uma prova de que não somos tão diferentes assim. "É um livro simples, bonito, leve... Só tem realmente 120 páginas e eu indico para qualquer um. Tanto para quem quer algo no estilo 'romance virtual', quanto para quem quer conhecer de uma maneira simples e divertida a relação entre Israel e Palestina."

Quer saber mais? Clique abaixo para conferir a resenha completa.


Por causa de livros como "O Caçador de Pipas" quando eu vi que esse livro era no oriente médio fiquei com uns mil pé atrás. Não é que "O Caçador de Pipas" seja ruim, é que é tão triste que eu não quero mais. Mas eu fiquei curiosa porque ele está saindo pela Seguinte, o selo jovem da Companhia das Letras, e porque tem toda essa história de conversar por uma garrafa com bilhete no mar. Acabou que no final não era nada disso.

Se você ainda não conhece a história: Tal, depois de mais um atentado, decide fazer contato com o outro lado. Ela estava cansada de ver pessoas mortas, ouvir falar de ódio e até de ir a movimentos pela paz. O que isso tudo adiantava se, no fim das contas, ela nunca tinha conversado com um palestino? Então escreve uma carta, coloca em uma garrafa e pede para o irmão que vai até Gaza por causa do exército deixar no mar. Dias depois alguém responde e pronto, eis a história do livro.

Acho que o livro pode ser definido com "se conhecer através das palavras" e traz um toque de esperança. Através de dois jovens que trocam cartas ele mostra o efeito do conflito israel-palestino, não de uma maneira "Bom dia, classe, hoje nós vamos falar de...", é bem mais como um livro jovem comum.

A garota que estuda, tem namorado baterista, a melhor amigo que não perde nada e um irmão às vezes irritante. A garota sonhadora que quer fazer cinema e se preocupa com o "o que fazer depois da escola?". A garota inquieta que decide trocar cartas com um estranho (ou conversar na internet) e os dois jogam no meio das palavras um bando de pensamentos sobre a vida e o mundo.

Bem, a leitura foi tranquila e leve, o livro só tem umas 120 páginas e passa rápido. Soou como ficar lendo discussão alheia em grupo no facebook. Ainda teve uma "curiosidade extra" minha que incentivou. Eu adoro conhecer outros países e culturas, principalmente os jovens hoje em dia, então teve muita informação que eu não sabia. Tipo eles escutarem e assistirem o mesmo que nós (isso eu já fazia ideia), em Israel é obrigatório tanto pra homem quanto pra mulher entrar no exército aos 18 anos... E até como é para o "mundo moderno" se misturar aos conflitos de lá, já que a televisão tudo o que faz é mostrar bomba e destroço. Se deixar, a gente fica com pensamento no estilo de "oh, eles usam tanguinha na rua? Todo mundo lá é negro?".

É um livro simples, bonito, leve... Só tem realmente 120 páginas e eu indico para qualquer um. Tanto para quem quer algo no estilo "romance virtual", quanto para quem quer conhecer de uma maneira simples e divertida a relação entre Israel e Palestina (e a vida de alguns jovens nesses países). Em algum momento do livro é dito a garrafa no mar de gaza é um ato de esperança que as coisas melhorem, de que as pessoas descubram que são iguais. E Uma Garrafa no Mar de Gaza é uma esperança.


Sobre a nota: Ele é tão pequeno... mas eu vou dar 4. Seria 3, porque o livro não tem nada de ruim, nenhum ponto realmente negativo, mas não tem como dar 5 porque não há pontos positivos o bastante. O ponto extra é pela forma como aborda a história e pela história em si. Talvez, se nossas prateleiras fossem cheias de livros sobre Israel e Palestina, o assunto já teria se esgotado e seria um livro mediano (pra que eu li isso se eu já sei?), mas como não é bem assim, tudo parece novo e até alguns detalhes bobos podem aparecer como descobertas. 1 a mais por ser o primeiro do tipo que eu vi.

Classificação:

(4/5 conversinhas) 


>>> Extra: Filme
Para quem não sabe, o livro foi adaptado (não nos EUA) no filme "Uma Garrafa no Mar de Gaza". É uma colaboração França-Israel-Canadá. Eu ainda não vi, mas parece bem legal. Acho que eles mudaram algumas coisas para dar uma emoção extra na história. Até porque é contado em imagens, enquanto no livro em cartas. Como é que eles fariam o suspense de "quem é o cara com quem ela está se correspondendo?" e mostrar a história dele se o ator precisa aparecer? Se você é desses que dão ataque com as alterações, saiba que a Valérie Zenatti (autora do livro) também está como roteirista. Quero ver!
                                 


E, pra terminar, esse livro foi a Seguinte que me mandou. Muito obrigada!

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Entrevista com roteirista de Divergente, Evan Daugherty


Fãs de Divergente por aí? Trazemos hoje uma tradução do que até agora é a nossa melhor fonte do que esperar na adaptação do livro. O roteirista Evan Daugherty (na foto ao lado da Veronica Roth, autora de Divergente) deu uma entrevista ao Bookish falando de como foi fazer a adaptação para as telas. Você pode ver abaixo!

Para quem não sabe, Evan Daugherty também foi o roteirista de "Branca de Neve e o Caçador", o que eu diria que não é lá o melhor filme para se ter no currículo. Mas depois de ver essa entrevista até que me animei mais. Agora é só torcer para ele ter conseguido fazer direito. \o/

Bookish: Como você escolheu como próximo projeto uma adaptação YA?

Evan Daugherty: Eu estava dando uma olhada em um monte de coisas - um monte de histórias em quadrinhos - e lendo um monte de livros, e no meio disso eu li cinco desses livros YA. Eu li Puros (da Julianna Baggott), Legend (da Marie Lu), Delírio (da Lauren Oliver) e This Dark Endeavor (de Kenneth Oppel) - que é uma espécie de versão adulta cool da história Frakenstein.


Bookish: Então, você obviamente leu os populares entre os mais vendidos, por que escolheu adaptar "Divergente"?


Evan Daugherty: É uma relação de sentir que a sua perspectiva sobre o material combina com o que o estúdio está procurando. As coisas que me atraíram para "Divergente" foram os detalhes sobre o caráter da Tris. Ela começa incrivelmente fechada para o mundo, altruísta, pacífica e então ela decide se juntar ao equivalente dos Navy Seals [principal força de operações especiais da marinha dos EUA]. Isso é um grande arco de personagem, é divertido acompanhar isso. E "Divergente" se diferencia por estar na mesma linha que alguns filmes que eu realmente gosto, uma espécie de filmes de treinamento militar - como "Top Gun" ou um guilty pleasure meu que é "Até o Limite da Honra" (G.I. Jane).


Bookish: Qual foi o maior desafio na adaptação para você?


Evan Daugherty: Rastrear a mudança da Tris do início até o final. É complicado porque Divergente é um livro bem comprimido com um monte de grandes ideias. Então, transformar isso em um filme fiel de duas horas é desafiador. Não só você tem que estabelecer cinco facções, mas você tem que reconhecer que há uma outra entidade, que é o divergente, e você também tem os sem facção. Portanto, há um mundo que realmente tem que ser construído para o cinema... O filme vai fazer isso um pouco mais eficiente.


