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domingo, 24 de junho de 2012

Falando Abertamente: Prometheus

por Dana Martins

Estreia do Falando Abertamente no ConversaCult em uma noite de domingo gelada (para o padrão carioca) com bastante alienígenas e ficção científica. Nessa nova coluna sem data marcada nós vamos falar tudo aquilo que queremos, mas não podemos dizer em uma resenha comum. Esse é um texto feito especialmente para quem já assistiu e quer ver o que os outros acharam (Cientistas da Malásia comprovaram que 83% das pessoas buscam resenhas depois de ter assistido, ou pelo menos muita gente). Isso significa: NÃO LEIA DE JEITO NENHUM ISSO AQUI SE VOCÊ AINDA NÃO ASSISTIU PORQUE COM CERTEZA TEM SPOILERS QUE PODEM ESTRAGAR TOTALMENTE O FILME PARA VOCÊ. Resenha sem spoilers aqui. Agora vamos discutir. :D

Eu demorei realmente a saber o que eu achava e talvez isso seja uma coisa do filme, ele não vem fácil. Se você está aqui porque não gostou e quer saber o que os outros acham de um filme que é "só efeitos especiais", minha dica é para você começar a pensar. Quando você se esforça para reunir as informações e entender vai ficando muito melhor. Por exemplo, só quando comecei a discutir é que eu vi como a relação David/Dra. Shaw é que faz a base do filme. Ou a primeira cena, que eu pensei que era no outro planeta e vi que é aqui na Terra sobre a criação dos humanos. Novidades: Bem, a intenção não é ser aqui na Terra, é algo geral para mostrar que os engenheiros fazem essa criação, seja qual for o planeta.

Um detalhe: "Prometheus" não é uma prequência de Alien, é de outro estilo e só usa o mesmo universo.

Visão negativa

Eu li que o filme fica "no meio do caminho" e eu acho que isso acontece mesmo. O filme surgiu com base nos engenheiros (aka "Space Jockeys") e para ser uma prequência de Alien, mas tomou outro caminho bem diferente e não chegou lá. Nós mal vemos os tais engenheiros no filme. Na verdade, o ponto de partida do filme é "Quem são eles?", "Nós viemos deles?", "Por que eles nos criaram?", "Por que querem nos destruir?", "De onde eles vieram?"... Mas, no final, a gente ganha no mínimo um soco deles. A conclusão do filme é: "Planeta errado, try again". Frustrante.

Provavelmente o Ridley Scott em algum ponto percebeu que seu novo filme de Alien era na verdade uma série de outras discussões sobre o ser humano e a origem da vida desenvolvidas em um futuro na base de exemplos. Então ele fez duas coisas: 1) Precisamos fazer alguma relação com Alien; 2) Precisamos tornar comercial. A primeira parte ele resolveu colocando uma série de semelhanças visuais e estruturais que trazem a sensação de familiaridade (para alguns, cópia). A segunda é envolvendo suspense com alienígenas perigosos para você ficar agarrado na poltrona (ou só os mais sensíveis) enquanto assiste. Também, é claro, respondeu a algumas mínimas perguntas para o próprio bem.

Como resultado, virou um filme que é uma mistura de duas coisas e não se sustenta em nenhuma delas. Os fãs de Alien ficam até o final sem o tal "prometido" novo filme para a série. Os que não são fãs se perdem em alguma galáxia esquecida depois de despencar da Prometheus. Quem tem medo, foge. Quem busca o terror, se desaponta. Os religiosos se sentem ultrajados. Os cientistas também. Você só tem duas chances de gostar do filme: catando dados analiticamente e montando o cenário, ou tendo fé nas múltiplas possibilidades.

E, ao sair do cinema, deu para concluir a noite com um: "Prometheus, mas não cumprius"*. A sensação final é de que falta mesmo alguma coisa.
*Atire a primeira pedra o primeiro que não chegou a pensar em uma brincadeirinha com o nome do filme.

Aliás, isso é só uma parte. Se você for desses que conhece outros filmes ou livros de ficção científica com certeza sentiu que o filme se apropria de várias ideias. Como um anônimo disse na resenha do filme: "Só tem citações de '2001'..."

