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quarta-feira, 3 de outubro de 2012

[Resenha] Os Sete Selos, de Luiza Salazar

por Dana Martins

- Livro: Os Sete Selos
- Livro Único.
- Autora: Luiza Salazar
- Editora: Underworld
- Comprar: Submarino, Siciliano, Saraiva.
- No skoob









Mini-crítica: 
"Os Sete Selos" é uma aventura sobrenatural da agente Lara Carver, que trabalha controlando manifestações. O livro começa com ela lidando com uma suspensão quando precisa retornar para investigar o que parece ser o caso mais perigoso da história da Agência. Com um demônio e um ex-agente amigo de infância, ela vai lutar contra seres do inferno e do paraíso, mas a pior parte vai ser descobrir que há muito segredos enterrados por aí. O livro tinha tudo para ser um YA de referência, mas tropeça mais do que avança. Infelizmente, o desenvolvimento deixou muito a desejar. 

Quer saber mais? Clique abaixo para conferir a resenha completa.

Ano passado, na Bienal do Rio de Janeiro, eu comprei "Bios", o segundo livro da mesma autora. Comecei a ler e a história era tão viciante que da outra vez que eu fui na Bienal corri para comprar Os Sete Selos de uma vez. E esse mês foi quando deu vontade de finalmente começar a leitura.

Tudo começa como uma história no estilo de Instrumentos Mortais ou a série Supernatural (A Agência é responsável por resolver problemas sobrenaturais) e com um clima de O Código Da Vinci. E começa realmente bem: Lara, uma agente esquentadinha, meio cabeça dura, que só quer saber de ação, está irritada até a alma por ter sido obrigada a fazer serviço interno. Para a sorte dela (ou azar), ela é uma das melhores agentes e algo muito estranho aconteceu em Paris. Algo muito além de qualquer coisa que a Agência já tenha enfrentado. Então Lara, um demônio e um ex-agente acabam responsáveis por uma missão secreta para descobrir o que está acontecendo.

Até esse ponto, tudo ótimo. Lara tem uma raiva mortal do demônio, está incerta e feliz pela volta de Jason, o ex-agente. Você quer saber o que eles vão fazer e o que vai acontecer com essa tensão toda entre eles (uma garota e dois garotos em um livro = VAI acontecer alguma coisa). Aí a história começa a desandar. Desandam a tal ponto que eu não indico esse livro para ninguém (sério).

Em "Bios" já tinha um pouco dos problemas de revisão (que praticamente nem existiu) e de evolução da narrativa, mas passa a ser uma obra-prima perto de "Os Sete Selos". A impressão é de que a Underworld publicou o rascunho da Luiza Salazar. Não há revisão, não há edição. Se teve, foi extremamente mal feita.
*Só um comentário: Em Bios, a história é legal e eu indico. Só não indico para os que têm problema de escrita, pra não ficar lendo coisa errada com cara de "oficial". Fora isso, ela melhorou muito de um para o outro. Então não julguem a autora com base nesse livro aqui.

A história vai perdendo o ritmo, meio que se perde em balancear conteúdo e ação. Chegou a tal ponto que eu decidi fechar o livro e ir dormir no meio de um ataque(!) ou de eu nem me importar mais no momento das "grandes revelações". Cheguei até a começar uma leitura dinâmica, para terminar logo.

Quando está quase acabando, o livro consegue se recuperar bem, voltando a ser tão interessante quanto antes. Mas já é tarde demais para salvar o livro (o que dá uma certa pena). A história tinha um potencial de ser algo no nível de Cidade dos Ossos, ou até mais. Os personagens são bem legais, a proposta também. Só que o desenvolvimento foi até chato.

Acho que com tanto livro bom por aí, não vale a pena perder tempo com esse (achei que não valeria nem listar os problemas aqui). A notícia boa é que a Luiza Salazar continua tendo histórias com potencial viciante e melhorou muito em "Bios". A ação desse último prende, a Luiza melhorou muito na descrição das lutas, os personagens são MUITO legais e o desenvolvimento geral é quase 100%. Mas isso você pode descobrir na resenha de Bios da Igra.

