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domingo, 25 de novembro de 2012

[NaNoWriMo Clube de Escrita] Como terminar um livro


Olá, crianças!! Pela primeira vez eu (Igra) vou escrever um post do Clube de Escrita. Para falar a verdade, eu me sinto um pouco envergonhada porque de todo mundo do blog, eu sou a lanterninha - inclusive não avancei uma única linha desde a semana passada. BUT IT'S OKAY, vou superar. A única coisa que eu espero é que você não ignorem esse post só porque sou eu falando - fala sério, a menina que não chegou nem a três mil palavras falando sobre como terminar um livro? Sim, eu vou falar sobre como terminar um livro, e a primeira lição do dia é: não julgue alguém que não bate a meta no NaNoWriMo como alguém que não nunca conseguirá terminar nada. E extra: Dana falando como está indo.

A grande questão de escrever um livro é que você precisa estar simplesmente muito por dentro da história. Sim, esteja deslumbrado com seus personagens, imagine que você faz parte daquele mundo, que se você não chegar ao final, o seu destino ficará incompleto, você não terá um fim (seja ele feliz ou não). A dúvida será eterna: será que eles iam viver felizes para sempre? ou até será que meu livro tinha chances reais de ser publicado?


"A realidade é superestimada. Escreva."

Eu pensei muito sobre como escrever esse post, porque eu quero falar tanta e tanta coisa e sei que não tem espaço suficiente para isso em meros 11 ou 12 parágrafos - no máximo. Mas antes de tudo, deixa eu explicar o porquê do pessoal do blog ter me escolhido para escrever essa postagem (eu, a menina que não passou das 3 mil palavras). 

Acontece que eu, Igraínne Marques, 19 anos, já escrevi um livro. Sim, eu terminei!!! É possível, crianças, experiência própria. É claro que existem muitos obstáculos, mas ouso dizer que você (sim, VOCÊ) é totalmente capaz de terminar de escrever um livro com o NaNoWriMo. Não que eu já tenha feito isso. O meu primeiro livro digitado* (eu já escrevi cinco - dois à mão e três digitados), demorou um ano inteiro para ser concluído. Começou com a ideia, e depois virou uma sequencia de contos - as cenas perdidas que eu mais queria escrever (aquelas cenas incríveis que a Dana falou nesse post aqui), e depois enfim virou um livro.
*Na verdade, eu não conto os que eu escrevi à mão, porque acho que foram apenas rascunhos de ideias. Por isso, toda vez que alguém pergunta: quantos livros você já escreveu?, eu sempre digo 3, porque foram coisas com mais cara de livro. 

>>>Mas como chegar lá? 


O meu primeiro livro (hoje está engavetado) não é padrão para ninguém. Ouso dizer que nem mesmo para mim. Eu tenho um carinho especial por ele, é claro, mas eu não mandaria para nenhuma editora. Aprendi muito com cada frase, tudo o que eu devo e o que eu não devo fazer está ali, todas as coisas que mais tarde eu percebi que não deveriam ser levadas a sério. Até mesmo as ideias que funcionam, e as que não funcionam. Tudo isso me serviu de aprendizado. Foi uma experiência muito boa.

A principal coisa que eu aprendi, por exemplo, é que você precisa de um planejamento. Não estou dizendo para saber tudo que vai acontecer - porque aí você mesmo se priva da ideia de se surpreender (e se surpreender é o que me faz escrever, já que eu me imagino lendo aquele livro e querendo saber o que vai rolar em seguida). Mas planejamento no sentido de aonde você quer chegar? Saber o final é mais importante do que muita gente imagina. Mas se você não sabe o final, só sabe o clímax, também está valendo. Porque aí você pode planejar o final sem se prender muito. E se ele mudar depois, também não tem problema nenhum.

