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domingo, 9 de dezembro de 2012

[Clube de Escrita] Epílogo NaNoWriMo, por Patrick Rothfuss


Olá, senhoras e senhores! Parece que o Clube de Escrita está mais frequente do que se imaginava, né? E dessa vez mais um post sobre o NaNoWriMo! Mas um post diferente, para falar a verdade. É que essa semana eu encontrei um post no blog do Patrick Rothfuss (autor de "O Nome do Vento"), em que ele fazia um epílogo sobre sua participação do NaNoWriMo. A tradução você vê abaixo.

Só para dar um contexto: No início do texto ele faz referência a um outro post, que foi onde ele respondeu se já havia participado do NaNoWriMo. A pessoa que perguntava meio que dizia "oh, com sua escrita tão elaborada e bem feita, você provavelmente não consegue escrever 50.000 palavras em um mês". Ele tomou isso como um desafio e decidiu participar. Além disso, ele sempre teve certo preconceito com o projeto e se dizia "eu sou um autor de verdade, não preciso de coisa assim". Palavras dele.

E João Pedro F. Gomes! Lembra que você perguntou em um comentário se deveria abandonar o seu projeto e começar outro que bateu a ideia? Eu vou responder lá, mas acho que esse post pode te ajudar. 

Patrick Rothfuss: Epílogo, NaNoWriMo

Então, no mês passado eu fiquei irritado e decidi tentar o NaNoWriMo.

Eu comecei essa experiência cheio de confiança. Apesar do fato de que eu estava começando com uma semana de atraso, eu tinha certeza de que seria capaz de conseguir, disparar além das 50.000 palavras, e ainda ter tempo para fazer um delicioso sanduíche, inventar uma máquina de perétuo movimento e lutar contra um urso antes do final de novembro.

Afinal, eu pensei comigo mesmo. Eu não sou um autor conhecido? Não fui eu que publiquei mais de meio milhão de palavras em livros? E não sou eu, de fato, Patrick Rothfuss, autor de best-seller internacional, polímata e iconoclasta?

No calor do momento eu esqueci que, além de ser essas coisas, eu sou Pat Rothfuss, que levou 14 anos para publicar seu primeiro livro, e quatro para publicar seu segundo. E enquanto * Patrick Rothfuss * parece muito bom no papel, * Pat * Rothfuss é, no seu coração, um preguiçoso, um diletante e um rufião. Além do mais, eu sou propenso a revisão obsessiva e um certo grau de enrolação linguística.

Então, vamos pular direto para o fim da história. Eu ganhei o NaNoWriMo?

Bem, há duas respostas para isso.

Se por "ganhar" você quer dizer "você conseguiu escrever 50.000 palavras até o final do mês?", a resposta é um sonoro "não".

Não só não escrevi 50.000 palavras, mas eu quebrei praticamente todas as regras NaNoWriMo desde o início.

Você supostamente deve começar um romance e ficar nesse projeto até o fim do mês. Você supostamente deve sempre ir em frente, nunca olhar para trás, sem nunca parar de revisar.

Eu não fiz nenhuma dessas coisas. Isto é, em parte, porque eu sou uma pessoa contrária. (Veja acima, em iconoclasta.) Mas também é porque eu prefiro a aderir ao espírito da lei e seguir à letra dela. E, para mim, o espírito de NaNoWriMo é escrever 50.000 palavras.

Isso eu não fiz. Eu estava com cerca de 15.000 palavras. Portanto, não importa se você considera o espiríto ou a letra da lei, eu sou um perdedor.
(Woo! Perdedores do NaNoWriMo se unam!)
Apesar do fato de eu não ter atingido a marca de 50.000. Eu considero a experiência um enorme sucesso. Por quê?

  • Eu me diverti.

A escrita é geralmente uma atividade muito isolacionista. Ir no site do NaNoWriMo todos os dias e ver como as outras pessoas estavam indo ver escrever parecer apenas um *pouco* mais social. Claro, eu passava horas sozinho em um quarto, mas eu estava gastando todo esse tempo sozinho com outras pessoas. Se isso faz algum sentido para você.

Por exemplo, descobri muito cedo que Veronica Belmont estava escrevendo pela primeira vez um livro este ano. Então, eu circulei por lá e vi as estatísticas dela.

(Clique para aumentar)
Especificamente, aqui está o gráfico que mostra quantas palavras ela escreveu todos os dias:



Vê as linhas poderosas? Vê como ela está conseguindo acompanhar desde o primeiro dia?