Uma pausa para pensar um pouco além dos esterótipos

Alguns vão acreditar que o filme só vale pelos efeitos especiais, mas não é bem assim. Depende de como você assistir o filme. Eu estava pensando em como expresar isso aqui até que, por acaso, topei com o filme "Quando Fala o Coração" do Hitchcock, o qual eu supostamente teria que assistir e relacionar a uns textos para um trabalho da faculdade. Quando eu terminei de assistir, eu sabia muito bem o que eu achava: um amor a primeira vista para lá de fraco que não sustenta que uma psicanalista conhecida por ser emocionalmente fria jogue tudo para o alto e fuja da polícia com um cara que poderia ser até um assassino. Se eu não tivesse que fazer o trabalho, provavelmente terminaria aí e eu esqueceria da existência do filme. Mas, como nem tudo é tão fácil, lá fui eu fazer a análise. Quando eu me dei conta, dava para ver o filme inteiro por outro ângulo e ele cria uma trama com vários detalhes bem pensados que contribuem para ficar muito melhor. Moral da história: um filme pode passar de razoável para muito bom dependendo de como você encara a história. E isso é válido, com certeza, para Prometheus.

Se você quiser, o filme vai ser um bando de efeitos, um suspensezinho meia-tigela, uma história sem ponto final, um "bando de frases de tal livro"... Ou você pode destrinchar o filme e dar de cara com algo muito bom. A escolha é sua.
Eu vi uma entrevista em que o Ridley Scott fala de ter mais uns vinte minutos de filme, mas que agora ele não incluiria mais aquilo porque gostou do resultado final. Acho que é porque assim ele se fecha em um ciclo, baseado na idade de "até onde você vai para conseguir respostas?", o que "Prometheus" mostra não só com a tensão de alienígenas nojentos, mas também nos detalhes que vão construindo a história. Por exemplo, a maneira que cada personagem se relaciona com a missão e como dá para relacionar isso com hoje em dia com a forma que as pessoas encaram a tal pergunta "de onde nós viemos?". Acho que é um feito criar um filme que traz discussões do tipo e ainda seja legal assistir.

Pensa só: quando você assiste um filme de terror com personagens sentindo medo, o que você deveria sentir? Medo. Foi assistir comédia? Quer, no mínimo, rir. Se assistiu romance, quer reacreditar no amor. É claro que nem todos filmes são tão básicos, como é o caso de Prometheus. Mas qual é a lógica de assistir um filme sobre buscar respostas e sair do cinema sem nenhuma pergunta?

Algumas coisas que talvez você não tenha reparado

>>>Da pergunta "de onde nós viemos?" nós temos várias ramificações. Alguns exemplos:
A) A ideia que é ressaltada no filme "se nós viemos deles, eles vieram de onde?";
B) "Por que eles teriam nos criado?" (e, no geral, o que leva à criação em si - filhos, androides, outras espécies);
C) "Devemos seguir a ciência ou a religião?";
D) "O que é a fé?";
E) A sede dos homens por conhecimento;
F) O que faz um homem ser humano?
Eu não acredito que o filme tenha ambição de dar respostas. Uma das coisas que eu mais gosto é no final restar apenas o David e a Elizabeth Shaw, os extremos de ciência e fé da equipe. No máximo, podemos tirar daí que a fé (não a religião) e a ciência devem estar em equilíbrio. Além disso, uma das últimas falas do filme enfatiza justamente a busca contínua por respostas.

>>>David e Elizabeth Shaw: ciência e fé
No último tópico eu falei que eles são os extremos de ciência e fé na equipe e, se você reparar, durante o filme cada um segue o próprio caminho. O David é o lado científico, sua busca por respostas é na base de dados e testes. Ele quer saber o que aquela coisa preta faz, ele vai lá e testa no Holloway. Está todo mundo preocupado em saber o que aconteceu com os dois caras, ele vai onde tem que ir e faz as pesquisas. Já a Elizabeth Shaw, desde o início, é baseada na fé. Ela precisou acreditar no projeto para ir em frente. Mesmo por volta de 2080 com toda a tecnologia você precisa ter muita coragem para dizer "ei, eu vi uns desenhos antigos, acho que falam de um planeta perdido no universo, me dá dinheiro para ir lá investigar?". E você precisa ter muita força de vontade para arrancar um troço da barriga, grampear e sair correndo de alienígenas por aí. Ah, e depois ainda querer continuar procurando.



