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domingo, 9 de dezembro de 2012

[Clube de Escrita] Epílogo NaNoWriMo, por Patrick Rothfuss


Olá, senhoras e senhores! Parece que o Clube de Escrita está mais frequente do que se imaginava, né? E dessa vez mais um post sobre o NaNoWriMo! Mas um post diferente, para falar a verdade. É que essa semana eu encontrei um post no blog do Patrick Rothfuss (autor de "O Nome do Vento"), em que ele fazia um epílogo sobre sua participação do NaNoWriMo. A tradução você vê abaixo.

Só para dar um contexto: No início do texto ele faz referência a um outro post, que foi onde ele respondeu se já havia participado do NaNoWriMo. A pessoa que perguntava meio que dizia "oh, com sua escrita tão elaborada e bem feita, você provavelmente não consegue escrever 50.000 palavras em um mês". Ele tomou isso como um desafio e decidiu participar. Além disso, ele sempre teve certo preconceito com o projeto e se dizia "eu sou um autor de verdade, não preciso de coisa assim". Palavras dele.

E João Pedro F. Gomes! Lembra que você perguntou em um comentário se deveria abandonar o seu projeto e começar outro que bateu a ideia? Eu vou responder lá, mas acho que esse post pode te ajudar. 

Patrick Rothfuss: Epílogo, NaNoWriMo

Então, no mês passado eu fiquei irritado e decidi tentar o NaNoWriMo.

Eu comecei essa experiência cheio de confiança. Apesar do fato de que eu estava começando com uma semana de atraso, eu tinha certeza de que seria capaz de conseguir, disparar além das 50.000 palavras, e ainda ter tempo para fazer um delicioso sanduíche, inventar uma máquina de perétuo movimento e lutar contra um urso antes do final de novembro.

Afinal, eu pensei comigo mesmo. Eu não sou um autor conhecido? Não fui eu que publiquei mais de meio milhão de palavras em livros? E não sou eu, de fato, Patrick Rothfuss, autor de best-seller internacional, polímata e iconoclasta?

No calor do momento eu esqueci que, além de ser essas coisas, eu sou Pat Rothfuss, que levou 14 anos para publicar seu primeiro livro, e quatro para publicar seu segundo. E enquanto * Patrick Rothfuss * parece muito bom no papel, * Pat * Rothfuss é, no seu coração, um preguiçoso, um diletante e um rufião. Além do mais, eu sou propenso a revisão obsessiva e um certo grau de enrolação linguística.

Então, vamos pular direto para o fim da história. Eu ganhei o NaNoWriMo?

Bem, há duas respostas para isso.

Se por "ganhar" você quer dizer "você conseguiu escrever 50.000 palavras até o final do mês?", a resposta é um sonoro "não".

Não só não escrevi 50.000 palavras, mas eu quebrei praticamente todas as regras NaNoWriMo desde o início.

Você supostamente deve começar um romance e ficar nesse projeto até o fim do mês. Você supostamente deve sempre ir em frente, nunca olhar para trás, sem nunca parar de revisar.

Eu não fiz nenhuma dessas coisas. Isto é, em parte, porque eu sou uma pessoa contrária. (Veja acima, em iconoclasta.) Mas também é porque eu prefiro a aderir ao espírito da lei e seguir à letra dela. E, para mim, o espírito de NaNoWriMo é escrever 50.000 palavras.

Isso eu não fiz. Eu estava com cerca de 15.000 palavras. Portanto, não importa se você considera o espiríto ou a letra da lei, eu sou um perdedor.
(Woo! Perdedores do NaNoWriMo se unam!)
Apesar do fato de eu não ter atingido a marca de 50.000. Eu considero a experiência um enorme sucesso. Por quê?

  • Eu me diverti.

A escrita é geralmente uma atividade muito isolacionista. Ir no site do NaNoWriMo todos os dias e ver como as outras pessoas estavam indo ver escrever parecer apenas um *pouco* mais social. Claro, eu passava horas sozinho em um quarto, mas eu estava gastando todo esse tempo sozinho com outras pessoas. Se isso faz algum sentido para você.

Por exemplo, descobri muito cedo que Veronica Belmont estava escrevendo pela primeira vez um livro este ano. Então, eu circulei por lá e vi as estatísticas dela.

(Clique para aumentar)
Especificamente, aqui está o gráfico que mostra quantas palavras ela escreveu todos os dias:



Vê as linhas poderosas? Vê como ela está conseguindo acompanhar desde o primeiro dia?

Isso significa que ela tem escrito as 1,667 palavras que você precisa escrever todo dia para alcançar 50,000 no final do mês.

Em comparação, vamos olhar para o meu gráfico:

(Imagine o barulho triste de um trombone de desenho aqui. Wah-wah...)

Eu *realmente* comecei com uma semana de atraso. Mas, mesmo assim, você tem que admitir que meu gráfico parece .... hum .... triste. Poderíamos até chamá-lo de "miserável" ou "doentio." Uma pessoa particularmente mordaz pode até usar a palavra, "flácido".

Eu não usaria essa palavra, você usaria? Mas alguém poderia.

Quando entrei em contato com Veronica para ver se estava tudo bem eu usar o gráfico dela no meu futuro post, ela disse algo como, "Não tem problema. Obrigada por me lembrar que eu preciso começar a escrever hoje. Eu realmente deveria parar de jogar Skyrim... "

Seu comentário epontâneo me deixou queimando de vergonha e fúria. Ela estava me deixando pra trás E JOGANDO SKYRIM AO MESMO TEMPO?

Cheio de vergonha, eu escrevi 15.000 palavras durante os próximos quatro dias.


Não foi o suficiente para chegar às 50.000 palavras. Mas foi o suficiente para que eu pudesse terminar o mês com a minha cabeça erguida.

Então, não foi só divertido. Foi motivador também.

  •  Eu tenho um monte de coisas escritas.

Não importa como você o faria, eu tenho 35 mil palavras em três semanas.

Eu fiz um grande avanço em um projeto que eu venho adiando por um tempo, comecei outro, e terminei um terceiro todo.

É uma sensação boa, terminar esses projetos menores. E como um bônus, isso significa que vocês vão ver algumas outras histórias no próximo ano, enquanto eu ainda estou bem longe do terceiro livro.

  • Eu aprendi muito.

Em torno do dia 10 eu me peguei pensando coisas como:

Eu escrevi 700 palavras hoje, quando eu estava respondendo e-mail dos fãs. Isso conta como a escrita, certo?

Para o que eu tinha que responder a mim mesmo: Não. Não é realmente escrever.

E sobre o e-mail que eu escrevi para meu editor e agente? Isso conta como a escrita, certo?

Não. Você está digitando palavras, e é parte de seu trabalho. Mas não é trabalhar em uma história publicável.

E sobre as perguntas que eu respondi no meu fórum de tradução?

Ummmm. Não. não conta. Não está produzindo material novo.

