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segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

ConversaCult TV #67 - Conheça BOOK, a nova tecnologia de leitura

Toda segunda um vídeo novo é indicado. Porque, às vezes, o melhor é jogar as pernas pro alto e apenas assistir.

Hoje tenho o prazer de apresentar no CCTV o BOOK, a nova surpresa que vai mudar a vida de muita gente. Eu poderia ficar falando aqui, mas acho melhor você vê a propaganda com os própria olhos.

Inovador, para quem coloca a liberdade em primeiro lugar. Totalmente recomendado!

Extra: A Intrínseca fez um vídeo sobre Livro vs. E-Book que é tão legal que eu inclui aqui. Assista!



Você já conhece o BOOK? (legendado)



Livros versus E-books



E aí, você acha que essa nova invenção vai vingar?

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

[Resenha] Uma Garrafa no Mar de Gaza, de Valérie Zenatti

por Dana Martins
- Livro: Uma Garrafa no Mar de Gaza
- Livro Único 
- Autor: Valérie Zenatti
- Editora: Companhia das Letras
- Comprar: Travessa
- No skoob











Mini-crítica ~ Resumo:
 Uma garota israelense joga uma garrafa no mar de gaza com uma carta que é um desabafo sobre a própria vida, tudo o que ela quer é ter certeza de que na Palestina alguém também quer a paz. Ela consegue a resposta, mas não é o que esperava. Com o nome de "gazaman" um homem (velho? garoto? menino?) aproveita o contato para despejar o ódio diretamente. Mas ela é muito sonhadora para desistir com algumas palavras rudes. A história, que nós conhecemos através de cartas e diários dos personagens, acaba sendo sobre "se conhecer". Nós conhecemos os personagens e os personagens se conhecem, como uma prova de que não somos tão diferentes assim. "É um livro simples, bonito, leve... Só tem realmente 120 páginas e eu indico para qualquer um. Tanto para quem quer algo no estilo 'romance virtual', quanto para quem quer conhecer de uma maneira simples e divertida a relação entre Israel e Palestina."

Quer saber mais? Clique abaixo para conferir a resenha completa.


Por causa de livros como "O Caçador de Pipas" quando eu vi que esse livro era no oriente médio fiquei com uns mil pé atrás. Não é que "O Caçador de Pipas" seja ruim, é que é tão triste que eu não quero mais. Mas eu fiquei curiosa porque ele está saindo pela Seguinte, o selo jovem da Companhia das Letras, e porque tem toda essa história de conversar por uma garrafa com bilhete no mar. Acabou que no final não era nada disso.

Se você ainda não conhece a história: Tal, depois de mais um atentado, decide fazer contato com o outro lado. Ela estava cansada de ver pessoas mortas, ouvir falar de ódio e até de ir a movimentos pela paz. O que isso tudo adiantava se, no fim das contas, ela nunca tinha conversado com um palestino? Então escreve uma carta, coloca em uma garrafa e pede para o irmão que vai até Gaza por causa do exército deixar no mar. Dias depois alguém responde e pronto, eis a história do livro.

Acho que o livro pode ser definido com "se conhecer através das palavras" e traz um toque de esperança. Através de dois jovens que trocam cartas ele mostra o efeito do conflito israel-palestino, não de uma maneira "Bom dia, classe, hoje nós vamos falar de...", é bem mais como um livro jovem comum.

A garota que estuda, tem namorado baterista, a melhor amigo que não perde nada e um irmão às vezes irritante. A garota sonhadora que quer fazer cinema e se preocupa com o "o que fazer depois da escola?". A garota inquieta que decide trocar cartas com um estranho (ou conversar na internet) e os dois jogam no meio das palavras um bando de pensamentos sobre a vida e o mundo.

Bem, a leitura foi tranquila e leve, o livro só tem umas 120 páginas e passa rápido. Soou como ficar lendo discussão alheia em grupo no facebook. Ainda teve uma "curiosidade extra" minha que incentivou. Eu adoro conhecer outros países e culturas, principalmente os jovens hoje em dia, então teve muita informação que eu não sabia. Tipo eles escutarem e assistirem o mesmo que nós (isso eu já fazia ideia), em Israel é obrigatório tanto pra homem quanto pra mulher entrar no exército aos 18 anos... E até como é para o "mundo moderno" se misturar aos conflitos de lá, já que a televisão tudo o que faz é mostrar bomba e destroço. Se deixar, a gente fica com pensamento no estilo de "oh, eles usam tanguinha na rua? Todo mundo lá é negro?".

É um livro simples, bonito, leve... Só tem realmente 120 páginas e eu indico para qualquer um. Tanto para quem quer algo no estilo "romance virtual", quanto para quem quer conhecer de uma maneira simples e divertida a relação entre Israel e Palestina (e a vida de alguns jovens nesses países). Em algum momento do livro é dito a garrafa no mar de gaza é um ato de esperança que as coisas melhorem, de que as pessoas descubram que são iguais. E Uma Garrafa no Mar de Gaza é uma esperança.


Sobre a nota: Ele é tão pequeno... mas eu vou dar 4. Seria 3, porque o livro não tem nada de ruim, nenhum ponto realmente negativo, mas não tem como dar 5 porque não há pontos positivos o bastante. O ponto extra é pela forma como aborda a história e pela história em si. Talvez, se nossas prateleiras fossem cheias de livros sobre Israel e Palestina, o assunto já teria se esgotado e seria um livro mediano (pra que eu li isso se eu já sei?), mas como não é bem assim, tudo parece novo e até alguns detalhes bobos podem aparecer como descobertas. 1 a mais por ser o primeiro do tipo que eu vi.

Classificação:

(4/5 conversinhas) 


>>> Extra: Filme
Para quem não sabe, o livro foi adaptado (não nos EUA) no filme "Uma Garrafa no Mar de Gaza". É uma colaboração França-Israel-Canadá. Eu ainda não vi, mas parece bem legal. Acho que eles mudaram algumas coisas para dar uma emoção extra na história. Até porque é contado em imagens, enquanto no livro em cartas. Como é que eles fariam o suspense de "quem é o cara com quem ela está se correspondendo?" e mostrar a história dele se o ator precisa aparecer? Se você é desses que dão ataque com as alterações, saiba que a Valérie Zenatti (autora do livro) também está como roteirista. Quero ver!
                                 


E, pra terminar, esse livro foi a Seguinte que me mandou. Muito obrigada!

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

[Clube de Escrita] NaNoWriMo 2012: Eu sobrevivi feat. A Dica que Faltou


O Paulo me pediu para fazer o post de ontem do Clube de Escrita, porque eu (Dana) fui a única que consegui as 50.000 palavras. But then, everything changed when the fire nation attacked... Eu simplesmente não consegui escrever! Então eu me dei conta de que durante novembro faltou uma principal dica. Uma dica que por muito tempo me impediu de concluir uma história. Uma dica que, no final das contas, foi o que me fez ir atrás do NaNoWriMo.

