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quarta-feira, 28 de novembro de 2012

[Resenha] Capitães da Areia, de Jorge Amado

por Paulo Vaughan
- Livro: Capitães da Areia
- Livro Único 
- Autor: Jorge Amado
- Editora: Companhia das Letras
- Comprar: Submarino, Saraiva, Fnac
- No skoob










Mini-crítica:
Capitães da Areia foi uma leitura obrigatória para a escola e, como sempre acontece quando há a obrigação de fazer algo, fiquei desanimado para começar. Depois de um leve receio, li o livro e fiquei apaixonado. O romance de Jorge Amado (1912 – 2001) acompanha a história do grupo de meninos de rua que lhe dá o título. Os personagens são reais e fazem com que você se apegue a eles. Para completar, Jorge Amado escreve muitíssimo bem, o que ajudou a fazer com que esse livro se tornasse um dos meus favoritos para sempre. Leitura super recomendada.

Quer saber mais? Clique abaixo para conferir a resenha completa.


Capitães da Areia é um livro que me surpreendeu. Para começar, eu só o li por ser uma leitura para a escola. É claro que eu tinha interesse em ler algo do Jorge Amado, assim como eu tenho curiosidade em ler livros que sejam muito comentados por aí, positivamente ou não (sim, tenho interesse em ler Cinquenta tons de cinza). O problema é que eu tinha um certo receio por ser um livro antigo e eu temia pelo grau de dificuldade da escrita, o que complicaria a leitura. Além de tudo isso, o livro ainda tinha a carga de ser uma obrigação, fator que sempre desanima.

Então, depois de enrolar um pouco, comecei a ler o livro e fiquei em êxtase. A primeira coisa que você percebe quando lê Capitães da Areia é a qualidade da escrita. Jorge Amado usa as palavras de uma forma tão bonita, que em determinados momentos eu lia um trecho e voltava para reler de tão perfeito que era, eu ria sozinho para o livro como uma pessoa apaixonada dá risinhos bobos por aí.

“A liberdade é como o sol. É o bem maior do mundo.”

Capitães de Areia se passa na Bahia, no século XX, e conta a história de um grupo de meninos de rua. Esse grupo de garotos, que se denominam os Capitães da Areia, não têm família e moram juntos em um trapiche abandonado em uma praia. Eles sobrevivem praticando golpes e furtos contra a alta sociedade baiana, o que preocupa a todos e abre uma espécie de discussão, pois a solução para esse problema seria o reformatório para menores de idade, porém, essa instituição faz tudo, menos cumprir sua real função.

O livro de Jorge Amado não segue aquela estrutura em que vemos na maior parte dos livros atuais, do "tudo está indo bem > um evento muda o rumo da história e 'perturba a paz' dos personagens > no fim, todos ficam felizes". O livro acompanha a vida dos personagens, não há exatamente um evento que mude o rumo da história, o que, naturalmente, faz com que ela seja mais lenta. O livro retrata o cotidiano desses meninos, como uma colcha de retalhos com diversos episódios de suas infâncias/adolescências sendo contados.

A personalidade desses meninos, aliás, é o que torna a história tão rica. Os personagens são muito bem construídos e reais, e não só os protagonistas, é possível conhecer perfeitamente até aqueles que só aparecem em duas ou três cenas. Além dos meninos de rua, tem um outro personagem que é muito bem feito e encaixado na história, o Padre José Pedro. Ele luta em favor dos meninos, sendo contra as práticas do reformatório. Seguindo os mandamentos de Deus, ele se mostra compreensível aos problemas e dificuldades do grupo e quer ajudá-los, enquanto a Igreja condena seus atos.

Não dá para falar de todos os capitães da areia na resenha, até porque eu ainda não consegui formar uma opinião sobre a personalidade de alguns deles (o Gato, por exemplo). Então, vou falar dos dois que eu mais gosto, o Professor e o Sem Pernas.

O primeiro é o único em todo o grupo que sabe ler e tem interesse na leitura, é ele quem conta as notícias publicadas em jornais e também histórias para distrair os outros meninos. O Professor me chama atenção porque ele mostra que, apesar das influências que estão ao seu redor, ele é diferente, o interior dele pede o conhecimento.
*E que fique claro que o Professor não deixa de praticar crimes por ser intelectual (é até ele quem faz alguns planos), quando digo “influências” me refiro à falta de estudos de seus companheiros.

