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sábado, 27 de outubro de 2012

Os tipos de zumbis e WTF é um zumbi?


Zumbi é um bicho interessante. Ele é relativamente novo, vem mais da cultura dominada do que da dominante, já estava largando as mãos na calçada da fama de Hollywood quando começou a contaminar as páginas de livros e eu poderia listar mais várias características peculiares. Mas hoje eu vou me dedicar a falar dos 4 principais tipos de histórias de zumbis e mostrar que zumbis são seres extremamente relativos, só uma característica principal não vai embora. 

Os 4 tipos de histórias de zumbis

1- Zumbis de histórias sobrenaturais: São aqueles onde a causa da existência é um motivo sobrenatural, mais relacionados a histórias de terror. 

2- Zumbis científicos: Esses foram criados por vírus, doenças, mutações, radiação, máquinas... o que importa é que eles parecem mais possíveis de existir. Geralmente, aparecem em histórias pós-apocalípticas e/ou tentam discutir os caminhos da ciência.

3- Zumbis-Metáfora: Não importa muito de onde eles vieram ou o que eles são, é mais relacionado ao que eles significam. Às vezes eles são os mais clichês, porque nem sempre precisa se prender à realidade.

4- Zumbis da hipnose: Esses são praticamente pessoas controladas por outra que agem de um modo apático, com olhar "vidrado", bem parecido com gente hipnotizada. Em histórias que puxam para a origem dos zumbis, é um feiticeiro que controla. Já recentemente, são "remédios" ou máquinas que causam o efeito. 

Há quem divida zumbis por características físicas, época de "surgimento", pelo George Romero (Pré-Romero/Romero/Pós-Romero) e outras coisas, eu prefiro dividir por tipo de história/causa do zumbi. Uma das coisas que eu mais gosto neles é que eles estão ligados ao mundo criado por cada autor, se transformando a cada vez. 

Por que Jesus não é um zumbi?

Afinal, Jesus ressuscitou e temos até um feriado para comemorar isso. Por que ele não é o maior zumbi da história? "Ah, porque é algo milagroso, ele volta como uma pessoa normal, blablabla..." Essa história serve para justificar um ponto importante: zumbi não é apenas um morto-vivo. Não é apenas alguém que estava morto e retornou. Então, o que define um zumbi? 

"O aspecto chave do que faz uma pessoa ser um zumbi é a falta de consciência e a perda de livre arbítrio"

Misture essas duas características e pronto, você tem um zumbi. Acho que é o único modo de definir todos - todos - os tipos de zumbis existentes de uma vez. Porque, apesar de eu ter dado algumas características nesse post, nada é regra (a não ser isso). Aliás, há uma boa quantidade de histórias onde o zumbi é um ser que mistura o caso do laboratório, com alguma razão sobrenatural e ainda serve de metáfora. 

Como eu falei no último post, vai depender muito do autor. Acho que não deve existir um zumbi igual ao outro, às vezes até o mesmo autor de um filme para o outro muda o tipo de zumbi. Está todo mundo falando de zumbi, sem copiar totalmente o zumbi de outro autor e ao mesmo tempo misturando várias fontes na criação do próprio zumbi. 

Comentários finais - Porque eu posso. HÁ!  

Esse é o último dia do CCSexta, mas com certeza não será o último dia da invasão zumbi no blog. Sério, tem muita coisa para comentar ainda! A cada post que eu faço eu crio o triplo de conteúdo e preciso ficar decidindo o que vou falar da vez. Essas definições de zumbis eu fiz junto com o primeiro Coisas que você precisa saber sobre zumbis! (aliás, vai rolar uma versão com mais detalhes)

Para quem estava esperando: eu ainda vou fazer as indicações sobre zumbis. Eu só achei que precisava falar sobre o que eles são antes, sabe? A minha tentativa aqui é mostrar que existe mais de um tipo. Por exemplo: o Joshua falou no último post que os de Game of Thrones não são exatamente zumbis, são os "Outros". Eu realmente não li o livro para saber, mas pela definição que ele colocou e pelo que a série mostra parecem bastante com zumbis (1- sobrenatural) dentro da mitologia do George R.R. Martin. 

Bem, eu vou voltar em breve. Por enquanto, quero só lembrar que 2 de novembro (sexta, feriado) acontece a Zombie Walk - e eu estarei lá! Veja se acontece na sua cidade e participe, aqui no Rio vai começar em frente ao Copacabana Palace às 2 horas (mais informações).