Eu escrevi mais de 50.000 palavras dentro de novembro para o NaNo (fora os 22 posts que eu fiz no CC e os outros não publicados), mas simplesmente não conseguia escrever pra cá. Enrolei até domingo para começar a escrever e ainda no domingo eu não conseguia. Tentei logo que acordei e depois passei o dia inteiro pensando nisso, mas eu só encontrei velhos conhecidos meus: 

Desânimo. "Tá uma m%#@ isso!"

Bloqueio criativo. "Mas o que eu vou falar?"

Falta de tempo. (Passei o dia inteiro quase fora)

E por aí vai. Então eu comecei achar irônico eu ter escrito tanto, eu passar por todas as dicas da gente nesse mês e mesmo assim não conseguir completar um texto que eu gostasse. Qual é o problema?

O pior de tudo é que quinta-feira, enquanto eu cruzava a linha de chegada do NaNo, eu tinha VÁRIAS ideias para escrever. Tava quase parando a história e indo fazer esse post. Chegou até a atrapalhar um pouco o que eu estava escrevendo. Agora eu não faço nem ideia do que ia dizer. É irritante. 

QUAL É O MEU PROBLEMA?!
Então eu me dei conta de que justamente isso é o problema, né? Eu tive a sorte de me manter com a inspiração durante esse mês, mas nem sempre é assim. Quando eu não tenho ideia do que escrever e tudo parece uma merda eu fico evitando escrever, até falar sozinha em comunidade antiga do orkut parece mais legal, o mundo fica de cabeça pra baixo, a história parece uma merda... Tudo uma merda. Dá um peso no coração, uma irritação, a coisa não vai pra frente. Parece que não tem saída.

Parece exagero, mas eu sou meio teimosa e fico insistindo, como eu não consigo fico irritada. Aí eu viro o Hulk e

Então, como resolver isso? Eu olhei pra a tela, ela não me respondeu, a relação já estava mais do que tensa. Eu já tinha até falado pra o Paulo que não ia conseguir fazer o post, já estava tarde e eu precisava dormir. Mas eu já disse que sou teimosa? Decidi ir até o templo de respostas para arejar as ideias. Fui na cozinha e abri a geladeira.


Minutos depois, na escuridão da sala, toda injuriada... eu comecei a pensar.

Esse mês no CC foi tudo sobre não desistir da sua história, que exemplo seria o meu se eu fizesse justamente isso? Grande coisa fazer um post sobre CONSEGUIR sem nem ao menos conseguir. No post da Igra ela falou que o Raphael Draccon disse que "escritor que tem bloqueio criativo é aquele escritor que não precisa pagar conta". E eu me perguntei: e se eu precisasse terminar ainda hoje esse texto de qualquer jeito?

Pode respirar aliviado, caro leitor, porque agora as coisas melhoram. "But I believe Aang can save the world!"

Eu decidi, então, escrever sobre o que estava acontecendo comigo. Ao mesmo tempo, lembrei que esse mês não foi feito apenas de momentos puro Chico Xavier e mais de uma vez eu cheguei perto desse bloqueio. Como eu fui em frente?

Então eu parei de procrastinar e fiz o que deveria ser feito! Mentira. Na verdade...
A primeira vez foi bem no início, que é aquela introdução antes dos personagens irem parar no problema. Começou a ficar chato e eu não sabia como escrever. O que eu fiz? Conclui de qualquer jeito e fui logo para a próxima.

A segunda vez foi durante/depois da viagem, que eu estava cheia de ideias e como não pude escrever acabei esquecendo. Resultado? Não gostava muito do que estava colocando no papel, não conseguia colocar, ficava totalmente bloqueada. O que eu fiz? Fiquei insistindo, aceitei que o caminho de antes foi perdido e criei uma nova perspectiva para continuar.

E teve mais uma vez, que foi quase do nada. Eu tinha os pontos principais, mas não estava gostando. Como eu resolvi? Parando pra planejar. Refiz o mapa do lugar que estava precisando de uma atualização, vi quantos personagens tinham e onde eles estavam, em que ponto estava a relação entre eles e o andamento em cada subtrama, os próximos pontos que eu precisava desenvolver. Assim foi mais fácil ver por onde eu tinha que começar e o que mais ou menos deveria acontecer.

Não, não é o meu. É do roteirista de uma série.
Só pra completar, esse eu aprendi fora do NaNo e era o meu principal inimigo: eu não sabia como continuar. Por exemplo (baseado em fatos reais), na história X dois personagens se conheciam no início e ela é basicamente sobre os dois rodando uma cidade em busca de uma solução. Que solução? Como? Não sabia. Depois eu tive a ideia dos dois serem capturados por um grupo mais pra o final. Levei muito tempo desanimada, até que eu decidi fazer esse grupo aparecer logo no início. Moral da história: às vezes a gente pode ter ideias e ficar guardando para depois, sem imaginar que o depois pode ser agora (ultra filosófico, tá liberado colocar no fb dizendo que é a MEIRELES, Cecília).

Então eu acho que se num momento você desanimar da história, achar que não consegue escrever, que tá sem ideia e até quase inconsciente começar a enrolar, pode ser porque seja preciso parar e repensar. Você está achando uma merda? Seu personagem provavelmente também está. Faça ele dizer isso, faça ele procurar algo novo, analise as possibilidades junto com ele.

Só de bônus, uma mini-cena para vocês pensarem. Kosmatka conhece Garcia e vai para um encontro com ela. Você está escrevendo sobre esse encontro, mas está tudo sem graça e bobo. Então você continua:

- Isso está uma merda. - disse Garcia, empurrando uma mecha de cabelo insistente para trás da orelha.
- Sério? - Kosmatka parou de beber o próprio milkshake e olhou para o copo. - O meu parece bom.
- Não, Ted! Estou falando desse encontro.
Ted olhou para baixo, sem jeito com as palavras dela e sem saber como deveria lidar com a situação. Ele também não estava gostando tanto assim, mas havia pensado que isso era algo inerente aos encontros. Como supostamente ele saberia? Para começar, a maioria dos procedimentos padrões de socialização são ridículos e não fazem o menor sentido. Tudo ali parecia direito: Os dois estavam sentados em uma lanchonete recém-aberta que todo mundo queria conhecer, o barulho de gente conversando era alto além do julgado aceitável, volta e meia um garçom passava em mais uma tentativa de decapitação com bandejas e o lugar estava repleto de estudantes que usavam o chão encerado como passarela de moda. Até a gordura pingando das batatas fritas parecia na medida certa. Ted tinha certeza de que para a mesa ao lado, onde um senhor provavelmente desafiava mais uma vez a morte enquanto comia sal com batata, os dois sentados ali com seus milkshakes pareciam um jovem casal se divertindo em uma tarde de sábado. O que estava errado?
- Talvez a gente deva ir até a praia. Afogar uns golfinhos, sei lá.

