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quinta-feira, 12 de julho de 2012

[Resenha] Alta Tensão, de Harlan Coben

por Igraínne Marques
- Livro: Alta Tensão
- Livro Único
- Autores: Harlan Coben
- Editora: Arqueiro
- Comprar: Submarino, Travessa, Saraiva.
- No skoob









Mini-crítica:
Alta Tensão é um livro de suspense, investigação, embora o protagonista não seja exatamente um detetive, ou sequer tenha o humor misterioso de um. Por alguns segundos, ele me lembrou o Sherlock Holmes, com suas frases de impacto que têm entrelinhas. Na verdade, a história começa com intriga em rede social (não sei qual é dessa onda de internet se metendo em livro, mas enfim), e acaba num jogo de mentiras familiares digna de novela mexicana. Myron Bolitar é um advogado com uma tendência *bem grande* em tentar descobrir os mistérios da vida da pessoas (ou de seus clientes famosinhos), e não descansa até que tudo esteja resolvido. Não descansa mesmo. Até quando as próprias mentiras estão envolvidas nisso...

Quer saber mais? Clique abaixo para conferir a resenha completa.

Para começar, eu ouvi falar inicialmente de Harlan Coben - às vezes acho que esse nome é mais conhecido do que as histórias em si - pela minha mãe. Ela esteve numa fase em que só lia livros dele; um atrás do outro. Vivia dizendo que eram suspenses surpreendentes e etc. Eu não levava muita fé; nunca li um livro que realmente me surpreendesse no final... Não um de suspense. Não uma investigação.

Pois bem. Até aí você pode imaginar que minhas expectativas não estavam muito boas quando comecei. Mas a melhor parte é: minhas expectativas estavam erradas. Harlan Coben deixa você sim surpreso. E muito. Não sei se os finais de todos são assim, mas desse livro em específico eu gostei bastante.

Mas do que trata a história? Como Myron Bolitar aparece em quase todos - se não todos - os livros do Harlan Coben, imagino que vocês saibam mais ou menos como ele é. Contudo, eu gostei tanto dele, que vou precisar explicar. Principalmente porque nem todo mundo por aí sabe direito como são esses livros de suspense - não desse autor em específico, embora ele seja bem conhecido. Para começar, Myron Bolitar é um advogado de meia idade que trabalha numa agência de representações, ou seja, basicamente,  ele cuida da vida pública desse povo famoso que tem por aí. A empresa é bem conhecida, e ele e seu sócio Win são os donos do lugar, agenciando não só a vida profissional de seus clientes como dando pitaco na vida pessoal também. A MB Representações (esse é nome da empresa) agenciava inicialmente apenas atletas. Depois de um tempo, com a expansão dos negócios, isso se alastrou para o meio artístico também, cuidando da vida de escritores, artistas, cantores...

Cantores... Acontece que Myron é representante - e amigo próximo - de um casal famoso. Ela, Suzze T., grávida de oito meses, é uma ex tenista dona de uma academia que prepara novos talentos do esporte. Ele, Lex Ryder, é o coadjuvante de um dupla de Rock. Tudo vai bem no casamento dos dois até que uma pessoa *do além* posta no facebook (olha como o facebook anda invadindo a literatura)  que o filho que Suzze carrega não é de Lex.

Myron é mais do que um agente, como eu já disse. Ele é amigo pessoal de seus clientes. Sua função é tornar a vida deles melhor e mais fácil. Assim, depois que Lex sai de casa, Myron tenta a todo custo achá-lo para que ele volte. Afinal de contas, é só uma postagem no facebook minha gente! Não dá pra confiar que seja verdade. Com a ajuda de sua - também amiga - e colega de trabalho Esperanza, Myron enfim descobre Lex numa boate badaladíssima das redondezas.