Bookish: E, claro, há necessidade de dar ênfase ao romance entre Tris e Four.


Evan Daugherty: Eu dou atenção ao fato de é um livro YA com muita ação, e eu sei - tendo conversado com a Veronica Roth sobre isso - de que ela tem orgulho disso. Eu estou preocupado com a parte difícil do filme, mas de igual importância é a história de amor entre Tris e Four. É inerente e indissociável da jornada de Tris como personagem. Haverá muita tensão sexual e química, mas é importante que todas essas coisas não pareçam apenas terem sido jogadas ali, e sim que tudo isso ajuda Tris a crescer como um personagem.


Bookish: Como você tem trabalhado para passar as cenas das simulações para as telas?


Evan Daugherty: As simulações proporcionam alguns dos maiores desafios. Para referências cinematográficas, Chris Nolan fez um ótimo trabalho em “A Origem” com aquele mundo de sonhos que pareciam reais mas não eram reais. Você quer que as simulações sejam visualmente ricas, e você também quer que elas se sustentem. Você quer que elas sejam assustadoras e quer que elas sejam reais. 


Bookish: Você imaginou atores nos papeis que você está escrevendo?


Evan Daugherty: Apesar de todos os rumores do elenco que eu vi, eu realmente não deixei que as ideias entrassem muito na minha cabeça - provavelmente porque eu li o livro muitas vezes antes de começar a ver que a discussão acontecia [em fan-sites].



Veja também:

sábado, 7 de julho de 2012

[Resenha] O Espetacular Homem-Aranha

por Igraínne Marques



- "O Espetacular Homem-Aranha"
- The Amazing Spider-Man (2012)
- Direção: Marc Webb
- Atores: Andrew Garfield, Emma Stone, ...
- Ficção Científica/Ação/Aventura - 10 anos - 136 min. - Trailer
- Nos cinemas brasileiros desde 6 de julho de 2012
OBS: Esse filme é um reinício para a história do Homem-Aranha, não tem nada a ver com o anterior e eles não precisam ser vistos. É tipo se eles quisessem fazer uma nova adaptação de Harry Potter. Dessa vez, um novo olhar e outro período da história, bem no início.




Mini-crítica: 
"O espetacular Homem-Aranha" é um filme que muita gente pode dizer que é previsível. Particularmente falando, fui ao cinema sem esperar muita coisa, justamente porque não queria me decepcionar. No entanto, o que eu tive foi uma surpresa. Eu achei o filme MUITO bom. Só pelo trailer você já pode ter uma ideia dos efeitos visuais - impecáveis, por sinal -, do modo como a trama vai se desenrolar e até da trilha sonora. Esse Homem-Aranha em específico não segue a sequência dos anteriores. Na verdade, embora a história se passe *supostamente* antes daqueles três filmes já lançados com o Tobey Maguire, ainda assim achei a singularidade bem maior do que o esperado. Primeiro porque foca em uma coisa que antes foi meio que ignorada: a origem do Homem-Aranha. Segundo porque você não tem mais a Mary Jane, e sim a Gwen Stacy, que particularmente falando, é uma personagem mais expansiva.

Quer saber mais? Clique abaixo para conferir a resenha completa.

Para quem é fã: Algumas pessoas, como a Dana, por exemplo, são muito viciadas em histórias em quadrinhos do Homem-Aranha. Nesse sentido, acabam esperando coisas incríveis do filme, já chegam no cinema com aquela ansiedade pré-espetáculo do Espetacular Homem Aranha. E eu posso dizer que, assim como a Dana, muita gente vai ter suas expectativas superadas.


A princípio, eu não ia assistir a esse "Homem-Aranha". Eu sou o tipo de pessoa que em geral só assiste filmes de super-herói quando arrastada pelos amigos. Pois bem, a Dana aqui do blog, como eu já disse, me chamou para ver o filme. Eu não estava muito animada, mas aí ela me disse que tinha um ingresso sobrando porque, inicialmente, ela ia com o irmão, mas ele teve que desmarcar por conta de um imprevisto. Assim, eu acabei indo. Foi o destino.  Para vocês terem uma noção, eu não vi nem "Os Vingadores", embora o país inteiro tenha visto esse filme.

Pra
 começar, eu achei a introdução do filme muito boa. Eu não esperava que aparecesse sequer uma cena onde os pais do Peter Parker estivessem presentes - e isso não é spoiler - mas aconteceu. E eu achei a jogada muito boa, porque faz com que o telespectador se sinta na pele do protagonista, principalmente durante a história, quando Peter começa a descobrir a respeito da Oscorp e das pesquisas *de família*. 

Por
 algum motivo, o pai de Peter precisou se ausentar, juntamente com a esposa, e acabou deixando o filho com os tios. Desde o princípio fica claro que, embora o contato dos dois tenha sido mínimo, Peter meio que idolatra o pai. E não só ele, mas também o que um dia foi seu trabalho. Muitos anos depois, no entanto, Peter descobre uma pasta que pertencia ao pai no porão da casa dos tios. Intrigado com aquilo, ele começa a revirar o passado de tal forma que acaba chegando a uma fórmula científica que aparentemente tem grande poder diante dos estudos genéticos.

O 
Dr. Curt Connors, vivido por Rhys Ifans, é um cientista especializado - e de alguma forma obcecado - com os répteis. Ele não possui um dos braços, e tal fator talvez tenha contribuído diretamente com suas expectativas acerca dos estudos. Reconhecido, ele seleciona estagiários para fazerem parte de sua equipe. Um deles é Gwen, a colega de classe de Peter Parker, e por quem ele tem certa paixonite juvenil. Para quem não sabia (like me), Gwen Stacy realmente existe nos quadrinhos. Ela aparece antes de Mary Jane, o que faz com que as duas sejam categoricamente comparadas. Enquanto Mary Jane é o tipo de menina indefesa com sérios problemas familiares, Gwen nasceu num mundo onde as oportunidades vêm fácil. É filha do chefe da policia local, e suas condições financeiras poderiam ser descritas como favoráveis. 

1- Por que Gwen e não Mary Jane
Gwen Stacy realmente namorou Peter. Ela foi uma das primeiras namoradas dele, antes da Mary Jane virar sua esposa. Embora muita gente prefira a ruivinha M.J., eu prefiro a Gwen. É claro que minhas opiniões são baseadas no que eu vi do filme e de acordo com o que eu pesquisei, não sou nenhuma especialista no assunto. Mas andei lendo entrevistas da Emma Stone que definiam, talvez de modo curioso, a diferença entre as duas: "Gwen Stacy o ama pelo que Peter é. Mary Jane o ama pelo Homem-Aranha”. Ironicamente, Emma foi chamada para fazer Mary Jane, isso quando o roteiro do filme ainda não estava pronto. Depois de finalizado, Emma se apaixonou por Gwen. Particularmente, Gwen é muito mais vívida, mais presencial do que M.J. Seu relacionamento com Peter Parker me convenceu tanto que pensei "eles podiam namorar na vida real". E eles namoram. Descobrir isso não foi surpresa alguma. Não estou dizendo que não houve clima entre Tobey Maguire e Kirsten Dunst - muito pelo contrário: quem não lembra daquele beijo na chuva onde ele está de ponta cabeça? Mas de algum modo a Gwen me parece mais forte, mais corajosa, menos vulnerável.