Já o Sem Pernas é um personagem que me encantou por conta da profundidade com que ele é apresentado. Arrisco dizer que ele é o menino que mais tem questões, até mesmo mais do que Pedro Bala, o líder dos Capitães da Areia, que clama pela liberdade e revolução. Sem Pernas tem uma deficiência em uma das pernas e essa é uma das estratégias que os meninos usam nos planos de furtos. Adorei a forma como Jorge Amado mostrou a influência disso na vida do menino. Não posso entrar em muitos detalhes porque seria um grave spoiler, mas o rumo que o Sem Pernas seguiu foi o mais real e bem feito dentro todos.

Capitães da Areia é uma obra singular e entrou não só para os meus favoritos, mas para a minha lista de “favoritos da vida”. Estou apaixonado pela escrita do Jorge Amado e mal posso esperar para ler outra obra dele. Leitura recomendadíssima.

Ah, um aviso: não vá ler esse livro esperando encontrar um livro simples. Capitães da Areia é um livro adulto e, de certa forma, forte. 

Classificação:

(5/5 conversinhas + marcado como favorito) 


>>> Extra: Filme
No ano passado foi lançada uma adaptação cinematográfica nacional do livro. O filme é dirigido e roteirizado pela neta do autor, Cecília Amado, e parece ser bom. Digo, ao menos a fotografia é linda!  Pretendo ver em breve, depois comento com vocês. 





                                 
Até a próxima! o/

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

[Resenha] Os Sete Selos, de Luiza Salazar

por Dana Martins

- Livro: Os Sete Selos
- Livro Único.
- Autora: Luiza Salazar
- Editora: Underworld
- Comprar: Submarino, Siciliano, Saraiva.
- No skoob









Mini-crítica: 
"Os Sete Selos" é uma aventura sobrenatural da agente Lara Carver, que trabalha controlando manifestações. O livro começa com ela lidando com uma suspensão quando precisa retornar para investigar o que parece ser o caso mais perigoso da história da Agência. Com um demônio e um ex-agente amigo de infância, ela vai lutar contra seres do inferno e do paraíso, mas a pior parte vai ser descobrir que há muito segredos enterrados por aí. O livro tinha tudo para ser um YA de referência, mas tropeça mais do que avança. Infelizmente, o desenvolvimento deixou muito a desejar. 

Quer saber mais? Clique abaixo para conferir a resenha completa.

Ano passado, na Bienal do Rio de Janeiro, eu comprei "Bios", o segundo livro da mesma autora. Comecei a ler e a história era tão viciante que da outra vez que eu fui na Bienal corri para comprar Os Sete Selos de uma vez. E esse mês foi quando deu vontade de finalmente começar a leitura.

Tudo começa como uma história no estilo de Instrumentos Mortais ou a série Supernatural (A Agência é responsável por resolver problemas sobrenaturais) e com um clima de O Código Da Vinci. E começa realmente bem: Lara, uma agente esquentadinha, meio cabeça dura, que só quer saber de ação, está irritada até a alma por ter sido obrigada a fazer serviço interno. Para a sorte dela (ou azar), ela é uma das melhores agentes e algo muito estranho aconteceu em Paris. Algo muito além de qualquer coisa que a Agência já tenha enfrentado. Então Lara, um demônio e um ex-agente acabam responsáveis por uma missão secreta para descobrir o que está acontecendo.

Até esse ponto, tudo ótimo. Lara tem uma raiva mortal do demônio, está incerta e feliz pela volta de Jason, o ex-agente. Você quer saber o que eles vão fazer e o que vai acontecer com essa tensão toda entre eles (uma garota e dois garotos em um livro = VAI acontecer alguma coisa). Aí a história começa a desandar. Desandam a tal ponto que eu não indico esse livro para ninguém (sério).

Em "Bios" já tinha um pouco dos problemas de revisão (que praticamente nem existiu) e de evolução da narrativa, mas passa a ser uma obra-prima perto de "Os Sete Selos". A impressão é de que a Underworld publicou o rascunho da Luiza Salazar. Não há revisão, não há edição. Se teve, foi extremamente mal feita.
*Só um comentário: Em Bios, a história é legal e eu indico. Só não indico para os que têm problema de escrita, pra não ficar lendo coisa errada com cara de "oficial". Fora isso, ela melhorou muito de um para o outro. Então não julguem a autora com base nesse livro aqui.

