por Igraínne Marques
- Livro: A Bruxa de Ferro
- A Bruxa de Ferro: Volume 1.
- Autora: Karen Mahoney
- Editora: Underworld
- No skoob
- Continua em: The Wood Queen
- OBS: O livro faz parte de uma trilogia cujo segundo volume ainda não foi lançado no Brasil. Você pode ver as capas de The Wood Queen aqui.
Mini-crítica:
A Bruxa de Ferro é um livro YA sobrenatural com um enredo já bem conhecido por aí. Contudo, isso não faz da história algo clichê, como achei que seria. O fato de a temática "fantasia, melhor amigo e gato irresistível" estar presente não provocou uma decepção em mim, muito pelo contrário. A autora soube usar os elementos repetitivos a seu favor, de um modo que os mistérios que aparecem não ficam óbvios. O fato de a protagonista não ser perfeita realmente me atraiu. Somando isso à questão de que Xan (o menino bonito), também não possui apenas beleza, o livro virou uma montanha de situações bem construídas.
Donna Underwood é uma menina de 17 anos que vive usando luvas. Ela as usa para tudo, as tira somente quando vai para a cama. O mistério por trás do tecido sempre intrigou a todos a sua volta, inclusive o pessoal do seu antigo colégio. Sim, antigo, porque recentemente ela foi expulsa de lá. Donna costuma chamar o ocorrido de "Incidente", o que me fez ficar um pouco incomodada, uma vez que eu não achei que o "Incidente" em si correspondia ao que eu imaginei. Para falar a verdade, me pareceu que a autora precisava de um acontecimento para colocar a protagonista para fora do recinto e inventou um fracamente convincente. De qualquer forma, Donna ainda podia entrar na Ironbridge High School depois disso; mas apenas para realizar as provas. Suas aulas eram sempre em outro local, com uma professora que era mais voltada para o seu mundo.
Esse mundo de que falo é um universo invisível ao restante das pessoas. Donna é filha de alquimistas, e desde que seu pai morreu e sua mãe passou a ser completamente incapaz de lidar com qualquer pessoa, a Ordem do Dragão comanda sua vida. Sua guarda pertence a sua tia Paidge, contudo, a inegável relação próxima entre Paidge e a Ordem faz com que Donna vincule a tia a algo mais governamental que fraternal. O ocorrido em seu passado também é o motivo pelo qual ela usa luvas. Ao salvá-la dos malignos Elfos das Trevas, seu pai não foi capaz de impedir que as criaturas fizessem grandes estragos em suas mãos e braços. Devido aos ferimentos, Donna foi levada ao Criador, um velho alquimista engenhoso que salvou seus membros reconstruindo-os com ferro e prata. Como tatuagens que tinham um padrão singular e às vezes resolviam mudar de posição.
O livro começa com Donna indo a uma festa de colegial na qual não queria comparecer. Seu melhor amigo Navin a convenceu por simples insistência. Confesso que simpatizei com ele. É um personagem fácil de gostar. Apesar do seu jeito ligeiramente nerd que parece sempre rondar os ditos melhores amigos, Navin não deixa de chamar a atenção do pessoal popular da festinha - e esse é o ponto genial. É aí que conhecemos Xan - o menino bonito - e enfim percebemos (logo de cara, sério), que talvez ele seja mais do que apenas um cara terrivelmente irresistível. Não só talvez, ele é.
A relação de Donna com Xan inicialmente me pareceu suspeita e forçada. Donna jamais contara seus segredos a ninguém - nem mesmo a Navin - e quando enfim se sente obrigada a contar o passado, jorra não só no melhor amigo como também em Xan - um cara que acabou de conhecer. Os acontecimentos são num ritmo acelerado, mas mesmo assim senti como se as intenções dele não fossem boas. A troca que ele sugere - de informações e segredos - não me convenceu. Donna se sente impelida a narrar sua história, coisa que eu teria pensado duas vezes antes de fazer numa situação parecida.
Contudo, Donna não é uma protagonista irritante. Ela é bem construída, e por vezes me surpreendeu, ultrapassando minhas próprias suposições. Ela liga os pontos de um modo inteligente, de um jeito natural, que não faz com que o leitor fique perdido e muito menos se sinta frustrado. O modo como conta sobre a Ordem - seus integrantes, o líder Quentin, o braço direito Simon - me fez ficar curiosa durante o livro todo. Ela analisa as atitudes de cada um ali tão atentamente que eu tenho a certeza de que jamais pensaria de tal forma quando sob pressão (como ela sempre parece estar).
No fim, o livro é bom. Como eu disse, apesar dos poucos pontos em que me senti incomodada, a história surpreende. Você nota que há um mistério, mas não consegue resolvê-lo sozinho. Precisa da ajuda de Donna, e ela sabe realmente analisar certas coisas que talvez você nem tenha notado.
Classificação:
(4/5 conversinhas)