2-  Dr. Curt Connors e seu Lagarto
Eu não sei qual foi o lapso que eu tive ao esperar que aparecesse um vilão de areia no filme (como no Homem-Aranha 3 do Tobey), mas por algum motivo do além, eu não esperava que o lado negro da força fosse um Lagarto gigantesco com sorrisinho do mal. O fato é que, de certo modo, ele não é tão nojento assim. O conhecimento - desde o início - de que o Lagarto se tratava do Dr. Connors me fez procurar sinais do ator no meio de todo aquele amontoado de efeitos visuais. O cara é meio louco, o estudo lhe subiu a cabeça, e posteriormente a própria experiência testada em si mesmo o fez enlouquecer de vez, mas ainda assim... O que eu posso dizer é: dá pra perceber que é ele. É como se o Dr. Connors do início do filme fosse resgatável, o que de certo modo é doentio. Você começa a se comover com a situação dele, talvez até compreender sua decisão inicial acerca da experiência e dos testes. Isso até ele se transformar numa criatura meio humana meio animal do tamanho de um caminhão e decidir que você também precisa ser como ele. Não sei qual é a desses vilões dos quadrinhos (principalmente os do Homem-Aranha) mas a maioria deles parece ter distúrbios sérios de personalidade.

3- Questionamentos
Pessoalmente, acho que esse foi o único ponto que me incomodou um pouco - mesmo que tenha sido tão levemente que eu nem ia colocar aqui. Você entra no cinema e acredita que vão explicar tudo (everything, sem exceções), mas isso não acontece. Fiquei esperando algumas coisas acerca de muitas questões, como mais informações sobre a empresa da Oscorp, ou o próprio paradeiro do pai do Peter, como se houvesse muitas coisas para revelar - e realmente tem, elas realmente são ditas... Mas só até certo ponto. O que, de alguma maneira, não é ruim, você pensa. Afinal de contas, é um filme da Marvel, precisa ter alguma coisa *pós letreiro* para fazer você voltar ao cinema daqui a alguns anos querendo comprovar suas teorias. 


Outra coisa que me incomodou - apenas inicialmente, porque agora pensando melhor eu até gostei - foi o fato de as teias não serem exatamente *naturais*. E é justamente por isso que é legal: porque esse foi gancho que eles usaram para demonstrar o quanto o Homem-Aranha (aquele original dos quadrinhos) está ali também. Não por conta da teia em si, mas porque Peter é um garoto inteligente. Se ele não possui teias, é esperto o bastante para criá-las. É como a Dana disse
nesse post acerca dos 7 motivos para assistir o espetáculo d' O Espetacular Homem-Aranha: é um mundo integralmente ligado à ciência.

E, 
ao mesmo tempo, Peter consegue ser desastrado, estilinho meio idiota, imagem que seu cabelo bagunçado ajudou a construir. Mais do que isso, esse caráter meio bobão acaba se sobressaindo nas lutas. Os movimentos são naturais, e ao mesmo tempo monstruosos. O mais legal é justamente isso: no filme todo, mesmo quando não vemos os rostos dos atores (tanto do Rhys Ifans quanto do Andrew Garfield) dá pra perceber que as lutas são corporais em excesso. Quando um deles cai ou quando eles desviam, fica muito claro que são realmente os dois por baixo daquela roupa (ou camada de pele gosmenta). Andrew é tão característico com sua roupinha colada que até quando ele manca dá pra perceber que é ele ali. As passagens cômicas são outra coisa que eu achei muito boa. Na maioria das vezes, obviamente, não é feito um humor imbecil, e sim inteligente porque, apesar de Peter ser um cara da ciência, ele é também divertido.

>>>O que os produtores e Marc Webb têm a dizer

Marc Webb, para quem não sabe, dirigiu "500 Dias Com Ela" filme com o qual ficou conhecido. Com isso, você já pode ver o grande abismo que há entre os dois filmes. Não no sentido de estilo de história (embora sejam coisas beeeeem distintas), mas também na questão do modelo de filme, dos cortes, cenografia, maquiagem, efeitos.... É tudo quase uma evolução. Isso enriquece o trabalho de qualquer diretor: fazer coisas diferentes. E posso dizer que eu gostei do que ele fez.


É tudo muito bem pensado, cada pequena cena, recorte e até a morte do tio de Peter, que todo mundo sabia que estaria lá, mas ninguém tinha certeza de como ia acontecer. E achei isso genial: essa morte não constrói o Homem-Aranha, não é essa dor que faz com que ele se transforme, ela apenas meio que acelera o processo. Desde o princípio, fica claro que Peter ainda sente o abandono dos pais quando tinha só 8 anos de idade. É isso que desencadeia sua personalidade meio rebelde demais. Seu cabelo desalinhado está lá para reforçar ainda mais a ideia de que ele *não está nem aí*. Toda essa combinação de fatores distanciou ainda mais o Homem-Aranha de Garfield do de Maguire. Segundo o produtor, Matt Tolmach, há muitas distinções da trilogia que marcou a década passada. Essa coisa da ciência ligada à idiotice e à rebeldia são só o começo. O skate também foi algo que me chamou a atenção. Peter já sabia algumas acrobacias, afinal de contas.

>>>Algumas outras coisas
  1. Eu não podia deixar de fora a trilha sonora. Há muito tempo eu não ouvia uma trilha sonora instrumental tão boa. Alguns pontos, à base do violão apenas, são tão característicos que você já imagina que, enquanto filmavam, a música estava lá, presencial, quase física, ela nem precisou ser adicionada.
  2. A linha que colide com Resident Evil é inquestionável. Não dá pra ter certeza quanto a isso, mas a cena do guarda-chuva (muito bem feita, por sinal) está aí para fazer você pensar duas vezes....
  3. Resgataram o inimigo do colegial, Flash Thompson, que brigava e gozava de Peter Parker, mas era um fã de carteirinha do Homem-Aranha. A presença dele me surpreendeu. Acho que ele e a coisa da ciência (sem falar na rebeldia) são pontos que farão os verdadeiros fãs dos quadrinhos realmente gostarem desse filme. Porque a história tenta ao máximo se aproximar do Peter Parker das HQs originais. Se você está curioso para saber até o que acontece nos HQs, sugiro que leia esse post aqui.

Sobre a nota: Fica com 5, porque, só pra começar, é um filme do qual eu saí com o seguinte pensamento: "preciso ver de novo". É claro que todo mundo já pensou isso em diversos filmes, mas a questão é que é *um filme de super-herói que eu preciso ver novo*. Eu, que em geral ignoro esse estilo de produção.  