A maior dica de todos os tempos, a que realmente - realmente mesmo (só pra enfatizar bem) - funciona comigo é fazer um sumário. Organize o seu livro em capítulos. Não precisa dar nome, mas se quiser, fica a seu critério (eu prefiro dar nomes porque ajuda a lembrar o que vai acontecer naquela parte específica). Ao lado de cada nome (ou apenas número), escreva um pequeno resumo do que você espera que aconteça. Pegue uma folha de papel, ou então abra um arquivo separado do word. Não precisa detalhar (lembre da coisa de se surpreender com sua própria história), mas é bom você saber mais ou menos o que vai acontecer como um todo. Porque sem planejamento, seu livro pode ter o objetivo perdido, pode se desenvolver para lugar nenhum, não ter clímax, não ter um fim, entendem?
*Se você quiser, coloque o sumário com os nomes no próprio livro, como se o arquivo fosse realmente um original prestes a ser publicado. Escreva os nomes e simule as páginas nos quais os capítulos começam, por exemplo: Capítulo 3... p. 42 (existe inclusive um ícone do word que permite que você insira numeração nas páginas).

Para dar um exemplo ainda mais prático, eu costumo me organizar da seguinte forma: eu escrevo em torno de 15 capítulos. No início, eu escrevia 12, mas depois de um tempo, dependendo da necessidade de cada livro, 12 virou um número insuficiente. Cada capítulo meu deve ter em torno de umas 25/20 páginas. Isso porque cada parte da história precisa do seu próprio início, meio e fim, e sempre achei que 20 páginas dava conta do recado. Caso você queira diminuir, não tem problema, você pode escrever 10/15 folhas, acho que o importante é ter essa meta. O mesmo vale para o número de capítulos.

somos todos capazes! 

Na verdade, essa organização toda tem um propósito: incentivar, dar resultados mais rápidos e práticos que acabam ajudando-o a seguir em frente. O próprio NaNoWriMo é um desafio, certo? Só que o fato de ele durar muito tempo e ter uma meta muito distante é um tipo de problema. A organização dos capítulos deixa a coisa mais alcançável. Sem falar que isso estimula muito. Pelo menos para mim. Quando eu concluo um capítulo sinto que estou conseguindo, que irei chegar ao final.

Isso tudo me ajudou a criar metas ainda maiores. Os meus primeiros dois livros foram feitos em um ano. O terceiro eu escrevi em seis meses e é maior que os outros. A ideia é diminuir esse tempo ainda mais. Se você quiser criar uma disciplina diária, sugiro escrever de 5 a 10 páginas por dia. No máximo em uma semana, um capítulo precisa ser concluído. Mas essas metas específicas são apenas sugestões, é claro. O que não pode acontecer é você se sentir na obrigação. Você precisa se sentir estimulado, precisa sentir vontade, querer avançar.

Além disso, você tem que escrever algo que você leria. De que adianta se esforçar ao máximo, se matar para construir uma trama digna de prêmios, se você não perderia seu tempo comprando esse livro? Tem que ser algo que dê prazer, que tenha uma sinopse que deixe você curioso também. Você acha a sua ideia boa? Você acha tão boa que viraria fã dela? 

No último Clube de Escrita, o João fez um comentário que eu achei muito bom. Ele disse: "...escreva o livro como se você tivesse milhões de fãs, e dê material suficiente para eles idolatrarem até que seu próximo livro seja lançado". O fato de você ter fãs também ajuda a estimulá-lo. Imagine que você está concedendo entrevistas, que as pessoas perguntam como anda o livro, e se quiser até escreva essas entrevistas. Tudo é realmente válido. Você é fã também, questione, procure, reinvente. Imagine pessoas enlouquecidas narrando fanfics com os seus personagens, procure atores que se pareçam com eles para possíveis futuros filmes. Esteja de fato animado com a sua história.

Dê atenção aos seus fãs histéricos, coitadinhos. E seja o maior deles.

Uma vez eu fui a uma palestra do Raphael Draccon (autor da saga Dragões de Éter) e ele disse uma coisa muito interessante: "escritor que tem bloqueio criativo é aquele escritor que não precisa pagar conta". Achei isso genial. Afinal, escritores de verdade trabalham com prazos. Não existe tempo para desânimo. Por coincidência, ele disse que escreve 10 páginas por dia, que acha esse um número saudável de se cumprir durante a semana - apenas nos dias úteis. De segunda a sexta, ele escreve 50 páginas. Se o número for menor, ele escreve fim de semana. Pode trocar a sexta pelo domingo, também não há problemas. O importante é cumprir a meta porque há um prazo a ser cumprido. Escrever é um trabalho, além de ser prazer, é claro.

