Já que outubro é o mês do Halloween, que muito antes de ser Dia das Bruxas ou exaltação do terror era um culto aos mortos, nada melhor do que a indicação do blog ser a de um livro com aqueles mortos que continuam circulando por aí: os zumbis*.
* Vampiros também são mortos que continuam por aí, mas eles têm brilhado demais ultimamente e é melhor dar espaço para os outros.
E antes que você classifique como terror ou use qualquer preconceito, deveria dar uma chance a eles.
Informações:
Apocalipse Z – O Princípio do Fim
Autor: Manel Loureiro
Editora: Planeta
O livro tem continuação (o segundo é Dias Escuros, já lançado no Brasil), mas tem a própria história bem completa e não pede muito uma sequência (apesar dela também ser muito boa).
Sobre o que é e por que ler
Apocalipse Z é o diário de um cara sobrevivendo a um mundo que está sendo tomado por zumbis. Ele e seu gato, é claro. A história começa sendo contada através do blog do personagem principal, que por causa de uma terapia foi aconselhado a escrever sobre a própria vida. No blog ele comenta o que esteve fazendo e o que viu de interessante no jornal, até que notícias de um tipo em especial começam a se destacar. Quando ele (e o mundo inteiro) percebe que algo muito errado está acontecendo já é tarde demais. É como se naquela época da gripe suína você visse aquelas notícias e um belo dia ao abrir a porta de casa descobrisse que o prato preferido do seu vizinho virou você. “Ah, mas a gripe suína não foi nada demais”, o senhor advogado narrador de Apocalipse Z também achava isso, até que um belo dia...
Continuando a história: Então, quando a luz acaba ele passa a escrever no papel mesmo. Se antes ele precisava de terapia, imagine cercado por zumbis e completamente sozinho. Nós continuamos a saber toda a história através dos relatos dele, pulando dias e precisando aguentar a expectativa do “agora eu vou tentar fazer isso” até o próximo relato (que vem na página seguinte, mas).
O livro tem uma narração sincera, divertida e cheia de sarcasmo feita por um cara que está completamente fodido. E se você não gosta de palavrões... Bem, o livro é um ótimo exemplo de uso literário-expressivo dos palavrões.
E não termina aí, o livro é cheio de ação e situações de tirar o fôlego. Muito mais excitante do que a maioria desses filmes e videogames por aí. O ritmo do livro é intenso, assim como a vida pacata de qualquer um perdido entre hordas de mortos-vivos.
O narrador-personagem merece um comentário a parte, porque é bem diferente do comum. Na verdade, ele é bem comum. É como você assistindo aquele filme tenso e quase se enfiando entre as almofadas do sofá, tendo um ataque e gastando seu estoque de palavrões em vez de aparecer como o mocinho na tela, bonitão, forte, todo no estilo do herói e passando pelos sustos tranquilamente. *O que não faz dele um covarde idiota, como o “bonitão” poderia dizer.
Curiosidades:
É tão viciante que você nem percebe direito que só tem um personagem na maior parte do livro e quase não tem diálogos.
Só pra me contradizer: Lúculo, o gato dele, é outro personagem marcante que contribui para a história.
Talvez você tenha estranhado eu não falar o nome do personagem principal, mas é porque não diz mesmo.
É um livro que te pega porque é como se fosse uma conversa com você. Em grande parte, você é o outro personagem. Além disso, segue um ritmo muito de pensamento: quem já não ficou “falando” sozinho?
O livro começou mesmo em um blog, mas fez tanto sucesso que publicaram a história completa e até foi traduzido para outras línguas (Essa última parte não teria significado nenhum se o autor não fosse espanhol. Quantos livros recentes do estilo e espanhóis você leu?).
"Prova" do livro. Clique aqui e leia um trecho.