Classificação:
(5/5 conversinhas)

terça-feira, 19 de junho de 2012

[Resenha] Prometheus, filme

por Dana Martins


- Filme: "Prometheus"
- Prometheus (2012)
- Direção: Ridley Scott
- Atores: Michael Fassbender, Noomi Rapace, Charlize Theron, Logan Marshall-Green, Guy Pearce...
- Ficção Científica/Suspense/Aventura - 14 anos - 126 min. - Trailer
- Nos cinemas brasileiros desde 15 de junho de 2012
OBS: Não é prequência de Alien e não precisa ter visto Alien, é só o mesmo universo.
Atenção: Não vá assistir esperando Alien!



Mini-crítica: 
"Prometheus" é meio que filosófico, com cara de ficção científica e tem momentos muito tensos. O filme pode te manter atento do início ao final e, principalmente, depois de assistir. A história é basicamente sobre uma equipe na nave Prometheus que vai até um planeta distante procurando entender de onde nós viemos, cada um com as próprias perguntas e enfrentando a própria luta por respostas. O filme pode ser visto em três partes: introdução, descobertas e desespero. Todas elas envolvidas por questionamentos no estilo "religião vs ciência", mas não o clichê. Na verdade, a história é mais sobre buscar respostas do que as respostas em si. Totalmente indicado para quem está com saudade da ficção científica, mas não vá pelo terror e não espere uma história padrão. "Esse é um filme que muita gente vai gostar enquanto muita gente vai achar ruim..."

Quer saber mais? Clique abaixo para conferir a resenha completa.

Para "Prometheus" há dois tipos de pessoas: aquelas que são viciadas nos filmes de Alien, em ficção científica e já tem um contexto; e aquelas que praticamente caem de paraquedas no filme (oi). Para o primeiro grupo, acho que a melhor dica que eu posso dar é não ficar esperando um novo Alien. Para o outro, você não precisa ter assistido nada para gostar do filme.

vamos entrando -n
A princípio, eu não ia assistir esse "Prometheus". Estava com a impressão de que era terror e estava muito feliz em ignorar solenemente a existência. Até estar assistindo a E3 e esbarrar em um trailer do filme, que me chamou bastante atenção. Depois eu encontrei um vídeo que falava da construção da nave Prometheus para o filme e quando eu fui assistir "Para Sempre" no cinema passou um vídeo que era falando dos cenários, dos atores... o que eu achei bem legal para colocar no cinema. Só por fazer isso diferente o filme já valia a pena. 
Em 2089, dois arqueólogos descobrem vários desenhos antigos de diversas civilizações que repetem um padrão e acreditam que eles estão relacionados a um planeta distante, de onde teriam vindo os nossos criadores (chamados de engenheiros ou deuses). Convencendo o dono da corporação Weyland, eles conseguem uma nave, a Prometheus, e uma equipe para ir até lá investigar. Simples assim. Nenhum plano exato, apenas a esperança de encontrar a resposta para uma das perguntas mais antigas: "De onde nós viemos?"
Se você pensar, principalmente pela relação do filme com Alien, vai saber que não vai ser tão fácil quanto eles imaginavam. Mas antes de ser um filme sobre respostas ou "terror" alienígena, "Prometheus" trata de uma ideia muito mais simples: "Até onde você iria para encontrar respostas?"**Aliás, o personagem David (Michael Fassbender), fala algo bem parecido no filme. Preste atenção nos diálogos. 
Esse é um filme que muita gente vai gostar e muita gente vai achar ruim. O principal motivo é que ele segue uma linha de história diferente da comum. Normalmente nós temos um "quem eu sou?" e o filme é sobre a pessoa descobrindo isso, ou um "onde está a pedra encantada?" e você assiste até eles encontrarem a tal pedra e pronto. Já "Prometheus" é diferente. Começa com a ideia de "De onde nós viemos?", mas acaba que eles descobrem que é mais complicado do que isso e passam por vários problemas que levam mais à resposta de "quem nós somos". É meio que filosófico, com cara de ficção científica e momentos muito tensos. Poderiam fazer a mesma discussão em um filme sobre uma mulher atualmente em Nova York, mas parece que fica mais legal discutir isso quando tem alienígenas querendo seu corpo nu.

O filme pode ser visto por 3 pontos, que são equilibrados. Se você for assistir só por causa de um ou ignorar algum deles, fica difícil gostar.

1- Ficção Científica
Uma nave gigante viajando por dois anos no espaço até um planeta distante. Tripulantes dormindo em estado de criogenia durante esse tempo. Robôs que parecem até gente. Tecnologia avançada. O visual de ficção científica é um ponto alto do filme, porque além de bem feito está faltando no cinema. Temos recentemente muitos (muito mesmo!) filmes de invasão alienígenas, tipo "Os Vingadores" (Loki é considerado deus [r]e com o Tom Hiddleston parece mesmo, mas ainda é um alienígena) ou "Battleship" (que é bem parecido com Prometheus, se você for pensar, mas em vez de ir até lá eles mandam um sinal). Contudo, nenhum tem aquela cara de ficção científica. Se preocuparam muito com isso em Prometheus (já viram falar dos sets? é uma das coisas que mais dão atenção) e fizeram bem. É uma sensação quase confortável.

2- Terror/alienígenas do mal
Eu não sei qual foi o lapso que eu tive que fui me meter em um filme com bicho feio (aka alienígenas nojentos). Já tive surpresa demais assistindo televisão sozinha na minha infância e há um bom tempo larguei essa vida, mas lá fui eu assistir Prometheus. Tem muito momento nojento e que dá nervoso, mas não chega a ser horrível. Eles poderiam ter feito pior e claramente não quiseram. Apesar disso ser o elemento que ajuda a dar tensão no filme, que te faz ficar agarrado na poltrona ou fechar os olhos, não é o pior. Na verdade, se você ficar esperando aquele filme de terror e tal, vai acabar se desapontando. Cuidado: não estou dizendo que não tem nada, minha avó ficaria horrorizada, mas dá para assistir até quem tem medo.

3- Questionamentos
Pessoalmente, esse eu acho que merece mais atenção. "Prometheus" não tem uma história simples que vem de bandeja como "Battleship", ela está dividida em vários detalhes jogados durante o filme. Se você não parar e refletir, dificilmente vai conseguir pegar tudo e o filme vai parecer "um bando de efeitos legais com um terror pra criança". Você pode encontrar várias discussões, como CriadorxCriação (em vários sentidos!), ReligiãoxCiência, o poder do conhecimento...



Muitos vão falar e eu tenho que concordar é que o filme tem "pontas soltas". Minha impressão é de que era um retrato com zoom, mesmo que você conseguisse ver bem aquela parte não conseguia interpretar tudo por causa das informações que você não consegue ver. A primeira cena, por exemplo, nós podemos deduzir e fazer relações com o resto, mas não dá para afirmar "é isso com certeza". Alguns vão se sentir insatisfeitos, eu até que gostei. Afinal, o mundo não é assim? 