E, assim, o que era um merda vira o motivo para os personagens fazerem alguma coisa aleatória que pode chamar mais atenção. Se você for parar num beco sem saída, por exemplo "nenhum dos dois diria algo assim", talvez seja a hora de rever seus personagens. Será que eles são realmente feitos um para o outro? Por que você acha que eles combinam como um casal? Talvez o problema seja o lugar onde eles estão, ou talvez você precise sacudir a história. Repense.

- GARCIA, você aqui! - ouviram alguém dizer, Ted durante um segundo desejou ser meio surdo. Já podia ver pela expressão de Kami que aquilo não ia ser bom. Então ele imaginou se teria sido assim que os tripulantes do Titanic se sentiram quando souberam que o navio ia afundar.

Quem é que chegou? Um ex de Garcia, o cara que faz bullying na escola ou uma amiga meio maluca que ela evita há décadas? Ou talvez seja um ex meio maluca que faz bullying na escola e ela tem tentado evitar. Sabe, eu meio que já estou gostando dessa história.

Eu só estou postando hoje, porque... depois de conseguir escrever voltei a ficar tranquila e, verdade seja dita, eu não precisava ter entregado ontem DE QUALQUER JEITO. O que eu precisava era estar na faculdade DE QUALQUER JEITO dentro de 5 horas, então fui dormir.

Até mais!

Espero que vocês tenham gostado dos desafios em novembro, do projeto Charlie's Booklist (vá ver!), dos nossos Clubes de Escrita (que não vão totalmente embora! Eu fiz mais de 50.000 palavras, mas ainda não terminei meu livro)... O Paulo e a Igra não conseguiram completar o NaNoWriMo, como muita gente, mas ela já provou que não precisa do NaNo para terminar um livro, enquanto o Paulo eu espero que continue tentando (ele escreve realmente bem quando quer). Se você também não conseguiu, fique tranquilo. Em junho/agosto há outra edição, em novembro do ano que vem também e, sinceramente, você pode fazer o seu National Novel Writing Month quando quiser. É só continuar tentando (a tendinite que eu ganhei de presente na última semana curtiu isso. Só para descurtir depois).


Trabalho feito!

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

[Clube de Escrita] Isso está uma m%#@


Hoje eu vim aqui fazer um extra para falar sobre aquele pensamento que já passou pela cabeça de qualquer pessoa que tentou escrever algo legal: O que eu estou escrevendo está uma m%#@. Isso basicamente acontece quando você está escrevendo e decide começar a pensar, chegando a conclusão de que você nunca colocaria essa porcaria ao lado de um livro da J.K Rowling. Até a Stephenie Meyer faz algo bem feito. Você vai apagar tudo e ler 50 Tons de Cinza. Adeus carreira literária.

Talvez você escreva muito mal mesmo, ou talvez seja só o seu cérebro funcionando. 

Pelo menos eu sempre tive uma imagem meio idealizada de um escritor. Aquele cara pensativo, que vai pra uma cabana isolada, pra fazenda ou pra uma casinha de sapê. Lá ele faz alguma mágica e pronto: eis a nova obra de arte.

Talvez isso seja culpa dos filmes? Lá escritores são só aqueles caras que estão escrevendo sem parar ou com bloqueio criativo (e só aí eles são interessantes). 

Então, por um bom tempo eu achei que era isso escrever uma história. Ou só assim. Ninguém estava falando "Sim, minha filha, isso é fazer um livro. Isso e toda a parte depois." E é agora que você me pergunta, nem que seja por educação, que parte é essa.

E então é agora eu te respondo, seu preguiçoso safado, vai descobrir isso sozinho! Eu tive que me virar!!! Ou não. Talvez eu simplesmente responda. É, eu vou responder...

Essa parte depois é quando você revisa edita revisa edita revisa edita revisa edita revisa (...) até você pensar "É isso!" (e é um avanço extraordinário da fase inicial pra cá). Você não precisa escrever o livro perfeito da primeira vez, o diálogo não precisa estar impecável, a motivação não precisa estar tocante e você não precisa saber o nome do personagem A (alías, se for um livro de suspense, "A" já está perfeito para começar). Pode ser que isso tudo aconteça, parabéns, publique e fique rico. Mas se isso não acontecer, que se dane.

Por quê? Porque você está escrevendo por algum motivo, alguma história que você quer ver acontecer e/ou alguma coisa que você quer transmitir. Então coloque isso no papel.

Roubando na cara de pau o exemplo ótimo do John Green (é, o autor de A Culpa é das Estrelas): é como fazer uma escultura, primeiro você vai lá pegar o barro no puro trabalho braçal, depois você vai empilhar tudo até fazer um "morro" de certa altura. Nesse primeiro momento, para quem quer uma escultura perfeita você vai ter um ótimo monte de barro. Depois disso é que você vai começar a esculpir e esculpir e esculpir. Ou seja, primeiro você baixa o santo e manda tudo pro papel e, a não ser que você tenha incorporado o Shakespeare, provavelmente vai ter um monte de letras esperando uma boa edição.

Eu fiz esse post porque, além de pedir para o seu editor-interno literário ir pastar nessa primeira parte, eu queria mostrar pra vocês a parte de agradecimentos do livro "Brooklyn, Burning" do Steve Brezennoff [Resenha em breve, no CC mais perto de você!]. Com ela dá para ter uma boa ideia de como a história foi melhorada através do tempo (Ah! E Igor, guarda isso que eu vou usar no post respondendo seu comentário!).
Obrigado primeiro, mais uma vez, a Andrew e Edward. Eu acho que nós fazemos um bom trio de crítica literária, musical e culinária. Vamos fazer isso outra vez em breve.
(...)
Obrigado ao Loft, por existir, e o meus amigos das aulas do Loft, os primeiros a lerem isso, provavelmente antes disso valer a pena ser lido. Obrigado aos escritores de Minnesota, que eu tive o prazer de conhecer e de trabalhar durante os últimos anos; é maravilhoso fazer parte de uma comunidade tão forte e presente, especialmente os escritores de literatura para jovens.
Alguns dos primeiros leitores desse livro - em seus primeiros rascunhos: antes mesmo de ter um incêndio - foram do meu grupo de escrita online que durou pouco: Josh Berk, Jonathan Roth, Kurtis Scarletta e Jon Skovron. Eles me ajudaram a ver que duas crianças rodando pelo Brooklyn não era uma história. Obrigado pelas observações, galera.
Obrigado a duas outras comunidades também (...). Como autores conseguem sobreviver sem esse suporte está além do meu conhecimento.
Obs: Esse incêndio que ele fala é um elemento muito importante pra toda história e nem tinha no começo!!!