Queria fazer um comentário aqui sobre autores e editoras

Eu não queria que essa resenha terminasse com um "A Luiza Salazar é uma escritora ruim", por isso achei que valia um comentário. Se você for ver os agradecimentos de boa parte dos escritores americanos vai perceber que há uma equipe enorme de gente trabalhando em cima dos livros. Já vi um agradecimento tipo "Obrigada Fulaninha por me mostrar tais coisas e me fazer reformular o livro inteiro". A própria Suzanne Collins (Jogos Vorazes) recebeu ajuda. Enquanto eu pesquisava sobre de onde ela tirou a ideia para os livros encontrei uma entrevista com a Kate Egan, editora dela, falando que pediu para a Suzanne trabalhar um pouco mais na relação Gale-Katniss-Peeta. O próprio Rick Riordan diz que passava os manuscritos de Percy Jackson pela aprovação dos filhos.

Essas pessoas que influenciam não são tipo "muda essa porcaria porque isso não vende", é muito mais alguém que olha de fora, enxerga o potencial, e vê o que pode ser aproveitado. 

E daí? E daí que eu acredito que falte profissionais desse tipo no Brasil (ou pelo menos bons...). As editoras daqui estão muito acostumadas a pegar algo com garantia de sucesso lá fora e só traduzir. Acho que todo mundo sabe a dificuldade de um novo autor aqui no Brasil, tem editora grande que nem publica. E quando eles conseguem uma editora, ou publicam sozinhos, muitos tropeçam nessa parte da revisão/edição.

Agora vamos torcer para essa situção melhorar, para a Luiza Salazar resolver o problema dos porques inseparáveis e para ela continuar escrevendo. Com certeza vou dar uma olhada em um próximo livro dela.

Sobre a nota: Eu vi que a média (entre as que deram nota das 190 que leram no Skoob) é de 4. Mas por mais que a história tenha um potencial, tropeça em tantos problemas que eu não consigo dar mais do que 2 conversinhas. Eu normalmente sou legal, só não me contento com qualquer coisa.

Classificação:


(2/5 conversinhas)

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

[Resenha] Onde Habitam os Dragões, de James A. Owen

por Dana Martins
- Livro: Onde Habitam os Dragões
- As Crônicas de Imaginarium Geographica - Livro 1
- Autor: James A. Owen
- Editora: Underworld.
- No skoob










Mini-crítica:
"Onde Habitam os Dragões" é uma história de aventura como muitas que você conhece: O personagem acaba no mundo mágico, descobre que é escolhido para acabar com o mal, faz uma jornada e felizes para sempre. E vai ser apenas isso para muita gente. Mas e se todas as histórias que nós conhecemos (tudo, tipo: Mitologia Grega, Ditadura Militar, Senhor do Anéis, Viagem ao Centro da Terra...) fossem versões da mesma história? Em "Onde Habitam os Dragões" você vai conhecer o mundo que deu origem a tudo isso se você ficar atento às referências. O livro pode ser uma leitura leve para passar o tempo, ou mais divertido se você prestar atenção no que não está sendo dito. É quase como um livro para adultos escondido dentro de um livro para jovens. É um livro para leitores. 

Quer saber mais? Clique abaixo para conferir a resenha completa.

Esse livro eu comprei totalmente pela capa (e dei para o meu irmão, mas ainda assim...). Nem lembrava da existência dele, até chegar as férias e eu ficar numa vibe de medieval e esse ser o único que parecia ter a ver. Acabou que ele não tem quase nada de história medieval, mas valeu a pena mesmo assim.

Todos os livros lançados lá fora, aqui no Brasil só o primeiro. A história termina bem e não precisa de continuação, eu tenho apenas uma leve curiosidade para saber que novas histórias o autor vai misturar. 
Sinopse:A história se passa na época da primeira guerra mundial e começa em uma noite quando um assassinato acaba unindo três homens. Eles entram em um estranho navio, uma dragonave como eles descobrem, que cruza os limites da realidade e vai parar em um outro mundo, no Arquipélogo dos Sonhos. John, que havia apenas viajado para atender um chamado urgente de seu tutor, descobre que estava sendo treinado para se tornar o guardião do Imaginarium Geográfica, um livro com os mapas de todo o Arquipélogo, e que agora o futuro do lugar depende de suas habilidades como guardião. Habilidades essas que ele não tem, é claro. Porque não imaginava a real importância de seus estudos e negligenciou boa parte do aprendizado.