Finja você também. Você é um escritor reconhecido, e precisa entregar o seu livro até fevereiro, por exemplo. Você não pode se dar ao luxo de descumprir o prazo diante de seu primeiro contrato com uma editora, certo?

E sim, depois que você termina, você precisa reler tudo o que escreveu. Na verdade, diferentemente do que muita gente faz, até do pessoal do blog, eu sou do time que revisa o que escreveu no dia anterior antes de ir em frente. Eu acho que é um exercício muito bom - várias vezes me vi sendo surpreendida com o que eu escrevia. Às vezes achava até que não tinha sido eu! E nem preciso dizer que essa surpresa me fazia ficar ansiosa para o dia seguinte: quando eu leria o que ia escrever hoje.

>>> Observações da própria história
Minha última dica de hoje (porque esse post já está grande o suficiente) é você não esquecer dos conflitos que criou no início. Por exemplo, o livro começa com um assassinato, e depois, lá pro meio da história, você já esqueceu que aquele assassinato aconteceu, esqueceu de explicar o que houve, quem matou, por que e com o quê. Você esqueceu de explicar porque o assassinato se tornou um detalhe, não tem real importância para o desfecho. Mas de certa forma é importante - você precisa concordar - porque o leitor não vai exatamente deixar passar. Nem a editora (a não ser que seja proposital, mas isso é outro caso).

O que eu faço é escrever a história normalmente e sempre ter na folha seguinte um parágrafo ou dois com o título "Observações". Ali eu digito tudo que ficou por dizer, o que ainda precisa ser dito e outras coisas que eu achar relevante colocar ali - coisas que eu não posso esquecer. Enquanto eu for escrevendo, eu empurro esse "Observações" para baixo, e sempre que julgo necessário, faço uma consulta ou acrescento coisas. A medida que os detalhes vão sendo explicados ou vão sendo criados, eu apago essa parte específica do "Obs" ou acrescento mais uma observação. Ao fim do texto todo, quando sua história estiver concluída, você  consulta o que sobrou e conserta/ acrescenta cada coisa que ficou por dizer. Até que as observações sejam todas apagadas.

Espero que vocês tenham gostado desse último especial NaNoWriMo tanto quanto eu gostei de escrevê-lo. Eu ainda diria muita coisa que eu acho importante falar, mas infelizmente não dá para colocar tudo em um post só. Se você tem outras dicas, conta pra gente! Se quiser apenas conversar, também pode mandar um comentário ou um mention para @ConversaCult.


>>> Dana sobre como está indo, porque eu tenho a impressão de que sou a única que está indo

Agora começamos a última semana do NaNoWrimo, que termina na sexta-feira. As coisas estão bem corridas (pelo menos para mim) e muita gente tem desanimado vendo o fim do mês tão perto. Por causa dos 10 dias que eu fiquei fora as coisas agora estão bem corridas, tenho 17 mil palavras para escrever até sexta, o que vai exigir um esforço extra. O lado bom é que da última semana pra cá eu dobrei o número de palavras. Acho que vou conseguir as 50.000, até porque quando eu meto na cabeça que quero uma coisa*...
*E eu estou me comprometendo aqui, o que vai me dar uma baita vergonha semana que vem se eu aparecer aqui sem ter conseguido. Ou seja: vou me esforçar mais ainda. Está vendo como funciona um desafio? Por isso é importante falar que está fazendo...

Na história eu escrevi os três pontos principais que eu tinha programado no início do mês, eles tomaram caminhos que eu não imaginava e ao mesmo tempo está tudo se encaixando perfeitamente com o que eu planejei. Tive que fazer uma pausa e rever os próximos "tópicos" pra desenvolver. Algo me diz que 50.000 palavras não vão ser o suficiente para colocar um ponto final.

Até semana que vem! E não deixem de escrever, mesmo que vocês achem que não vai dar tempo. O fim do mundo é só em dezembro, lembram? 


Contador de palavras (até o fechamento desse post)

Paulo: 15.172/50.000
Dana: 33.384/50.000

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Valentina, Valentina... Valentina de Jesus (8)



Heeey! Hoje estou aqui para anunciar a nova parceria. Normalmente não fazemos um post só para isso, mas além da editora ter pedido pra gente, achei que valia a pena vocês conhecerem a Valentina. veja o site oficial.