Autores famosos que melhoraram depois: O John Green já falou que em "Quem é você, Alasca?" a fixação do personagem por palavras finais só entrou mais tarde. No início não havia tanto do romance Gale-Katniss-Peeta em Jogos Vorazes (aliás, a Suzanne Collins já falou que tem problema em cenas com descrição, então ela provavelmente teve um esforço extra reescrevendo essas cenas). No início de Harry Potter, não era nem um trio principal. Patrick Rothfuss, autor de "O Nome do Vento", diz que demora muito a escrever porque no final de cada trecho revisa mil vezes. E por aí vai, todo autor deve ter a própria história de edição.

domingo, 18 de novembro de 2012

[NaNoWriMo Clube de Escrita] Como manter uma história?


A terceira semana de novembro, mês do NaNoWriMo, vai chegando ao fim e, com isso, mais um “encontro” do nosso Clube da Escrita acontece! Agora que já passamos da metade (teoricamente, porque ninguém aqui alcançou mais de 25.000 palavras), vem a pergunta: como vou manter minha história? É sobre isso que nós falamos hoje! Primeiro o Paulo dá dicas para quem não sabe mais o que escrever e depois a Dana comenta sobre o que fazer quando as distrações falam mais alto.

Essa última semana, para mim (Paulo), pode ser resumida como: vergonhosa. Sabem quantas palavras eu escrevi desde o último domingo? ZERO. Pois é. Ao invés de aproveitar o pouco tempo livre durante a semana para escrever, eu fiquei assistindo série de TV*. Então aqui já vai a primeira dica do dia: não foque por muito tempo em coisas que não sejam escrever. Por mais que elas te deem prazer no momento, elas vão te distrair e a vontade de escrever morre. E depois você ainda fica com sentimento de culpa. Experiência própria.
* para ser mais específico, How I Met Your Mother <3

Pois é, desonra pra mim e desonra pra minha vaca.

Ok, agora vamos ao tema principal. Nós já sabemos que escrever cinquenta mil palavras é um caminho muito longo a ser cumprido. Não só por serem muitas palavras por um mês, mas também porque você tem que ter muita história para que seu enredo não se desenvolva rapidamente e acabe longe da meta final.

A primeira dica que me vem à cabeça é: desenvolver mais os personagens secundários. É muito comum começar a pensar numa história e só virem os protagonistas e um ou dois personagens que vão ser mais próximos deles. A maior parte dos personagens só vai aparecer quando realmente se começa a escrever e eles acabam ficando de lado.

Eu tento seguir essa dica porque uma das coisas que mais me incomoda ao ler um livro é não saber direito como são os personagens secundários, só conhece-los superficialmente. É claro que vai acontecer de não ter como encaixar a história de todos os personagens no meio da trama central, então faça capítulos extras onde esses personagens secundários sejam os protagonistas. Isso te ajuda a conhecer mais seu personagem e a também a aprender como desenvolvê-lo. 

Atenção: "Ai meu deus, mas o meu livro é em primeira pessoa com um protagonista" Você não precisa se preocupar com isso agora, pode ser que isso nem entre na versão final, mas vai te ajudar a conhecer mais a história.

Esse desenvolvimento de outros personagens pode ser importante para a próxima fase da escrita do romance, depois que você termina o primeiro rascunho e vai reescrever tudo. Às vezes você descobre que personagem X pode ter mais destaque, ou que Y poderia não estar na história porque não muda em nada e até que Z pode merecer um romance só para ele.

Se mesmo depois de encaixar a história de outros personagens na trama principal, sua história ainda assim está curta, uma dica importante é vê-la por outro ângulo. Vocês já pararam para pensar que, às vezes, por se limitar a um só olhar sobre sua ideia, você pode estar deixando algo importante esquecido? Pensando sobre a minha história, eu percebi isso perfeitamente e pretendo mudar quando voltar a escrever.

Às vezes, por estarmos tão focados em só contar a história que temos na cabeça, deixamos de refletir e pensar em coisas que ficariam boas nela. Por exemplo, se sua história é de uma menina que ganhou um concurso de quem come mais pizzas (!!!) e lá se apaixonou por um garoto, que tal escrever um pouco sobre como funciona o concurso e talvez até contar a história de vencedores anteriores? Desenvolver os detalhes da história torna-a mais interessante, esse exemplo que eu dei, se bem desenvolvido, ficaria muito melhor do que só a menina conhecendo o garoto e se apaixonando, sem uma boa ambientação.

Dana tentando falar sobre como escrever com o mundo batendo na porta enquanto o mundo está batendo na porta (wtf)


E se o seu problema não é falta do que escrever, é o mesmo do meu e do Paulo: falta de tempo ou distrações. Como se livrar disso?

Organização e vontade! O primeiro é planejar quanto você precisa escrever, quando você vai escrever e o segundo é, enfim, escrever.
Parece bobeira, mas é isso mesmo. Um dos principais pontos tanto do NaNoWriMo quanto dos outros desafios das sextas temáticas é você planejar e se organizar para cumprir uma meta que você quer alcançar.
Assim parece que eu sou superorganizada, mas hoje mesmo eu já poderia ter escrito um monte. Isso sempre acontece, eu acordo pensando: é a primeira coisa que eu vou fazer! E acaba sendo a última (eu de madrugada digitando já de olho fechado). Tenho impressão de que isso vai se repetir hoje. Mas mesmo que seja a última coisa que você faça, não deixe de fazer.

A vontade é a parte principal e você precisa "exercitar" essa vontade, evitar desanimar. Lembra que o NaNo é um desafio e você tem uma meta para cumprir, se não fica mais falso do que dieta na páscoa. Encontre o que te anima. A cada domingo aqui com o Clube eu me animo, quando eu leio os comentários de vocês, quando eu comento com alguém, quando eu pesquiso sobre o NaNo na internet... E não esquece que esse é um espaço que nós também estamos dando a vocês, podem vir!
Um outro exemplo é a Morgana do 101 coisas em 1001 dias que nós citamos na sexta, ela decidiu fazer vídeos no youtube para mostrar o que estava fazendo na lista. Em um dos vídeos ela diz que fazer vídeos é uma das coisas que estimula ela a continuar com a meta. Encontre a sua maneira e faça!
Agora mesmo enquanto eu tentava escrever esse texto aconteceram mil coisas (além das outras que eu poderia estar fazendo). Para ter ideia, eu não consegui nem deixar a porta fechada de tanto que vem gente aqui. Mas estou escrevendo, né?


Bem, por hoje é só. Agora que eu (Dana) voltei vou conseguir atualizar as dicas lá no tumblr, então lembre de passar lá para acompanhar! Além disso, vi o que o Igor perguntou na última semana e vou fazer um post extra dedicado ao "o que eu preciso para começar uma história?". E semana que vem a Igra volta para falar sobre como terminar um romance, estou curiosa para ver o que ela vai dizer! haha

Continuem escrevendo, continuem falando, continuem animados!