E sobre o blog de mil palavras que eu escrevi? Essa é uma história. Mais ou menos. E é material novo.

Não. Cale a boca. Cale a boca e escreva.

Em última análise, isso me fez vir a enfrentar uma verdade platônica: Apenas a escrita real é estar escrevendo.

Outras coisas que aprendi:

  • Eu não preciso de uito tempo para obter a escrita bem feita.

Normalmente eu gosto de ter 3-4 horas livres para escrever. Mas apenas 30 minutos pode ser produtivo se eu me esforçar.

  • Você sempre pode encontrar uma razão para não escrever.

Às vezes, são grandes motivos. Você quer passar o tempo com seu bebê adorável. Você tem que fazer uma viagem de negócios. Talvez você esteja tentando obter o seu incrível fundo anual organizado.

Mas sabe, sempre vai ter algo acontecendo. Você está cansado. Você está com gripe. Seu companheiro de quarto está sendo um saco. Sua namorada quer namorar. Você acabou de descobrir um jogo de defender torres legal...

Você pode deixar essas coisas te impedirem de escrever, ou você pode escrever. É simples assim.

  • Eu posso escrever mil palavras em uma hora.

Em um dia memorável, eu sentei sabendo que eu tinha que encontrar Sarah em breve. Durante a hora que eu pude trabalhar, eu escrevi mil palavras. Me senti muito bem.

Mais tarde naquele dia eu voltei para o computador e trabalhei na revisão da história. Eu trabalhei por 3 horas e no final eu tinha cerca de 250 palavras.

Não me arrependo de ter tomado o tempo para revisão. A contagem de palavras pode ser impressionante, mas a revisão é vital para uma boa história. Essas 250 palavras eram realmente importantes.

  • Eu aprendi que eu posso escrever uma história inteira de uma vez só.

(Esta foi, de longe, a parte mais legal de NaNoWriMo para mim.)

Era o último dia de novembro, e eu tinha me prendido a um canto. Eu não tinha ido bem em escrever minhas diárias 1.667 palavras, e eu estava pagando por isso. Eu estava apenas com 32 mil palavras para o mês e me sentindo envergonhado.

Escrevi até tarde da noite, então dormi no meu escritório. Acordei cerca de sete horas depois e sentei de volta na frente do computador.

Abri a história que eu mais trabalhei durante o mês (é uma novela, passada no meu mundo). Foi quando me lembrei de uma pequena ideia que eu tive um dia antes, quando eu estava voltando para casa.

A ideia fez cócegas em mim. Então ao invés de potencialmente esquecer, eu abri um novo arquivo e anotei. Eu anotei a primeira linha da história, também. E o primeiro par de frases.

Então eu terminei a cena de introdução. Então eu fiz a segunda cena também, porque era curta, e era óbvio na minha cabeça.

E uma vez que as coisas estavam indo bem, eu fiz uma outra cena. E então eu vi a forma como mais ou menos deveria seguir. E eu estava me divertindo, e isso estava se tornando muito legal, então eu fui em frente e comecei a escrever isso também...

Eu sabia que deveria estar retornando à minha novela para que eu pudesse seguir alguma trilha. Eu não ia ter muitas palavras com a minha nova história. Era estilística, o ponto de vista era estranho, e a linguagem era muito simples. Mas ela foi se tornando realmente bom....

Depois que eu terminei metade da história, eu percebi que seria estúpido eu fazer outra coisa senão escrever até o final. Porque eu sabia exatamente onde estava indo.

Então, eu terminei. Começo ao fim, isso levou sete horas e meia. Eu estava exausto e animado. Eu nunca tinha feito nada parecido antes.

Esse último dia meio que resume a minha experiência inteira com o NaNoWriMo. Tecnicamente, eu falhei, porque eu não coloquei para fora um grande número de palavras. Mas, realisticamente, apertei com tudo o botão e ganhei o grande elefante rosa felpudo.

E você quer saber a parte engraçada?

Você quer saber o a contagem final dessa história?

1667 palavras.

Sem brincadeira.

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>

Espero que tenham gostado da tradução tanto quanto eu! O texto e as imagens foram retirados do blog dele, que você pode ver aqui. 

Sobre o Patrick Rothfuss e o livro: talvez você não conheça "O Nome do Vento" pelo nome, ou talvez não seja ligado no mundo da fantasia, mas o livro é bem famoso e reconhecido. É o primeiro de uma trilogia e eu indico você conhece pela minha resenha de "O Temor do Sábio" (o segundo). Foi uma das minhas maiores descobertas nesse ano.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Inspiração: Ela vem de onde?


Então, na semana passada (ou quase isso), a Dana veio aqui para falar sobre inspiração, falar o que a inspirava e tudo mais. Confesso que a princípio imaginei mil coisas diferentes, todas que eu gostaria de ter colocado no post, e na verdade a Dana trouxe outras coisas tão legais quanto e que eu jamais iria imaginar. Foi aí que eu pensei em fazer um post separado, sem tema específico. Meio diferente daquele exemplo inicial que gerou a ideia pra essa coluna.

Nessa nova coluna, a ideia principal é trazer aquilo que poderia inspirar/ incentivar uma história de peso. E isso pode vir de qualquer lugar, desde arte (mais comum) até bilhetinho na porta da geladeira. Em questão de imagem, diferentemente da Dana, eu curto mais as com pessoas, e não com paisagens (só mais um motivo para fazermos posts separados). E além disso, eu me inspiro muito mais com música do que com imagem propriamente dita. Lembram da música instrumental?
*Dana se intrometendo: EI, EU NÃO DISSE QUE NÃO GOSTO DE IMAGEM COM PESSOAS! Eu tenho um monte de imagens com pessoas - e quotes também. Mais até do que paisagem... Aliás, estou roubando uma daqui. E também escuto música. u.u

Com a onda do NaNoWrimo, fica meio difícil escolher coisas acessíveis assim de imediato, então tentei juntar o máximo de "coisas em um só coisa" -oi? Vou explicar: uma das fontes que mais me inspiram (além da música) é o quote. Mas não aqueles melosinhos nem nada, mas sim os que dão margem para algum enredo, os que fazem você se perguntar qual a história por trás daquela passagem.
Ao mesmo tempo, por algum motivo alienígena, eu achava que ficar colocando trocentos mil quotes em um único post ia ficar cansativo e pouco dinâmico.

Entãoooo... resolvi juntar quote e imagem. E na verdade os quotes que eu separei não são exatamente passagens de histórias ou discursos, mas sim apenas poesia. Mas que com certeza se encaixariam em livros muito facilmente. Inclusive, existe um tumblr maravilhoso de poesia - a mais inovadora e mais legal que eu já vi até hoje -, que é o ummilhão, só clicar e conferir. Todos os "quotes" que coloquei aqui são de lá.