Isso significa que ela tem escrito as 1,667 palavras que você precisa escrever todo dia para alcançar 50,000 no final do mês.

Em comparação, vamos olhar para o meu gráfico:

(Imagine o barulho triste de um trombone de desenho aqui. Wah-wah...)

Eu *realmente* comecei com uma semana de atraso. Mas, mesmo assim, você tem que admitir que meu gráfico parece .... hum .... triste. Poderíamos até chamá-lo de "miserável" ou "doentio." Uma pessoa particularmente mordaz pode até usar a palavra, "flácido".

Eu não usaria essa palavra, você usaria? Mas alguém poderia.

Quando entrei em contato com Veronica para ver se estava tudo bem eu usar o gráfico dela no meu futuro post, ela disse algo como, "Não tem problema. Obrigada por me lembrar que eu preciso começar a escrever hoje. Eu realmente deveria parar de jogar Skyrim... "

Seu comentário epontâneo me deixou queimando de vergonha e fúria. Ela estava me deixando pra trás E JOGANDO SKYRIM AO MESMO TEMPO?

Cheio de vergonha, eu escrevi 15.000 palavras durante os próximos quatro dias.


Não foi o suficiente para chegar às 50.000 palavras. Mas foi o suficiente para que eu pudesse terminar o mês com a minha cabeça erguida.

Então, não foi só divertido. Foi motivador também.

  •  Eu tenho um monte de coisas escritas.

Não importa como você o faria, eu tenho 35 mil palavras em três semanas.

Eu fiz um grande avanço em um projeto que eu venho adiando por um tempo, comecei outro, e terminei um terceiro todo.

É uma sensação boa, terminar esses projetos menores. E como um bônus, isso significa que vocês vão ver algumas outras histórias no próximo ano, enquanto eu ainda estou bem longe do terceiro livro.

  • Eu aprendi muito.

Em torno do dia 10 eu me peguei pensando coisas como:

Eu escrevi 700 palavras hoje, quando eu estava respondendo e-mail dos fãs. Isso conta como a escrita, certo?

Para o que eu tinha que responder a mim mesmo: Não. Não é realmente escrever.

E sobre o e-mail que eu escrevi para meu editor e agente? Isso conta como a escrita, certo?

Não. Você está digitando palavras, e é parte de seu trabalho. Mas não é trabalhar em uma história publicável.

E sobre as perguntas que eu respondi no meu fórum de tradução?

Ummmm. Não. não conta. Não está produzindo material novo.

E sobre o blog de mil palavras que eu escrevi? Essa é uma história. Mais ou menos. E é material novo.

Não. Cale a boca. Cale a boca e escreva.

Em última análise, isso me fez vir a enfrentar uma verdade platônica: Apenas a escrita real é estar escrevendo.

Outras coisas que aprendi:

  • Eu não preciso de uito tempo para obter a escrita bem feita.

Normalmente eu gosto de ter 3-4 horas livres para escrever. Mas apenas 30 minutos pode ser produtivo se eu me esforçar.

  • Você sempre pode encontrar uma razão para não escrever.

Às vezes, são grandes motivos. Você quer passar o tempo com seu bebê adorável. Você tem que fazer uma viagem de negócios. Talvez você esteja tentando obter o seu incrível fundo anual organizado.

Mas sabe, sempre vai ter algo acontecendo. Você está cansado. Você está com gripe. Seu companheiro de quarto está sendo um saco. Sua namorada quer namorar. Você acabou de descobrir um jogo de defender torres legal...

Você pode deixar essas coisas te impedirem de escrever, ou você pode escrever. É simples assim.

  • Eu posso escrever mil palavras em uma hora.

Em um dia memorável, eu sentei sabendo que eu tinha que encontrar Sarah em breve. Durante a hora que eu pude trabalhar, eu escrevi mil palavras. Me senti muito bem.

Mais tarde naquele dia eu voltei para o computador e trabalhei na revisão da história. Eu trabalhei por 3 horas e no final eu tinha cerca de 250 palavras.

Não me arrependo de ter tomado o tempo para revisão. A contagem de palavras pode ser impressionante, mas a revisão é vital para uma boa história. Essas 250 palavras eram realmente importantes.

  • Eu aprendi que eu posso escrever uma história inteira de uma vez só.