A editora é novinha, acabou de surgir e já promete muito. Se vai realmente cumprir, veremos no futuro, por enquanto o legal é aproveitar para sonhar com o acesso a títulos legais e de qualidade. No site oficial eles já chegam se apresentando com tudo: falam de urban fantasy, distopia, paranormal, steampunk... O que, cá entre nós, está faltando por aqui. 

No momento eles estão com "Meu Hamster é um Gênio" do Dave Lower e "Milagres do Ágape" de Carol Kent e Jannie Dimkoff. 

É estranho a pessoa querer ver esse livro com a mordida de perto?

Aqui no CC nós estamos ansiosos mesmo pelo lançamento de "Speak", de Laurie Halse Anderson. Pelo que parece esse livro se encaixa no estilo "adolescência problemática" (aliás, finalmente achei o nome que tinha faltado no Três livros sobre desse tema, "trauma novel") e já tem até um filme. Outro que me chamou atenção agora foi "Garota Tempestade", que eles descreveram como "ficção sobrenatural Young Adult (não é infanto juvenil)" e me deixou na dúvida.


Vamos ficar de olho no que está por vir (olhem essa lista que o google me mostrou) e esperar pelo resultado. Vocês com certeza vão ver resenha de livros deles por aqui em breve. Ah, e vocês repararam no nome e no logo com a cachorrinha? O nome do meu irmão é Valentino, então nunca tinha pensado em dar o nome de Valentina e relacionar a um pincher. De um modo estranho, eu adorei. 


Tava pensando no que poderia ser legal a editora publicar aqui... A maioria dos livros que eu li acabaram sendo traduzidos depois ou estão presos a uma outra editora. Seria muito nada a ver eu querer uma versão de The Promise (graphic novel de Avatar: The Last Airbender) em português? HUAHA E aí, tem algum livro que você acharia legal eles trazerem pra cá?

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

[Resenha] A Bruxa de Ferro, de Karen Mahoney

por Igraínne Marques 
- Livro: A Bruxa de Ferro
- A Bruxa de Ferro: Volume 1.
- Autora: Karen Mahoney
- Editora: Underworld
- No skoob
- Continua em: The Wood Queen
- OBS: O livro faz parte de uma trilogia cujo segundo volume ainda não foi lançado no Brasil. Você pode ver as capas de The Wood Queen aqui.






Mini-crítica:
A Bruxa de Ferro é um livro YA sobrenatural com um enredo já bem conhecido por aí. Contudo, isso não faz da história algo clichê, como achei que seria. O fato de a temática "fantasia, melhor amigo e gato irresistível" estar presente não provocou uma decepção em mim, muito pelo contrário. A autora soube usar os elementos repetitivos a seu favor, de um modo que os mistérios que aparecem não ficam óbvios. O fato de a protagonista não ser perfeita realmente me atraiu. Somando isso à questão de que Xan (o menino bonito), também não possui apenas beleza, o livro virou uma montanha de situações bem construídas.

Quer saber mais? Clique abaixo para conferir a resenha completa.

Donna Underwood é uma menina de 17 anos que vive usando luvas. Ela as usa para tudo, as tira somente quando vai para a cama. O mistério por trás do tecido sempre intrigou a todos a sua volta, inclusive o pessoal do seu antigo colégio. Sim, antigo, porque recentemente ela foi expulsa de lá. Donna costuma chamar o ocorrido de "Incidente", o que me fez ficar um pouco incomodada, uma vez que eu não achei que o "Incidente" em si correspondia ao que eu imaginei. Para falar a verdade, me pareceu que a autora precisava de um acontecimento para colocar a protagonista para fora do recinto e inventou um fracamente convincente. De qualquer forma, Donna ainda podia entrar na Ironbridge High School depois disso; mas apenas para realizar as provas. Suas aulas eram sempre em outro local, com uma professora que era mais voltada para o seu mundo.