Esse filme é como o início de uma história épica, mas apenas o início. Eu falei algo parecido na resenha de "Branca de Neve e o Caçador", mas não exatamente o mesmo. Lá era a história inteira em si, não a primeira parte de algo épico. Agora vamos ver se eles fazem uma continuação (há boatos, mas nada confirmado) que faça "Prometheus" deixar uma marca como referência.

>>>Conheça os personagens
Uma parte interessante do filme são os personagens e vale a pena conhecer. Os dois principais são David (Michael Fassbender) e Elizabeth Shaw (Noomi Rapace). Ele é uma espécie de robô da Weyland e tipo a "doméstica" (palavra do Ridley Scott) da nave Prometheus. Ele é que cuida das coisas enquanto os outros dormem e com certeza um dos personagens mais interessantes. A maior parte dos questionamentos do filme ficam em torno dele. Já a Elizabeth Shaw é uma dos arqueologistas e está ali pelo conhecimento, provavelmente a que mais tem fé na missão e participa das principais cenas de ação.

Agora personagens que têm algum nível de importância, profundidade a ajudam a manter a trama com mais detalhes e humanizar o filme. Meredith Vickers (Charlize Theron), trabalha para a Weyland e está ali para manter tudo em ordem (não vá assistir por ela, a Charlize Theron não tem muito destaque e seu personagem tem o maior momento #fail do filme). Holloway (Logan Marshall-Green), o outro arqueologista e par romântico da Elizabeth Shaw. Peter Weyland (Guy Pearce), o dono da corporação Weyland e a viagem dos outros é uma espécie de luxo que ele se dá (afinal, é rico, dono de tudo e está prestes a morrer).

>>>Prometheus é prequência de Alien? Não... 


Muitos por aí começam falando do filme dizendo que é uma prequência de Alien, mas não é bem assim. Havia uma ponta no filme Alien, os "Space Jockeys" (os engenheiros), que não havia sido explorada. Surgiu a ideia de criar um filme anterior com eles, mas levou anos até que Ridley Scott aceitasse a dar andamento ao projeto e acabou que se afastou de Alien. O universo é o mesmo e "Prometheus" pode até trazer algumas respostas para os de Alien, mas termina aí. Como o próprio Ridley Scott disse em uma entrevista: pode haver, sim, um filme depois de "Prometheus", mas esse não seria o primeiro de Alien.*
*Imagina que a J.K. Rowling decide fazer um romance em 1912 no universo de Harry Potter. Não teria nada a ver e nem seria necessário conhecer Harry Potter, a maior diferença seria que quando você lesse Harry Potter poderia ter uma maior ideia de um ou outro detalhe, como porque haviam parado com os clubes de duelo ou algo assim. 


Sobre a nota: Fica com 4,5 porque realmente falta algo para completar, mas todo o resto é muito bom. Uma história que, como eu gosto, pode ser vista de várias maneiras, cheia de detalhes e dá para pensar. Ao mesmo tempo, tendo que um filme de ação/aventura acima da média tem para entreter.

Classificação:
(4,5/5 conversinhas)

domingo, 17 de junho de 2012

[Resenha] Para Sempre, filme

por Dana Martins


- Filme: "Para Sempre"
- The Vow (2012)
- Direção: Michael Sucsy
- Atores: Rachel McAdams, Channing Tatum, Jessica Lange, Sam Neill, Scott Speedman...
- Romance/Drama - 14 anos - 104 min. - Trailer
- Nos cinemas brasileiros desde 7 de junho de 2012







Mini-crítica: 
"Para Sempre" é mais um romance, mas não apenas mais um romance. Baseado em um caso verdadeiro, fala sobre Paige e Leo que tiveram sua história de amor interrompida tragicamente depois de um acidente em que ela perdeu a memória dos últimos 5 anos. Sem reconhecer o marido, ela precisa entender o que aconteceu nos últimos anos e por que havia se afastado da família. Ah, e por que teria se casado. Do outro lado, Leo busca um jeito de tentar reconquistá-la e lidar com a situação. O filme traz o romance de uma perspectiva de filmes mais alternativos, constada pela trilha sonora com tendência indie, e inova um pouco. É uma boa resposta para aqueles casos em que a pessoa chega em um locadora e pergunta "O que tem de bom de romance por aí?". Independente do livro, a história com certeza funcionou no filme. Ainda mais se você lembrar que tem a Rachel McAdams e o Channing Tatum como o casal principal.

Quer saber mais? Clique abaixo para conferir a resenha completa.

Eu fiquei sabendo desse filme há bastante tempo, antes mesmo de saber que tinha um livro, e já quis ver de cara. O motivo é simples: Rachel McAdams. Ela é uma das atrizes que eu sigo tanto quanto posso (até agora não me decepcionei). É claro que o Chaning Tatum também faz chamar atenção, mas não sei se correria para o cinema só por causa dele.

Mesmo querendo ver, eu não esperava muito do filme. Achei que ia ser aquele simples romance água com açúcar que todo mundo já conhece e assiste mesmo assim. No entanto, me surpreendi ao encontrar um filme que vai um pouco além e traz o romance/drama de um ângulo alternativo (e, aliás, não é só romance). Lembra um pouco ao clima de "Uma Noite de Amor e Música", mas mais adulto.
Paige e Leo se conhecem, se apaixonam, se casam... e sofrem um acidente. Ela perde a memória dos últimos 5 anos e não sabe nem quem ele é. Para piorar, durante esse tempo ela havia mudado radicalmente a própria vida (se mudou para a cidade, não falou mais com os pais, trocou a faculdade de direito por artes...). É como se ela acordasse como a Paige de 5 anos atrás e não fizesse ideia de por que ela teria feito tal mudança. No caminho para colocar a vida no lugar, ela precisa lidar com os pais que estão felizes em apagar os últimos anos e com Leo que decide reconquistá-la. 
Por essa sinopse, faz parecer que a história é centrada na Paige e é já por isso que o filme começa a se destacar. O filme é como se fosse o ponto de vista dele, há até uma narração e uma tendência para torcermos por ele. Ao mesmo tempo, a parte de evolução e descobertas acontece com ela, o que cria um romance mais equilibrado.

Outra diferença interessante é que é um romance que não é muito focado na descoberta do romance, "Para Sempre" é mais sobre a validação do amor entre um casal. Nós vemos, é claro, como eles se conheceram e vários dos momentos bonitinhos que eles compartilhavam (aliás, eles aparecem em vários momentos do filme, no maior estilo "owwwn"), mas não é apenas isso.


Por exemplo, assisti do mesmo estilo "Querido John", também com o Channing Tatum, e é um filme até legalzinho, mas muito simples e comum. Ao mesmo tempo não é igual ao "Diário de uma Paixão" com a Rachel McAdams, que acho que é referência quando se fala em filmes e história de amor.
*Aliás, os dois atores são conhecidos por filmes do estilo, sempre que sentir vontade de ver um romance é uma boa dar uma olhada na filmografia deles. 