Contador de palavras (até o fechamento desse post)

Paulo: 12.169/50.000
Dana: 16.553/50.000
Igra: 2098/50.000


Veja também
>>>Primeiro encontro:  apagar é proibido!
>>>Segundo encontro:  bloqueio criativo
>>>Batalha de palavras e Maratona de Escrita: em breve!

domingo, 11 de novembro de 2012

[NaNoWriMo Clube de Escrita] Bloqueio Criativo


Olá, caros escritores! Na semana passada, falamos sobre começar a escrever pro NaNoWriMo e o tema principal foi: não apague nada do que você escreve. Afinal, a ideia do NaNo é escrever, não importa se o que sair será bom ou não.

Então, hoje voltamos para comentar como foi a segunda semana do projeto e falar sobre o temido bloqueio criativo. Vamos lá? :D

* Lembrando que esses posts são escritos a partir da opinião de quem o escreve (nesse caso, o Paulo), talvez nem todos os membros do blog compartilhem a ideia apresentada e muito menos a encaram como verdade absoluta.

Desde o domingo passado, caí muito na meta. Eu comecei o projeto muito animado, com uma história que realmente me agradava na cabeça e o feriado ajudou bastante a ter tempo para escrever. Porém, chegou a semana e os fatores escola, estudar, coisas para fazer que não estavam programadas e preguiça atrapalharam demais. Para ter uma ideia, eu terminei domingo muito adiantado na meta, mas escrevi tão pouco nos dias seguintes (uma média de cem palavras, no máximo) que cheguei a esse final de semana muito atrasado, tanto que será difícil de eu chegar a meta para hoje, 18.333 palavras.

Bom, o tema desse domingo, como já sabem, é o bloqueio criativo. Para começar a falar sobre isso, vamos primeiro à pergunta “o que é bloqueio criativo?”. O senso comum diz que o bloqueio acontece quando a pessoa quer escrever, mas não vem nenhuma ideia para pôr no papel.

No entanto, depois de ficar pensando no assunto desde semana passada, cheguei a uma conclusão de que o bloqueio, na verdade, não existe. Para mim, o bloqueio criativo é apenas uma forma que, mesmo inconscientemente, usamos para nos desculpar por não conseguir escrever.

Lembram-se do que eu disse semana passada, que “A produção de um livro é um processo longo (...). Novembro é o mês de escrever, apenas isso.”? A ideia de que durante esse mês devemos escrever, escrever, escrever e escrever, sem se preocupar se está bom ou não, é o ponto-chave para tirar o bloqueio criativo da sua vida. Afinal, se você não está preocupado se o que está sendo escrito é de qualidade ou não, você nunca vai parar de escrever para ver se ficou bom.

Tudo bem, agora você está escrevendo sem se preocupar se está bom ou não, mas chegou um momento que você não faz ideia do que faz com a história. Aí vem a dica principal, além de escrever sem pensar se está bom ou não, escreva tudo o que vier na cabeça. Eu só consigo escrever assim, e o que eu percebi escrevendo dessa forma é que, mesmo que o início fique um pouco confuso, a sua história vai se desenvolvendo tão bem que em determinado momento tudo começa a ficar claro para você.

Uma coisa que eu recomendo é não pensar muito no que vai vir depois. Se você está escrevendo a cena 1, mas começa a pensar nas cenas 4, 9 e 15, seu cérebro vai começar a dar um nó e não vai sair nada. É claro que você pode fazer uma cronologia do que vai acontecer (até para se organizar mesmo), mas não pense nos detalhes das futuras cenas enquanto estiver escrevendo outra.

Uma coisa que eu acabei de reparar é que eu funciono de duas formas diferentes. Quando estou escrevendo ficção, todas essas dicas que eu dei funcionam perfeitamente, porém, quando vou escrever uma dissertação ou até mesmo um post como esse, eu fico o tempo inteiro voltando e apagando coisas, editando o texto, etc. Para conseguir fluir bem na escrita, acho que a pessoa tem que encontrar a forma que funciona melhor. É claro que as dicas são bem úteis, mas ninguém é igual a ninguém, cada pessoa tem seu próprio sistema.

Bom, meu post vai ficando por aqui, mas a Dana escreveu um post e pediu que eu anexasse nesse. Eu gostei bastante dele porque além de ter um outro ponto de vista sobre o tema bloqueio criativo, ela o escreveu seguindo a dica de dizer o que vem na cabeça. Vale a pena dar uma olhada. :D

Contador de palavras (até o fechamento desse post)

Paulo: 12.169/50.000
Dana: ???/50.000 (ela está viajando e não sei em quanto ela está exatamente, mas pelo menos no meio dessa semana estava na minha frente).
Igra: 422/50.000 (por conta de um problema envolvendo faculdade, Enem, trabalho, ela só pôde realmente começar hoje).

Até semana que vem!

domingo, 4 de novembro de 2012

[NaNoWriMo Clube de Escrita] Apagar é proibido!


Como vocês estão sabendo, novembro é o mês do NaNoWriMo (para quem não faz ideia do que eu estou falando, basta dar uma olhada nesse post). Então nós decidimos criar uma espécie de diário de escrita aqui para ajudar todo mundo a cumprir a meta. Tanto nós mesmos, quanto vocês, que vão receber dicas, ver como outras pessoas estão indo e podem dividir a própria experiência para nos ajudar.

Regra número 1: Falar para os outros que você está escrevendo é importante! Sério, vocês não têm noção do QUANTO isso ajuda. Hoje eu (Dana), estava comentando com o meu irmão e, além de me dar umas ideias, me deixou toda animada para escrever. Veja essa e outras dicas aqui.

Hoje e nos próximos domingos vocês vão nos ver comentando sobre o que temos escrito. Se você também está participando do projeto e gostou da ideia, sinta-se à vontade para compartilhar com os leitores do seu blog o seu diário de escrita. E diga para gente também como está indo!

Para começar, eu (Paulo) vou falar sobre como é começar um projeto tão difícil.

Com certeza, vocês já devem ter ao menos ouvido falar do drama da folha em branco. Sabe quando você abre o editor de texto, pronto para começar a escrever, mas, quando percebe que não tem nada escrito e que tem páginas e mais páginas pela frente, começa a entrar em pânico? Foi exatamente por isso que eu passei na última quinta-feira.

Para começar, perdi tempo porque fiquei fora o dia inteiro, cheguei tarde e, para piorar as coisas, nem tinha certeza qual seria a minha história. Eu tinha duas ideias e não fazia ideia de qual daria mais certo. Mas, depois de encarar a tela do notebook por alguns minutos, percebi que a ideia perfeita era uma terceira, que eu já tinha descartado lá em meados de outubro. Acabou que a ideia deu certo e continua dando, pelo menos até agora.