O que Myron não esperava, contudo, era encontrar, na mesma boate, Kitty, sua cunhada que não vê há 16 anos. Ela e o irmão de Myron sumiram do mapa há muito tempo sem dar notícias - ou se preocupar com isso, tudo devido a uma confusão a qual inicialmente o leitor não tem qualquer acesso. A simples possibilidade de reencontrar Brad (seu irmão) - e desafazer o suposto mal entendido que ocorreu - deixa Myron sem conseguir dormir. Ele e Win (seu sócio e meu personagem favorito) se empenham então em tentar desvendar o que Kitty estava fazendo naquela boate - com outro homem - e o que supostamente Lex fazia no mesmo grupo de pessoas. 

Todo o ramo de ações, tudo que se desenrola depois disso, é muito bem construído. Você começa a achar, até tem certeza, que as coisas foram pensadas antes da própria história ter sua primeira linha escrita. Pelo que eu li a respeito - não só no livro, mas depois também - essa é a história onde os segredos familiares de Myron mais se expõem. Posso não ter lido todas as tramas de Myron Bolitar, mas com certeza vou procurar tudo agora para saber melhor a respeito dessas coisas.

Quanto aos personagens, todos eles têm um viés de humor. Myron tem umas piadas muito boas, principalmente quando você pensa: ok, ele vai entrar em pânico, ou então: cara, não tem como ele sair dessa. E mesmo que não tenha, ele é inteligente o bastante para sair e ainda soltar uma frase de efeito digna de filme. E frase engraçada, tenho dito. Só pra você ter uma noção, ele não fica bebendo uísque ou sei lá que bebida cara esses detetives bebem. Até porque, como sempre diz Win, ele não é pago para investigar nada. Ele não é policial. Mas o fato é que ele tem estilo. Ele faz isso tudo com uma caixinha de achocolatado na mão, e não um cigarro ou coisa parecida.

De qualquer forma, embora Myron obviamente roube a maior parte dos diálogos do livro - que são muitos e são todos muito bons - não tem só ele de personagem. A própria Esperanza, com seu jeito *ainda sou adolescente* me deixou simplesmente fascinada. Big Cyndi também é outra que é incrível: ela não gosta de ser chamada só de Big e muito menos só de Cyndi. Mas Win levou o prêmio de melhor personagem construído. Sendo sócio de Myron, ele muitas vezes está um passo a frente das investigações - e de tudo - e ainda tem uma namorada oriental que me é duvidosa, mas mesmo assim ninguém nega que Win tem *poder*, se é que posso usar essa palavra.

A coisa que mais me chamou a atenção nesse livro foi, de um modo geral, a narração. Por se tratar de um homem escrevendo, os palavrões aparecem - não que as escritas femininas não tenham isso - mas Harlan deu um jeito louco para que não ficasse forçado. Não há exageros, não é coisa colocada ali de propósito. É só... natural. O modo como ele escreve é incrível, e te conquista fácil. 


EXTRA: É ou não livro único?
Quando eu comecei a escrever essa resenha, me perguntei - mais de uma vez - se eu deveria colocar que esse livro é único. Quero dizer, é um suspense, e até aí ok, certo? Certo. Harlan Coben, como muita gente sabe, é o mestre das noites em claro, faz todo mundo ir madrugada a dentro para saber o que acontece. Não foi diferente comigo - e olha que eu trabalho. Contudo, na maior parte do tempo, dá pra perceber que existe uma história anterior a toda a trama. Myron Bolitar é o protagonista de Alta Tensão, mas também é o protagonista de muitos outros livros do Harlan. Não é necessário ler as histórias na ordem certa para você entender cada uma. Porém, que elas são interligadas, ninguém pode negar. O número de referências é enorme, e mesmo quem não leu os outros volumes - como eu - percebe. Isso, por um lado, é bom: enriquece a história e o próprio autor. Faz você procurar mais a respeito. Mas, olhando de outro ângulo... Bem, é ou não é um livro único? Você fica em dúvida sobre muitas coisas.


Sobre a nota: O livro fica com 4 conversinha porque algumas coisas - como essas referências a outros livros - me incomodaram um pouco. Não pelas referências em si, mas porque o leitor fica meio cego, principalmente para quem começou a ler o estilo agora, como eu.