Além desses quotes-meio-não-quotes, as imagens propriamente ditas não poderiam ficar de fora. A maioria vem do tumblr, que acho que é a fonte artística da humanidade atualmente (sem desmerecer outras redes sociais). Falando sério, acho que a maioria dos novos poetas, artistas, fotógrafos, fãs... todo mundo está no tumblr. Até mesmo os amantes de música.... e outros amantes. Dá pra ter um efeito de photoshop diferente em poucos segundos depois de uma foto comercial (da sua banda favorita quem sabe?) ter sido liberada. 


Só pra vocês entenderem: eu costumo guardar as imagens que de alguma forma me lembram meus personagens. Seja por alguma coisa surreal, algum cabelo preso de um jeito diferente, uma maquiagem bem marcada... Às vezes eu gosto da foto só pelo cenário em que ela está inserida, porque de alguma forma aquele cenário específico me lembra algum ponto do enredo, poderia ser a casa do personagem principal, por exemplo. Isso também acontece antes da ideia estar formada: posso tirar o perfil de alguém de alguma imagem muito louca que eu vi.

Aliás, eu costumo procurar meus personagens no deviantart também. Já descobri muita coisa legal lá. É como se eu pudesse encontrar - mesmo que ao acaso - algum desenho que poderia representar alguém importante na minha história. Dá até para ter uma ideia de como seria tudo em estilo mangá. É quase aquela coisa de você imaginar todo o mundo que você criou virando um filme. 

Geralmente, quando eu curto muito uma foto (no tumblr), eu dou like, ou seja, marco a foto para quando eu quiser ver de novo. É uma ferramenta ótima na internet, parecidinha com o We Heart It, que a Dana ja falou. O tumblr tem lugar pra música também, você pode upar ou rebloggar uma música que alguém já tenha postado. E falando em música...

Como fica complicado indicar vários vídeos por aqui, decidi meio que resumir a situação e depois dar uma música inspiradora em cada estilo. Na verdade, eu curto as trilhas sonoras. Ajuda a pensar em fundo musical quando eu estou escrevendo. E isso inclui de tudo, dependendo da parte da história que está sendo escrita. É claro que, como eu já disse, prefiro as músicas instrumentais, mas se está tendo uma festechenha em alguma cena, eu viajo por trinta estilos diferentes, desde rock até funk (tenho que ficar no clima da festa também, senão não adianta). Assim como quando há alguma cena dramática que pede uma música mais lentinha. Mesma coisa, tem de tudo, e às vezes até mesmo o rock combina mais que o próprio violão cru. 

>>> Pra chorar: 
Amazing Short - The Piano (é instrumental, mas é bem clima deprimido).
Love Without Tragedy / Mother Mary - Rihanna (nem sei bem se é pra chorar, mas tinha que encaixar em algum lugar porque essa música me inspira eu simplesmente não consegui deixar de fora).

>>> Instrumentais:
La Valse d'Amelie Piano Version (Essa música já é de um filme, mas eu acho ela realmente inspiradora. Bem climinha romântico, sem falar que dá aquela ideia de época passada);
Primavera - Ludovico Einaudi (daria pra por em outras listas tranquilamente...);

>>> Pra competir ou correr (sempre achei que as introduções dessas músicas davam um ar de busca, como se os personagens estivessem correndo por uma estrada, afoitos, desesperados porque o tempo está acabando e ainda não chegaram aos seus objetivos):
No Consequences - VersaEmerge (conheci com a Dana);
Three Days Grace - I Hate Everything About You (é meio mais ou menos para algumas pessoas, mas eu sempre achei que essa música ficaria ótima em qualquer clima tenso de qualquer história).

>>> Climinha de viagem de carro: 

>>> Versões alternativas de músicas conhecidas (não sei exatamente o motivo, mas acho isso fantástico. Acho que é porque de certa forma a alteração da música já conhecida meio que te surpreende, em especial com aquelas que começam iguais às originais. Parece que faz pensar, não sei explicar).

Festchenha!!

As únicas que eu não vou indicar são as da festchenha. Porque eu meio que acho que isso fica a critério do tipo de festa que você quer escrever. Afinal de contas, não necessariamente essas festas seriam as que você frequentaria na vida real. Pode ser uma coisa mais formal, mais animada, mais vidaloka, podem ser X coisas diferentes. Eu só queria indicar uma música latina que descobri recentemente e que me fez imaginar - de imediato - um casal dançando. A música é essa aqui: La Pregunta - J Alvarez.

Enfim, acho que deu pra ter uma noção da bagunça que é a minha vida no quesito de inspiração. Assim como a Dana, e como a maioria das pessoas, acho que a inspiração é passageira, você pode usar aquela fonte por um tempo e depois ela não te inspirar mais. A gente enjoa das músicas, não é mesmo? Pelo menos acho que com elas é mais fácil isso acontecer.

O que não pode acontecer de jeito nenhum, por outro lado, é você enjoar da sua história, se desanimar. Toda vez que acontece isso comigo vou em busca de novas fontes de inspiração. É um exercício saudável até culturalmente, porque você acaba conhecendo coisas novas.


E você, o que te inspira? Conta pra gente!

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

[Clube de Escrita] NaNoWriMo 2012: Eu sobrevivi feat. A Dica que Faltou


O Paulo me pediu para fazer o post de ontem do Clube de Escrita, porque eu (Dana) fui a única que consegui as 50.000 palavras. But then, everything changed when the fire nation attacked... Eu simplesmente não consegui escrever! Então eu me dei conta de que durante novembro faltou uma principal dica. Uma dica que por muito tempo me impediu de concluir uma história. Uma dica que, no final das contas, foi o que me fez ir atrás do NaNoWriMo.

Eu escrevi mais de 50.000 palavras dentro de novembro para o NaNo (fora os 22 posts que eu fiz no CC e os outros não publicados), mas simplesmente não conseguia escrever pra cá. Enrolei até domingo para começar a escrever e ainda no domingo eu não conseguia. Tentei logo que acordei e depois passei o dia inteiro pensando nisso, mas eu só encontrei velhos conhecidos meus: 

Desânimo. "Tá uma m%#@ isso!"

Bloqueio criativo. "Mas o que eu vou falar?"

Falta de tempo. (Passei o dia inteiro quase fora)

E por aí vai. Então eu comecei achar irônico eu ter escrito tanto, eu passar por todas as dicas da gente nesse mês e mesmo assim não conseguir completar um texto que eu gostasse. Qual é o problema?

O pior de tudo é que quinta-feira, enquanto eu cruzava a linha de chegada do NaNo, eu tinha VÁRIAS ideias para escrever. Tava quase parando a história e indo fazer esse post. Chegou até a atrapalhar um pouco o que eu estava escrevendo. Agora eu não faço nem ideia do que ia dizer. É irritante. 