Esse mundo de que falo é um universo invisível ao restante das pessoas. Donna é filha de alquimistas, e desde que seu pai morreu e sua mãe passou a ser completamente incapaz de lidar com qualquer pessoa,  a Ordem do Dragão comanda sua vida. Sua guarda pertence a sua tia Paidge, contudo, a inegável relação próxima entre Paidge e a Ordem faz com que Donna vincule a tia a algo mais governamental que fraternal. O ocorrido em seu passado também é o motivo pelo qual ela usa luvas. Ao salvá-la dos malignos Elfos das Trevas, seu pai não foi capaz de impedir que as criaturas fizessem grandes estragos em suas mãos e braços. Devido aos ferimentos, Donna foi levada ao Criador, um velho alquimista engenhoso que salvou seus membros reconstruindo-os com ferro e prata. Como tatuagens que tinham um padrão singular e às vezes resolviam mudar de posição.

O livro começa com Donna indo a uma festa de colegial na qual não queria comparecer. Seu melhor amigo Navin a convenceu por simples insistência. Confesso que simpatizei com ele. É um personagem fácil de gostar. Apesar do seu jeito ligeiramente nerd que parece sempre rondar os ditos melhores amigos, Navin não deixa de chamar a atenção do pessoal popular da festinha - e esse é o ponto genial. É aí que conhecemos Xan - o menino bonito - e enfim percebemos (logo de cara, sério), que talvez ele seja mais do que apenas um cara terrivelmente irresistível. Não só talvez, ele é.

A relação de Donna com Xan inicialmente me pareceu suspeita e forçada. Donna jamais contara seus segredos a ninguém - nem mesmo a Navin - e quando enfim se sente obrigada a contar o passado, jorra não só no melhor amigo como também em Xan - um cara que acabou de conhecer. Os acontecimentos são num ritmo acelerado, mas mesmo assim senti como se as intenções dele não fossem boas. A troca que ele sugere - de informações e segredos - não me convenceu. Donna se sente impelida a narrar sua história, coisa que eu teria pensado duas vezes antes de fazer numa situação parecida.

Contudo, Donna não é uma protagonista irritante. Ela é bem construída, e por vezes me surpreendeu, ultrapassando minhas próprias suposições. Ela liga os pontos de um modo inteligente, de um jeito natural, que não faz com que o leitor fique perdido e muito menos se sinta frustrado. O modo como conta sobre a Ordem - seus integrantes, o líder Quentin, o braço direito Simon - me fez ficar curiosa durante o livro todo. Ela analisa as atitudes de cada um ali tão atentamente que eu tenho a certeza de que jamais pensaria de tal forma quando sob pressão  (como ela sempre parece estar).

No fim, o livro é bom. Como eu disse, apesar dos poucos pontos em que me senti incomodada, a história surpreende. Você nota que há um mistério, mas não consegue resolvê-lo sozinho. Precisa da ajuda de Donna, e ela sabe realmente analisar certas coisas que talvez você nem tenha notado. 
   
Classificação:

(4/5 conversinhas)

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Sem o que fazer nas férias? Leia Scott Pilgrim Contra o Mundo


por Paulo Vaughan

Hoje venho indicar não um livro, mas sim uma HQ. Estamos em pleno mês de janeiro e acredito que a maioria dos leitores do blog esteja de férias, aquele período que, na maior parte das vezes, ficamos sem nada para fazer. Quer uma dica? Leia "Scott Pilgrim contra o Mundo"! Mesmo que você não ligue muito para histórias em quadrinho, vale a pena conhecer (até porque também tem o filme), confira!

Capa do primeiro volume
Informações:
Scott Pilgrim Contra o Mundo (série de 3 volumes)
Autor: Bryan Lee O'Malley
Editora: Quadrinhos na Cia. (selo da Companhia das Letras)

No original, a série tem 6 volumes, mas aqui no Brasil a Cia. lançou 2 volumes em 1, assim sendo, temos 3 volumes. 

Sobre o que é e por que ler

O personagem-título, Scott, é um canadense de 23 anos e divide apartamento com seu melhor amigo gay, Wallace. Ele leva uma ociosa, ops, preciosa vidinha dividindo seus dias entre o tempo vago proporcionado pelo desemprego e sua banda de rock, Sex Bob-Omb, na qual ele é o baixista e conta com seus amigos Stephen Stills (guitarra e vocal) e Kim Pine (bateria). 