Classificação:
(4/5 conversinhas)



O livro foi um oferecimento da nossa parceira, a Arqueiro! Muito obrigado! (:


Até a próxima!

sábado, 30 de junho de 2012

Por que Amar Hitchcock?


Olá.
Eu sou a nova integrante do ConversaCult. Prazer, sou a Ana Luíza, mas todos me chamam do Luly... ou Ana ou Lu, como a Igra costuma me chamar. :)

E para estreiar aqui, vamos começar falando sobre um cara, que infelizmente não está mais entre nós, mas ele com certeza deixou sua marca em Hollywood e em todas as pessoas que assistiram seus filmes. Pois bem, a figura é Alfred Hitchcock.

O senhor britânico foi nomeado o Gênio do Suspense quando estava fazendo seus filmes. Com "Psicose", ele levou muitas pessoas à loucura por acreditarem que um dia morreriam esfaqueados no banho. Ou, em "Pássaros", o povo acreditou na revolta dos animais e todos começaram a ficar com medo de um possível ataque por parte desses bichos inofensivos.

Pois bem, vocês com certeza estão se perguntando quem é Alfred Hitchcock, então resolvemos trazer um pequeno resumo de como ele apareceu no ramo cinematográfico: 

Tudo começa em 1933, quando Hitchcock foi trabalhar na Gaumont-British Picture Corporation e fez seu primeiro filme, "O Homem que Sabia Demais", lançado em 1934 (Mas, acabou sendo refilmado em 1956 em Los Angeles com outros atores). Depois disso veio "39 Degraus" que foi considerado o melhor filme de 1935.

E foi assim que Sir Hitchcock chamou a atenção de produtores de Hollywood, com a sua habilidade de usar o suspense que explorava as coisas que as pessoas mais temiam. Com isso, ele acabou indo para Los Angeles e assinou contrato com um dos produtores mais importantes da época, David Selznick.

Devido a sua ida para os Estados Unidos, nosso gênio lançou "Rebecca", filme de 1940 que iniciou sua carreira por lá e que acabou ganhando o Oscar de Melhor Filme. "Rebecca" é um filme especial porque foi o único longa de Hitchcock que ganhou a estatueta nessa categoria.

A partir de 1940, Hitchcock acabou dirigindo um filme por ano pelas três décadas seguintes. A maioria dos seus projetos fizeram sucesso, mas os mais conhecidos são: "Psicose", "Janela Indiscreta", "Rebecca", "Um Corpo que Cai", "Pacto Sinistro", "Cortina Rasgada", "39 degraus", "Os Pássaros", "O homem que sabia demais",  e por aí vai. 

A segunda pergunta que vocês devem sempre fazer é: Por que sempre falam dele, até hoje em 2012 se o cara morreu há mais de 30 anos?

Eu te digo: Um dos motivos de Alfred Hitchcock ser falado até hoje é pelo estilo de filmagem de seus filmes.  Hoje, podem até não dar medo, mas na época que eles eram lançados, as pessoas ficavam apavoradas! Além do mais, Hitchcock inovou as técnicas de movimentos e posições de câmeras, elaborou montagens de edição diferentes (gente, na época dele não existia final cut, movie maker, iMovie, programas que são usados para montar e editar filmes... eles tinham que cortar o rolo para poder montar o filme. Imagina que louco!) e surpreendeu a todos em suas trilhas sonoras como na cena do assassinato de "Psicose". 
*Hitchcock faz com que o filme crie uma tensão no espectador, onde o personagem não tem ideia do perigo que corre.
         
              

Isso tudo fora o fato de que Hitchcock gostava de fazer com que os personagens de seus filmes soubessem que existia alguém ali assistindo, observando a vida deles. Então, ele usava closes de rosto, fazendo com que parecesse que o personagem estava falando com a plateia.