QUAL É O MEU PROBLEMA?!
Então eu me dei conta de que justamente isso é o problema, né? Eu tive a sorte de me manter com a inspiração durante esse mês, mas nem sempre é assim. Quando eu não tenho ideia do que escrever e tudo parece uma merda eu fico evitando escrever, até falar sozinha em comunidade antiga do orkut parece mais legal, o mundo fica de cabeça pra baixo, a história parece uma merda... Tudo uma merda. Dá um peso no coração, uma irritação, a coisa não vai pra frente. Parece que não tem saída.

Parece exagero, mas eu sou meio teimosa e fico insistindo, como eu não consigo fico irritada. Aí eu viro o Hulk e

Então, como resolver isso? Eu olhei pra a tela, ela não me respondeu, a relação já estava mais do que tensa. Eu já tinha até falado pra o Paulo que não ia conseguir fazer o post, já estava tarde e eu precisava dormir. Mas eu já disse que sou teimosa? Decidi ir até o templo de respostas para arejar as ideias. Fui na cozinha e abri a geladeira.


Minutos depois, na escuridão da sala, toda injuriada... eu comecei a pensar.

Esse mês no CC foi tudo sobre não desistir da sua história, que exemplo seria o meu se eu fizesse justamente isso? Grande coisa fazer um post sobre CONSEGUIR sem nem ao menos conseguir. No post da Igra ela falou que o Raphael Draccon disse que "escritor que tem bloqueio criativo é aquele escritor que não precisa pagar conta". E eu me perguntei: e se eu precisasse terminar ainda hoje esse texto de qualquer jeito?

Pode respirar aliviado, caro leitor, porque agora as coisas melhoram. "But I believe Aang can save the world!"

Eu decidi, então, escrever sobre o que estava acontecendo comigo. Ao mesmo tempo, lembrei que esse mês não foi feito apenas de momentos puro Chico Xavier e mais de uma vez eu cheguei perto desse bloqueio. Como eu fui em frente?

Então eu parei de procrastinar e fiz o que deveria ser feito! Mentira. Na verdade...
A primeira vez foi bem no início, que é aquela introdução antes dos personagens irem parar no problema. Começou a ficar chato e eu não sabia como escrever. O que eu fiz? Conclui de qualquer jeito e fui logo para a próxima.

A segunda vez foi durante/depois da viagem, que eu estava cheia de ideias e como não pude escrever acabei esquecendo. Resultado? Não gostava muito do que estava colocando no papel, não conseguia colocar, ficava totalmente bloqueada. O que eu fiz? Fiquei insistindo, aceitei que o caminho de antes foi perdido e criei uma nova perspectiva para continuar.

E teve mais uma vez, que foi quase do nada. Eu tinha os pontos principais, mas não estava gostando. Como eu resolvi? Parando pra planejar. Refiz o mapa do lugar que estava precisando de uma atualização, vi quantos personagens tinham e onde eles estavam, em que ponto estava a relação entre eles e o andamento em cada subtrama, os próximos pontos que eu precisava desenvolver. Assim foi mais fácil ver por onde eu tinha que começar e o que mais ou menos deveria acontecer.

Não, não é o meu. É do roteirista de uma série.
Só pra completar, esse eu aprendi fora do NaNo e era o meu principal inimigo: eu não sabia como continuar. Por exemplo (baseado em fatos reais), na história X dois personagens se conheciam no início e ela é basicamente sobre os dois rodando uma cidade em busca de uma solução. Que solução? Como? Não sabia. Depois eu tive a ideia dos dois serem capturados por um grupo mais pra o final. Levei muito tempo desanimada, até que eu decidi fazer esse grupo aparecer logo no início. Moral da história: às vezes a gente pode ter ideias e ficar guardando para depois, sem imaginar que o depois pode ser agora (ultra filosófico, tá liberado colocar no fb dizendo que é a MEIRELES, Cecília).

Então eu acho que se num momento você desanimar da história, achar que não consegue escrever, que tá sem ideia e até quase inconsciente começar a enrolar, pode ser porque seja preciso parar e repensar. Você está achando uma merda? Seu personagem provavelmente também está. Faça ele dizer isso, faça ele procurar algo novo, analise as possibilidades junto com ele.

Só de bônus, uma mini-cena para vocês pensarem. Kosmatka conhece Garcia e vai para um encontro com ela. Você está escrevendo sobre esse encontro, mas está tudo sem graça e bobo. Então você continua:

- Isso está uma merda. - disse Garcia, empurrando uma mecha de cabelo insistente para trás da orelha.
- Sério? - Kosmatka parou de beber o próprio milkshake e olhou para o copo. - O meu parece bom.
- Não, Ted! Estou falando desse encontro.
Ted olhou para baixo, sem jeito com as palavras dela e sem saber como deveria lidar com a situação. Ele também não estava gostando tanto assim, mas havia pensado que isso era algo inerente aos encontros. Como supostamente ele saberia? Para começar, a maioria dos procedimentos padrões de socialização são ridículos e não fazem o menor sentido. Tudo ali parecia direito: Os dois estavam sentados em uma lanchonete recém-aberta que todo mundo queria conhecer, o barulho de gente conversando era alto além do julgado aceitável, volta e meia um garçom passava em mais uma tentativa de decapitação com bandejas e o lugar estava repleto de estudantes que usavam o chão encerado como passarela de moda. Até a gordura pingando das batatas fritas parecia na medida certa. Ted tinha certeza de que para a mesa ao lado, onde um senhor provavelmente desafiava mais uma vez a morte enquanto comia sal com batata, os dois sentados ali com seus milkshakes pareciam um jovem casal se divertindo em uma tarde de sábado. O que estava errado?
- Talvez a gente deva ir até a praia. Afogar uns golfinhos, sei lá.

E, assim, o que era um merda vira o motivo para os personagens fazerem alguma coisa aleatória que pode chamar mais atenção. Se você for parar num beco sem saída, por exemplo "nenhum dos dois diria algo assim", talvez seja a hora de rever seus personagens. Será que eles são realmente feitos um para o outro? Por que você acha que eles combinam como um casal? Talvez o problema seja o lugar onde eles estão, ou talvez você precise sacudir a história. Repense.

- GARCIA, você aqui! - ouviram alguém dizer, Ted durante um segundo desejou ser meio surdo. Já podia ver pela expressão de Kami que aquilo não ia ser bom. Então ele imaginou se teria sido assim que os tripulantes do Titanic se sentiram quando souberam que o navio ia afundar.

Quem é que chegou? Um ex de Garcia, o cara que faz bullying na escola ou uma amiga meio maluca que ela evita há décadas? Ou talvez seja um ex meio maluca que faz bullying na escola e ela tem tentado evitar. Sabe, eu meio que já estou gostando dessa história.

Eu só estou postando hoje, porque... depois de conseguir escrever voltei a ficar tranquila e, verdade seja dita, eu não precisava ter entregado ontem DE QUALQUER JEITO. O que eu precisava era estar na faculdade DE QUALQUER JEITO dentro de 5 horas, então fui dormir.

Até mais!