(Esta foi, de longe, a parte mais legal de NaNoWriMo para mim.)

Era o último dia de novembro, e eu tinha me prendido a um canto. Eu não tinha ido bem em escrever minhas diárias 1.667 palavras, e eu estava pagando por isso. Eu estava apenas com 32 mil palavras para o mês e me sentindo envergonhado.

Escrevi até tarde da noite, então dormi no meu escritório. Acordei cerca de sete horas depois e sentei de volta na frente do computador.

Abri a história que eu mais trabalhei durante o mês (é uma novela, passada no meu mundo). Foi quando me lembrei de uma pequena ideia que eu tive um dia antes, quando eu estava voltando para casa.

A ideia fez cócegas em mim. Então ao invés de potencialmente esquecer, eu abri um novo arquivo e anotei. Eu anotei a primeira linha da história, também. E o primeiro par de frases.

Então eu terminei a cena de introdução. Então eu fiz a segunda cena também, porque era curta, e era óbvio na minha cabeça.

E uma vez que as coisas estavam indo bem, eu fiz uma outra cena. E então eu vi a forma como mais ou menos deveria seguir. E eu estava me divertindo, e isso estava se tornando muito legal, então eu fui em frente e comecei a escrever isso também...

Eu sabia que deveria estar retornando à minha novela para que eu pudesse seguir alguma trilha. Eu não ia ter muitas palavras com a minha nova história. Era estilística, o ponto de vista era estranho, e a linguagem era muito simples. Mas ela foi se tornando realmente bom....

Depois que eu terminei metade da história, eu percebi que seria estúpido eu fazer outra coisa senão escrever até o final. Porque eu sabia exatamente onde estava indo.

Então, eu terminei. Começo ao fim, isso levou sete horas e meia. Eu estava exausto e animado. Eu nunca tinha feito nada parecido antes.

Esse último dia meio que resume a minha experiência inteira com o NaNoWriMo. Tecnicamente, eu falhei, porque eu não coloquei para fora um grande número de palavras. Mas, realisticamente, apertei com tudo o botão e ganhei o grande elefante rosa felpudo.

E você quer saber a parte engraçada?

Você quer saber o a contagem final dessa história?

1667 palavras.

Sem brincadeira.

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>

Espero que tenham gostado da tradução tanto quanto eu! O texto e as imagens foram retirados do blog dele, que você pode ver aqui. 

Sobre o Patrick Rothfuss e o livro: talvez você não conheça "O Nome do Vento" pelo nome, ou talvez não seja ligado no mundo da fantasia, mas o livro é bem famoso e reconhecido. É o primeiro de uma trilogia e eu indico você conhece pela minha resenha de "O Temor do Sábio" (o segundo). Foi uma das minhas maiores descobertas nesse ano.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

[Clube de Escrita] Isso está uma m%#@


Hoje eu vim aqui fazer um extra para falar sobre aquele pensamento que já passou pela cabeça de qualquer pessoa que tentou escrever algo legal: O que eu estou escrevendo está uma m%#@. Isso basicamente acontece quando você está escrevendo e decide começar a pensar, chegando a conclusão de que você nunca colocaria essa porcaria ao lado de um livro da J.K Rowling. Até a Stephenie Meyer faz algo bem feito. Você vai apagar tudo e ler 50 Tons de Cinza. Adeus carreira literária.

Talvez você escreva muito mal mesmo, ou talvez seja só o seu cérebro funcionando. 

Pelo menos eu sempre tive uma imagem meio idealizada de um escritor. Aquele cara pensativo, que vai pra uma cabana isolada, pra fazenda ou pra uma casinha de sapê. Lá ele faz alguma mágica e pronto: eis a nova obra de arte.

Talvez isso seja culpa dos filmes? Lá escritores são só aqueles caras que estão escrevendo sem parar ou com bloqueio criativo (e só aí eles são interessantes). 

Então, por um bom tempo eu achei que era isso escrever uma história. Ou só assim. Ninguém estava falando "Sim, minha filha, isso é fazer um livro. Isso e toda a parte depois." E é agora que você me pergunta, nem que seja por educação, que parte é essa.

E então é agora eu te respondo, seu preguiçoso safado, vai descobrir isso sozinho! Eu tive que me virar!!! Ou não. Talvez eu simplesmente responda. É, eu vou responder...