Ok, comecei a digitar e o drama do “como começar?” passou, mas é aí que chegam os pensamentos de Que coisa horrível!!! Escrevo muito mal!!! Ninguém vai ler isso!!! Vou apagar tudo!!!!!! E é também agora que o Paulo olha bem nos seus olhos e diz: NÃO. APAGUE. NADA.

Não olhe para trás! Nem se parecer que o seu braço não faz parte do seu corpo. Apenas continue escrevendo.
Por favor, eu quero que, nesse momento, você jure para si mesmo que nunca mais vai apagar trechos quando estiver escrevendo uma história.

Se tem uma coisa que eu aprendi enquanto lia dicas sobre como começar a botar no papel uma história é ter a consciência de que esse é apenas o primeiro rascunho. Livros que consideramos maravilhosos, como “Jogos Vorazes” e “A Culpa é das Estrelas”, não chegam para nós do mesmo jeito que eram quando o autor os escreveu da primeira vez. Depois da escrita vem todo um processo de estruturação da história, retirada de trechos desnecessários, adição de cenas para deixar tudo bonito e inúmeras revisões.

A produção de um livro é um processo longo e que dá muito trabalho, mas essas fases só vão vir em dezembro, janeiro, fevereiro e quantos mais meses forem necessários. Novembro é o mês de escrever, apenas isso.

Então não fiquem lendo o que vocês escreveram, esse é um dos piores erros que um escritor, principalmente iniciantes como nós, pode cometer. É natural acharmos que o que escrevemos não está bom porque nós sempre esperamos algo em um nível bem mais alto. E se a gente começa a ler o que já escreveu, vem a vontade de apagar o que não está bom.

Além desse apaga-apaga-apaga prejudicar o andamento do projeto (porque quanto mais apagamos mais palavras vão para a lixeira), tudo o que escrevemos pode ser útil em algum momento.

*tradução no fim
Mas é claro que de vez em quando pode acontecer de ter algo que atrapalha o andamento da história, então, se isso estiver te incomodando e impedindo que você continue, apague. Mas só se tiver incomodando, porque, às vezes, não sabemos se certo detalhe da história é x ou y, nesse caso, é legal deixar os dois para que, depois, na revisão, você quebre a cabeça para decidir o que é melhor.

Outro problema é o desânimo com a sua história. Durante esses 30 dias, isso provavelmente vai acontecer algumas vezes. Aquele sentimento de “que porcaria é essa que eu estou fazendo?”, que vai fazer com que você apague a história TODA para recomeçar do zero. Isso é ainda mais perigoso do que apagar pequenos trechos. Minha dica é que você tenha sempre o arquivo da sua história em um pen-drive, assim, além de se proteger do risco de acontecer um problema no seu computador, também garante uma salvação caso você apague o arquivo em um momento de ódio pelo que escreveu.

Dana sobre o começo:

Assim como o Paulo, também estava em dúvida entre duas ideias. Eu peguei a segunda, que surgiu pra mim de última hora. É mais pra uma fic e exercício de escrita, isso vai me dar a chance de escrever sobre vários temas que eu pretendo falar no futuro e de maneira mais despreocupada. Lembre que você não precisa se preocupar agora em escrever o "próximo Harry Potter", o objetivo do NaNoWriMo é te dar disciplina e treinamento de escrita.

O NaNoWriMo é o brainstorm* do seu livro! Não fica tentando corrigir.


Contador de palavras (até o fechamento desse post)

Paulo: 8.739/50.000
Dana: 4.756/50.000
Igra: 0/50.000

A Igra está no 0 porque ainda nem começou (enem, sabe como é). Uma coisa é certa: nunca é tarde para abrir o word e atacar o teclado. Semana que vem vamos falar de bloqueio criativo, tente não ter um até lá! (e, se tiver, pode gritar aqui que a Equipe Especializada Anti-Bloqueio Criativo do CC entra em ação)


*"Se você está determinado a fazer algo que pode não funcionar, você está perto de ser um artista" - Seth Godin.
*Se você não sabe o que é brainstorm, dá uma olhada aqui.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Desafios: Não deixe que o filme estrague o livro!


Depois de cinco sextas cheias sangue, vodus, cérebros, guias de sobrevivência – em suma, zumbis –, vamos para um mês mais “light”. Ou não. Está pronto para um desafio?

Inspirados pelo grande projeto que vai rolar durante todo o mês de novembro, o NaNoWriMo, decidimos que hoje e nas próximas sextas desse mês indicaremos projetos bacanas que encontramos na internet e podemos aplicar na vida.

Para abrir novembro com um tema bem relacionado ao blog, iremos falar sobre o Read it First.

Sabe quando você vai a um cinema, vê um filme e só depois vai ler o livro? A sensação é ruim, né? Aquele suspense do livro perde a graça porque você já sabe, toda a diversão que você poderia ter tido durante horas e horas acaba compactada em, sei lá, duas horas numa sala de cinema.

Para que isso não aconteça, temos o Read it First, um projeto criado pelo Hank Green (irmão do John Green, lembram?) e desenvolvido pela Nerdfighteria. A ideia é simples: leia o livro antes, não deixe que o filme o estrague.

Eu (Paulo), particularmente, adoro o projeto porque ler antes de assistir é algo que eu não faço. Tento me controlar, mas tem tantos livros para ler que, sempre que coloco um que vai sair como filme na lista, ele vai ficando pro final e acabo assistindo o filme antes. Mas a partir de agora vou me controlar ao máximo para não fazer isso, para dar o exemplo pros leitores do blog. hahaha

O mecanismo do projeto é o seguinte: você entra no site, depois coloca seu nome e email como se tivesse fazendo um juramento de que só vai assistir a uma adaptação cinematográfica de um filme depois de ler o livro. E você ainda tem a opção de receber uma newsletter com os livros que vão ter adaptações bem antes da estreia para ficar avisado e ter tempo de ler.

O site e o andamento das coisas parecem estar meio que congelados, porque desde que eu me inscrevi no site no início do ano não recebi nenhuma newsletter, mas isso não é motivo para deixar de participar. O bacana do Read it first é a ideia, e ela não é nada impossível de colocar em prática, então vamos ler os livros primeiro, pessoal. \o/

Vejam esse vídeo em que o Hank, além de apresentar a ideia e o projeto, fala sobre fazer ideias se tornarem reais.  