Espero que vocês tenham gostado dos desafios em novembro, do projeto Charlie's Booklist (vá ver!), dos nossos Clubes de Escrita (que não vão totalmente embora! Eu fiz mais de 50.000 palavras, mas ainda não terminei meu livro)... O Paulo e a Igra não conseguiram completar o NaNoWriMo, como muita gente, mas ela já provou que não precisa do NaNo para terminar um livro, enquanto o Paulo eu espero que continue tentando (ele escreve realmente bem quando quer). Se você também não conseguiu, fique tranquilo. Em junho/agosto há outra edição, em novembro do ano que vem também e, sinceramente, você pode fazer o seu National Novel Writing Month quando quiser. É só continuar tentando (a tendinite que eu ganhei de presente na última semana curtiu isso. Só para descurtir depois).


Trabalho feito!

domingo, 25 de novembro de 2012

[NaNoWriMo Clube de Escrita] Como terminar um livro


Olá, crianças!! Pela primeira vez eu (Igra) vou escrever um post do Clube de Escrita. Para falar a verdade, eu me sinto um pouco envergonhada porque de todo mundo do blog, eu sou a lanterninha - inclusive não avancei uma única linha desde a semana passada. BUT IT'S OKAY, vou superar. A única coisa que eu espero é que você não ignorem esse post só porque sou eu falando - fala sério, a menina que não chegou nem a três mil palavras falando sobre como terminar um livro? Sim, eu vou falar sobre como terminar um livro, e a primeira lição do dia é: não julgue alguém que não bate a meta no NaNoWriMo como alguém que não nunca conseguirá terminar nada. E extra: Dana falando como está indo.

A grande questão de escrever um livro é que você precisa estar simplesmente muito por dentro da história. Sim, esteja deslumbrado com seus personagens, imagine que você faz parte daquele mundo, que se você não chegar ao final, o seu destino ficará incompleto, você não terá um fim (seja ele feliz ou não). A dúvida será eterna: será que eles iam viver felizes para sempre? ou até será que meu livro tinha chances reais de ser publicado?


"A realidade é superestimada. Escreva."

Eu pensei muito sobre como escrever esse post, porque eu quero falar tanta e tanta coisa e sei que não tem espaço suficiente para isso em meros 11 ou 12 parágrafos - no máximo. Mas antes de tudo, deixa eu explicar o porquê do pessoal do blog ter me escolhido para escrever essa postagem (eu, a menina que não passou das 3 mil palavras). 

Acontece que eu, Igraínne Marques, 19 anos, já escrevi um livro. Sim, eu terminei!!! É possível, crianças, experiência própria. É claro que existem muitos obstáculos, mas ouso dizer que você (sim, VOCÊ) é totalmente capaz de terminar de escrever um livro com o NaNoWriMo. Não que eu já tenha feito isso. O meu primeiro livro digitado* (eu já escrevi cinco - dois à mão e três digitados), demorou um ano inteiro para ser concluído. Começou com a ideia, e depois virou uma sequencia de contos - as cenas perdidas que eu mais queria escrever (aquelas cenas incríveis que a Dana falou nesse post aqui), e depois enfim virou um livro.
*Na verdade, eu não conto os que eu escrevi à mão, porque acho que foram apenas rascunhos de ideias. Por isso, toda vez que alguém pergunta: quantos livros você já escreveu?, eu sempre digo 3, porque foram coisas com mais cara de livro. 

>>>Mas como chegar lá? 


O meu primeiro livro (hoje está engavetado) não é padrão para ninguém. Ouso dizer que nem mesmo para mim. Eu tenho um carinho especial por ele, é claro, mas eu não mandaria para nenhuma editora. Aprendi muito com cada frase, tudo o que eu devo e o que eu não devo fazer está ali, todas as coisas que mais tarde eu percebi que não deveriam ser levadas a sério. Até mesmo as ideias que funcionam, e as que não funcionam. Tudo isso me serviu de aprendizado. Foi uma experiência muito boa.

A principal coisa que eu aprendi, por exemplo, é que você precisa de um planejamento. Não estou dizendo para saber tudo que vai acontecer - porque aí você mesmo se priva da ideia de se surpreender (e se surpreender é o que me faz escrever, já que eu me imagino lendo aquele livro e querendo saber o que vai rolar em seguida). Mas planejamento no sentido de aonde você quer chegar? Saber o final é mais importante do que muita gente imagina. Mas se você não sabe o final, só sabe o clímax, também está valendo. Porque aí você pode planejar o final sem se prender muito. E se ele mudar depois, também não tem problema nenhum.

A maior dica de todos os tempos, a que realmente - realmente mesmo (só pra enfatizar bem) - funciona comigo é fazer um sumário. Organize o seu livro em capítulos. Não precisa dar nome, mas se quiser, fica a seu critério (eu prefiro dar nomes porque ajuda a lembrar o que vai acontecer naquela parte específica). Ao lado de cada nome (ou apenas número), escreva um pequeno resumo do que você espera que aconteça. Pegue uma folha de papel, ou então abra um arquivo separado do word. Não precisa detalhar (lembre da coisa de se surpreender com sua própria história), mas é bom você saber mais ou menos o que vai acontecer como um todo. Porque sem planejamento, seu livro pode ter o objetivo perdido, pode se desenvolver para lugar nenhum, não ter clímax, não ter um fim, entendem?
*Se você quiser, coloque o sumário com os nomes no próprio livro, como se o arquivo fosse realmente um original prestes a ser publicado. Escreva os nomes e simule as páginas nos quais os capítulos começam, por exemplo: Capítulo 3... p. 42 (existe inclusive um ícone do word que permite que você insira numeração nas páginas).

Para dar um exemplo ainda mais prático, eu costumo me organizar da seguinte forma: eu escrevo em torno de 15 capítulos. No início, eu escrevia 12, mas depois de um tempo, dependendo da necessidade de cada livro, 12 virou um número insuficiente. Cada capítulo meu deve ter em torno de umas 25/20 páginas. Isso porque cada parte da história precisa do seu próprio início, meio e fim, e sempre achei que 20 páginas dava conta do recado. Caso você queira diminuir, não tem problema, você pode escrever 10/15 folhas, acho que o importante é ter essa meta. O mesmo vale para o número de capítulos.

somos todos capazes! 

Na verdade, essa organização toda tem um propósito: incentivar, dar resultados mais rápidos e práticos que acabam ajudando-o a seguir em frente. O próprio NaNoWriMo é um desafio, certo? Só que o fato de ele durar muito tempo e ter uma meta muito distante é um tipo de problema. A organização dos capítulos deixa a coisa mais alcançável. Sem falar que isso estimula muito. Pelo menos para mim. Quando eu concluo um capítulo sinto que estou conseguindo, que irei chegar ao final.

