O Paulo me pediu para fazer o post de ontem do Clube de Escrita, porque eu (Dana) fui a única que consegui as 50.000 palavras. But then, everything changed when the fire nation attacked... Eu simplesmente não consegui escrever! Então eu me dei conta de que durante novembro faltou uma principal dica. Uma dica que por muito tempo me impediu de concluir uma história. Uma dica que, no final das contas, foi o que me fez ir atrás do NaNoWriMo.
Eu escrevi mais de 50.000 palavras dentro de novembro para o NaNo (fora os 22 posts que eu fiz no CC e os outros não publicados), mas simplesmente não conseguia escrever pra cá. Enrolei até domingo para começar a escrever e ainda no domingo eu não conseguia. Tentei logo que acordei e depois passei o dia inteiro pensando nisso, mas eu só encontrei velhos conhecidos meus:
Desânimo. "Tá uma m%#@ isso!"Bloqueio criativo. "Mas o que eu vou falar?"Falta de tempo. (Passei o dia inteiro quase fora)E por aí vai. Então eu comecei achar irônico eu ter escrito tanto, eu passar por todas as dicas da gente nesse mês e mesmo assim não conseguir completar um texto que eu gostasse. Qual é o problema?
O pior de tudo é que quinta-feira, enquanto eu cruzava a linha de chegada do NaNo, eu tinha VÁRIAS ideias para escrever. Tava quase parando a história e indo fazer esse post. Chegou até a atrapalhar um pouco o que eu estava escrevendo. Agora eu não faço nem ideia do que ia dizer. É irritante.
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| QUAL É O MEU PROBLEMA?! |
Então eu me dei conta de que justamente isso é o problema, né? Eu tive a sorte de me manter com a inspiração durante esse mês, mas nem sempre é assim. Quando eu não tenho ideia do que escrever e tudo parece uma merda eu fico evitando escrever, até falar sozinha em comunidade antiga do orkut parece mais legal, o mundo fica de cabeça pra baixo, a história parece uma merda... Tudo uma merda. Dá um peso no coração, uma irritação, a coisa não vai pra frente. Parece que não tem saída.
Parece exagero, mas eu sou meio teimosa e fico insistindo, como eu não consigo fico irritada.
Aí eu viro o Hulk eEntão, como resolver isso? Eu olhei pra a tela, ela não me respondeu, a relação já estava mais do que tensa. Eu já tinha até falado pra o Paulo que não ia conseguir fazer o post, já estava tarde e eu precisava dormir. Mas eu já disse que sou teimosa? Decidi ir até o templo de respostas para arejar as ideias. Fui na cozinha e abri a geladeira.
Minutos depois, na escuridão da sala, toda injuriada... eu comecei a pensar.
Esse mês no CC foi tudo sobre não desistir da sua história, que exemplo seria o meu se eu fizesse justamente isso? Grande coisa fazer um post sobre CONSEGUIR sem nem ao menos conseguir. No post da Igra ela falou que o Raphael Draccon disse que "escritor que tem bloqueio criativo é aquele escritor que não precisa pagar conta". E eu me perguntei: e se eu precisasse terminar ainda hoje esse texto de qualquer jeito?
Pode respirar aliviado, caro leitor, porque agora as coisas melhoram.
"But I believe Aang can save the world!"Eu decidi, então, escrever sobre o que estava acontecendo comigo. Ao mesmo tempo, lembrei que esse mês não foi feito apenas de momentos puro Chico Xavier e mais de uma vez eu cheguei perto desse bloqueio. Como eu fui em frente?
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| Então eu parei de procrastinar e fiz o que deveria ser feito! Mentira. Na verdade... |
A primeira vez foi bem no início, que é aquela introdução antes dos personagens irem parar no problema. Começou a ficar chato e eu não sabia como escrever. O que eu fiz? Conclui de qualquer jeito e fui logo para a próxima.
A segunda vez foi durante/depois da viagem, que eu estava cheia de ideias e como não pude escrever acabei esquecendo. Resultado? Não gostava muito do que estava colocando no papel, não conseguia colocar, ficava totalmente bloqueada. O que eu fiz? Fiquei insistindo, aceitei que o caminho de antes foi perdido e criei uma nova perspectiva para continuar.
E teve mais uma vez, que foi quase do nada. Eu tinha os pontos principais, mas não estava gostando. Como eu resolvi? Parando pra planejar. Refiz o mapa do lugar que estava precisando de uma atualização, vi quantos personagens tinham e onde eles estavam, em que ponto estava a relação entre eles e o andamento em cada subtrama, os próximos pontos que eu precisava desenvolver. Assim foi mais fácil ver por onde eu tinha que começar e o que mais ou menos deveria acontecer.