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

[Resenha] Os Sete Selos, de Luiza Salazar

por Dana Martins

- Livro: Os Sete Selos
- Livro Único.
- Autora: Luiza Salazar
- Editora: Underworld
- Comprar: Submarino, Siciliano, Saraiva.
- No skoob









Mini-crítica: 
"Os Sete Selos" é uma aventura sobrenatural da agente Lara Carver, que trabalha controlando manifestações. O livro começa com ela lidando com uma suspensão quando precisa retornar para investigar o que parece ser o caso mais perigoso da história da Agência. Com um demônio e um ex-agente amigo de infância, ela vai lutar contra seres do inferno e do paraíso, mas a pior parte vai ser descobrir que há muito segredos enterrados por aí. O livro tinha tudo para ser um YA de referência, mas tropeça mais do que avança. Infelizmente, o desenvolvimento deixou muito a desejar. 

Quer saber mais? Clique abaixo para conferir a resenha completa.

Ano passado, na Bienal do Rio de Janeiro, eu comprei "Bios", o segundo livro da mesma autora. Comecei a ler e a história era tão viciante que da outra vez que eu fui na Bienal corri para comprar Os Sete Selos de uma vez. E esse mês foi quando deu vontade de finalmente começar a leitura.

Tudo começa como uma história no estilo de Instrumentos Mortais ou a série Supernatural (A Agência é responsável por resolver problemas sobrenaturais) e com um clima de O Código Da Vinci. E começa realmente bem: Lara, uma agente esquentadinha, meio cabeça dura, que só quer saber de ação, está irritada até a alma por ter sido obrigada a fazer serviço interno. Para a sorte dela (ou azar), ela é uma das melhores agentes e algo muito estranho aconteceu em Paris. Algo muito além de qualquer coisa que a Agência já tenha enfrentado. Então Lara, um demônio e um ex-agente acabam responsáveis por uma missão secreta para descobrir o que está acontecendo.

Até esse ponto, tudo ótimo. Lara tem uma raiva mortal do demônio, está incerta e feliz pela volta de Jason, o ex-agente. Você quer saber o que eles vão fazer e o que vai acontecer com essa tensão toda entre eles (uma garota e dois garotos em um livro = VAI acontecer alguma coisa). Aí a história começa a desandar. Desandam a tal ponto que eu não indico esse livro para ninguém (sério).

Em "Bios" já tinha um pouco dos problemas de revisão (que praticamente nem existiu) e de evolução da narrativa, mas passa a ser uma obra-prima perto de "Os Sete Selos". A impressão é de que a Underworld publicou o rascunho da Luiza Salazar. Não há revisão, não há edição. Se teve, foi extremamente mal feita.
*Só um comentário: Em Bios, a história é legal e eu indico. Só não indico para os que têm problema de escrita, pra não ficar lendo coisa errada com cara de "oficial". Fora isso, ela melhorou muito de um para o outro. Então não julguem a autora com base nesse livro aqui.

A história vai perdendo o ritmo, meio que se perde em balancear conteúdo e ação. Chegou a tal ponto que eu decidi fechar o livro e ir dormir no meio de um ataque(!) ou de eu nem me importar mais no momento das "grandes revelações". Cheguei até a começar uma leitura dinâmica, para terminar logo.

Quando está quase acabando, o livro consegue se recuperar bem, voltando a ser tão interessante quanto antes. Mas já é tarde demais para salvar o livro (o que dá uma certa pena). A história tinha um potencial de ser algo no nível de Cidade dos Ossos, ou até mais. Os personagens são bem legais, a proposta também. Só que o desenvolvimento foi até chato.

Acho que com tanto livro bom por aí, não vale a pena perder tempo com esse (achei que não valeria nem listar os problemas aqui). A notícia boa é que a Luiza Salazar continua tendo histórias com potencial viciante e melhorou muito em "Bios". A ação desse último prende, a Luiza melhorou muito na descrição das lutas, os personagens são MUITO legais e o desenvolvimento geral é quase 100%. Mas isso você pode descobrir na resenha de Bios da Igra.

Queria fazer um comentário aqui sobre autores e editoras

Eu não queria que essa resenha terminasse com um "A Luiza Salazar é uma escritora ruim", por isso achei que valia um comentário. Se você for ver os agradecimentos de boa parte dos escritores americanos vai perceber que há uma equipe enorme de gente trabalhando em cima dos livros. Já vi um agradecimento tipo "Obrigada Fulaninha por me mostrar tais coisas e me fazer reformular o livro inteiro". A própria Suzanne Collins (Jogos Vorazes) recebeu ajuda. Enquanto eu pesquisava sobre de onde ela tirou a ideia para os livros encontrei uma entrevista com a Kate Egan, editora dela, falando que pediu para a Suzanne trabalhar um pouco mais na relação Gale-Katniss-Peeta. O próprio Rick Riordan diz que passava os manuscritos de Percy Jackson pela aprovação dos filhos.