Isso tudo me ajudou a criar metas ainda maiores. Os meus primeiros dois livros foram feitos em um ano. O terceiro eu escrevi em seis meses e é maior que os outros. A ideia é diminuir esse tempo ainda mais. Se você quiser criar uma disciplina diária, sugiro escrever de 5 a 10 páginas por dia. No máximo em uma semana, um capítulo precisa ser concluído. Mas essas metas específicas são apenas sugestões, é claro. O que não pode acontecer é você se sentir na obrigação. Você precisa se sentir estimulado, precisa sentir vontade, querer avançar.

Além disso, você tem que escrever algo que você leria. De que adianta se esforçar ao máximo, se matar para construir uma trama digna de prêmios, se você não perderia seu tempo comprando esse livro? Tem que ser algo que dê prazer, que tenha uma sinopse que deixe você curioso também. Você acha a sua ideia boa? Você acha tão boa que viraria fã dela? 

No último Clube de Escrita, o João fez um comentário que eu achei muito bom. Ele disse: "...escreva o livro como se você tivesse milhões de fãs, e dê material suficiente para eles idolatrarem até que seu próximo livro seja lançado". O fato de você ter fãs também ajuda a estimulá-lo. Imagine que você está concedendo entrevistas, que as pessoas perguntam como anda o livro, e se quiser até escreva essas entrevistas. Tudo é realmente válido. Você é fã também, questione, procure, reinvente. Imagine pessoas enlouquecidas narrando fanfics com os seus personagens, procure atores que se pareçam com eles para possíveis futuros filmes. Esteja de fato animado com a sua história.

Dê atenção aos seus fãs histéricos, coitadinhos. E seja o maior deles.

Uma vez eu fui a uma palestra do Raphael Draccon (autor da saga Dragões de Éter) e ele disse uma coisa muito interessante: "escritor que tem bloqueio criativo é aquele escritor que não precisa pagar conta". Achei isso genial. Afinal, escritores de verdade trabalham com prazos. Não existe tempo para desânimo. Por coincidência, ele disse que escreve 10 páginas por dia, que acha esse um número saudável de se cumprir durante a semana - apenas nos dias úteis. De segunda a sexta, ele escreve 50 páginas. Se o número for menor, ele escreve fim de semana. Pode trocar a sexta pelo domingo, também não há problemas. O importante é cumprir a meta porque há um prazo a ser cumprido. Escrever é um trabalho, além de ser prazer, é claro.

Finja você também. Você é um escritor reconhecido, e precisa entregar o seu livro até fevereiro, por exemplo. Você não pode se dar ao luxo de descumprir o prazo diante de seu primeiro contrato com uma editora, certo?

E sim, depois que você termina, você precisa reler tudo o que escreveu. Na verdade, diferentemente do que muita gente faz, até do pessoal do blog, eu sou do time que revisa o que escreveu no dia anterior antes de ir em frente. Eu acho que é um exercício muito bom - várias vezes me vi sendo surpreendida com o que eu escrevia. Às vezes achava até que não tinha sido eu! E nem preciso dizer que essa surpresa me fazia ficar ansiosa para o dia seguinte: quando eu leria o que ia escrever hoje.

>>> Observações da própria história
Minha última dica de hoje (porque esse post já está grande o suficiente) é você não esquecer dos conflitos que criou no início. Por exemplo, o livro começa com um assassinato, e depois, lá pro meio da história, você já esqueceu que aquele assassinato aconteceu, esqueceu de explicar o que houve, quem matou, por que e com o quê. Você esqueceu de explicar porque o assassinato se tornou um detalhe, não tem real importância para o desfecho. Mas de certa forma é importante - você precisa concordar - porque o leitor não vai exatamente deixar passar. Nem a editora (a não ser que seja proposital, mas isso é outro caso).

O que eu faço é escrever a história normalmente e sempre ter na folha seguinte um parágrafo ou dois com o título "Observações". Ali eu digito tudo que ficou por dizer, o que ainda precisa ser dito e outras coisas que eu achar relevante colocar ali - coisas que eu não posso esquecer. Enquanto eu for escrevendo, eu empurro esse "Observações" para baixo, e sempre que julgo necessário, faço uma consulta ou acrescento coisas. A medida que os detalhes vão sendo explicados ou vão sendo criados, eu apago essa parte específica do "Obs" ou acrescento mais uma observação. Ao fim do texto todo, quando sua história estiver concluída, você  consulta o que sobrou e conserta/ acrescenta cada coisa que ficou por dizer. Até que as observações sejam todas apagadas.

Espero que vocês tenham gostado desse último especial NaNoWriMo tanto quanto eu gostei de escrevê-lo. Eu ainda diria muita coisa que eu acho importante falar, mas infelizmente não dá para colocar tudo em um post só. Se você tem outras dicas, conta pra gente! Se quiser apenas conversar, também pode mandar um comentário ou um mention para @ConversaCult.


>>> Dana sobre como está indo, porque eu tenho a impressão de que sou a única que está indo

Agora começamos a última semana do NaNoWrimo, que termina na sexta-feira. As coisas estão bem corridas (pelo menos para mim) e muita gente tem desanimado vendo o fim do mês tão perto. Por causa dos 10 dias que eu fiquei fora as coisas agora estão bem corridas, tenho 17 mil palavras para escrever até sexta, o que vai exigir um esforço extra. O lado bom é que da última semana pra cá eu dobrei o número de palavras. Acho que vou conseguir as 50.000, até porque quando eu meto na cabeça que quero uma coisa*...
*E eu estou me comprometendo aqui, o que vai me dar uma baita vergonha semana que vem se eu aparecer aqui sem ter conseguido. Ou seja: vou me esforçar mais ainda. Está vendo como funciona um desafio? Por isso é importante falar que está fazendo...

Na história eu escrevi os três pontos principais que eu tinha programado no início do mês, eles tomaram caminhos que eu não imaginava e ao mesmo tempo está tudo se encaixando perfeitamente com o que eu planejei. Tive que fazer uma pausa e rever os próximos "tópicos" pra desenvolver. Algo me diz que 50.000 palavras não vão ser o suficiente para colocar um ponto final.

Até semana que vem! E não deixem de escrever, mesmo que vocês achem que não vai dar tempo. O fim do mundo é só em dezembro, lembram? 


Contador de palavras (até o fechamento desse post)

Paulo: 15.172/50.000
Dana: 33.384/50.000

domingo, 18 de novembro de 2012

[NaNoWriMo Clube de Escrita] Como manter uma história?


A terceira semana de novembro, mês do NaNoWriMo, vai chegando ao fim e, com isso, mais um “encontro” do nosso Clube da Escrita acontece! Agora que já passamos da metade (teoricamente, porque ninguém aqui alcançou mais de 25.000 palavras), vem a pergunta: como vou manter minha história? É sobre isso que nós falamos hoje! Primeiro o Paulo dá dicas para quem não sabe mais o que escrever e depois a Dana comenta sobre o que fazer quando as distrações falam mais alto.