Os romances empacotados normalmente tem dois extremos: ou a comédia ou o drama. Você vai rir com as confusões do casal, tipo "A Verdade Nua e Crua", ou morrer de chorar tipo "A Casa do Lago" (ou qualquer um do Nicholas Sparks, só não quis repetir). Já em "Para Sempre" você vai conseguir rir e chorar, mas não exageradamente. Existem vários momentos que vão te fazer sorrir e até rir, o suficiente para divertir. Ao mesmo tempo, vai ter aquele momento que vai fazer os mais sensíveis derramarem algumas lágrimas, nada depressivo.

O filme foi baseado em um livro que teve base em uma história real. Eu não li o livro e não sei até que ponto foi fiel e nem se o livro foi fiel ao que aconteceu de verdade, porque as coisas parecem bem encaixadas demais no filme para ter acontecido igual na realidade (ou no livro). De qualquer forma, ainda ficou realmente bom e traz aquele ar "o mundo real não é tão ruim..".

Comentários aleatório: Gente, não sei se é o meu novo vício em Homem-Aranha, mas o Scott Peedman nesse filme me lembrava toda hora ao Andrew Garfield (nesse filme, em alguns momentos. antes que vocês achem que eu enlouqueci). E a trilha sonora, hein? Não é A trilha sonora, mas com algumas músicas legais que valem a pena. Me surpreendi agora com a censura de 14 anos, deve ser só por causa da bunda do Channing Tatum.

Livro vs. Filme
Eu não li o livro, então realmente não posso fazer Livro vs. Filme de verdade, mas como eu sei que teve gente que leu e não gostou, achei que valia a pena comentar. Não sei se o livro é bom, mas a história no filme funcionou bem e serve para quem está procurando um romance. Eu não li o livro e sinceramente não tenho vontade de ler, não é exatamente o meu tipo de história (para ler). Acho que como filme já está muito bom, gostei de ter visto.


Sobre a nota: Um 4 acho que é uma boa nota. Ele não deve nada ao estilo, dificilmente alguém vai sair do cinema reclamando e chega até a acrescentar alguns novos elementos. Não posso dar 5 conversinhas simplesmente porque não dá para dizer que é O romance do século, como alguns outros. Só para lembrar: quando eu dou essa nota eu não estou comparando com um tipo "Branca de Neve e o Caçador", que recebeu a mesma aqui, mas que é de outro estilo.

Classificação:
(4/5 conversinhas)

sábado, 28 de abril de 2012

Concept Art e Pôsters de Os Vingadores


Hoje deu vontade de fazer uma homenagem a "Os Vingadores", que o filme está deixando todo mundo animado. Nesse post você vai encontrar as ilustrações de concept art do filme e alguns pôsters. Apesar do nome do Ryan Meinerding ali (ele é conhecido por fazer concept art e, principalmente, a desses filmes da Marvel, como a de Homem de Ferro que eu coloquei no Tumblr essa semana), os trabalhos não são só dele. Mas vamos ser francos: ele merece.
*caso alguém esqueça: as primeiras imagens são ilustrações.

clique para ver maior






Quinjet

clique para ver maior que vale a pena :D






resultado questionável... HUAH
 Encontrei um post algumas curiosidades sobre o filme dos Vingadores, se alguém quiser. Fala, inclusive, do Quinjet.


sexta-feira, 23 de março de 2012

[Resenha] Jogos Vorazes, filme

por Dana Martins


- Filme: "Jogos Vorazes"
- The Hunger Games (2012)
- Adaptação do livro "Jogos Vorazes"
- Direção: Gary Ross
- Atores: Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson, Liam Hemsworth, Woody Harrelson, Elizabeth Banks
- Ação/Drama/Ficção Científica/Distopia - 12 anos - 144 min.
- Nos cinemas brasileiros a partir de 23 de março de 2012
OBS: A autora do livro, Suzanne Collins, ajudou na criação do roteiro.




Mini-crítica: 
"Jogos Vorazes" , o filme, conta a história de um mundo em que 12 distritos são subordinados a uma Capital, trabalhando quase que como escravos para que essa minoria viva bem. Depois de uma tentativa de rebelião, foram criados os Jogos Vorazes, um reality show em que 24 tributos são colocados em uma arena e só um sai vivo. Esses tributos são um menino e uma menina sorteados em cada um dos 12 distritos. Porém, esse sistema de opressão trabalha no limite: dá muito poder aos tributos (ao colocá-los como queridinhos diante das câmeras), mas ao mesmo tempo precisa conter esse poder. O filme mostra exatamente uma edição de Jogos Vorazes em que esse poder vai longe demais.

Um outro filme do estilo, como "Gamer", é mais cru e mesmo que faça alguma crítica ainda tem um foco forte nos personagens. "Jogos Vorazes" tem mais o foco na crítica, mas ao mesmo tempo por causa da quantidade de fatos acaba não fazendo uma crítica tão consistente. O resultado disso é uma aventura estranha que acontece em um reality show tratando o tema de forma mais suave e onde o foco é mais no mundo do que nos personagens. Muito indicado para quem gosta de ficção cientifíca, cenários futuristas, da ideia de um reality show de sobrevivência baseado em lutas e ainda quer saber mais sobre o mundo que Suzanne Collins começou nos livros.

Quer saber mais? Clique abaixo para conferir a resenha completa.
Antes de começar, eu acho importante deixar claro que eu li os livros e, como vocês viram ao longo do nosso Centro de Treinamento, é uma história que eu gosto muito e tenho muita familiaridade. O que isso significa? Que a minha visão não pode alcançar de todo o que quem não leu vai entender (por enquanto). Porém, isso não significa que eu não tenha tentado.
*depois eu acabei percebendo que quando eu falo "mais superficial" e "menos violento" meu ponto de referência é o livro, porque para quem não leu é, sim, violento e bem acabado. Só quem leu que observa a profundidade por trás de tudo e percebe o que está faltando. E, como eu digo aqui, eles ainda podem aprofundar mais.

O filme consegue criar um cenário futurista e bem detalhado, que representa bem os três planos da história: o contexto da Capital e do país, representado por cenas do presidente, das pessoas na Capital e nos distritos. Depois o Jogos Vorazes como um programa que é, encaixando os comentaristas e a equipe que manipula a arena enquanto o reality show está rolando. E, por último, a personagem que acaba encabeçando essa história, a Katniss.

Entre roladas no barranco e curtições, o "Jogos Vorazes" tem o ritmo um pouco mais acelerado devido a quantidade de informações, que podem acabar deixando as coisas um pouco superficiais. O filme trabalha com os fãs ao mesmo tempo que ensina a quem não assistiu e lida com a censura americana paranóica. Ou seja: está cheio de detalhes que só os fãs vão entender o significado na cena (como o gato), acaba pegando mais um clima de preparação para os próximos filmes e a violência é praticamente mandada embora.