Essas pessoas que influenciam não são tipo "muda essa porcaria porque isso não vende", é muito mais alguém que olha de fora, enxerga o potencial, e vê o que pode ser aproveitado. 

E daí? E daí que eu acredito que falte profissionais desse tipo no Brasil (ou pelo menos bons...). As editoras daqui estão muito acostumadas a pegar algo com garantia de sucesso lá fora e só traduzir. Acho que todo mundo sabe a dificuldade de um novo autor aqui no Brasil, tem editora grande que nem publica. E quando eles conseguem uma editora, ou publicam sozinhos, muitos tropeçam nessa parte da revisão/edição.

Agora vamos torcer para essa situção melhorar, para a Luiza Salazar resolver o problema dos porques inseparáveis e para ela continuar escrevendo. Com certeza vou dar uma olhada em um próximo livro dela.

Sobre a nota: Eu vi que a média (entre as que deram nota das 190 que leram no Skoob) é de 4. Mas por mais que a história tenha um potencial, tropeça em tantos problemas que eu não consigo dar mais do que 2 conversinhas. Eu normalmente sou legal, só não me contento com qualquer coisa.

Classificação:


(2/5 conversinhas)

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

[Resenha] Sangue Quente, Isaac Marion

por Dana Martins


- Livro: Sangue Quente
- Livro único
- Autor: Isaac Marion
- Editora: Leya
- Comprar: Saraiva, Fnac, Walmart
- No Skoob
- Sinopse: Incluída na resenha








Mini-crítica: 
Sangue Quente é uma história de zumbi sobrenatural sobre uma maldição que atacou a humanidade. O livro tem um toque de mitos antigos (como histórias de pirata), mas ambientado em um cenário pós-apocalíptico onde os humanos tentam dar os primeiros passos para se reerguer. Além disso, como tudo é narrado da perspectiva de um zumbi, não há tanto daquele terror de "mortos-vivos me seguindo", o lado levemente macabro fica com os esqueletos. Só para terminar: não é um livro bonito pra criancinhas e menininhas apaixonadas, é bem cru (mais pelo lado psicológico). Se você procura o zumbi de laboratório ou romance, essa não é a sua opção. Pelo mundo, pode ser um Gone para pessoas um pouco mais velhas. 

Quer saber mais? Clique abaixo para conferir a resenha completa e a sinopse. 


Não tem como começar uma resenha sobre esse livro de outra forma que não seja: tudo o que você pensa está errado. Errado porque pelo menos 80% das pessoas que conhecem ou vão ficar sabendo sobre Sangue Quente vão formar uma ideia diferente. Eu era uma delas. 

Adoro zumbis e histórias de sobrevivência em um mundo dominado por eles (se não for terror, é claro). E quando eu vi que Sangue Quente era um livro narrado por um zumbi que pensava e ainda se apaixonava, meu lado superprotetor ficou todo atacado. E a história só piorou: “é um romance!”, disseram. “É o Crepúsculo dos zumbis!”, “Necrofilia!”. Comecei o livro pingando preconceito e pronta pra criticar até a pontuação. E, olhe só, agora estou aqui introduzindo uma resenha com o meu lado superprotetor a favor de Sangue Quente.

Sinopse: O livro é centrado em R, um zumbi. “R” porque é tudo o que ele consegue lembrar de seu nome, mas isso é uma sorte, alguns não lembram de nada. R sempre foi um zumbi diferente e refletia muito sobre o que acontecia, apesar de não conseguir verbalizar. Ele vivia no nada, cedendo à fome, até que um dia ao comer o cérebro de um garoto e roubar suas memórias as coisas mudam. Essas memórias são mais vívidas que o normal. Ele também acaba assumindo o espírito protetor do garoto quanto à namorada dele, Julie. A partir disso, todas aquelas reflexões deixam de ser apenas pensamentos largados e começam a se agrupar, ele começa a mudar.

O livro é sobre a busca de R para voltar à vida (não uma história de amor entre um zumbi e uma garota!!!). Como o autor até falou em algumas entrevistas, é meio que uma brincadeira com o próprio ser humano que vai se afastando dos significados da vida e vivendo no “automático”. E, no próprio livro, os humanos (Vivos) também acabam ficando meio no automático, mesmo ainda vivos.