Essa última semana, para mim (Paulo), pode ser resumida como: vergonhosa. Sabem quantas palavras eu escrevi desde o último domingo? ZERO. Pois é. Ao invés de aproveitar o pouco tempo livre durante a semana para escrever, eu fiquei assistindo série de TV*. Então aqui já vai a primeira dica do dia: não foque por muito tempo em coisas que não sejam escrever. Por mais que elas te deem prazer no momento, elas vão te distrair e a vontade de escrever morre. E depois você ainda fica com sentimento de culpa. Experiência própria.
* para ser mais específico, How I Met Your Mother <3

Pois é, desonra pra mim e desonra pra minha vaca.

Ok, agora vamos ao tema principal. Nós já sabemos que escrever cinquenta mil palavras é um caminho muito longo a ser cumprido. Não só por serem muitas palavras por um mês, mas também porque você tem que ter muita história para que seu enredo não se desenvolva rapidamente e acabe longe da meta final.

A primeira dica que me vem à cabeça é: desenvolver mais os personagens secundários. É muito comum começar a pensar numa história e só virem os protagonistas e um ou dois personagens que vão ser mais próximos deles. A maior parte dos personagens só vai aparecer quando realmente se começa a escrever e eles acabam ficando de lado.

Eu tento seguir essa dica porque uma das coisas que mais me incomoda ao ler um livro é não saber direito como são os personagens secundários, só conhece-los superficialmente. É claro que vai acontecer de não ter como encaixar a história de todos os personagens no meio da trama central, então faça capítulos extras onde esses personagens secundários sejam os protagonistas. Isso te ajuda a conhecer mais seu personagem e a também a aprender como desenvolvê-lo. 

Atenção: "Ai meu deus, mas o meu livro é em primeira pessoa com um protagonista" Você não precisa se preocupar com isso agora, pode ser que isso nem entre na versão final, mas vai te ajudar a conhecer mais a história.

Esse desenvolvimento de outros personagens pode ser importante para a próxima fase da escrita do romance, depois que você termina o primeiro rascunho e vai reescrever tudo. Às vezes você descobre que personagem X pode ter mais destaque, ou que Y poderia não estar na história porque não muda em nada e até que Z pode merecer um romance só para ele.

Se mesmo depois de encaixar a história de outros personagens na trama principal, sua história ainda assim está curta, uma dica importante é vê-la por outro ângulo. Vocês já pararam para pensar que, às vezes, por se limitar a um só olhar sobre sua ideia, você pode estar deixando algo importante esquecido? Pensando sobre a minha história, eu percebi isso perfeitamente e pretendo mudar quando voltar a escrever.

Às vezes, por estarmos tão focados em só contar a história que temos na cabeça, deixamos de refletir e pensar em coisas que ficariam boas nela. Por exemplo, se sua história é de uma menina que ganhou um concurso de quem come mais pizzas (!!!) e lá se apaixonou por um garoto, que tal escrever um pouco sobre como funciona o concurso e talvez até contar a história de vencedores anteriores? Desenvolver os detalhes da história torna-a mais interessante, esse exemplo que eu dei, se bem desenvolvido, ficaria muito melhor do que só a menina conhecendo o garoto e se apaixonando, sem uma boa ambientação.

Dana tentando falar sobre como escrever com o mundo batendo na porta enquanto o mundo está batendo na porta (wtf)


E se o seu problema não é falta do que escrever, é o mesmo do meu e do Paulo: falta de tempo ou distrações. Como se livrar disso?

Organização e vontade! O primeiro é planejar quanto você precisa escrever, quando você vai escrever e o segundo é, enfim, escrever.
Parece bobeira, mas é isso mesmo. Um dos principais pontos tanto do NaNoWriMo quanto dos outros desafios das sextas temáticas é você planejar e se organizar para cumprir uma meta que você quer alcançar.
Assim parece que eu sou superorganizada, mas hoje mesmo eu já poderia ter escrito um monte. Isso sempre acontece, eu acordo pensando: é a primeira coisa que eu vou fazer! E acaba sendo a última (eu de madrugada digitando já de olho fechado). Tenho impressão de que isso vai se repetir hoje. Mas mesmo que seja a última coisa que você faça, não deixe de fazer.

A vontade é a parte principal e você precisa "exercitar" essa vontade, evitar desanimar. Lembra que o NaNo é um desafio e você tem uma meta para cumprir, se não fica mais falso do que dieta na páscoa. Encontre o que te anima. A cada domingo aqui com o Clube eu me animo, quando eu leio os comentários de vocês, quando eu comento com alguém, quando eu pesquiso sobre o NaNo na internet... E não esquece que esse é um espaço que nós também estamos dando a vocês, podem vir!
Um outro exemplo é a Morgana do 101 coisas em 1001 dias que nós citamos na sexta, ela decidiu fazer vídeos no youtube para mostrar o que estava fazendo na lista. Em um dos vídeos ela diz que fazer vídeos é uma das coisas que estimula ela a continuar com a meta. Encontre a sua maneira e faça!
Agora mesmo enquanto eu tentava escrever esse texto aconteceram mil coisas (além das outras que eu poderia estar fazendo). Para ter ideia, eu não consegui nem deixar a porta fechada de tanto que vem gente aqui. Mas estou escrevendo, né?


Bem, por hoje é só. Agora que eu (Dana) voltei vou conseguir atualizar as dicas lá no tumblr, então lembre de passar lá para acompanhar! Além disso, vi o que o Igor perguntou na última semana e vou fazer um post extra dedicado ao "o que eu preciso para começar uma história?". E semana que vem a Igra volta para falar sobre como terminar um romance, estou curiosa para ver o que ela vai dizer! haha

Continuem escrevendo, continuem falando, continuem animados!

Contador de palavras (até o fechamento desse post)

Paulo: 12.169/50.000
Dana: 16.553/50.000
Igra: 2098/50.000


Veja também
>>>Primeiro encontro:  apagar é proibido!
>>>Segundo encontro:  bloqueio criativo
>>>Batalha de palavras e Maratona de Escrita: em breve!

domingo, 11 de novembro de 2012

[NaNoWriMo Clube de Escrita] Bloqueio Criativo


Olá, caros escritores! Na semana passada, falamos sobre começar a escrever pro NaNoWriMo e o tema principal foi: não apague nada do que você escreve. Afinal, a ideia do NaNo é escrever, não importa se o que sair será bom ou não.

Então, hoje voltamos para comentar como foi a segunda semana do projeto e falar sobre o temido bloqueio criativo. Vamos lá? :D

* Lembrando que esses posts são escritos a partir da opinião de quem o escreve (nesse caso, o Paulo), talvez nem todos os membros do blog compartilhem a ideia apresentada e muito menos a encaram como verdade absoluta.