É um filme mais fácil de se gostar e entender do que o livro, já que a maioria das críticas são jogadas na cara e não há um maior desenvolvimento e maturação dos casos. Porém, se você leu os livros, vai precisar usar a cabeça para entender a perspectiva do filme.

O livro em si, apesar de trazer questões fortes como crianças se matando de um modo selvagem, não é tão violento assim. Já o filme, menos ainda. A maioria das mortes são claramente escondidas (você vê que vai acontecer, até escuta e vê o sangue, mas não assiste de fato). Ou a luta final entre Katniss e Cato, que é escuro, com vários cortes e uma filmagem próxima que dá movimento, mas não é como se você realmente estivesse acompanhando a luta. Um dos exemplos mais marcantes de como o filme faz essa adaptação é em uma cena em que a Katniss é encurralada por uma outra garota*, em que no livro a outra explica melhor como pretende matá-la dolorosamente, enquanto no filme nós vemos a ponta de toda essa loucura da personagem (muito bem expressa pela atriz) e não uma verbalização disso. Então, não vá apenas pela ação.
*Essa, aliás, é uma cena fiel em detalhes como posição, algumas palavras, mas sofre cortes por causa do tempo e dessa censura sobre a violência.

A trilha sonora entra aqui por um motivo simples: antes da estreia havia a maior agitação por causa da música da Taylor Swift, clipe e cd de trilha sonora sendo vendido. E, no filme, a única música que toca é realmente a da Taylor Swift, "Safe and Sound" - e como segunda nos créditos. De resto, é um instrumental simples, mas que quase ganha vida própria na história, embalando as situações na medida certa. Sem falar que, assim como o figurino e a construção de cenários, faz a mesma combinação entre passado e futuro.

E, algo que eu não queria deixar de comentar, é como é a filmagem do filme. Apesar de ser um filme grande e com tudo para ser dentro do padrão, ele acaba experimentando mais as possibilidades. São várias as vezes que a imagem (ou até a música) te colocam na situação do personagem. Seja para mostrar o nervoso da Katniss ao entrar em uma entrevista (todo mundo falando, falando demais, muita gente, muita gente olhando), seja a Rue ouvindo aquela música. Ou a imagem fora de foco ou tremida, como se você estivesse ali no corredor junto com eles. Nem todos gostam (e estão acostumados) a um plano subjetivo, mas eu gostei da forma como o filme explora isso.

Se eu não tivesse lido o livro...

Se não existisse o livro, eu provavelmente continuaria gostando do filme, porque consegue emocionar, embalar e tem uma preocupação a nível de detalhes. Apresenta o tema de modo superficial, sim, o que seria o ponto negativo, mas ainda está (quase) tudo lá para quem quiser desenvolver. E eu não duvido nada de que eles mesmo façam isso nos próximos filmes. Só os mais exigentes com conteúdo é que vão tropeçar (o que fica claro nas críticas que saíram). Além disso, falando de qualidade, está acima da maioria lançada ultimamente. É um filme estranho-original que vale a pena assistir.
*não me atrevo a dar uma nota nessa visão, ainda não.

A minha única ressalva quanto ao filme (decididamente um ponto negativo), é que às vezes os efeitos utilizados são muito ruins (estou dizendo às vezes, porque na maioria eles acertam). É algo visível e quando aparecer você vai saber exatamente do que eu estou falando. É uma pena...

Mas como eu li o livro...

Agora, como quem leu o livro, eu dou 5 conversinhas (nota máxima). Não só porque eles se preocuparam em fazer uma adaptação fiel e conseguiram reproduzir em imagens o que eu imaginava (apesar disso ser pessoal - não me pergunte por que eu imaginava os bestantes daquele jeito), o filme vale porque eles criaram um complemento para a trilogia. É quase como se a Suzanne Collins decidisse escrever um novo livro que conta tudo em terceira pessoa e de outra perspectiva, trazendo mais detalhes ao que já conhecemos.

O "quase" é porque, infelizmente, há algumas modificações feitas na história original para facilitar no tempo e construções de significados (como de onde veio o mockingjay/tordo ou a questão da perna do Peeta, que foi mais por causa de tempo). Contudo, na maior parte o filme trabalha mais com omissões do que com modificações. O Haymitch não aparece na cena da colheita, mas não significa que ele não estivesse lá. Os ajudantes do estilista dela não aparecem realmente, mas não significa que não tenha acontecido tudo aquilo que lemos no livro. O mesmo serve para a cena da caverna (ou deveria dizer toca?). Como eu disse, é uma nova visão (na verdade, a Suzanne Collins também disse isso). E se ela fosse escrever um livro assim, como o que eu imaginei no parágrafo anterior, ela não repetiria todos os fatos exatamente, faria um resumo com os principais, que é exatamente o que o filme faz (novamente: o que não significa que não tenha acontecido). Se você reparar, a maioria das coisas e até características dos personagens (tipo o Peeta mais amável e Prim fofinha) que não ficam claras, fazem parte de uma perspectiva da Katniss, que realmente não é o foco do filme.

Só uma pergunta: quantas adaptações são fiéis e ao mesmo tempo acrescentam na história que você conhece? Os primeiros filmes do Harry Potter, por mais próximos que sejam dos livros, são só uma versão em imagens do que conhecemos. Ou os do Percy Jackson e Eragon, são uma picotação em imagens distorcidas do que nós já vimos. Millennium, tanto o americano quanto o sueco, são em termos de adaptação quase tão bons quanto "Jogos Vorazes", mas eles são menos que o livro. O filme "Jogos Vorazes" é, também, menos que o livro, mas só porque ele também está acrescentando uma nova perspectiva e mais detalhes.

Se não é pelo filme em si, "Jogos Vorazes" vale a pena porque traz uma nova visão sobre a relação filme e livros, não um sendo uma adaptação barata do outro, mas uma expansão do que nós já conhecemos.

>>>Extras: "Jogos Vorazes" e o Oscar
Há mais de um ano, quando começaram a falar sobre o filme, saiu a data prevista para a estreia: março. E logo eu vi um comentário falando que esse era um período estratégico para lançar filme, não só porque não é uma temporada de grandes estreias (ou seja, sem concorrência), mas também porque está na "poeira do Oscar". Quando chegar janeiro do ano que vem, o filme já vai estar quase (quase) esquecido e se não houver indicação as pessoas não vão ter tanto ataque, é uma forma de se livrar de críticas.

Aqui no CC nós também passamos fevereiro inteiro falando de Oscar e não tinha como eu não pensar nisso e tentar colocar "Jogos Vorazes" ao lado dos grandes títulos que se colocaram como obra de arte na premiação. A conclusão foi: o filme, decididamente, não está entre eles. Não está porque é um filme mais jovem (e coisa de jovem é sempre criticada) e porque trabalha com fantasia e ficção cientifica, estilos que sozinhos já caminham na rota alternativa. A crítica cruel que o filme poderia trazer foi revestida de caricaturas e, como eu já falei umas mil vezes, é meio superficial, o que deixa o filme ao lado de um concorrente do Oscar não premiado, "Histórias Cruzadas", porque é comercial demais. Se somar todos esses pontos "negativos", acho difícil o filme entrar como concorrente em potencial. A não ser que 2012 seja o apocalipse dos filmes ruins.