Só pra completar, esse eu aprendi fora do NaNo e era o meu principal inimigo: eu não sabia como continuar. Por exemplo (baseado em fatos reais), na história X dois personagens se conheciam no início e ela é basicamente sobre os dois rodando uma cidade em busca de uma solução. Que solução? Como? Não sabia. Depois eu tive a ideia dos dois serem capturados por um grupo mais pra o final. Levei muito tempo desanimada, até que eu decidi fazer esse grupo aparecer logo no início. Moral da história: às vezes a gente pode ter ideias e ficar guardando para depois, sem imaginar que o depois pode ser agora (ultra filosófico, tá liberado colocar no fb dizendo que é a MEIRELES, Cecília).
Então eu acho que se num momento você desanimar da história, achar que não consegue escrever, que tá sem ideia e até quase inconsciente começar a enrolar, pode ser porque seja preciso parar e repensar. Você está achando uma merda? Seu personagem provavelmente também está. Faça ele dizer isso, faça ele procurar algo novo, analise as possibilidades junto com ele.
Só de bônus, uma mini-cena para vocês pensarem. Kosmatka conhece Garcia e vai para um encontro com ela. Você está escrevendo sobre esse encontro, mas está tudo sem graça e bobo. Então você continua:
- Isso está uma merda. - disse Garcia, empurrando uma mecha de cabelo insistente para trás da orelha.
- Sério? - Kosmatka parou de beber o próprio milkshake e olhou para o copo. - O meu parece bom.
- Não, Ted! Estou falando desse encontro.
Ted olhou para baixo, sem jeito com as palavras dela e sem saber como deveria lidar com a situação. Ele também não estava gostando tanto assim, mas havia pensado que isso era algo inerente aos encontros. Como supostamente ele saberia? Para começar, a maioria dos procedimentos padrões de socialização são ridículos e não fazem o menor sentido. Tudo ali parecia direito: Os dois estavam sentados em uma lanchonete recém-aberta que todo mundo queria conhecer, o barulho de gente conversando era alto além do julgado aceitável, volta e meia um garçom passava em mais uma tentativa de decapitação com bandejas e o lugar estava repleto de estudantes que usavam o chão encerado como passarela de moda. Até a gordura pingando das batatas fritas parecia na medida certa. Ted tinha certeza de que para a mesa ao lado, onde um senhor provavelmente desafiava mais uma vez a morte enquanto comia sal com batata, os dois sentados ali com seus milkshakes pareciam um jovem casal se divertindo em uma tarde de sábado. O que estava errado?
- Talvez a gente deva ir até a praia. Afogar uns golfinhos, sei lá.
E, assim, o que era um merda vira o motivo para os personagens fazerem alguma coisa aleatória que pode chamar mais atenção. Se você for parar num beco sem saída, por exemplo "nenhum dos dois diria algo assim", talvez seja a hora de rever seus personagens. Será que eles são realmente feitos um para o outro? Por que você acha que eles combinam como um casal? Talvez o problema seja o lugar onde eles estão, ou talvez você precise sacudir a história. Repense.
- GARCIA, você aqui! - ouviram alguém dizer, Ted durante um segundo desejou ser meio surdo. Já podia ver pela expressão de Kami que aquilo não ia ser bom. Então ele imaginou se teria sido assim que os tripulantes do Titanic se sentiram quando souberam que o navio ia afundar.
Quem é que chegou? Um ex de Garcia, o cara que faz bullying na escola ou uma amiga meio maluca que ela evita há décadas? Ou talvez seja um ex meio maluca que faz bullying na escola e ela tem tentado evitar. Sabe, eu meio que já estou gostando dessa história.
Eu só estou postando hoje, porque... depois de conseguir escrever voltei a ficar tranquila e, verdade seja dita, eu não precisava ter entregado ontem DE QUALQUER JEITO. O que eu precisava era estar na faculdade DE QUALQUER JEITO dentro de 5 horas, então fui dormir.
Até mais!
Espero que vocês tenham gostado dos
desafios em novembro, do projeto
Charlie's Booklist (vá ver!), dos nossos
Clubes de Escrita (que não vão totalmente embora! Eu fiz mais de 50.000 palavras, mas ainda não terminei meu livro)... O Paulo e a Igra não conseguiram completar o NaNoWriMo, como muita gente, mas ela já provou que não precisa do NaNo para terminar um livro, enquanto o Paulo eu espero que continue tentando (ele escreve realmente bem quando quer). Se você também não conseguiu, fique tranquilo. Em junho/agosto há outra edição, em novembro do ano que vem também e, sinceramente, você pode fazer o seu National Novel Writing Month quando quiser. É só continuar tentando (a tendinite que eu ganhei de presente na última semana curtiu isso. Só para descurtir depois).
Trabalho feito!