Algumas curiosidades sobre os filmes de Sir Alfred Hitchcock: 
As personagens femininas geralmente eram as heroínas loiras e amáveis, que se apaixonavam e aí ficavam perigosas. Outra marca característica são as vilãs, normalmente uma mulher sensual, que seduz um protagonista masculino para acabar sendo salva por ele ao mesmo tempo em que o destrói. E um dos elementos que caracterizam seus personagens masculinos é a figura do assassino psicopata cuja identidade é revelada ao longo da ação.

O MacGuffin é um conceito original nos filmes de Hitchcock, um termo usado pelo cineasta para inserir um objeto que serve como motivação para um personagem, mas não tem muita importância no conteúdo do filme em si. Por exemplo: em "Psicose", é o dinheiro que Marion rouba do patrão.

E mais algumas coisas: 
>>>Hitchcock adorava fazer aparições em seus filmes. Dos mais de 30 filmes que ele dirigiu, Alfred apareceu em pelo menos 22 deles. 
Sem esquecer de que rola um boato por aí dizendo que produtores de Hollywood estavam querendo fazer o remake de "Rebecca" e uma atriz cogitada para fazer o papel principal do filme seria Scarlett Johansson. Mas, lembrando que são apenas boatos, não há nada certo.

>>>A cena do banheiro de "Psicose" (aqueles 2 minutos e 30 segundos) foi filmada em 7 dias e foram 70 posições de câmera diferentes. E "Psicose" foi filmado em preto e branco porque Hitchcock temia que a cena do chuveiro ficasse chocante demais, com o vermelho do sangue... Hitchcock queria uma cena perfeita.

>>>No Falando Abertamente sobre Prometheus, nós do CC comparamos o filme com "Quando Fala o Coração", do Hitchcock. Que, de cara pode não ter sentido ou até parece ruim, mas dependendo de como você olha pode ficar muito melhor. Então, mesmo que a primeira vista você estranhe os filmes do Hitchcock, vale muito a pena fazer uma força para entender.


Se você ficou curioso para tirar suas próprias conclusões, assistam esses filmes que citei e deem sua opinião! Podem ter certeza que vocês vão gostar. :D

terça-feira, 19 de junho de 2012

[Resenha] Prometheus, filme

por Dana Martins


- Filme: "Prometheus"
- Prometheus (2012)
- Direção: Ridley Scott
- Atores: Michael Fassbender, Noomi Rapace, Charlize Theron, Logan Marshall-Green, Guy Pearce...
- Ficção Científica/Suspense/Aventura - 14 anos - 126 min. - Trailer
- Nos cinemas brasileiros desde 15 de junho de 2012
OBS: Não é prequência de Alien e não precisa ter visto Alien, é só o mesmo universo.
Atenção: Não vá assistir esperando Alien!



Mini-crítica: 
"Prometheus" é meio que filosófico, com cara de ficção científica e tem momentos muito tensos. O filme pode te manter atento do início ao final e, principalmente, depois de assistir. A história é basicamente sobre uma equipe na nave Prometheus que vai até um planeta distante procurando entender de onde nós viemos, cada um com as próprias perguntas e enfrentando a própria luta por respostas. O filme pode ser visto em três partes: introdução, descobertas e desespero. Todas elas envolvidas por questionamentos no estilo "religião vs ciência", mas não o clichê. Na verdade, a história é mais sobre buscar respostas do que as respostas em si. Totalmente indicado para quem está com saudade da ficção científica, mas não vá pelo terror e não espere uma história padrão. "Esse é um filme que muita gente vai gostar enquanto muita gente vai achar ruim..."

Quer saber mais? Clique abaixo para conferir a resenha completa.