>>>Criador vs. criação
Esse é outro ponto marcado no filme, que eu acho que vale trazer para cá alguns exemplos. Nós temos: Engenheiros vs. Humanos, Elizabeth Shaw vs. Filho, Homem vs. Androide e a Vickers com o pai.

>>>Que alien veio de qual?
No filme a história pode ficar confusa, principalmente porque não dá para ter certeza. Alguma alma caridosa fez uma imagem para mostrar:

clica na imagem para ver completo
>>>O nome "Prometheus" vem de Prometeu, da mitologia grega
Eles estavam só procurando um nome legal ou isso tem algum significado para a história do filme? Prometeu era um titã que teria criado os homens e nos ensinado várias coisa, inclusive desafiado Zeus e nos entregado o fogo. No final da história, ele termina amarrado em uma rocha onde uma águia comeria seu fígado durante o dia enquanto à noite ele se regenera, passando eternamente por isso. Entre as muitas teorias que relaciona isso com o filme, a que mais se sustenta é a de que os engenheiros seriam esses deuses e um "Prometheus" teria vindo aqui nos criar, enquanto agora um "Zeus" quer se vingar.
*Há quem diga que essa água seria esses alienígenas que saem dos humanos (cena do parto), a nave cheia daquela substância preta seria a caixa de pandora...

>>>Respostas para algumas dúvidas de Prometheus
Encontrei um post que busca responder várias das dúvidas das pessoas reunindo entrevistas de pessoas envolvidas no filme. Fala sobre várias coisas, mas com certeza a que eu mais gostei foi:
"Nada foi acidental em Prometheus. Cada decisão tomada por Ridley Scott foi feita por um motivo bem específico", Damon Lindelof (roteiro) respondendo sobre algumas referências a outros filmes colocadas em "Prometheus". 
É baseado em uma teoria furada?

Para quem não sabe, o filme tem base no livro "Eram os Deuses Astronautas?" que desenvolve a teoria de que nós viemos de alienígena. Muita gente reconhece a semelhança enquanto assiste e acha ridículo eles partirem dessa ideia. Sinceramente, acho que reclamar disso é o mesmo que assistir filme com lobisomens e achar uma piada por levarem a sério um mito. Aliás, eles criarem um universo em que isso se torna real, só enfatiza a ideia de que não importa o quão longe nós vamos, ainda tem sempre uma peça do quebra-cabeça para nos surpreender, que é o que o filme mostra. Hoje em dia muita gente afirma com absoluta certeza que é piada isso de sermos criados por alienígenas, mas até que ponto essa certeza pode se sustentar? E, se por acaso, se mostrar o contrário? Agora, a principal pergunta: nós estaríamos refletindo sobre isso se não tivéssemos visto o filme? Acho que essa é a marca que Prometheus deixa. Quanto mais você cavar, mais o filme vai se tornar melhor.

Dúvidas e comentários aleatórios

1. O que foi a morte da Charlize Theron? Quase tão idiota quanto abrir a porta da nave para o cara morto. "Ah, estou em um planeta alienígena com coisas estranhas acontecendo, o cara que eu vi morto está todo torto aqui na porta da nave. Abre aí!"

2. Alguns dizem que não faz sentido uma missão tão cara ir sem tanto preparo, mas eu acho que até tem justificativa. Era uma missão suicida, ninguém sabia se ia dar certo e puro luxo do dono da corporação Weyland. Um último esforço para sobreviver. Ah, e totalmente secreto.

3. Uma coisa que realmente não faz sentido para mim é o surgimento daquelas "cobras". Todo alienígena parece que surge da mistura de alguma coisa, mas elas simplesmente brotaram daquela coisa preta. Se for o caso, na explosão da nave carregando os potes poderia surgir todo tipo de bicho... Não, elas não brotaram! A Michelle do Resumo da Ópera lembrou daquelas minhocas na terra, leia nos comentários. É por isso que vale assistir o filme mais de vez. 