Bem, você já deve ter visto isso umas mil vezes. A história de alguém que cai em um buraco, entra em um armário, mergulha em um lago, pega um trem (...) e vai parar em algum tipo de mundo mágico. Nesse lugar, eles são destinados a passar por uma grande aventura para vencer o mal. E todos vivem felizes para sempre (até, muitas vezes, o próximo livro). "Onde Habitam os Dragões" não foge disso e, se você quer saber, às vezes é até bem clichê e fraco. É uma leitura rápida, para quem gosta de aventura e quer passar o tempo. Mas isso é só um lado da história.

Tem várias ilustrações no livro, tipo essa.
O autor pega várias histórias que nós conhecemos e une todas no que seria "a verdade sobre todas as histórias". Não com ambição de impor uma verdade sobre o resto, mas apenas para trazer uma nova perspectiva legal. Essas outras histórias são de tudo: fatos históricos (tipo primeira guerra mundial), mitos (tipo mitologia grega), histórias bíblicas (tipo a do Noé) e literatura (de Peter Pan a Nárnia).

Você pode me dizer: "Ué, Percy Jackson faz isso". Faz mesmo, mas o diferencial do livro do James A. Owen é que também mistura várias literaturas. De Harry Potter não tem (não que eu tenha visto, mas bem que poderia)... mas e se o mundo de Harry Potter realmente existisse? E ele tivesse a ver com o mundo de Senhor dos Anéis? Que também teria a ver com o mundo de Game of Thrones, que estaria ligado ao de Jogos Vorazes, que está ligado a Percy Jackson...

A linha do autor é: temos vários mitos e histórias que dizem a mesma coisa e parecem apenas versões (tipo mitologia grega vs. romana). E se a literatura (tipo Alice no País das Maravilhsas) tivesse o mesmo valor que esses mitos? E se esses livros de literatura fossem várias versões de uma mesma história? "Onde Habitam os Dragões" é essa história.

É uma pena que a narrativa do James A. Owen não seja tão brilhante quanto a dos vários autores que ele cita, mas é leve o suficiente para qualquer leitor atravessar tranquilamente (eu li em uma noite só). E, infelizmente, faz referência a livros mais clássicos/antigos (tipo Senhor dos Anéis), então muito leitor novo não vai pegar nada, passando direto até pelo Peter Pan.

Tenho que fazer um comentário extra sobre alguns "problemas" de evolução. De início, os personagens são quase estereótipos, alguns "romances" brotam do nada e o conflito do John, "protagonista", não convence. Algumas coisas entram na história por pura necessidade (não é muito conveniente que eles estejam aprendendo sobre tais seres, sendo que existem milhões pelo lugar, logo antes deles aparecerem?). Não é nada muito elaborado, mas o final até que consegue surpreender.
*Eu li esse livro antes do The Games e eles são tipo ao contrário. The Games te coloca na história para descobrir, Onde Habitam os Dragões joga história na sua cara (ou pelo menos parte da história, as referências estão muito bem escondidas). 

Esse livro eu indico para três tipos de pessoa: 1) A que está começando a ler e não vai perceber as referências, mas vai aproveitar a aventura e a narrativa simples; 2) Uma pessoa que já tenha lido mais e perceba as referências (principalmente se for clássicos ou algo tipo "Senhor dos Anéis" e "Nárnia"); e 3) Aquelas com espírito de aventura "que querem descobrir novos lugares" e sabem aproveitar o que encontram.

Sobre a nota: Para uma pessoa desatenta ou que não conhece as referências, a nota vai de 2,5 a 3 conversinhas (dependendo do quanto já leu e pode ser até mais). Eu vou dar 4 porque a forma como ele encaixa as referências é muito boa. Não é como se você tivesse lendo um livro, é como se você tivesse lendo uma parte de muitos outros livros e para entender o que está acontecendo precisa ter ideia geral. Não conhecer as referências é tipo começar por "Harry Potter e as Relíquias da Morte" e tentar entender o que é Hogwarts, horcruxes, RAB (...).