Alguns filmes marcados para o fim de 2012 e para 2013 que são baseados em livros

Amanhecer – parte 2 – 15/11/2012 (baseado no quarto livro da série “Crepúsculo”, de Stephenie Meyer)
O Hobbit - Uma Jornada Inesperada - 14/12/2012 (baseado em "O Hobbit", de J. R. R. Tolkien) *essa é a primeira parte de três.
A Viagem – 25/12/2012 (baseado em “Cloud Atlas”, de David Mitchell)
Anna Karenina - 01/02/2013 (baseado no livro homônimo de Liev Tolstói)
Os Miseráveis – 29/03/2013 (baseado no livro homônimo de Victor Hugo)
Em Chamas - 22/11/2012 (baseado no livro homônimo de Suzanne Collins)
O Grande Gatstby – ??/??/2013 (baseado no livro homônimo de F. Scott Fitzgerald)
Cidade dos Ossos - ??/??/2013 (baseado no livro homônimo de Cassandra Clare)
Divergente - ??/??/2014 (baseado no livro homônimo de Veronica Roth)
*datas de estreia no Brasil

Gostaram do tema desse mês? Já conheciam o Read it first? Comentem aqui embaixo e também nos diga se conhece algum desafio/projeto legal!

>>>Você também pode gostar do Livro vs. Filme!

domingo, 28 de outubro de 2012

NaNoWriMo: Saiba sobre o mês de escrever livros!


Novembro começa na próxima quinta-feira. Isso não pode significar muito para você agora, mas há muitas pessoas ansiosas para esse dia - e pode ser que você seja uma delas depois desse post.

O motivo é que novembro é o Mês Nacional da Escrita de Romances (ou “de se escrever romances”), ou National Novel Writing Month, no original, o NaNoWriMo.

Nada disso significa algo para você? É só continuar a ler o post que eu vou explicar o que é, como funcionar e como participar!

Esse post vai ser num estilo de "perguntas e respostas" - e você pode comentar com suas dúvidas que eu atualizo respondendo. Mas antes vamos esclarecer o essencial: 

O que é o NaNoWriMo?

Bom, a ideia desse projeto é bem simples: escrever um romance de 50.000 palavras do primeiro ao último dia de novembro. Contudo, essa simplicidade fica mais na teoria, porque na prática o NaNo é um projeto de tortura física, fujam!!1!!11!te desafia a ter disciplina para a escrever, o que não é fácil, até porque a meta diária  fica em torno de 1666 palavras.

Acho que o lema do NaNo é "não importa, escreva!" Você não precisa ter um livro editado já na gráfica no dia 30 de novembro, mas uma história de pelo menos 50.000 palavras. Para dar uma ideia, Fahrenheit 451 do Ray Bradbury é mais ou menos desse tamanho.

O projeto é tão legal que vários autores famosos participam ou já participaram, entre eles a Meg Cabot, a Erin Morgenstern, a Stephenie Perkins e até o Neil Gaiman.

Hm, legal, mas o que ganho participando?

Como eu disse acima, o projeto serve para você ter disciplina e foco na escrita. Sabe aquela ideia ótima que você teve, mas sempre que vai escrever fica com preguiça e deixa para outra hora? Essa é a hora de focar e transformá-la em algo. Um livro de preferência, porque né.

Como eu faço para participar?

Agora que você gostou da ideia, o próximo passo é entrar no site oficial e se inscrever. Lá você pode preencher suas informações, como nome, idade, de onde você é, etc. Você também pode colocar o título do seu livro, uma sinopse, trechos, além de poder atualizando com quantas palavras você já escreveu. Depois disso, é só esperar o dia 1/11 e começar a escrever!

Aimeudeusdocéu, eu não sei nada de inglês, e agora? Como vou me inscrever?

Calma, o site é só uma forma de “oficializar” a sua participação no projeto. Eu disse lá em cima que a ideia do NaNo é escrever e é isso mesmo. Para participar, basta abrir o seu editor de texto (ou sua máquina de escrever ou seu caderno ou sei-lá-o-que-vocês-usam-para-escrever) e criar sua história. E também não vale só se inscrever no site e na hora de escrever não fazer nada, né?

Adorei a ideia, mas eu posso participar com uma coisa que já comecei a escrever?

Então, a ideia é escrever um romance completo durante todo o mês de novembro e o mais legal é que não seja algo já começado nem que haja muito planejamento, começando do zero mesmo. Mas, obviamente, nada te impede de te fazer um dos dois. Eu, por exemplo, tenho duas ideias em mente e as duas estão bem arrumadinhas na minha cabeça, só basta eu decidir com qual eu vou participar. Se você já começou a escrever uma história e só está querendo a disciplina para terminar mesmo, é claro que você pode participar. Só não vale já ter um projeto de 10 mil palavras e ao fim do mês ele ter 50 mil e dizer que cumpriu a meta, esse tipo de coisa só faz com que você minta para si mesmo.

Tenho fobia de metas, serei punido por forças superiores se eu não cumpri-la?????

Não, é evidente que não. Aliás, se esse é o seu primeiro ano, é provável que você não consiga terminar a meta. Falo isso por experiência pessoal, minha primeira vez foi no ano passado e eu sou tão preguiçoso que cumpri menos da metade da meta. Focar em algo é realmente difícil, principalmente com as inúmeras distrações espalhadas pela internet, então se não conseguir dessa vez, tudo bem, volta no ano que vem. É importante lembrar que você não deve se matar para conseguir terminar a meta ou se privar de coisas que você gosta para isso. Lembrem-se: escrever tem que ser divertido, tem que te dar prazer.

Perguntaram: Como vocês conseguem escrever sob pressão?!

De duas uma: ou a gente faz TUDO na vida sob pressão, ou não faz nada sob pressão. É perspectiva. Participar do NaNoWriMo não é como se tivesse alguém com a havaiana de pau na mão do nosso lado gritando ESCREVE, VADIA, ESCREVE!, é mais uma desculpa para você fazer o que deveria estar fazendo. Sabe, se você quer ser escritor você vai escrever de uma forma ou de outra, em novembro, março ou julho. Tanto faz. Só que a gente acaba não escrevendo. Mil ideias na cabeça e vocês vendo imagem a noite inteira no tumblr.

Aliás, nesse exato momento são 05:18 da manhã e eu ainda não comecei a escrever hoje. Já fiz 2 posts pra cá, revisei outros, fiz imagens no photoshop, juntei links para posts futuros, visitei um bando de deviantart lindo, li sobre o Arqueiro Verde, assisti Once Upon A Time, falei no facebook, arrumei minha mala... e mesmo sabendo exatamente como continuar o que eu escrevi desde que acordei, eu não escrevi ainda. Pra mim, o mais importante do NaNoWriMo é que ele te ensina a criar o "tempo de escrever". Aproveitando que é um tempo limitado, que tá todo mundo sabendo que você vai fazer, que tem um monte de gente participando...

Se isso é "pressão", é a mesma que eu tenho para postar aqui, para ir à faculdade, para fazer algum esporte, para responder as pessoas no facebook... E eu faço tudo isso. Por que não escrever?


Extras e curiosidades

- Existe também o NaNoWrimo Camp que acontece em agosto e é só uma razão pra participar quem não tem tempo em novembro. A verdade é que a ideia de desafio e de compromisso ajuda a manter a disciplina, você pode fazer o NaNoWrimo particular em qualquer mês, contando que acompanhe a meta.