Scott começa a HQ namorando uma chinesa de 17 anos, Knives Chau, porém, ele a troca por uma misteriosa entregadora do Amazon.ca que fica passeando de patins pelos seus sonhos, Ramona Flowers.

Você acha que começar a namorar a Ramona é fácil assim? Claro que não! Para ser oficialmente namorado dela, Scott precisa enfrentar a Liga dos Ex-namorados do Mal de Ramona. Os SETE ex-namorados do mal o desafiam para lutas. Enquanto isso, ele ainda tem que contornar relacionamentos passados e a falta de talento dos Sex Bob-Omb.

Não posso comentar nada acerca do traço, afinal, sou completamente leigo no mundo das HQs (além de SP, só li "Turma da Mônica" e "Y - O Último Homem" - que em breve também terá indicação aqui no blog -, hahahaha). Mas quanto a história posso afirmar: vale a pena. Não é nada "Oh, meu Deus isso mudou minha vida! Preciso indicar isso para fulano, sicrano, beltrano agora!", mas combina muito com esse clima de férias: ler para passar o tempo, sem compromisso, só para se divertir. E se você curte games, tem mais um motivo para ler a HQ. Do início ao fim de cada volume é possível encontrar diversos elementos de vários games famosos (com direito à vidas extras, armas e até moedas quando o oponente é derrotado!)

Mas, caso você não goste de jeito nenhum de quadrinhos, você também pode conferir o filme que é a adaptação dos 6 volumes e conta com o Michael Cera ("Rebelde com Causa", "Juno") como o Scott e a Mary Elizabeth Winstead ("Super Escola de Heróis, "O Chamado 2", "Premonição 3") como a Ramona.

Extras!

>>>Ouça aqui as músicas do Sex Bob-Omb que foram feitas para o filme

>>>Veja abaixo o curta "Scott Pilgrim vs The Animation", que conta a história do relacionamento do Scott com a Kim no colegial e foi dublado pelos atores do filme. (Cuidado, spoilers!)


sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Procurando o que ler? Conheça Apocalipse Z


Já que outubro é o mês do Halloween, que muito antes de ser Dia das Bruxas ou exaltação do terror era um culto aos mortos, nada melhor do que a indicação do blog ser a de um livro com aqueles mortos que continuam circulando por aí: os zumbis*.
* Vampiros também são mortos que continuam por aí, mas eles têm brilhado demais ultimamente e é melhor dar espaço para os outros.

E antes que você classifique como terror ou use qualquer preconceito, deveria dar uma chance a eles.


Informações:
Apocalipse Z – O Princípio do Fim
Autor: Manel Loureiro
Editora: Planeta

O livro tem continuação (o segundo é Dias Escuros, já lançado no Brasil), mas tem a própria história bem completa e não pede muito uma sequência (apesar dela também ser muito boa).

Sobre o que é e por que ler
Apocalipse Z é o diário de um cara sobrevivendo a um mundo que está sendo tomado por zumbis. Ele e seu gato, é claro. A história começa sendo contada através do blog do personagem principal, que por causa de uma terapia foi aconselhado a escrever sobre a própria vida. No blog ele comenta o que esteve fazendo e o que viu de interessante no jornal, até que notícias de um tipo em especial começam a se destacar. Quando ele (e o mundo inteiro) percebe que algo muito errado está acontecendo já é tarde demais. É como se naquela época da gripe suína você visse aquelas notícias e um belo dia ao abrir a porta de casa descobrisse que o prato preferido do seu vizinho virou você. “Ah, mas a gripe suína não foi nada demais”, o senhor advogado narrador de Apocalipse Z também achava isso, até que um belo dia...

Continuando a história: Então, quando a luz acaba ele passa a escrever no papel mesmo. Se antes ele precisava de terapia, imagine cercado por zumbis e completamente sozinho. Nós continuamos a saber toda a história através dos relatos dele, pulando dias e precisando aguentar a expectativa do “agora eu vou tentar fazer isso” até o próximo relato (que vem na página seguinte, mas).

O livro tem uma narração sincera, divertida e cheia de sarcasmo feita por um cara que está completamente fodido. E se você não gosta de palavrões... Bem, o livro é um ótimo exemplo de uso literário-expressivo dos palavrões.