4. Sabia que a propaganda foi pensada para que eles não falassem sobre o filme em si? Eles fizeram cenas extras e vídeos sobre a produção (estilo "makeing of"), que até foram exibidos no cinema. Talvez porque seria difícil explicar o filme em um trailer...


Se eu lembrar de mais coisas, coloco aqui. Sobre uma possível continuação, não está totalmente fora de jogo, mas vamos ter que esperar por muito tempo.

>>>Resenha sem spoilers de Prometheus

terça-feira, 19 de junho de 2012

[Resenha] Prometheus, filme

por Dana Martins


- Filme: "Prometheus"
- Prometheus (2012)
- Direção: Ridley Scott
- Atores: Michael Fassbender, Noomi Rapace, Charlize Theron, Logan Marshall-Green, Guy Pearce...
- Ficção Científica/Suspense/Aventura - 14 anos - 126 min. - Trailer
- Nos cinemas brasileiros desde 15 de junho de 2012
OBS: Não é prequência de Alien e não precisa ter visto Alien, é só o mesmo universo.
Atenção: Não vá assistir esperando Alien!



Mini-crítica: 
"Prometheus" é meio que filosófico, com cara de ficção científica e tem momentos muito tensos. O filme pode te manter atento do início ao final e, principalmente, depois de assistir. A história é basicamente sobre uma equipe na nave Prometheus que vai até um planeta distante procurando entender de onde nós viemos, cada um com as próprias perguntas e enfrentando a própria luta por respostas. O filme pode ser visto em três partes: introdução, descobertas e desespero. Todas elas envolvidas por questionamentos no estilo "religião vs ciência", mas não o clichê. Na verdade, a história é mais sobre buscar respostas do que as respostas em si. Totalmente indicado para quem está com saudade da ficção científica, mas não vá pelo terror e não espere uma história padrão. "Esse é um filme que muita gente vai gostar enquanto muita gente vai achar ruim..."

Quer saber mais? Clique abaixo para conferir a resenha completa.

Para "Prometheus" há dois tipos de pessoas: aquelas que são viciadas nos filmes de Alien, em ficção científica e já tem um contexto; e aquelas que praticamente caem de paraquedas no filme (oi). Para o primeiro grupo, acho que a melhor dica que eu posso dar é não ficar esperando um novo Alien. Para o outro, você não precisa ter assistido nada para gostar do filme.

vamos entrando -n
A princípio, eu não ia assistir esse "Prometheus". Estava com a impressão de que era terror e estava muito feliz em ignorar solenemente a existência. Até estar assistindo a E3 e esbarrar em um trailer do filme, que me chamou bastante atenção. Depois eu encontrei um vídeo que falava da construção da nave Prometheus para o filme e quando eu fui assistir "Para Sempre" no cinema passou um vídeo que era falando dos cenários, dos atores... o que eu achei bem legal para colocar no cinema. Só por fazer isso diferente o filme já valia a pena. 
Em 2089, dois arqueólogos descobrem vários desenhos antigos de diversas civilizações que repetem um padrão e acreditam que eles estão relacionados a um planeta distante, de onde teriam vindo os nossos criadores (chamados de engenheiros ou deuses). Convencendo o dono da corporação Weyland, eles conseguem uma nave, a Prometheus, e uma equipe para ir até lá investigar. Simples assim. Nenhum plano exato, apenas a esperança de encontrar a resposta para uma das perguntas mais antigas: "De onde nós viemos?"
Se você pensar, principalmente pela relação do filme com Alien, vai saber que não vai ser tão fácil quanto eles imaginavam. Mas antes de ser um filme sobre respostas ou "terror" alienígena, "Prometheus" trata de uma ideia muito mais simples: "Até onde você iria para encontrar respostas?"**Aliás, o personagem David (Michael Fassbender), fala algo bem parecido no filme. Preste atenção nos diálogos. 
Esse é um filme que muita gente vai gostar e muita gente vai achar ruim. O principal motivo é que ele segue uma linha de história diferente da comum. Normalmente nós temos um "quem eu sou?" e o filme é sobre a pessoa descobrindo isso, ou um "onde está a pedra encantada?" e você assiste até eles encontrarem a tal pedra e pronto. Já "Prometheus" é diferente. Começa com a ideia de "De onde nós viemos?", mas acaba que eles descobrem que é mais complicado do que isso e passam por vários problemas que levam mais à resposta de "quem nós somos". É meio que filosófico, com cara de ficção científica e momentos muito tensos. Poderiam fazer a mesma discussão em um filme sobre uma mulher atualmente em Nova York, mas parece que fica mais legal discutir isso quando tem alienígenas querendo seu corpo nu.