- Aqui tem uma lista de livros escritos durante o NaNoWrimo que foram publicados. (em inglês)


Por enquanto é só! Digam nos comentários se gostaram do projeto, se vão participar e se estão com alguma dúvida sobre o NaNoWriMo. Se já for participar, chega mais pra gente fazer junto! E não achem que vamos esquecer dele aqui, aguardem os próximos domingos. :D

Até! o/

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

[Livro vs. Filme] "As Vantagens de Ser Invisível"

por Dana Martins


Mais um "Livro vs. Filme". Dessa vez, o livro/filme é "As Vantagens de ser Invisível", também conhecido como "The Perks of Being a Wallflower" ou apenas Perks (para os mais íntimos). O filme estreia nessa sexta-feira aqui no Brasil e nós trazemos nossas comparações para os curiosos. Sem spoiler! Aproveite essa boa história. (:

>>>A História

"Wallflower. Alguém que observa em vez de experimentar a vida". Charlie é um garoto que decide escrever cartas para um desconhecido, só para ter a certeza de que vai ser ouvido. Ele está para começar a escola e com aquele medo do que está por vir, então decide falar tudo nessas cartas como um diário. Só que Charlie não é um adolescente qualquer, ele é um wallflower. E a narração dele - modo como ele observa a vida - vale toda a história. 

 >>>O Livro


- Livro: "As Vantagens de Ser Invisível"
- The Perks of Being a Wallflower
- Livro Único
- Autor: Stephen Chbosky
- Editora: Rocco
- Comprar: Saraiva, Submarino, Travessa
- No skoob
- Indicação minha e do Paulo


Eu já falei na indicação que eu fiz com o Paulo o quão complicado para mim é falar desse livro. Costumo pensar que o que me fez ler Perks foi algo como o alinhamento das estrelas, aquele momento único que era para acontecer. De repente bateu uma vontade, consegui na internet e passei a noite inteira lendo. Terminei de manhã, com o sol recém-nascido e a sensação de que tudo de alguma forma estava completo. Perks foi esse livro pra mim.

Ele não é o meu tipo de história preferida, ou um mundo em que eu gostaria de viver, personagens com quem eu casaria ou trocaria o rim para estar no lugar. O que importou o tempo inteiro foi como a história estava sendo narrada, de um modo fluente, dando vida ao que era dito. Foi um tipo de livro estranho, que se conectou comigo de uma maneira boa.

E acho que esse é o objetivo, né? Fazer as pessoas pensarem, mudá-las de alguma forma. Eu tive um professor de português que adorava dizer, ou citar (não lembro bem), o caso de um homem que vai ao cinema e sai de lá outra pessoa. Acho que isso era mais interessante e tinha implicações maiores, mas o que eu lembro mesmo é como isso mostra o diferencial de uma boa história, não importa como ela seja contada.

Se você já leu A Culpa é das Estrelas, Perks é meio que como o "An Imperial Affliction" pra mim. Engraçado é que eu não falei dele tanto assim para as pessoas, mas o Paulo na nossa indicação me fez ver o motivo: "Me sinto como a Hazel, que ama tanto o livro que não quer falar dele para ninguém e, para ser sincero, lá no fundo, essa é a minha vontade tamanha a importância desse livro para mim".

Eu estou falando isso tudo para você ver o peso que o filme tem nas costas. Sempre duvidei de como eles fariam essa adaptação se o principal era a maneira que a história é narrada. É por isso também que fica complicado explicar, se só lendo você vai entender.



>>>O Filme 

- Roteirista: Stephen Chbosky
- Diretor: Stephen Chbosky
- Distribuidora: Paris Filmes / Summit
- Elenco: Logan Lerman (como Charlie), Emma Watson (como Sam), Ezra Miller (como Patrick), Mae Whitman (como Mary Elizabeth), Nina Dobrev (como irmã do Charlie)
- No IMDb 


E como é que foi a solução encontrada para essa adaptação? Um filme subjetivo. Ele toma liberdades além da montagem tradicional para nos aproximar da visão do Charlie. A narração que ouvimos no trailer está em boa parte do filme, completada habilmente por diálogos e imagens. Há também cortes bem pensados e outras coisas técnicas que não importa muito ficar falando aqui.

No início, o filme parece um pouco sem sintonia, como algo que você começa a pintar: depois de passar a primeira mão você olha e pensa "vai ficar uma droga". Mas depois, conforme você vai trabalhando em cima, se dá conta de que está ficando legal. O filme de Perks joga a base e depois trabalha sobre a coisa toda, tanto que dá para perceber vários detalhes colocados propositalmente no começo para algo que vai vir no futuro.

O filme de "As Vantagens de Ser Invisível" tem um clima de colegial e se passa mesmo sobre adolescentes, mas algo bem longe de "Meninas Malvadas". Ele entra mais no grupo de filmes como "The Art of Getting By" e "It's Kind of a Funny Story". Se os três formassem uma família de irmãos, Perks seria aquele irmão mais novo prodígio.
*"Art, Kind e Perks, três irmãos que..."

E, mais importante de tudo, foi um filme que também conseguiu impactar. Eu voltei para casa tentando entender a minha opinião e tudo o que eu encontrava era vazio, até começar a escrever e fazer esse Livro vs. Filme inteiro de uma só vez. Não foi algo tão grande e brilhante quanto o livro, mas... in that moment, I swear we were infinite.

>>>Resultado


Eu não consigo imaginar como poderiam ter feito um filme para esse livro melhor, no máximo alterando a falta de sintonia no início (Os Homens que Não Amavam as Mulheres, por exemplo, arrebata a gente nos créditos iniciais). Mas há uma diferença significante. "Wallflower: Alguém que observa em vez de experimentar a vida". No livro temos muito mais a parte do observar. Isso ainda é misturado com uma narrativa bem feita e sincera que te faz viajar pela história, aproveitando as palavras e os momentos. Já o filme é a parte do "experimentar a vida" que se sobressai. É até mais fácil resumir o filme: é a história de um garoto que se esforça para fazer parte.

Pessoalmente, eu gostei dessa diferença. Porque a parte de tentar experimentar a vida também está no livro, só que não tão sintetizada. Essa abordagem dada pelo autor ajuda a completar o livro que já é muito bom.

Posso assistir antes de ler? Eu sempre indico ler antes de assistir, mas em Perks acho que não é tão problemático como na maioria, porque é um livro sobre momentos e como se narram esses momentos. Só tem um detalhe no final que era melhor ler sem saber. A boa notícia: o livro é bem pequeno e fácil de ler, não é tão caro (tirando um dia pra isso, dá até pra ler na livraria). Além disso, você não vai estar perdendo a chance da sua vida deixando de ver no cinema. Se puder, leia antes de assistir, mas não perca a oportunidade de ir ao cinema.