por Paulo Vaughan
- Autor: Jorge Amado
- Editora: Companhia das Letras
Mini-crítica:
Capitães da Areia foi uma leitura obrigatória para a escola e, como sempre acontece quando há a obrigação de fazer algo, fiquei desanimado para começar. Depois de um leve receio, li o livro e fiquei apaixonado. O romance de Jorge Amado (1912 – 2001) acompanha a história do grupo de meninos de rua que lhe dá o título. Os personagens são reais e fazem com que você se apegue a eles. Para completar, Jorge Amado escreve muitíssimo bem, o que ajudou a fazer com que esse livro se tornasse um dos meus favoritos para sempre. Leitura super recomendada.
Quer saber mais? Clique abaixo para conferir a resenha completa.
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Capitães da Areia é um livro que me surpreendeu. Para começar, eu só o li por ser uma leitura para a escola. É claro que eu tinha interesse em ler algo do Jorge Amado, assim como eu tenho curiosidade em ler livros que sejam muito comentados por aí, positivamente ou não (sim, tenho interesse em ler Cinquenta tons de cinza). O problema é que eu tinha um certo receio por ser um livro antigo e eu temia pelo grau de dificuldade da escrita, o que complicaria a leitura. Além de tudo isso, o livro ainda tinha a carga de ser uma obrigação, fator que sempre desanima.
Então, depois de enrolar um pouco, comecei a ler o livro e fiquei em êxtase. A primeira coisa que você percebe quando lê Capitães da Areia é a qualidade da escrita. Jorge Amado usa as palavras de uma forma tão bonita, que em determinados momentos eu lia um trecho e voltava para reler de tão perfeito que era, eu ria sozinho para o livro como uma pessoa apaixonada dá risinhos bobos por aí.
“A liberdade é como o sol. É o bem maior do mundo.”
Capitães de Areia se passa na Bahia, no século XX, e conta a história de um grupo de meninos de rua. Esse grupo de garotos, que se denominam os Capitães da Areia, não têm família e moram juntos em um trapiche abandonado em uma praia. Eles sobrevivem praticando golpes e furtos contra a alta sociedade baiana, o que preocupa a todos e abre uma espécie de discussão, pois a solução para esse problema seria o reformatório para menores de idade, porém, essa instituição faz tudo, menos cumprir sua real função.
O livro de Jorge Amado não segue aquela estrutura em que vemos na maior parte dos livros atuais, do "tudo está indo bem > um evento muda o rumo da história e 'perturba a paz' dos personagens > no fim, todos ficam felizes". O livro acompanha a vida dos personagens, não há exatamente um evento que mude o rumo da história, o que, naturalmente, faz com que ela seja mais lenta. O livro retrata o cotidiano desses meninos, como uma colcha de retalhos com diversos episódios de suas infâncias/adolescências sendo contados.
A personalidade desses meninos, aliás, é o que torna a história tão rica. Os personagens são muito bem construídos e reais, e não só os protagonistas, é possível conhecer perfeitamente até aqueles que só aparecem em duas ou três cenas. Além dos meninos de rua, tem um outro personagem que é muito bem feito e encaixado na história, o Padre José Pedro. Ele luta em favor dos meninos, sendo contra as práticas do reformatório. Seguindo os mandamentos de Deus, ele se mostra compreensível aos problemas e dificuldades do grupo e quer ajudá-los, enquanto a Igreja condena seus atos.
Não dá para falar de todos os capitães da areia na resenha, até porque eu ainda não consegui formar uma opinião sobre a personalidade de alguns deles (o Gato, por exemplo). Então, vou falar dos dois que eu mais gosto, o Professor e o Sem Pernas.
O primeiro é o único em todo o grupo que sabe ler e tem interesse na leitura, é ele quem conta as notícias publicadas em jornais e também histórias para distrair os outros meninos. O Professor me chama atenção porque ele mostra que, apesar das influências que estão ao seu redor, ele é diferente, o interior dele pede o conhecimento.
*E que fique claro que o Professor não deixa de praticar crimes por ser intelectual (é até ele quem faz alguns planos), quando digo “influências” me refiro à falta de estudos de seus companheiros.
Já o Sem Pernas é um personagem que me encantou por conta da profundidade com que ele é apresentado. Arrisco dizer que ele é o menino que mais tem questões, até mesmo mais do que Pedro Bala, o líder dos Capitães da Areia, que clama pela liberdade e revolução. Sem Pernas tem uma deficiência em uma das pernas e essa é uma das estratégias que os meninos usam nos planos de furtos. Adorei a forma como Jorge Amado mostrou a influência disso na vida do menino. Não posso entrar em muitos detalhes porque seria um grave spoiler, mas o rumo que o Sem Pernas seguiu foi o mais real e bem feito dentro todos.
Capitães da Areia é uma obra singular e entrou não só para os meus favoritos, mas para a minha lista de “favoritos da vida”. Estou apaixonado pela escrita do Jorge Amado e mal posso esperar para ler outra obra dele. Leitura recomendadíssima.
Ah, um aviso: não vá ler esse livro esperando encontrar um livro simples. Capitães da Areia é um livro adulto e, de certa forma, forte.
Classificação:
>>> Extra: Filme
No ano passado foi lançada uma adaptação cinematográfica nacional do livro. O filme é dirigido e roteirizado pela neta do autor, Cecília Amado, e parece ser bom. Digo, ao menos a fotografia é linda! Pretendo ver em breve, depois comento com vocês.
Até a próxima! o/