A história vai perdendo o ritmo, meio que se perde em balancear conteúdo e ação. Chegou a tal ponto que eu decidi fechar o livro e ir dormir no meio de um ataque(!) ou de eu nem me importar mais no momento das "grandes revelações". Cheguei até a começar uma leitura dinâmica, para terminar logo.

Quando está quase acabando, o livro consegue se recuperar bem, voltando a ser tão interessante quanto antes. Mas já é tarde demais para salvar o livro (o que dá uma certa pena). A história tinha um potencial de ser algo no nível de Cidade dos Ossos, ou até mais. Os personagens são bem legais, a proposta também. Só que o desenvolvimento foi até chato.

Acho que com tanto livro bom por aí, não vale a pena perder tempo com esse (achei que não valeria nem listar os problemas aqui). A notícia boa é que a Luiza Salazar continua tendo histórias com potencial viciante e melhorou muito em "Bios". A ação desse último prende, a Luiza melhorou muito na descrição das lutas, os personagens são MUITO legais e o desenvolvimento geral é quase 100%. Mas isso você pode descobrir na resenha de Bios da Igra.

Queria fazer um comentário aqui sobre autores e editoras

Eu não queria que essa resenha terminasse com um "A Luiza Salazar é uma escritora ruim", por isso achei que valia um comentário. Se você for ver os agradecimentos de boa parte dos escritores americanos vai perceber que há uma equipe enorme de gente trabalhando em cima dos livros. Já vi um agradecimento tipo "Obrigada Fulaninha por me mostrar tais coisas e me fazer reformular o livro inteiro". A própria Suzanne Collins (Jogos Vorazes) recebeu ajuda. Enquanto eu pesquisava sobre de onde ela tirou a ideia para os livros encontrei uma entrevista com a Kate Egan, editora dela, falando que pediu para a Suzanne trabalhar um pouco mais na relação Gale-Katniss-Peeta. O próprio Rick Riordan diz que passava os manuscritos de Percy Jackson pela aprovação dos filhos.

Essas pessoas que influenciam não são tipo "muda essa porcaria porque isso não vende", é muito mais alguém que olha de fora, enxerga o potencial, e vê o que pode ser aproveitado. 

E daí? E daí que eu acredito que falte profissionais desse tipo no Brasil (ou pelo menos bons...). As editoras daqui estão muito acostumadas a pegar algo com garantia de sucesso lá fora e só traduzir. Acho que todo mundo sabe a dificuldade de um novo autor aqui no Brasil, tem editora grande que nem publica. E quando eles conseguem uma editora, ou publicam sozinhos, muitos tropeçam nessa parte da revisão/edição.

Agora vamos torcer para essa situção melhorar, para a Luiza Salazar resolver o problema dos porques inseparáveis e para ela continuar escrevendo. Com certeza vou dar uma olhada em um próximo livro dela.

Sobre a nota: Eu vi que a média (entre as que deram nota das 190 que leram no Skoob) é de 4. Mas por mais que a história tenha um potencial, tropeça em tantos problemas que eu não consigo dar mais do que 2 conversinhas. Eu normalmente sou legal, só não me contento com qualquer coisa.

Classificação:


(2/5 conversinhas)

quarta-feira, 20 de junho de 2012

[Resenha] Dividindo Mel, de Iris Figueiredo

por Paulo Vaughan
- Livro: Dividindo Mel
- Livro Único
- Autora: Iris Figueiredo
- Editora: Draco
- Comprar: Amazon, Travessa, Saraiva.
- No skoob










Mini-crítica:
O livro conta a história de Melissa Prudente, uma garota de 19 anos que começa relacionamentos amorosos tão rapidamente assim como os termina. Depois de conhecer um cara bonitão na rua e ter descoberto que ele é filho do advogado de seu pai, ela logo se apaixona por ele. Eles namoram mas logo Mel fica abalada enquanto redescobre os seus sentimentos pelo melhor amigo, Mateus. A leitura foi muito agradável porque o livro é leve e descontraído, daqueles que você pode ler em um único dia, sem compromisso. Recomendado para os amantes do gênero e também para quem, assim como eu, está querendo descobri-lo.

Quer saber mais? Clique abaixo para conferir a resenha completa.