Classificação:

(4/5 conversinhas)

quarta-feira, 23 de maio de 2012

[Resenha] Bios, de Luiza Salazar

por Igraínne Marques


- Livro: Bios
- Livro único
- Autor: Luiza Salazar
- Editora: Underworld
- No skoob








Mini-crítica: 
É claro que uma distopia brasileira é algo que não se vê todo dia por aí. Em Bios, temos um mundo que mistura uma jornada pós-apocalíptica, tendências à ficção científica e um pouco de Mockingjay (terceiro livro da série Jogos Vorazes) para montar um enredo bem construído. O livro nos conta a história de Liz, uma garota que acorda no meio de uma cidade em ruínas, deserta, portando apenas uma mochila e sem lembranças concretas acerca do seu passado. A parte boa é que Luiza Salazar - a autora - se deteve ao clássico início, meio e fim, ou seja: não se trata de uma série com 10 livros, é volume único. Sim, você leu direito: não há continuação. E se vier a ter, não será algo linear, não vai continuar de onde parou. Além disso (o que é bem inovador) temos a noção de datas, coisa que raramente aparece nesses livros distópicos. E só pra constar: o futuro mostrado não é tão distante assim....

Quer saber mais? Clique abaixo para conferir a resenha completa.


É claro que, diante da enxurrada inegável de livros distópicos por aí, muita gente pode vir a ficar com algum pé atrás diante da possibilidade de ler uma distopia brasileira. Mas posso dizer que você não irá perder nada se der uma chance. Sério. A história é ótima, não possui partes perdidas no desenrolar e a protagonista é bem decidida, o que particularmente já é um grande diferencial.

Liz, como já foi dito, não se lembra de absolutamente nada do que aconteceu em sua vida antes de acordar no meio da estrada com aquela simples mochila de companhia. Ela logo se junta a adolescentes refugiados, e passa a primeira parte da história tentando desvendar o próprio passado. Com o decorrer do tempo, é assaltada por flashs que inicialmente a deixam mais confusa do que satisfeita. Mas, como eu disse: isso é só na primeira parte.

Mas por que Bios?, você deve estar se perguntando. E onde entra a distopia?
O futuro apresentado, como eu disse, é recente, temos acesso à essa informação logo nas primeiras páginas. Uma clínica de manipulação genética denominada Instituto, construiu um tipo de vida avançada, como um ser humano evoluído em todos os sentidos que você pode imaginar. Assim, o homem dito convencional foi declarado como ultrapassado. A diferença entre ambas as "raças" gera uma disputa que logo se transforma em guerra. Os humanos acabam vivendo refugiados em lugares distantes, enquanto o Instituto (responsável pela criação dos Bios) parece controlar a cidade onde ainda há algum tipo de resquício do tipo de vida que conhecemos.

E claro que há romance! Sempre há, não dá pra fugir disso, muito embora casais não sejam o foco da coisa toda. O livro é em terceira pessoa, mas se fosse em primeira, não acredito que Liz passaria muito tempo pensando acerca do possível amor. Suas preocupações mais latentes estão voltadas para a questão que distingue Bios e humanos, o que está acima de ambos e quais decisões impelem Liz para seu objetivo final. Liam, o cara de quem é evidente uma aproximação da parte dela (mesmo que sem perceber), é um personagem fácil de gostar. Ele é corajoso, autossuficiente, e tem uma personalidade muito forte, o que o torna muito... real. Sua irmã, Poppy, me lembrou, de alguma forma, Prim (Jogos Vorazes). Contudo, a semelhança inicial se esvai depois que você sabe um pouco mais sobre ela. Poppy emana algum tipo de infantilidade ou inocência que eu não esperaria em um livro ambientado num mundo distópico. É de certa forma intrigante.

Otto, outro personagem que me chamou a atenção, é o foco das cenas hilárias. E apesar de eu não ter gostado de Claudia a princípio, depois de um tempo notei o quanto ela também consegue ser muito real. Quase dá pra imaginar que você os conhece de fato, porque a riqueza de diferenças aproximam cada personagem do leitor. A quantidade de nomes é enorme, mas não tive dificuldades em gravá-los, o que não acontece em geral.

Não tem como falar muita coisa sem dar um spoiler  conflitante da primeira parte, mas posso dizer que gostei muito dos diálogos. Luiza Salazar realmente sabe escrevê-los.Normalmente essas são as partes que mais me chamam a atenção (depois da capa), porque quando vou às livrarias, sempre abro no meio de alguma página aleatória para ler uma passagem - dialogada - e saber se o livro é legal. As conversas retratadas aqui são bem cotidianas, é fácil acreditar que você as ouviria em qualquer lugar que quisesse ir. Fora o fato de que a maioria consegue ser bem engraçada, para dizer o mínimo.