Essa parte depois é quando você revisa edita revisa edita revisa edita revisa edita revisa (...) até você pensar "É isso!" (e é um avanço extraordinário da fase inicial pra cá). Você não precisa escrever o livro perfeito da primeira vez, o diálogo não precisa estar impecável, a motivação não precisa estar tocante e você não precisa saber o nome do personagem A (alías, se for um livro de suspense, "A" já está perfeito para começar). Pode ser que isso tudo aconteça, parabéns, publique e fique rico. Mas se isso não acontecer, que se dane.

Por quê? Porque você está escrevendo por algum motivo, alguma história que você quer ver acontecer e/ou alguma coisa que você quer transmitir. Então coloque isso no papel.

Roubando na cara de pau o exemplo ótimo do John Green (é, o autor de A Culpa é das Estrelas): é como fazer uma escultura, primeiro você vai lá pegar o barro no puro trabalho braçal, depois você vai empilhar tudo até fazer um "morro" de certa altura. Nesse primeiro momento, para quem quer uma escultura perfeita você vai ter um ótimo monte de barro. Depois disso é que você vai começar a esculpir e esculpir e esculpir. Ou seja, primeiro você baixa o santo e manda tudo pro papel e, a não ser que você tenha incorporado o Shakespeare, provavelmente vai ter um monte de letras esperando uma boa edição.

Eu fiz esse post porque, além de pedir para o seu editor-interno literário ir pastar nessa primeira parte, eu queria mostrar pra vocês a parte de agradecimentos do livro "Brooklyn, Burning" do Steve Brezennoff [Resenha em breve, no CC mais perto de você!]. Com ela dá para ter uma boa ideia de como a história foi melhorada através do tempo (Ah! E Igor, guarda isso que eu vou usar no post respondendo seu comentário!).
Obrigado primeiro, mais uma vez, a Andrew e Edward. Eu acho que nós fazemos um bom trio de crítica literária, musical e culinária. Vamos fazer isso outra vez em breve.
(...)
Obrigado ao Loft, por existir, e o meus amigos das aulas do Loft, os primeiros a lerem isso, provavelmente antes disso valer a pena ser lido. Obrigado aos escritores de Minnesota, que eu tive o prazer de conhecer e de trabalhar durante os últimos anos; é maravilhoso fazer parte de uma comunidade tão forte e presente, especialmente os escritores de literatura para jovens.
Alguns dos primeiros leitores desse livro - em seus primeiros rascunhos: antes mesmo de ter um incêndio - foram do meu grupo de escrita online que durou pouco: Josh Berk, Jonathan Roth, Kurtis Scarletta e Jon Skovron. Eles me ajudaram a ver que duas crianças rodando pelo Brooklyn não era uma história. Obrigado pelas observações, galera.
Obrigado a duas outras comunidades também (...). Como autores conseguem sobreviver sem esse suporte está além do meu conhecimento.
Obs: Esse incêndio que ele fala é um elemento muito importante pra toda história e nem tinha no começo!!!

Autores famosos que melhoraram depois: O John Green já falou que em "Quem é você, Alasca?" a fixação do personagem por palavras finais só entrou mais tarde. No início não havia tanto do romance Gale-Katniss-Peeta em Jogos Vorazes (aliás, a Suzanne Collins já falou que tem problema em cenas com descrição, então ela provavelmente teve um esforço extra reescrevendo essas cenas). No início de Harry Potter, não era nem um trio principal. Patrick Rothfuss, autor de "O Nome do Vento", diz que demora muito a escrever porque no final de cada trecho revisa mil vezes. E por aí vai, todo autor deve ter a própria história de edição.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

[Resenha] O Temor do Sábio, de Patrick Rothfuss

por Dana Martins

- Livro: O Temor do Sábio
- A Crônica do Matador do Rei - Livro 2
- Autor: Patrick Rothfuss
- Editora: Arqueiro
- Comprar: Americanas, Saraiva, Fnac.
- No skoob
- Livro anterior: O Nome do Vento
- Continua em: "The Doors of Stone", ainda não lançado lá fora.