Para "Prometheus" há dois tipos de pessoas: aquelas que são viciadas nos filmes de Alien, em ficção científica e já tem um contexto; e aquelas que praticamente caem de paraquedas no filme (oi). Para o primeiro grupo, acho que a melhor dica que eu posso dar é não ficar esperando um novo Alien. Para o outro, você não precisa ter assistido nada para gostar do filme.

vamos entrando -n
A princípio, eu não ia assistir esse "Prometheus". Estava com a impressão de que era terror e estava muito feliz em ignorar solenemente a existência. Até estar assistindo a E3 e esbarrar em um trailer do filme, que me chamou bastante atenção. Depois eu encontrei um vídeo que falava da construção da nave Prometheus para o filme e quando eu fui assistir "Para Sempre" no cinema passou um vídeo que era falando dos cenários, dos atores... o que eu achei bem legal para colocar no cinema. Só por fazer isso diferente o filme já valia a pena. 
Em 2089, dois arqueólogos descobrem vários desenhos antigos de diversas civilizações que repetem um padrão e acreditam que eles estão relacionados a um planeta distante, de onde teriam vindo os nossos criadores (chamados de engenheiros ou deuses). Convencendo o dono da corporação Weyland, eles conseguem uma nave, a Prometheus, e uma equipe para ir até lá investigar. Simples assim. Nenhum plano exato, apenas a esperança de encontrar a resposta para uma das perguntas mais antigas: "De onde nós viemos?"
Se você pensar, principalmente pela relação do filme com Alien, vai saber que não vai ser tão fácil quanto eles imaginavam. Mas antes de ser um filme sobre respostas ou "terror" alienígena, "Prometheus" trata de uma ideia muito mais simples: "Até onde você iria para encontrar respostas?"**Aliás, o personagem David (Michael Fassbender), fala algo bem parecido no filme. Preste atenção nos diálogos. 
Esse é um filme que muita gente vai gostar e muita gente vai achar ruim. O principal motivo é que ele segue uma linha de história diferente da comum. Normalmente nós temos um "quem eu sou?" e o filme é sobre a pessoa descobrindo isso, ou um "onde está a pedra encantada?" e você assiste até eles encontrarem a tal pedra e pronto. Já "Prometheus" é diferente. Começa com a ideia de "De onde nós viemos?", mas acaba que eles descobrem que é mais complicado do que isso e passam por vários problemas que levam mais à resposta de "quem nós somos". É meio que filosófico, com cara de ficção científica e momentos muito tensos. Poderiam fazer a mesma discussão em um filme sobre uma mulher atualmente em Nova York, mas parece que fica mais legal discutir isso quando tem alienígenas querendo seu corpo nu.

O filme pode ser visto por 3 pontos, que são equilibrados. Se você for assistir só por causa de um ou ignorar algum deles, fica difícil gostar.

1- Ficção Científica
Uma nave gigante viajando por dois anos no espaço até um planeta distante. Tripulantes dormindo em estado de criogenia durante esse tempo. Robôs que parecem até gente. Tecnologia avançada. O visual de ficção científica é um ponto alto do filme, porque além de bem feito está faltando no cinema. Temos recentemente muitos (muito mesmo!) filmes de invasão alienígenas, tipo "Os Vingadores" (Loki é considerado deus [r]e com o Tom Hiddleston parece mesmo, mas ainda é um alienígena) ou "Battleship" (que é bem parecido com Prometheus, se você for pensar, mas em vez de ir até lá eles mandam um sinal). Contudo, nenhum tem aquela cara de ficção científica. Se preocuparam muito com isso em Prometheus (já viram falar dos sets? é uma das coisas que mais dão atenção) e fizeram bem. É uma sensação quase confortável.

2- Terror/alienígenas do mal
Eu não sei qual foi o lapso que eu tive que fui me meter em um filme com bicho feio (aka alienígenas nojentos). Já tive surpresa demais assistindo televisão sozinha na minha infância e há um bom tempo larguei essa vida, mas lá fui eu assistir Prometheus. Tem muito momento nojento e que dá nervoso, mas não chega a ser horrível. Eles poderiam ter feito pior e claramente não quiseram. Apesar disso ser o elemento que ajuda a dar tensão no filme, que te faz ficar agarrado na poltrona ou fechar os olhos, não é o pior. Na verdade, se você ficar esperando aquele filme de terror e tal, vai acabar se desapontando. Cuidado: não estou dizendo que não tem nada, minha avó ficaria horrorizada, mas dá para assistir até quem tem medo.