A única coisa que me incomodou verdadeiramente foi a revisão. Se o livro fosse estrangeiro, talvez eu culpasse o tradutor, mas nesse caso específico, acredito que tenha faltado algum tipo de cuidado com o texto. É claro que a história é incrível, o enredo é impecável, e isso não prejudica a narração, mas não há como ler o livro sem perceber a falha.

Por fim, se você gosta de ação (daquelas que fazem você ficar com o coração na boca), com certeza precisa ler esse livro. As descrições dos combates são boas, a autora não se perde, e Liz é - sem dúvida - muito boa de briga. É ainda mais legal porque não fica repetitivo (como às vezes acontece quando há muita coisa acontecendo ao mesmo tempo na história).

Sobre a nota: O livro leva 4 conversinhas porque é ótimo, mas, apesar de ter me tocado de maneira bem positiva, não me alcançou no fundo. Talvez, se a revisão pudesse ser refeita, tudo ficasse ainda melhor.

Classificação:



(4/5 conversinhas)

Até! o/

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

[Resenha] A Bruxa de Ferro, de Karen Mahoney

por Igraínne Marques 
- Livro: A Bruxa de Ferro
- A Bruxa de Ferro: Volume 1.
- Autora: Karen Mahoney
- Editora: Underworld
- No skoob
- Continua em: The Wood Queen
- OBS: O livro faz parte de uma trilogia cujo segundo volume ainda não foi lançado no Brasil. Você pode ver as capas de The Wood Queen aqui.






Mini-crítica:
A Bruxa de Ferro é um livro YA sobrenatural com um enredo já bem conhecido por aí. Contudo, isso não faz da história algo clichê, como achei que seria. O fato de a temática "fantasia, melhor amigo e gato irresistível" estar presente não provocou uma decepção em mim, muito pelo contrário. A autora soube usar os elementos repetitivos a seu favor, de um modo que os mistérios que aparecem não ficam óbvios. O fato de a protagonista não ser perfeita realmente me atraiu. Somando isso à questão de que Xan (o menino bonito), também não possui apenas beleza, o livro virou uma montanha de situações bem construídas.

Quer saber mais? Clique abaixo para conferir a resenha completa.

Donna Underwood é uma menina de 17 anos que vive usando luvas. Ela as usa para tudo, as tira somente quando vai para a cama. O mistério por trás do tecido sempre intrigou a todos a sua volta, inclusive o pessoal do seu antigo colégio. Sim, antigo, porque recentemente ela foi expulsa de lá. Donna costuma chamar o ocorrido de "Incidente", o que me fez ficar um pouco incomodada, uma vez que eu não achei que o "Incidente" em si correspondia ao que eu imaginei. Para falar a verdade, me pareceu que a autora precisava de um acontecimento para colocar a protagonista para fora do recinto e inventou um fracamente convincente. De qualquer forma, Donna ainda podia entrar na Ironbridge High School depois disso; mas apenas para realizar as provas. Suas aulas eram sempre em outro local, com uma professora que era mais voltada para o seu mundo.

Esse mundo de que falo é um universo invisível ao restante das pessoas. Donna é filha de alquimistas, e desde que seu pai morreu e sua mãe passou a ser completamente incapaz de lidar com qualquer pessoa,  a Ordem do Dragão comanda sua vida. Sua guarda pertence a sua tia Paidge, contudo, a inegável relação próxima entre Paidge e a Ordem faz com que Donna vincule a tia a algo mais governamental que fraternal. O ocorrido em seu passado também é o motivo pelo qual ela usa luvas. Ao salvá-la dos malignos Elfos das Trevas, seu pai não foi capaz de impedir que as criaturas fizessem grandes estragos em suas mãos e braços. Devido aos ferimentos, Donna foi levada ao Criador, um velho alquimista engenhoso que salvou seus membros reconstruindo-os com ferro e prata. Como tatuagens que tinham um padrão singular e às vezes resolviam mudar de posição.

O livro começa com Donna indo a uma festa de colegial na qual não queria comparecer. Seu melhor amigo Navin a convenceu por simples insistência. Confesso que simpatizei com ele. É um personagem fácil de gostar. Apesar do seu jeito ligeiramente nerd que parece sempre rondar os ditos melhores amigos, Navin não deixa de chamar a atenção do pessoal popular da festinha - e esse é o ponto genial. É aí que conhecemos Xan - o menino bonito - e enfim percebemos (logo de cara, sério), que talvez ele seja mais do que apenas um cara terrivelmente irresistível. Não só talvez, ele é.