O filme pode ser visto por 3 pontos, que são equilibrados. Se você for assistir só por causa de um ou ignorar algum deles, fica difícil gostar.

1- Ficção Científica
Uma nave gigante viajando por dois anos no espaço até um planeta distante. Tripulantes dormindo em estado de criogenia durante esse tempo. Robôs que parecem até gente. Tecnologia avançada. O visual de ficção científica é um ponto alto do filme, porque além de bem feito está faltando no cinema. Temos recentemente muitos (muito mesmo!) filmes de invasão alienígenas, tipo "Os Vingadores" (Loki é considerado deus [r]e com o Tom Hiddleston parece mesmo, mas ainda é um alienígena) ou "Battleship" (que é bem parecido com Prometheus, se você for pensar, mas em vez de ir até lá eles mandam um sinal). Contudo, nenhum tem aquela cara de ficção científica. Se preocuparam muito com isso em Prometheus (já viram falar dos sets? é uma das coisas que mais dão atenção) e fizeram bem. É uma sensação quase confortável.

2- Terror/alienígenas do mal
Eu não sei qual foi o lapso que eu tive que fui me meter em um filme com bicho feio (aka alienígenas nojentos). Já tive surpresa demais assistindo televisão sozinha na minha infância e há um bom tempo larguei essa vida, mas lá fui eu assistir Prometheus. Tem muito momento nojento e que dá nervoso, mas não chega a ser horrível. Eles poderiam ter feito pior e claramente não quiseram. Apesar disso ser o elemento que ajuda a dar tensão no filme, que te faz ficar agarrado na poltrona ou fechar os olhos, não é o pior. Na verdade, se você ficar esperando aquele filme de terror e tal, vai acabar se desapontando. Cuidado: não estou dizendo que não tem nada, minha avó ficaria horrorizada, mas dá para assistir até quem tem medo.

3- Questionamentos
Pessoalmente, esse eu acho que merece mais atenção. "Prometheus" não tem uma história simples que vem de bandeja como "Battleship", ela está dividida em vários detalhes jogados durante o filme. Se você não parar e refletir, dificilmente vai conseguir pegar tudo e o filme vai parecer "um bando de efeitos legais com um terror pra criança". Você pode encontrar várias discussões, como CriadorxCriação (em vários sentidos!), ReligiãoxCiência, o poder do conhecimento...



Muitos vão falar e eu tenho que concordar é que o filme tem "pontas soltas". Minha impressão é de que era um retrato com zoom, mesmo que você conseguisse ver bem aquela parte não conseguia interpretar tudo por causa das informações que você não consegue ver. A primeira cena, por exemplo, nós podemos deduzir e fazer relações com o resto, mas não dá para afirmar "é isso com certeza". Alguns vão se sentir insatisfeitos, eu até que gostei. Afinal, o mundo não é assim? 

Esse filme é como o início de uma história épica, mas apenas o início. Eu falei algo parecido na resenha de "Branca de Neve e o Caçador", mas não exatamente o mesmo. Lá era a história inteira em si, não a primeira parte de algo épico. Agora vamos ver se eles fazem uma continuação (há boatos, mas nada confirmado) que faça "Prometheus" deixar uma marca como referência.