3- Questionamentos
Pessoalmente, esse eu acho que merece mais atenção. "Prometheus" não tem uma história simples que vem de bandeja como "Battleship", ela está dividida em vários detalhes jogados durante o filme. Se você não parar e refletir, dificilmente vai conseguir pegar tudo e o filme vai parecer "um bando de efeitos legais com um terror pra criança". Você pode encontrar várias discussões, como CriadorxCriação (em vários sentidos!), ReligiãoxCiência, o poder do conhecimento...



Muitos vão falar e eu tenho que concordar é que o filme tem "pontas soltas". Minha impressão é de que era um retrato com zoom, mesmo que você conseguisse ver bem aquela parte não conseguia interpretar tudo por causa das informações que você não consegue ver. A primeira cena, por exemplo, nós podemos deduzir e fazer relações com o resto, mas não dá para afirmar "é isso com certeza". Alguns vão se sentir insatisfeitos, eu até que gostei. Afinal, o mundo não é assim? 

Esse filme é como o início de uma história épica, mas apenas o início. Eu falei algo parecido na resenha de "Branca de Neve e o Caçador", mas não exatamente o mesmo. Lá era a história inteira em si, não a primeira parte de algo épico. Agora vamos ver se eles fazem uma continuação (há boatos, mas nada confirmado) que faça "Prometheus" deixar uma marca como referência.

>>>Conheça os personagens
Uma parte interessante do filme são os personagens e vale a pena conhecer. Os dois principais são David (Michael Fassbender) e Elizabeth Shaw (Noomi Rapace). Ele é uma espécie de robô da Weyland e tipo a "doméstica" (palavra do Ridley Scott) da nave Prometheus. Ele é que cuida das coisas enquanto os outros dormem e com certeza um dos personagens mais interessantes. A maior parte dos questionamentos do filme ficam em torno dele. Já a Elizabeth Shaw é uma dos arqueologistas e está ali pelo conhecimento, provavelmente a que mais tem fé na missão e participa das principais cenas de ação.

Agora personagens que têm algum nível de importância, profundidade a ajudam a manter a trama com mais detalhes e humanizar o filme. Meredith Vickers (Charlize Theron), trabalha para a Weyland e está ali para manter tudo em ordem (não vá assistir por ela, a Charlize Theron não tem muito destaque e seu personagem tem o maior momento #fail do filme). Holloway (Logan Marshall-Green), o outro arqueologista e par romântico da Elizabeth Shaw. Peter Weyland (Guy Pearce), o dono da corporação Weyland e a viagem dos outros é uma espécie de luxo que ele se dá (afinal, é rico, dono de tudo e está prestes a morrer).

>>>Prometheus é prequência de Alien? Não... 


Muitos por aí começam falando do filme dizendo que é uma prequência de Alien, mas não é bem assim. Havia uma ponta no filme Alien, os "Space Jockeys" (os engenheiros), que não havia sido explorada. Surgiu a ideia de criar um filme anterior com eles, mas levou anos até que Ridley Scott aceitasse a dar andamento ao projeto e acabou que se afastou de Alien. O universo é o mesmo e "Prometheus" pode até trazer algumas respostas para os de Alien, mas termina aí. Como o próprio Ridley Scott disse em uma entrevista: pode haver, sim, um filme depois de "Prometheus", mas esse não seria o primeiro de Alien.*
*Imagina que a J.K. Rowling decide fazer um romance em 1912 no universo de Harry Potter. Não teria nada a ver e nem seria necessário conhecer Harry Potter, a maior diferença seria que quando você lesse Harry Potter poderia ter uma maior ideia de um ou outro detalhe, como porque haviam parado com os clubes de duelo ou algo assim. 


Sobre a nota: Fica com 4,5 porque realmente falta algo para completar, mas todo o resto é muito bom. Uma história que, como eu gosto, pode ser vista de várias maneiras, cheia de detalhes e dá para pensar. Ao mesmo tempo, tendo que um filme de ação/aventura acima da média tem para entreter.

