Hoje eu vim aqui fazer um extra para falar sobre aquele pensamento que já passou pela cabeça de qualquer pessoa que tentou escrever algo legal: O que eu estou escrevendo está uma m%#@. Isso basicamente acontece quando você está escrevendo e decide começar a pensar, chegando a conclusão de que você nunca colocaria essa porcaria ao lado de um livro da J.K Rowling. Até a Stephenie Meyer faz algo bem feito. Você vai apagar tudo e ler 50 Tons de Cinza. Adeus carreira literária.
Talvez você escreva muito mal mesmo, ou talvez seja só o seu cérebro funcionando.
Pelo menos eu sempre tive uma imagem meio idealizada de um escritor. Aquele cara pensativo, que vai pra uma cabana isolada, pra fazenda ou pra uma casinha de sapê. Lá ele faz alguma mágica e pronto: eis a nova obra de arte.
Talvez isso seja culpa dos filmes? Lá escritores são só aqueles caras que estão escrevendo sem parar ou com bloqueio criativo (e só aí eles são interessantes).
Então, por um bom tempo eu achei que era isso escrever uma história. Ou só assim. Ninguém estava falando "Sim, minha filha, isso é fazer um livro. Isso e toda a parte depois." E é agora que você me pergunta, nem que seja por educação, que parte é essa.
E então é agora eu te respondo, seu preguiçoso safado, vai descobrir isso sozinho! Eu tive que me virar!!! Ou não. Talvez eu simplesmente responda. É, eu vou responder...
Essa parte depois é quando você revisa edita revisa edita revisa edita revisa edita revisa (...) até você pensar "É isso!" (e é um avanço extraordinário da fase inicial pra cá). Você não precisa escrever o livro perfeito da primeira vez, o diálogo não precisa estar impecável, a motivação não precisa estar tocante e você não precisa saber o nome do personagem A (alías, se for um livro de suspense, "A" já está perfeito para começar). Pode ser que isso tudo aconteça, parabéns, publique e fique rico. Mas se isso não acontecer, que se dane.
Por quê? Porque você está escrevendo por algum motivo, alguma história que você quer ver acontecer e/ou alguma coisa que você quer transmitir. Então coloque isso no papel.
Roubando na cara de pau o exemplo ótimo do John Green (é, o autor de A Culpa é das Estrelas): é como fazer uma escultura, primeiro você vai lá pegar o barro no puro trabalho braçal, depois você vai empilhar tudo até fazer um "morro" de certa altura. Nesse primeiro momento, para quem quer uma escultura perfeita você vai ter um ótimo monte de barro. Depois disso é que você vai começar a esculpir e esculpir e esculpir. Ou seja, primeiro você baixa o santo e manda tudo pro papel e, a não ser que você tenha incorporado o Shakespeare, provavelmente vai ter um monte de letras esperando uma boa edição.
Eu fiz esse post porque, além de pedir para o seu editor-interno literário ir pastar nessa primeira parte, eu queria mostrar pra vocês a parte de agradecimentos do livro "Brooklyn, Burning" do Steve Brezennoff [Resenha em breve, no CC mais perto de você!]. Com ela dá para ter uma boa ideia de como a história foi melhorada através do tempo (Ah! E Igor, guarda isso que eu vou usar no post respondendo seu comentário!).
Obrigado primeiro, mais uma vez, a Andrew e Edward. Eu acho que nós fazemos um bom trio de crítica literária, musical e culinária. Vamos fazer isso outra vez em breve.
(...)
Obrigado ao Loft, por existir, e o meus amigos das aulas do Loft, os primeiros a lerem isso, provavelmente antes disso valer a pena ser lido. Obrigado aos escritores de Minnesota, que eu tive o prazer de conhecer e de trabalhar durante os últimos anos; é maravilhoso fazer parte de uma comunidade tão forte e presente, especialmente os escritores de literatura para jovens.
Alguns dos primeiros leitores desse livro - em seus primeiros rascunhos: antes mesmo de ter um incêndio - foram do meu grupo de escrita online que durou pouco: Josh Berk, Jonathan Roth, Kurtis Scarletta e Jon Skovron. Eles me ajudaram a ver que duas crianças rodando pelo Brooklyn não era uma história. Obrigado pelas observações, galera.
Obrigado a duas outras comunidades também (...). Como autores conseguem sobreviver sem esse suporte está além do meu conhecimento.Obs: Esse incêndio que ele fala é um elemento muito importante pra toda história e nem tinha no começo!!!
Autores famosos que melhoraram depois: O John Green já falou que em "Quem é você, Alasca?" a fixação do personagem por palavras finais só entrou mais tarde. No início não havia tanto do romance Gale-Katniss-Peeta em Jogos Vorazes (aliás, a Suzanne Collins já falou que tem problema em cenas com descrição, então ela provavelmente teve um esforço extra reescrevendo essas cenas). No início de Harry Potter, não era nem um trio principal. Patrick Rothfuss, autor de "O Nome do Vento", diz que demora muito a escrever porque no final de cada trecho revisa mil vezes. E por aí vai, todo autor deve ter a própria história de edição.