E não termina aí, o livro é cheio de ação e situações de tirar o fôlego. Muito mais excitante do que a maioria desses filmes e videogames por aí. O ritmo do livro é intenso, assim como a vida pacata de qualquer um perdido entre hordas de mortos-vivos.

O narrador-personagem merece um comentário a parte, porque é bem diferente do comum. Na verdade, ele é bem comum. É como você assistindo aquele filme tenso e quase se enfiando entre as almofadas do sofá, tendo um ataque e gastando seu estoque de palavrões em vez de aparecer como o mocinho na tela, bonitão, forte, todo no estilo do herói e passando pelos sustos tranquilamente. *O que não faz dele um covarde idiota, como o “bonitão” poderia dizer.

Curiosidades:
É tão viciante que você nem percebe direito que só tem um personagem na maior parte do livro e quase não tem diálogos.

Só pra me contradizer: Lúculo, o gato dele, é outro personagem marcante que contribui para a história.

Talvez você tenha estranhado eu não falar o nome do personagem principal, mas é porque não diz mesmo.

É um livro que te pega porque é como se fosse uma conversa com você. Em grande parte, você é o outro personagem. Além disso, segue um ritmo muito de pensamento: quem já não ficou “falando” sozinho?

O livro começou mesmo em um blog, mas fez tanto sucesso que publicaram a história completa e até foi traduzido para outras línguas (Essa última parte não teria significado nenhum se o autor não fosse espanhol. Quantos livros recentes do estilo e espanhóis você leu?). 

"Prova" do livro. Clique aqui e leia um trecho.

sábado, 3 de setembro de 2011

Vida de escritor... brasileiro. #01

Vida de escritor... brasileiro é um post mensal sobre o que os autores brasileiros estão fazendo para se destacar.

Há um tempo conheci o escritor Sergio Carmach através da divulgação de seu livro Para Sempre Ana no twitter. Mais tarde, acabei lendo esse livro em ebook por causa de outro movimento de divulgação que ele fazia. Agora, vou contar aqui um pouco sobre a nova ideia dele.

Em um post recente no blog oficial do autor, Luzia Barbosa (que ajuda na divulgação do trabalho dele), apresentou o mini-livro. Uma versão física do livro Para Sempre Ana só que menor e mais barato para o autor bancar. O objetivo é dar o livro aos donos de blog que vão resenhar, desse modo eles vão ter uma leitura confortável e ainda guardar uma lembrança do autor.

Livro pequeno, pocket book, livro de bolso... não é exatamente uma novidade, mas é uma ideia abandonada. Além de mais econômico para quem quer divulgar, ainda vale lembrar que a “novidade” chama atenção (mais um motivo para falar do livro) e fã adora livro em tudo quanto é forma.

Coleção de um fã com vários livros repetidos.

Entenda um pouco mais 
(sobre essa relação de troca e por que o mini-livro é uma boa ideia.)

Há muitos blogs de resenhas por aí, de pessoas que decidiram dividir na internet sua paixão por livros. A partir disso, surgiu uma relação de troca: a editora dá o livro, o dono do blog faz a resenha. Todos felizes para sempre, né?

Não é bem assim se você for um escritor, sozinho, tentando fazer isso. A solução, muitas vezes, acaba sendo o ebook, mas o ereader ainda não é uma realidade, então a leitura não é tão boa quanto em um livro. Além disso, esses resenhistas têm uma paixão pela versão física do livro e receber um arquivo na internet não é grande coisa, principalmente com tanta opção aparentemente melhor por aí. Sendo assim, restam duas soluções imediatas: A) o autor paga para as pessoas lerem. B) o autor conta com a boa vontade alheia. Ou, se você fizer como o Sergio Carmach, busca uma própria.

O mini-livro é uma alternativa mais barata que o autor encontrou de presentear os resenhistas com a versão física de seu livro, mas sem falir para isso. Ele vai divulgar, aumentar o vinculo com o leitor e todo mundo sai feliz.

Abaixo uma imagem de comparação entre a versão comum e o mini-livro. Você pode encontrar mais imagens aqui.

Livro comum e mini-livro


Sobre quem teve a ideia: Sergio Carmach é autor de Para Sempre Ana, lançado pela editora Caravansarai, e está usando os blogs e redes sociais para divulgar seu trabalho.