Classificação:
(4,5/5 conversinhas)

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

[Resenha] Os Homens que Não Amavam as Mulheres, filme

por Dana Martins


- Filme: "Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres"
- The Girl With a Dragon Tattoo (EUA, 2011)
- Adaptação do livro "Os Homens que Não amavam as Mulheres"
- Direção: David Fincher
- Atores: Daniel Craig, Rooney Mara, Christopher Plummer...
- Suspense - 16 anos - 158 min.
- Nos cinemas brasileiros a partir de 27 de janeiro de 2012
OBS: A trilogia de livros é da Suécia e há uma outra adaptação sueca que já esteve nos cinemas brasileiros.
OBS²: Apesar de ser adaptado de uma trilogia, o filme tem história completa e não precisa de continuação.



Mini-crítica: 
"Os Homens que Não Amavam as Mulheres" é um filme que, independente de ter lido o livro ou não, vai valer a pena. É surpreendente porque normalmente os filmes adaptados ficam até legais, mas não são tudo isso para quem não leu*. Tem investigação, ação, tensão e provavelmente outras coisas com "ão". O que traz o ponto alto do filme é que ele trata de um tema que na maioria dos filmes seria lento e até tedioso, mas com tensão o tempo inteiro, sem apelar para efeitos especiais e acrobacias. Cuidado: Antes de juntar a família inteira e correr para o cinema, saiba que é um filme pesado (tanto nas cenas quanto psicologicamente). Sexo explícito e nudez é o de menos lá. 
*Eu tinha esquecido de que ia assistir, então (somado a minha falta de tempo) eu mal tinha começado a ler, o que conta como se eu não tivesse lido. 

Quer saber mais? Clique abaixo para conferir a resenha completa.

"Os Homens que Não Amavam as Mulheres" é o tipo de filme que surpreende tanto que na hora de escrever sobre você não sabe nem por onde começar, mas como um simples "muito bom, vale a pena" não é o suficiente para quem ainda não assistiu, vamos em frente.

O filme, que é adaptação do primeiro livro da série Millennium, é sobre a investigação de um desaparecimento que ocorreu há muito tempo e nunca saiu da cabeça do empresário aposentado Henrik Vanger (Christopher Plummer). Mikael Blomkvist (Daniel Craig), um jornalista econômico determinado a restaurar sua credibilidade, é contratado para tentar entender o que aconteceu no dia em que Harriet (Moa Gardenpal), sobrinha de Henrik Vanger, sumiu no meio de um encontro familiar sem deixar pistas. Ao mesmo tempo, Lisbeth Salander* (Rooney Mara), hacker da Milton Security, é contratada para levantar a ficha e os antecedentes de Blomkvist, missão que será o ponto de partida para que ela se una a Mikael na investigação de quem matou Harriet.
*Essa sinopse dá uma ideia sobre o que acontece com o Mikael, mas não a parte da Lisbeth. O filme é dividido entre os dois e leva um tempo para eles se encontrarem. Nessa primeira parte da Lisbeth, nós ficamos conhecendo mais a personagem e entendemos um pouco mais o porquê dela se juntar a Mikael na investigação.

Para começar, o primeiro ponto alto do filme: a tensão. O início já chama atenção, em alguns pontos é do tipo de "agarrar" a poltrona e eu juro que teve gente no cinema que não conseguiu nem respirar direito nas cenas de maior tensão. O filme consegue deixar atento assim quase o tempo inteiro (e olha que o filme tem mais de 2 horas). Isso acontece, bastante, por causa da divisão Lisbeth-Mikael. Enquanto ele está investigando fotos, lendo diários e fazendo outras coisas que seriam até monótonas, ela está enfrentando alguns problemas pessoais que dariam quase um filme próprio. Essa divisão, somada a cenas curtas e um mistério para descobrir, acaba aumentando o ritmo e a tensão (sem falar que são 500 páginas comprimidas nesse tempo).