Mini-crítica: 
"É uma história medieval com um toque da fantasia, igualmente longe de um relato antigo do nosso mundo e de uma história de fantasia. E igualmente perto dos dois." Se você gostou do primeiro livro, vá com tudo nesse. É realmente melhor ainda. Kvothe já está na Universidade e conhecemos mais ainda o lugar e seus personagens.  E dessa vez ele ainda entra em umas encrencas que o fazem viajar e conhecer outras partes do mundo. Ele vai continuar sua busca pelo Chandriano, cantar para reis, caçar bandidos e virar mercenário. Se isso não é o bastante, saiba que ainda tem muito mais. Uma boa aventura para continuar conhecendo Kvothe, o Matador do Rei. A aventura certa para se perder nesse mundo de vez. "O Temor do Sábio" entrou para os meus favoritos. 

Quer saber mais? Clique abaixo para conferir a resenha completa.

O ruim de falar de um primeiro livro antes de ter conhecido a série é que você não tem ideia do que ela pode ser. Muitas vezes o primeiro livro é só uma introdução, ou simplesmente não mostra o potencial de toda a história. Eu me sinto meio que assim com A Crônica do Matador do Rei. O primeiro livro, "O Nome do Vento", encaixa como uma luva nesse, "O Temor do Sábio". Mas ainda assim, pode desiludir a pessoa a ir até o segundo, o que é uma pena.

Quando eu terminei o primeiro, meio feliz e meio cansada, vi gente falando que o segundo era "ainda melhor!". Fiquei um pouco desconfiada, porque normalmente pessoas entusiasmadas dizem isso. Mas agora concordo com elas: O Temor do Sábio é ainda melhor.

No primeiro, tivemos longos momentos até a chegada à Universidade, que é quando tudo começa a dar certo. Enquanto no segundo, nós já estamos dentro da história. Kvothe está na Universidade, nós conhecemos mais ainda o lugar e seus personagens (as conversas entre amigos são tão naturais que lembram aos diálogos do John Green). Depois ele ainda vai parar em uma aventura atrás da outra, cada uma peculiar e com um resultado.

em um relacionamento sério com a arte do livro
Com essas aventuras que eu lembrei de livros como Eragon, Percy Jackson, A Bússola de Ouro... Mas há algumas diferenças importantes. Na maioria desses livros, nós temos uma missão clara: ele precisava salvar o mundo. Enquanto nesse o objetivo é a construção do personagem. Outra coisa é que durante essas aventuras os personagens sempre encontram povos diferentes, tipo elfos ou anões. "O Temor do Sábio" me fez ver isso com outros olhos, de uma maneira menos estereotipada*. A história é toda bem elaborada, cada lugar tem uma tradição própria e um modo de pensar, cada personagem é mais particular ainda.
*Esterotipada tipo Elfo, função: ser elfo.

Eu tenho que falar um pouco mais sobre essa forma que as culturas são apresentadas, porque no livro isso é LINDO. O mundo que o Patrick Rothfuss criou fica ainda mais rico nesse segundo volume. A forma como ele coloca um povo, sua cultura e usa de choques de pensamento é muita boa. Valeria o livro só por causa do lugar onde Kvothe faz o treinamento (quando ler, você vai saber do que eu estou falando). E não é de uma forma enrolada ""adulta"", sabe? É até em um estilo young adult que serve para qualquer jovem.

Agora que você já está no clima, é muito mais fácil embarcar na história de Kvothe e conseguir ver como tudo é bem feito. O livro não é só uma história muito boa contada realmente muito bem, ele também é aula de filosofia, antropologia, história, química, física... Não é nem um pouco como ir para a escola, mas pode ser muito bem aproveitado se você quiser.

Além disso tudo, de quebra, Patrick Rothfuss continua transformando música e amor em palavras como só ele sabe.

Assassin's Creed

Errata: estou em um relacionamento sério com a arte do livro e a arte de Assassin's Creed
Eu tive uma experiência curiosa. Enquanto eu lia esse livro, comecei a jogar Assassin's Creed II. O jogo é da época do Renascimento na Itália, tem até o Leonardo DaVinci. E nesse jogo a construção do cenário e do figurino é muito boa. Já jogou GTA? Em vez de ser um negão mafioso andando por uma cidade atual, você é um assassino galanteador andando por cidades antigas da Itália (reproduzidas com bastante detalhe, há até lugares reais que eles colocam informação pra gente saber a história). Bem, o que vem ao caso é que é um cenário antigo, bem detalhado e até com roupa pensada na época. Tem até uns bardos irritantes que atrapalham o caminho. Não me assustaria se o Kvothe passasse andando por ali. Foi muito legal ver de "verdade" o mundo que eu estava conhecendo no livro.