 “Dividindo Mel” traz a história de Melissa Prudente, uma garota de 19 anos. A garota tem uma espécie de carma: ela se apaixona rápido demais (e, consequentemente, namorando demais) e termina esses relacionamentos na mesma velocidade (para vocês terem ideia, em uma passagem do livro ela namorou dez garotos em um período de dois anos). O livro começa depois de ela ter terminado com um namorado e ela está naquele período de fossa e tal, ela não fica, porém, sozinha. Ela tem a Rebeca, que é a sua melhor amiga e é daquelas com que você pode contar em todas as horas.

Do jeito que a Melissa é, bastou conhecer um cara bonitão na rua para se apaixonar novamente. A situação piorou (ou melhorou?) para ela depois de descobrir que Ricardo, o cara que conheceu na rua, era filho do advogado do seu pai. Os dois começaram um relacionamento, mas, como a Frini sempre diz, tem que ter dois gatinhos na história.

O segundo gatinho de “Dividindo Mel” é, na verdade, o melhor amigo da Melissa, o Mateus, que ela conhece desde criança. Depois da viagem que ela e seus amigos fizeram durante as comemorações de fim de ano ela percebeu que na verdade sempre o amou. Bem, o resto você já deve ter percebido qual é.

“Dividindo Mel” foi uma surpresa boa por dois motivos. Primeiro porque esse foi primeiro chick-lit* que eu li e foi uma leitura bem agradável. E segundo porque eu adorei a escrita e o estilo da Iris Figueiredo o que de certa forma foi uma surpresa porque eu adoro as resenhas dela (para quem não sabe, ela é a dona do Literalmente Falando) e não tinha certeza se o livro dela seria tão bom quanto.
*Não gosto muito desse termo, maaaas...

Gostei bastante da escrita e do modo que a Iris narra, é bem leve e agradável. Uma coisa que não incomodou a mim especificamente, mas que pode ter incomodado alguém é que o livro é bem “regionalizado”. É que a autora situou a história em Niterói e ao longo do livro ela acabou usando nomes de ruas e avenidas que mesmo eu morando em uma cidade vizinha eu não conheço e acabei ficando "desnorteado". Sei que outros autores situam suas histórias em países distantes e do mesmo jeito eu não sinto isso, porém esses autores descrevem as ruas e fica mais claro e quando usam o  nomes de alguma rua é uma já famosa e tal. Não sei se ficou claro, mas de qualquer forma não é exatamente uma reclamação, apenas um detalhe que eu não gostei muito.

E fiquei feliz porque os diálogos foram bem convincentes. Digo, depois de ter lido alguns livros de autores brasileiros com uns diálogos bem falsos e superficiais meio que fiquei traumatizado (?). E não pense que é preconceito meu, tem muito livro de autor estrangeiro com diálogos como esse que eu inventei para exemplificar:
- Amiga, amei seu penteado novo!
- Ah, fiz pra festa de hoje, não está lindo?!
- Sim! Agora você está pronta, força na peruca!
- Não posso é balançar se não desmancha tudo! - Ri.

Enfim, "Dividindo Mel" me proporcionou um bom momento de lazer e indico para aqueles que procuram um livro para as férias ou um "feriadão". Leva 3 conversinhas porque o livro é divertido, agradável e tudo mais, porém não foi para mim especial a ponto de levar 4 conversinhas.

Sobre o ebook
Eu comprei um kindle recentemente e li esse "Dividindo Mel" nele e tenho que dizer que gostei bastante. A diagramação é tão "bonita" quanto ao livro físico, porém nessa versão não há as ilustrações em cada começo de capítulo que eu vi as pessoas dizendo que tem. De qualquer forma, vale muito a pena comprar porque custa apenas 5 dólares e, obviamente, não há nenhum custo de frete. Aliás, se você tiver um kindle vale a pena conferir livros de autores nacionais lá. A própria Draco além de ter vários de seus livros em versões ebook (que variam de $5 até $10) tem diversos contos de autores brasileiros por $1 e $2. “Perdida”, um livro nacional que me chamou bastante atenção também tem versão em ebook por $5, mas não sei se outros da Baraúna estão disponíveis no formato. Isso é uma coisa muito legal porque é um sinal de que a editoras brasileiras estão investindo no ebook a preços bons* e espero que isso melhore ainda mais quando a Amazon finalmente chegar ao Brasil.
*Enquanto isso ainda tem muita editora grande cobrando no ebook apenas R$10 a menos do que o livro físico, o que se você pensar bem não é vantagem nenhuma.