Além disso, o filme se torna mais atraente porque acaba não sendo apenas sobre a investigação, ele tem várias histórias em uma só. Há, no mínimo, 5 em destaque e todas elas progridem e se transformam nesse tempo. Acho que esse universo (mais aberto e não fixo em um caso só) é que traz ao filme um aspecto mais de livro. Normalmente não temos tanto desenvolvimento dos personagens e da história.
*É claro que podem questionar e dizer "mas é adaptação de um livro! o que você queria?", mas normalmente empacotam o livro para os cinemas, como Percy Jackson, A Bússola de Ouro e outros desastres por aí (Harry Potter não foge disso). 

Outra coisa que vale destaque é a trilha sonora. Foi a primeira coisa que me chamou atenção, já que o filme praticamente começa com uma música bem impactante enquanto passa o que é quase um "clipe" durante os créditos iniciais*. Em alguns momentos do filme ela também aparecia, mas nas partes que despertava mais atenção era quando servia de música para cenários: boate, rádio... Apesar de ter me chamado atenção a ponto de buscar mais, o que faz mesmo a diferença no filme não é a música, é o silêncio. Porque, é claro, o silêncio pode ser usado tão bem quanto a música.
*Como eu sou muito legal, consegui o vídeo.

Relacionado ao silêncio, temos outros detalhes que ajudam a criar a atmosfera, como quando o Mikael (Daniel Craig) está andando em uma cena tensa de puro silêncio e nós ouvimos bem sua respiração e seus passos*. O contraste com a trilha habitual que vai aumentando (no videogame então, você escuta a música e já sente vontade de chorar) é muito interessante, porque desse modo você se aproxima mais do personagem e ainda fica mais tenso porque não sabe quando realmente vai acontecer alguma coisa.
*o que me lembrou muito a videogame...

"Os Homens que Não Amavam as Mulheres" não é um filme de suspense padrão e soube aproveitar de suas raízes no livro. Você pode esperar por uma história completa (e, quando eu digo completa, é com todos os pontos finais que merece) e 2 horas bem aproveitadas. Aliás, o filme foi até um dos com mais indicações ao Oscar 2012, sendo indicado em 5 categorias, inclusive a de melhor atriz com a Rooney Mara (olha que bonitinho ela falando sobre ter sido indicada!).

>>>Extras: "Os Homens que Não Amavam as Mulheres" vs. "Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras"

O filme que eu assisti antes desse foi o segundo de Sherlock Holmes, quando encontrei meu amigo que assistiu o do Sherlock comigo eu disse: "Você tem que ver Millennium! Sherlock perto desse fica até ruim". E meu amigo: "mas dá para comparar?" É lógico que dá, a maior diferença é a época. Na essência: casos sendo investigados. É claro que Sherlock é um filme mais empacotado e para agradar (principalmente agradar) a família inteira, já para ver "Os Homens que Não Amavam as Mulheres" tem que tirar metade família da sala. E, para você ver, Sherlock é engraçado, apronta com o Watson, entra numa briga que dura andares de um prédio, se veste de mulher, viaja pela Europa de trem... e ainda assim no seu ponto mais forte não cria uma tensão tão forte quanto a de Millennium em um ponto mais calmo. É claro que a ideia é criar um homem esperto, que diverte, parece meio louco, mas no final resolve o caso (e, pela primeira vez, senti a referência que House tem em Sherlock, vai entender), já o tom de Millennium é sério. Mas na estrutura de filme (não ser muito padrão, seguir com uma boa introdução, investigar o caso...) são bem parecidos, a diferença é que com 1/5 das explosões do outro consegue prender muito mais.
*Do jeito que eu estou falando pode parecer que eu tenho algo contra filmes cheios de efeitos especiais e coisas típicas de Hollywood, mas eu não tenho, pode usar a vontade. O problema é usar e não conseguir uma resultado bom. Também não estou dizendo que Sherlock Holmes 2 é ruim, só que ficou cansativo e não consegue superar o primeiro. 



Classificação:
(5/5 conversinhas)