O livro se passa no renascimento? Não é tão fixo assim, é tipo essas histórias medievais de fantasia que você não consegue dizer quando nem onde. Mas diria que tem um pouco disso na Universidade, que tem um pensamento mais parecido.


Classificação:


(5/5 conversinhas)


Os lindos da Arqueiro é que me deram a oportunidade de conhecer essa trilogia linda. MUITO obrigada! 


quarta-feira, 2 de maio de 2012

[Resenha] O Nome do Vento, de Patrick Rothfuss

por Dana Martins
- Livro: O Nome do Vento
- A Crônica do Matador do Rei - Livro 1
- Autor: Patrick Rothfuss
- Editora: Arqueiro
- Comprar: Submarino, Fnac, Ponto Frio.
- No skoob
- Continua em: "O Temor do Sábio" e "The Doors of Stone", ainda não lançado lá fora.







Mini-crítica: 
Game of Thrones de um só personagem, Harry Potter no passado, com um grande bardo e até participação especial de uma Alice [no País das Maravilha] dos esgotos. "O Nome do Vento" conta o início da vida de Kvothe, um desses grandes heróis de contos antigos que está perdido em uma pequena hospedaria, escondido enquanto os anos apagam seus feitos. O livro é dividido em três momentos diferentes, em que o personagem vai se definindo. O último e de maior destaque, da Universidade, é onde ele cresce como mago, músico e ainda descobre o amor. Apesar de começar devagar, a escrita bem trabalhada de Patrick Rothfuss compensa. Indicado para qualquer um que goste de histórias medievais que contam sobre a vida da pessoa (no caso, um herói em formação). Mesmo que apresente os seres retirados de algum inferno como qualquer Dragon Age (The Witcher e jogos do tipo), não é tanto para os mais novos*. É mais fácil gostar dos jovens adultos para cima.
*igual aos jogos citados, diga-se de passagem. A diferença é que para o livro a idade vem por causa de uma certa paciência e apreciação necessária para aproveitar, já os jogos é mais por causa da violência e sexo. 

Quer saber mais? Clique abaixo para conferir a resenha completa.

Esse é um dos livros que eu já tinha lido várias resenhas e foi isso que me convenceu a ler. Eu já tinha gostado da capa, mas eu achava que poderia não gostar tanto. Bem, nada do que eu li me deu ideia do que o livro realmente era e vou tentar evitar que vocês se enganem também.

Sinopse:
O livro começa a contar a história de Kvothe. Ele é um desses heróis de histórias contadas antigamente, mas o boca a boca estava desfazendo a sua verdadeira história e ninguém tinha certeza se ele fora um homem bom ou ruim, ou se algo daquilo fora verdade. O que realmente acontecera estava escondido bem fundo dentro do próprio Kvothe, que agora se fazia de um simples hospedeiro chamado Kote e se perdia aos poucos na própria máscara. Ficamos sabendo que ele está escondido, mas pouco é revelado sobre por que o grande herói se transformou naquilo. Entre os dias vazios da hospedaria, uma grande cronista acaba encontrando-o e convence Kvothe de contar sua verdadeira história. "Três dias", ele diz. "É o tempo que a história vai durar". "O Nome do Vento" é sobre o primeiro dia.

O primeiro dia abarca os primeiros anos da vida de Kvothe, até uns 16 anos. Nesse tempo, ele vai de uma grande trupe itinerante para a vida nas ruas de uma cidade cruel, até chegar à Universidade e começar a criar a própria fama.

Análise:
No início, a história vai devagar, mas para o final entra em um ritmo tão bom que chega a ser ruim o fim do livro "Logo agora que eu peguei o ritmo...". Em nenhum momento foi extremamente rápido e viciante, mas a leitura segue um ritmo bom e que tem a ver com o livro. Talvez você só precise de um pouco mais de força de vontade nas primeiras páginas.

Como eu disse, o livro é dividido em partes da vida dele. Três exatamente, que representam momentos diferentes. O primeiro, a parte da trupe, é onde ele começa a treinar simpatias e descobre a existência do "nome do vento", uma espécie de poder de chamar o vento como os grandes heróis das antigas histórias têm. É aí que ficamos sabendo o quanto ele é inteligente, nos desmanchamos diante do amor dos pais dele e o próprio Kvothe fixa seus objetivos.