No caminho da busca à vida, ele tem Julie, a quem quer proteger e, de certo modo, sente como se fosse a ligação dele com o mundo dos humanos. Tem o Perry, o garoto de quem ele comeu o cérebro e partilha das memórias. M, seu melhor amigo zumbi. Nora, a melhor amiga humana de Julie. Todos personagens criados com certa profundidade que contribuem para a história ser o que é. 

O livro é encaixado em YA e há aquela comparação a Crepúsculo, como eu disse no início. Só que o livro não é nem um pouco inocente, tratando de assuntos sérios, que me fez lembrar até de Os 13 Porquês pelo clima às vezes. A escrita também é bem trabalhada e às vezes a descrição é tão boa que você consegue imaginar exatamente a expressão do personagem. Aqui há um ponto que pode ser criticado, talvez, por ser estranho um zumbi pensar com um vocabulário tão amplo, mas depois do início isso não chama mais tanta atenção.

Outro ponto positivo do livro é o mundo criado. Sangue Quente não se passa quando tudo está acabando (tipo Apocalipse Z) nem quando tudo já foi reconstruído (Jogos Vorazes). A história é a de que o mundo já estava desandando e ocorreram as tempestades, o mar avançou em áreas e todos aqueles problemas típicos de fim de mundo (que me fez lembrar até da história do fim dos EUA em Jogos Vorazes). Uma das consequências negativas disso é o zumbi, que só apareceu depois que tudo já tinha desandado. Então, nesse período “intermediário”, as coisas são diferentes. É muito interessante ver como eles tratam de coisas que são importantes hoje em dia e mudaram com tudo isso, tipo o dinheiro e a ideia de país.

E o zumbi? Realmente perdeu a essência? Pelo contrário, esse é um dos (se não o) zumbi mais comum que existe. Eu nunca tinha visto ou lido algo com um zumbi tão estereótipo de zumbi. Ele come gente (principalmente cérebros), anda torto, se arrasta, faz aquele grunhido estranho... Eu já suspeitava enquanto lia, mas em uma entrevista do autor ele diz que foi exatamente essa a intenção. Até isso do zumbi se comunicar já apareceu em um filme do George Romero. A principal diferença desse zumbi, talvez, é que parece surgir uma salvação. Aí sim é que muda toda a perspectiva e alguns não entendem e criticam.

Uma coisa que eu não posso deixar de comentar é a justificativa disso tudo. Vírus? Diabo? Na verdade, a palavra com que eu defino Sangue Quente é maldição. É como se fosse uma maldição jogada na humanidade e ela precisasse se livrar disso, então toda a história é baseada nessa ideia. Me fez lembrar muito Piratas do Caribe, em que os piratas têm aquela maldição porque roubaram o tesouro e na lua viram esqueletos. Ah, aliás, há esqueletos presente nesse livro e eles, sim, são a ameaça.
*dizer que o que acontece em Sangue Quente é ruim porque é sobrenatural e fantasioso é o mesmo que dizer que Piratas do Caribe é uma droga porque o Kraken não existe. Você tem que sentar para ler Sangue Quente da mesma forma que você leria A Bela e a Fera, em mente que há um tom de magia em tudo. 

Então, com isso, termino a resenha de Sangue Quente com uma outra “sinopse”, que vai dar ideia do que o livro é:
Ele é um pirata amaldiçoado que vaga sozinho pelos mares sem esperança, até encontrar essa mulher, uma pirata aventureira que parece a sua chance de salvação. Seguindo-a, ele busca sair desse estado e voltar para vida, mas nem todos vão ficar felizes com isso.
Agora pegue a história que você imaginou e adapte-a num cenário do futuro em que o nosso mundo está caindo aos pedaços. Sangue Quente.

Sobre o filme:
O livro está sendo adaptado para os cinemas, ainda sem data de estreia (dizem que em agosto). Nicholas Hoult (Skins e X-Men: Primeira Classe) será R e Teresa Palmer (Eu Sou o Número Quatro) será Julie.  A primeira imagem divulgada, um pôster Crepúsculo-wannabe, assustou a todos (e não por causa do zumbi!), mas as mais recentes parecem salvar um pouco mais a situação. Você pode ver algumas do R aqui (de onde eu tirei essa de baixo) e algumas do cenário pós-apocalíptico aqui. Veja mais no IMDb do filme.



Classificação:
 (4/5 conversinhas)