Desde o domingo passado, caí muito na meta. Eu comecei o projeto muito animado, com uma história que realmente me agradava na cabeça e o feriado ajudou bastante a ter tempo para escrever. Porém, chegou a semana e os fatores escola, estudar, coisas para fazer que não estavam programadas e preguiça atrapalharam demais. Para ter uma ideia, eu terminei domingo muito adiantado na meta, mas escrevi tão pouco nos dias seguintes (uma média de cem palavras, no máximo) que cheguei a esse final de semana muito atrasado, tanto que será difícil de eu chegar a meta para hoje, 18.333 palavras.

Bom, o tema desse domingo, como já sabem, é o bloqueio criativo. Para começar a falar sobre isso, vamos primeiro à pergunta “o que é bloqueio criativo?”. O senso comum diz que o bloqueio acontece quando a pessoa quer escrever, mas não vem nenhuma ideia para pôr no papel.

No entanto, depois de ficar pensando no assunto desde semana passada, cheguei a uma conclusão de que o bloqueio, na verdade, não existe. Para mim, o bloqueio criativo é apenas uma forma que, mesmo inconscientemente, usamos para nos desculpar por não conseguir escrever.

Lembram-se do que eu disse semana passada, que “A produção de um livro é um processo longo (...). Novembro é o mês de escrever, apenas isso.”? A ideia de que durante esse mês devemos escrever, escrever, escrever e escrever, sem se preocupar se está bom ou não, é o ponto-chave para tirar o bloqueio criativo da sua vida. Afinal, se você não está preocupado se o que está sendo escrito é de qualidade ou não, você nunca vai parar de escrever para ver se ficou bom.

Tudo bem, agora você está escrevendo sem se preocupar se está bom ou não, mas chegou um momento que você não faz ideia do que faz com a história. Aí vem a dica principal, além de escrever sem pensar se está bom ou não, escreva tudo o que vier na cabeça. Eu só consigo escrever assim, e o que eu percebi escrevendo dessa forma é que, mesmo que o início fique um pouco confuso, a sua história vai se desenvolvendo tão bem que em determinado momento tudo começa a ficar claro para você.

Uma coisa que eu recomendo é não pensar muito no que vai vir depois. Se você está escrevendo a cena 1, mas começa a pensar nas cenas 4, 9 e 15, seu cérebro vai começar a dar um nó e não vai sair nada. É claro que você pode fazer uma cronologia do que vai acontecer (até para se organizar mesmo), mas não pense nos detalhes das futuras cenas enquanto estiver escrevendo outra.

Uma coisa que eu acabei de reparar é que eu funciono de duas formas diferentes. Quando estou escrevendo ficção, todas essas dicas que eu dei funcionam perfeitamente, porém, quando vou escrever uma dissertação ou até mesmo um post como esse, eu fico o tempo inteiro voltando e apagando coisas, editando o texto, etc. Para conseguir fluir bem na escrita, acho que a pessoa tem que encontrar a forma que funciona melhor. É claro que as dicas são bem úteis, mas ninguém é igual a ninguém, cada pessoa tem seu próprio sistema.

Bom, meu post vai ficando por aqui, mas a Dana escreveu um post e pediu que eu anexasse nesse. Eu gostei bastante dele porque além de ter um outro ponto de vista sobre o tema bloqueio criativo, ela o escreveu seguindo a dica de dizer o que vem na cabeça. Vale a pena dar uma olhada. :D

Contador de palavras (até o fechamento desse post)

Paulo: 12.169/50.000
Dana: ???/50.000 (ela está viajando e não sei em quanto ela está exatamente, mas pelo menos no meio dessa semana estava na minha frente).
Igra: 422/50.000 (por conta de um problema envolvendo faculdade, Enem, trabalho, ela só pôde realmente começar hoje).

Até semana que vem!

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Inspiração: +40 Fotos surreais e curiosas deixadas pelo furacão Sandy


Com a Sandy fazendo sucesso nos EUA, a internet estava em chamas nos últimos dias (ou mais do que nos últimos dias...). Tanto faz, o que eu gostei mesmo foram as fotos estilo pós-apocalíptico que saíram aos montes. Paisagens devastadas, cenários curiosos, reação das pessoas (filmes de apocalipse, vocês vão precisar se atualizar!) e muita inspiração para quem quer participar do NaNoWriMo*. Aqui vai algumas das que eu mais gostei!  #SouDaquelasQueCurteFotoDeLugarAbandonadoNo9gag
*Comentário sobre NaNoWriMo e bloqueio criativo no final!



Fotos "simbólicas"







"Banheiro funcionando. Não é o mais limpo. Qual o tamanho da sua necessidade?"


"Aberto. Almoço de graça para qualquer um que precise!"

Estátuas que sobreviveram...





Personagens e momentos

Em breve no game de survival horror mais perto de você.

Pessoas trabalhando em uma fazenda devastada. Mais fotos.

Um zumbi? Suicídio pós-apocalíptico?

Pessoas em NY correndo na NYC Marathon, mas NÃO esse ano durante o Sandy. Ela foi cancelada e os maratonistas se juntaram como voluntários para resolver os problemas do furacão. Ainda assim, achei legal a ideia de um monte de gente correndo uma maratona em um cenário pós-apocalíptico. Por que é isso que eles fazem primeiro, né? Fingem que está tudo bem, ignoram e continuam o que estava programado para não surtar. 

Isso me lembrou o filme Presságio. Ou alguma coisa com cavaleiros do apocalipse... 





"se prepare para o apocalipse zumbi"


Um bando de gente encolhida num canto com medo? Acho que não...


Foto do Haiti. Isso é pra lembrar que os EUA não foram os únicos atingidos. 

Paisagens/cenários da devastação

Super-heróis, cadê vocês?




Titanic versão metrô

Porque trem é muito mainstream. 




Vai pescar o que hoje? ;x


Não é nesse lugar a cena de O Espetacular Homem-Aranha que o Lagarto deixa o táxi?



Como eu vi alguém falar: "o poder do Olimpo"
Haha! Desculpa, mas isso não estaria completo sem uma foto dela, né? Nana Gouvêa fotos - Nana Gouvêa em desastres

Eu adorei essas fotos e enquanto dividia por "tipo" percebi que tinha tudo a ver com o mês do NaNoWriMo. Sério que você consegue ter um bloqueio criativo depois de ver essas imagens? Exercita! Olha pra elas, deixa a imaginação rolar. Só com esse post dá pra escrever 50.000 palavras de uma história. "As aventuras de um bombeiro gordinho sobrevivendo à Sandy armado apenas de um pé de cabra e tinta spray". Cada imagem um capítulo. 

O NaNoWrimo é ver se você consegue cumprir a meta de 50.000 palavras, não importa como e, PRINCIPALMENTE, sem se preocupar com o que está escrevendo. "Ninguém vai ler..." Não importa. "Está repetindo muito a mesma palavra..." Não importa. "Acho que isso é cientificamente improvável". Não importa. "Eles vendem burritos na China?" Não importa. Apenas escreva. Mais tarde, outro mês, você pensa nisso.