Classificação:
(3/5 conversinhas)


Até a próxima!

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

[Resenha] Ainda não te disse nada, de Maurício Gomyde

por Dana Martins
- Livro: Ainda não te disse nada
- Livro único
- Autor: Maurício Gomyde
- Editora: Porto 71
- Comprar: Loja virtual do autor *onde eu comprei o meu, segura e rápida
- No skoob
*Acho que com a minha resenha pode acabar parecendo que é tipo Thalita Rebouças, mas não é. É mais adulto (garotas a partir de 14?), eu diria que um público parecido com o dos filmes "Cartas para Julieta" (já citado) e "Amizade Colorida". E garotos podem gostar também, se não tiverem preconceito. 




Mini-crítica: 
"Ainda Não Te Disse Nada" é sobre uma garota que deixa a cidade no interior e vai morar sozinha em São Paulo para se dedicar ao seu sonho: seguir na carreira de moda. No meio disso, sem querer, acaba virando um "anjo carteiro". O que ela faz é responder as cartas de um senhor em Portugal que acredita que está falando com um antigo amor. A história oscila entre a dedicação de Marina pela carreira, a vida amorosa dela e o mistério das cartas, todas essas pontas que no final acabam se encontrando. É um livro pequeno e leve que pode valer a pena para quem quer passar o tempo com um romance que lembra ao filme "Cartas para Julieta". Provavelmente, por ser uma história simples e tocante, o maior ponto positivo do livro é você poder emprestar para amigas, primas, tias...

Quer saber mais? Clique abaixo para conferir a resenha completa.
Esse livro começou a parecer em vários blogs por aí e pela capa bonita eu pensei que fosse algum novo da Intrínseca (vai entender...) ou algo assim, então foi uma surpresa quando eu descobri que era de um autor brasileiro. Ainda sem saber muito sobre o que era, vi que estava barato e decidi comprar, porque eu sempre tenho a esperança de encontrar bons autores daqui. A leitura foi uma surpresa, simples e um jeito gostoso de ler, trazendo uma história brasileira, atual e que não deve nada ao que tem lá fora. 

Sinopse: "Ainda não te disse nada" conta a história de Marina Albertini, uma garota de cidade de interior que troca a segurança de seguir os passos dos pais assumindo o negócio da família para se aventurar em São Paulo e estudar moda. Ela trabalha durante o dia numa agência de Correios e de noite vai para a faculdade, mantendo um pequeno apartamento onde ela mora sozinha. Os dias dela são praticamente isso: trabalho, passa em uma livraria para estudar até a hora da faculdade, faculdade e casa. Rotina que volta e meia é alterada para uma visita aos pais ou sair com as amigas. A vida dela continuaria assim, se dedicando à carreira e esperando uma oportunidade, se não fosse uma conversa com uma amiga de trabalho sobre o valor das cartas em um mundo cheio de técnologia como o nosso. Conversa que é seguida por um encontro estranho com uma mulher que se diz ser um "anjo carteiro", pessoa que é contratada para escrever fingindo ser um antigo amigo de alguém e, com isso, trazer algum ânimo para vida dessa pessoa. Logo depois, Marina se vê na mesma situação: escrevendo para um desconhecido como se fosse uma antiga namorada.

O livro é bem leve e consegue equilibrar todos esses conflitos com um tom de comédia romântica (me faz lembrar um pouco ao filme "Cartas para Julieta" e do livro "Três Metros Acima do Céu", do italiano Federico Moccia). Quando eu fui ler, imaginei que seria muito mais sobre as cartas, mas "Ainda não te disse nada" não é só sobre isso, até porque a Marina precisa de certo tempo no início para entender o que é, começar a fazer, duvidar se vale a pena... Só para o final que essa parte ganha realmente mais força. É aí que eu acho que o autor fez algo inteligente: se o livro fosse só as cartas, o início poderia ser cansativo, mas habilmente ele coloca a vida amorosa dela em jogo e traz um professor bonitão para criar expectativa. Sem falar das amigas dela que trazem boa diversão.