A segunda parte é a que a atenção cai mais, porque o próprio Kvothe vira uma espécie de animalzinho. Ele não pensa e tudo o que faz é sobreviver à violência e à forme nos becos sujos da cidade. Me lembrou ao livro "A Passagem do Anjo", que também tem uma fase de transição em que o personagem fica na forma animal (lobisomem) e não pensa.

Quando ele finalmente consegue deixar isso para trás, chegamos à terceira parte. Ele não tem dinheiro, não tem nem roupas ou meios, mas quer ir para a Universidade. Ah, e sem falar que ele é novo demais.

Essa parte me lembrou muito a Harry Potter, porque é quase como se ele estivesse em uma escola de magia, precisando lidar com professores que não vão com a cara dele e tendo amigos. Mas não é de um jeito moderno e o universo do livro é mais aberto, já que ele pode ir e vir a vontade sem as regras e o isolamento de Hogwarts. Nessa parte ele está lindando com várias coisas, como o constante perigo de não conseguir pagar o próximo bimestre da Universidade e acabar se afastado dos estudos, a necessidade (e vontade) de avançar mais rápido do que os outros e a busca por criar uma grande imagem em torno de si. Ele ainda arranja tempo para criar um inimigo, ir atrás de uma garota especial e para a música.

Como você pode ver, essa parte é muito mais agitada. É nessa que estão as minhas partes preferidas, como uma em que Kvothe está tocando e você fica até sem fôlego. Estou falando sério, o autor consegue te fazer acompanhar as variações da música e as sensações. E, quando para, você sente muito mais o silêncio a sua volta. Lembro de estar lendo deitada e quando perceber estar sentada já.

Isso, é claro, vem de um dos pontos altos do livro: a escrita. Eu falei na resenha de "O Caderno de Maya" que quando eu comecei me fez lembrar do que realmente era ser escritor. Por acaso, acabei passando para outro que trouxe a mesma ideia. Patrick Rothfuss sabe como lidar com as palavras e transformá-las em sensações e imagens, além de ter um estilo próprio.

Tem duas coisas que eu adorei e quero destacar. A primeira é o romance. O autor consegue fazer uns casais tão legais. Se ele escrevesse um livro de romance seria lindo. Já a segunda são os diálogos, que às vezes são bem naturais e divertidos, principalmente nas conversas entre amigos. Só não coloco aqui porque os meus preferidos são spoilers, infelizmente.

Uma espécie de reclamação

Eu falei que nada tinha me dado uma ideia correta sobre o que o livro é, né? E algo que contribuiu bastante para a ideia errada é a sinopse do verso. O problema dela é que é mais uma sinopse para a trilogia inteira do que para o primeiro livro.
"Pouco a pouco, o passado de Kote vai sendo revelado, assim como sua multifacetada personalidade - notório mago, esmerado ladrão, amante viril, herói salvador, músico magistral, assassino infame."
Quem leu, pode encontrar sentido e até entender, mas a sinopse é feita para quem não leu e isso dá várias ideias erradas. O grande Kvothe ainda está sendo formado, nesse livro nós vemos como ele foi se transformando nisso. Eu também imaginei que ele seria desses com várias mulheres, quase um Jack Sparrow, mas ele está muito mais para um Edward da vida (idoso e virgem).

No início da sinopse também diz "Ninguém sabe ao certo quem é o herói ou o vilão (...) Na realidade, essas duas figuras se encontram em Kote", eu sei que é bonito falar assim, mas novamente dá ideia errada. Parece que é um desses livros que colocaram em destaque a ideia de herói e vilão, tipo Instrumentos Mortais, enquanto isso praticamente não faz a menor diferença.

Eu imaginava que era algo muito mais urbano, enquanto é mais rural. Se preferir, eu associava a Piratas do Caribe, enquanto esbarra em Game of Thrones (a série de TV, os livros eu ainda não pude ler).


Sobre a nota: Eu queria dar um 5, porque o autor é ótimo e a história também, mas não foi aquele livro que atingiu lá no fundo, sabe? Eu criei um carinho enorme pelo Kvothe, adorei a garota e a Universidade, mas faltou aquele "maravilhar". Me falaram que "O Temor do Sábio" é melhor ainda, vamos ver.

Classificação:



(4/5 conversinhas)



O livro foi um oferecimento da nossa parceira, a Arqueiro! Muito obrigada. E eu não sabia, no início do livro vem contando de onde saiu o nome "Arqueiro" e do criador da Sextante. Achei legal. :)




Então é isso, até a próxima!