Classificação:
(5/5 conversinhas)

quarta-feira, 21 de março de 2012

[Resenha] Dezesseis Luas, de Margaret Stohl e Kami Garcia

por Igraínne Marques
- Livro: Dezesseis Luas 
- Beautiful Creatures - Livro 1
- Autora: Margaret Stohl e Kami Garcia
- Editora: Galera Record
- Comprar: Walmart, Siciliano, Saraiva.
- No skoob
- Próximo: Dezessete Luas (já publicado no Brasil).










Mini-crítica: 

Dezesseis Luas é um livro bom, tem pontos altos (bem altos, eu diria), mas também possui alguns erros. Contudo, não são erros grandes o bastante para apagarem toda a beleza que existe no restante da história. A trama tem um final surpreendente (que pode agradar ou desagradar), e há sensação constante de que tudo é muito pensado, de diversas formas. Desde os detalhes pontuais até a criatividade. Esses detalhes específicos não deixam você ficar perdido em nenhum momento; tudo é explicado, suficientemente abordado de forma paciente, para que não haja dúvidas quanto ao desenrolar dos acontecimentos.

Quer saber mais? Clique abaixo para conferir a resenha completa.
Quando ouvi falar de Dezesseis Luas, inicialmente pensei se tratar de uma trilogia. Recentemente, no entanto, me surpreendi com a notícia de que havia sido divulgada a capa do quarto livro lá fora. Fui pesquisar, e descobri que na verdade serão cinco no total. O que é (em parte) uma notícia boa, se você considerar que a mania de estender a história para dez volumes está meio que na moda (super na moda, diga-se de passagem).

A história, no entanto, é rica o suficiente para cinco livros (e isso é sério). Há muita coisa a ser explorada, desdobrada e usada sem medo. As autoras criaram uma trama extremamente ampla, e não acredito que os outros livros acabem caindo na desgraça do desgaste ficcional, como acontece com  tantas outras séries. Mas, por enquanto, é esperar pra ver.

Para quem não sabe, Dezesseis Luas conta a história de Ethan, um menino de 16 anos que mora em Gatlin, uma cidadezinha pequena nos Estados Unidos onde nada (nunca) foge do normal. Para falar a verdade, as pessoas de lá tendem a ser tradicionalistas ao extremo, de modo que, segundo Ethan, há apenas dois tipos de moradores: "os burros e os empacados". Porque apenas burrice e maldição seriam motivos racionais o bastante para alguém não se mudar dali. E devo confessar que, conforme a história vai sendo contada, você é forçado a concordar com ele. Ethan acredita que ele próprio ainda não deu o fora por causa de seu pai, que parece não conseguir se distanciar da lembrança da falecida esposa. Depois do ocorrido, os dois mal se falam. É Ama, a governanta supersticiosa e  extremamente preocupada, que vive para cuidar de tudo ali dentro - inclusive das responsabilidades de Ethan.

Ethan tem estranhos sonhos recorrentes com uma menina que jamais conheceu. Nos sonhos, a garota precisa ser salva, o que ele nunca parece conseguir fazer, por mais que se esforce. Até que, um dia, a tal menina aparece na cidade. Lena Duchannes, sobrinha do estranho recluso Macon Ravenwood, veio morar com o velho tio por uns tempos (só por uns tempos?). De um jeito louco, Ethan tem certeza de que ele e Lena já se conheceram antes. Contudo, achar que conhece não corresponde a conhecer de fato. Lena é diferente de tudo que há em Gatlin: tem gostos alternativos, age de modo independente e não está fissurada em se vestir de maneira provocante. É claro que tudo que é diferente chama a atenção (e estou falando de atenção boa e ruim). Para completar, a menina fica escrevendo números na mão à caneta, o que deixa Ethan ainda mais curioso.

A proximidade dos dois acontece de modo gradual, e esse é um dos pontos fortes do livro. O modo como ficam amigos, como a coisa toda cresce naturalmente, sem empurrões, realmente me agradou. No entanto, achei sinceramente que as coisas demoraram demais a acontecer. O clima arrastado de alguns pontos chega a ser frustrante. O motivo pelo qual o livro se chama Dezesseis Luas é descoberto facilmente enquanto você vai lendo, a consciência de que há uma maldição - inevitável - é o que move a leitura, mas há tanta coisa para ser descoberta que talvez as autoras tenham ficado preocupadas demais com a velocidade. Preocupadas em demasia, devo dizer. Talvez elas tenham temido a grande carga de informações, o que seria aceitável, mas o espaço amplo entre um dado importante e outro me deixou muito incomodada. Claro que isso dá tempo suficiente para tudo ser absorvido por completo, mas a sensação é de que há lacunas largas demais.

No entanto, a aparição de Ridley - a prima de Lena - faz as coisas ficarem realmente interessantes. Sua personalidade chega a ser curiosa, para não dizer excêntrica. Isso funciona porque, apesar de ser uma personagem óbvia, ela consegue chamar a atenção de um jeito que não fica tão óbvio assim. Link, o melhor amigo de Ethan, é outro que me cativou. Ele é o responsável pelas passagens mais hilárias e divertidas de todo o livro. Quando Ridley se aproxima dele, o resultado é, no mínimo, embaraçoso.

A história conta com artifícios fortes, como reencarnação, túmulos violados e até mesmo vodu. O final, porém, me irritou de um modo que jamais me irritei com outro livro. Não é clichê, mas a fuga completa de expectativas me decepcionou. Eu espero sinceramente que  a continuação não possua um final que siga o mesmo padrão, porque seria duplamente frustrante.

Aviso: As autoras não poupam saliva quando decidem passar o corriqueiro vocabulário chulo para o livro. Esse é outro dos pontos altos do história (apesar de eu não ser muito chegada a palavrões de um modo geral). A realidade que elas quiseram transmitir funcionou, justamente pelo fato de a maioria dos personagens ser adolescente.

Sobre o filme:
Para quem não sabe, Dezesseis Luas será adaptado para o cinema. O filme está previsto para ser lançado em fevereiro de 2013. Vários atores já foram anunciados, como Viola Davis (Histórias Cruzadas) no papel de Ama; e Jeremy Irons (Eragon e O Homem da Máscara de Ferro) como Macon Ravenwood. Abaixo você pode conferir os atores escolhidos para interpretar o casal de protagonistas, Ethan (Jack O’Connell) e Lena (Alice Englert).





Sobre a nota: Eu pensei muito em dar um três, mas há pontos fortes demais na história. Como eu disse, é uma trama muito rica, há criatividade para todos os lados. As autoras tiveram uma ótima ideia. De um modo geral, o livro me agradou bastante, apesar dos arrastados do meio do caminho e do final (que não me agradou, infelizmente). Por isso, 4 me pareceu justo o bastante.  

Classificação:



(4/5 conversinhas)