Aproveitando isso, outro ponto que vale lembrar é como os personagens recebem certas características: uma das amigas, quer ser escritora e vive parando para gravar pensamentos, o que rende boas piadas entre elas; A outra tem uma filha menor; Todas elas estão sempre falando de "questões amorosas"; E a própria Marina tem a mania de fazer listas de músicas com artistas que começam com a mesma letra (seria algo como Maroon 5, Mariah Carey, Mamonas Assassinas...), o que eu achei bem legal. São detalhes aqui e ali que dão mais cor - ou sabor - ao livro.

O livro é narrado em terceira pessoa e às vezes vemos trechos das cartas que ela recebe e escreve, mas o que realmente chama atenção são os diálogos. O modo deles falarem é muito próximo do natural (garotas jovens, da nossa época, brasileiras...). No início, a leitura fica estranha por falta de costume, mas depois de se acostumar flui normalmente. Esse jeito de mostrar o modo como elas falam só acrescentam na criação dos personagens e na aproximação entre livro e leitor. Eu não falo como elas, mas consigo imaginar claramente muitas pessoas ali.

Já que estamos falando de "imaginar muita gente ali", vou aproveitar para comentar sobre esse lado "atual" do livro - e não vejo isso apenas como uma forma de "agradar os leitores" como diriam por aí. Marina é uma garota decidida a fazer moda, tem um blog, fala como a gente, sai à noite (apesar de nem sempre ter vontade), pensa como boa parte das garotas e ainda tem amigas bem comuns. Às vezes, buscando fazer um livro "correto", o autor acaba passando por cima disso. Às vezes, não usar gíria ou se espelhar na realidade assim é o mesmo que fazer um filme de época e aparecer o ator de calça jeans (imagine "Tróia" com o Brad Pitt de jeans e camisa quadriculada \o/).

Como eu também gosto de equilibrar, o livro tem, sim, seu lado "negativo". (1) O público é meio restrito, ao mesmo tempo que é muito mais fácil indicar para aquela sua amiga que não costuma ler, não é nem para sua priminha nem para o seu pai. Garotos podem ter problemas se tiverem a cabeça mais fechada. (2) Uma coisa que sempre me faz questionar é por que as amigas dela fazem a mesma faculdade sendo que uma quer ser escritora e a outra é corretora (ou algo do tipo), além de parecer que elas nem têm tanto interesse (só em um momento do livro isso aparece e pouco). Parece mais que dessa vez o Maurício Gomyde fez isso só porque era mais conveniente. (3) Porque sempre tem um três, mas vou aproveitar para repetir: é um livro que depende de gosto, então não é qualquer um que vai ficar feliz.

Então, no geral, é um livro fácil de ler e que dá curiosidade, bom dentro do próprio estilo e que muita gente pode gostar. As minhas partes preferidas são, com certeza, as que mostram a dedicação da Marina, que desenha e busca crescer na carreira. O final um pouco previsível, mas que não deixa de surpreender, também é uma das partes mais legais. O drama por causa das cartas e algumas coisas quanto à forma de raciocinar eu não gosto muito (ou seja, isso é pessoal). O livro tem só umas 230 páginas, então passa rápido e vale a pena.

Pequeno aviso: eu sei que tem gente que não gosta, então é bom saber que em algumas partes a descrição vai mais longe do que "e eles se beijaram". Quanto a isso, "Ainda não te disse nada" está muito mais para "Amizade Colorida" do que para "Cartas para Julieta".

Extra - É seguro comprar o livro?
Eu comprei o livro pela loja do autor e sempre que a gente encontra algo de uma fonte "desconhecida" dá um medo, não é? Eu, pelo menos, tenho o maior cuidado com isso na internet. Resolvi tentar e deu tudo certo. O próprio autor, Maurício Gomyde, me respondeu rápido e cheio de educação. Enviou logo no dia seguinte e o livro não demorou a chegar aqui. Veio até autografado. Eu gostei tanto do atendimento que fui pedir uma parceria com o autor, que nos chamou agora para a nova promoção dele. Quem quiser/puder, participa aqui que é muito importante para gente e para o autor. Além de estar bem fácil ganhar o livro dele. :)

Classificação:

4 de 5 conversinhas, porque eu não vejo nada de negativo para não receber nota máxima (no caso, 4). Só dou 5 para os que viram preferidos. 

Semana que vem tem mais... e não esqueça de concorrer ao livro!