A relação de Donna com Xan inicialmente me pareceu suspeita e forçada. Donna jamais contara seus segredos a ninguém - nem mesmo a Navin - e quando enfim se sente obrigada a contar o passado, jorra não só no melhor amigo como também em Xan - um cara que acabou de conhecer. Os acontecimentos são num ritmo acelerado, mas mesmo assim senti como se as intenções dele não fossem boas. A troca que ele sugere - de informações e segredos - não me convenceu. Donna se sente impelida a narrar sua história, coisa que eu teria pensado duas vezes antes de fazer numa situação parecida.

Contudo, Donna não é uma protagonista irritante. Ela é bem construída, e por vezes me surpreendeu, ultrapassando minhas próprias suposições. Ela liga os pontos de um modo inteligente, de um jeito natural, que não faz com que o leitor fique perdido e muito menos se sinta frustrado. O modo como conta sobre a Ordem - seus integrantes, o líder Quentin, o braço direito Simon - me fez ficar curiosa durante o livro todo. Ela analisa as atitudes de cada um ali tão atentamente que eu tenho a certeza de que jamais pensaria de tal forma quando sob pressão  (como ela sempre parece estar).

No fim, o livro é bom. Como eu disse, apesar dos poucos pontos em que me senti incomodada, a história surpreende. Você nota que há um mistério, mas não consegue resolvê-lo sozinho. Precisa da ajuda de Donna, e ela sabe realmente analisar certas coisas que talvez você nem tenha notado. 
   
Classificação:

(4/5 conversinhas)

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Em outros bares: O que tem de interessante por aí? #2

por Paulo Vaughan

Vocês viram a postagem sobre outros posts super legais que tem por aí em outros blogs que a Dana fez semana passada? Então, agora, todas as quartas-feiras, vocês verão por aqui o EOB. E para a segunda edição da coluna, trouxe alguns posts de blogs literários, confira!


>>>Livros Paradidáticos: Minhas Escolhas - NatPuga
A Natália, autora do blog NatPuga, fez no início do mês um post muito legal sobre livros paradidáticos. Não adianta mentir, você, leitor, pelo menos uma vez na vida queria passar longe de um livro só porque ele era paradidático. Pois é, praticamente todo mundo torce o nariz para essa literatura que as escolas nos obrigaram a ler. Aí a Nathalia indicou alguns livros que ela adoraria (e eu também, hahaha) que fossem leitura obrigatória nas escolas.

>>>Coração de Tinta - Cornelia Funke - Literalmente Falando
Esse é uma resenha muito linda que a Iris Fiqueiredo fez sobre "Coração de Tinta", primeiro livro da série "Mundo de Tinta". Eu ainda não li o livro, mas depois dessa resenha dá muita vontade de ler. De acordo com o que ela disse na resenha,  o livro parece ser perfeito para todos vocês que, assim como eu, são bookaholics. Recentemente, a Cia. das Letras lançou também "A Maldição da Pedra", primeiro livro da nova série da autora e ilustradora de "Mundo de Tinta", Cornelia Funke.

>>>A vida imita a ficção: Líbia vs Hunger Games - Nem Um Pouco Épico
Esse post é de março, mas vale MUITO a pena divulgar. Obviamente, de lá para cá a situação da Líbia mudou muito, mas essa análise feita pela Bell é fantástica. Mesmo que você não seja fã de 'Jogos Vorazes' ou não tenha lido os livros da trilogia, esse post vale a pena porque o texto é muito bem construído - mas tenha cuidado porque tem spoilers. E dá para perceber que a equipe do NUPE também é super fã de THG, vejam os posts deles sobre o cast do filme, do trailer e até uma comparação de uma música com a relação Peeta e Katniss.

>>>Novidades Nacionais de 2012 - Editora Underworld
E, para terminar, trouxemos o post que a Fabi da Underworld fez no blog da editora sobre os lançamentos nacionais para 2012. Mesmo que a editora peque um pouco no quesito revisão, eles lançam livros muito bons. E eles apostam muito nos novos talentos da literatura brasileira, o que tem acontecido pouco nas grandes editora do país atualmente. Ano que vem veremos novos livros dos autores que eles já publicaram (Nanuka Andrade, Mônica e Monique Sperandio e Luiza Salazar) e livros de novos autores (Christine M., Paulo F. e Duda Falcão), confiram.


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