>>>Conheça os personagens
Uma parte interessante do filme são os personagens e vale a pena conhecer. Os dois principais são David (Michael Fassbender) e Elizabeth Shaw (Noomi Rapace). Ele é uma espécie de robô da Weyland e tipo a "doméstica" (palavra do Ridley Scott) da nave Prometheus. Ele é que cuida das coisas enquanto os outros dormem e com certeza um dos personagens mais interessantes. A maior parte dos questionamentos do filme ficam em torno dele. Já a Elizabeth Shaw é uma dos arqueologistas e está ali pelo conhecimento, provavelmente a que mais tem fé na missão e participa das principais cenas de ação.

Agora personagens que têm algum nível de importância, profundidade a ajudam a manter a trama com mais detalhes e humanizar o filme. Meredith Vickers (Charlize Theron), trabalha para a Weyland e está ali para manter tudo em ordem (não vá assistir por ela, a Charlize Theron não tem muito destaque e seu personagem tem o maior momento #fail do filme). Holloway (Logan Marshall-Green), o outro arqueologista e par romântico da Elizabeth Shaw. Peter Weyland (Guy Pearce), o dono da corporação Weyland e a viagem dos outros é uma espécie de luxo que ele se dá (afinal, é rico, dono de tudo e está prestes a morrer).

>>>Prometheus é prequência de Alien? Não... 


Muitos por aí começam falando do filme dizendo que é uma prequência de Alien, mas não é bem assim. Havia uma ponta no filme Alien, os "Space Jockeys" (os engenheiros), que não havia sido explorada. Surgiu a ideia de criar um filme anterior com eles, mas levou anos até que Ridley Scott aceitasse a dar andamento ao projeto e acabou que se afastou de Alien. O universo é o mesmo e "Prometheus" pode até trazer algumas respostas para os de Alien, mas termina aí. Como o próprio Ridley Scott disse em uma entrevista: pode haver, sim, um filme depois de "Prometheus", mas esse não seria o primeiro de Alien.*
*Imagina que a J.K. Rowling decide fazer um romance em 1912 no universo de Harry Potter. Não teria nada a ver e nem seria necessário conhecer Harry Potter, a maior diferença seria que quando você lesse Harry Potter poderia ter uma maior ideia de um ou outro detalhe, como porque haviam parado com os clubes de duelo ou algo assim. 


Sobre a nota: Fica com 4,5 porque realmente falta algo para completar, mas todo o resto é muito bom. Uma história que, como eu gosto, pode ser vista de várias maneiras, cheia de detalhes e dá para pensar. Ao mesmo tempo, tendo que um filme de ação/aventura acima da média tem para entreter.

Classificação:
(4,5/5 conversinhas)

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Trilogia Millennium vira HQ


O lançamento da versão hollywoodiana do filme "Os Homens que Não Amavam as Mulheres" no Brasil é no próximo dia 27 e é nesse clima do universo de Stieg Larsson que lhes trago uma notícia: foi anunciada a capa da graphic novel baseada no primeiro volume!

Para quem não conhece, o primeiro volume da trilogia de Stieg Larsson traz Mikael, um jornalista, e Lisbeth, uma jovem hacker, investigando um assassinato. A HQ, que foi escrita por Denise Mina e ilustrada por Leonardo Manco, será lançada pela DC/Vertigo em novembro desse ano nos EUA. Por enquanto, ainda não há previsão de lançamento pelas terras tupiniquins.


As continuações da graphic novel só saem em 2013 e 2014 - se o mundo existir até lá, hahahaha. Enquanto isso, dá para assistir à adaptação cinematográfica sueca (que traz Michael Nyqvist como Mikael Blomkvist e Noomi Rapace como  Lisbeth Salander) e também ao remake americano (Daniel Craig e Rooney Mara fazem os papéis principais). 


Curiosidades:
>>>Vocês viram a imagem que abre esse post? Ela faz parte de um photoshoot maravilhoso que o Craig e a Mara fizeram para a revista Empire, confira mais aqui.

>>>Noomi Rapace, a Lisbeth de versão sueca, também está no novo filme do Sherlock Holmes, como a personagem feminina principal (Madam Simza Heron).

Até a próxima!