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sábado, 28 de julho de 2012

Vida após Potter: Respondendo à Pergunta


Com um pouco de atraso, mas aqui está. Acho que é engraçado que logo antes de escrever esse post, eu fui ver Batman. No começo apareceu o logo da Warner e a primeiro coisa que eu pensei foi em Harry Potter, por meio segundo eu até acreditei que começaria mais um filme da série. Acho que não tinha melhor forma de terminar o nosso mês de Harry Potter para responder a pergunta: existe Vida após Potter?

Esse mês fez 1 ano desde o último filme de Harry Potter. Um ano. Acho que esse tempo marca a diferença de aprender que você não está mais vivendo a constante espera por mais um número da história dos bruxos. Por que é essa a diferença, né? A gente cresceu esperando o próximo livro, o próximo filme... E meio que agora isso acabou.

Durante esse mês nós trouxemos algumas dicas para quem quer continuar, algumas discussões sobre quem está continuando. E o que nós vamos trazer nesse último dia? A resposta. Vida após Potter: ela existe?

Vamos começar com um banho de realidade:
Star Wars, O Guia do Mochileiro das Galáxias, Senhor dos Anéis... Tudo isso já "acabou" há muito tempo e o que vemos hoje em dia? Volta e meia surge uma novidade, os fãs brotam do chão e começam a dar ataque... Há até dia comemorativo e "manias" de fãs. Então, número 1: nada está perdido.
*Eu sei que tem "O Hobbit", mas ainda assim. A J.K. Rowling ainda pode escrever mais. O primeiro livro de "O Senhor dos Anéis" foi publicado em 1954 e o Tolkien já está morto vai fazer uns 40 anos. 

Mesmo que a série Harry Potter tenha finalizado e todos os filmes já tenham passado pelo cinema... Tem ideia da quantidade de coisas que está surgindo? O Pottermore foi uma delas, que foi uma forma meio universal de integrar os fãs e levar todo mundo para Hogwarts de vez. Você sabia que lá tem conteúdo extra, tipo a história da McGonagall? Tem o set de filmagem que foi aberto para visitação lá em Londres? Tem a Hogwarts inteira em Orlando e parece que vão fazer um parque em Los Angeles também.  Além disso, ainda tem esse novo jogo para playstation do livro de feitiços...

Tudo bem que a chance da gente ir para Londres para uma visita é pouca, mesmo que muitos dos fãs consigam passar por esses lugares. Eu sei que o Pottermore às vezes enrola, desanimou muita gente que foi parar na casa "errada" e é todo em inglês. Também sei que esse livro de feitiços é só para você largar o seu filho brincando. De qualquer forma, as coisas estão acontecendo, muito mais do que a gente imaginava. Não duvido nada que daqui a pouco apareça a notícia de A) Alguém escreveu um livro do universo de Harry Potter autorizado pela J.K. Rowling; B) Ela escreveu um novo livro; ou C) Façam outra adaptação (esse vai demorar um pouco mais, ainda está muito cedo). Isso se não inventarem desenho, série ou seja lá o que for. A verdade é: o legado dessa série e desses filmes de Harry Potter é tão grande que ainda está firme e forte mesmo um ano depois. Ainda não acabou.

Bem, agora vocês já viram que o mundo de Harry Potter tem potencial para continuar por anos e que, na verdade, ainda temos muitas novidades surgindo (aliás, vocês sabiam do novo box?).

Mas o que acabou?



Harry Potter não é um livro, nem um personagem com a porcaria de um raio na testa e nem um "símbolo do fanatismo". Harry Potter é uma época. Se não tivesse surgido quando surgiu a série não teria nem metade do efeito. O principal ponto é que nós crescemos com isso. Imagine Harry Potter como uma matéria extra na escola. Milhares de adolescentes no mundo inteiro no final do ano quando largavam a matemática e a geografia, passavam para magia. Esperar o novo livro/filme era uma data quase tão certa quanto o Natal (até porque com os preços que os livros eram vendidos muita gente "comemorou" os dois ao mesmo tempo). Ler um livro por ano, crescer junto com a série e ir acompanhando o crescimento... não tem preço. Esse é só um dos motivos pelo qual dificilmente teremos o "novo Harry Potter". Jogos Vorazes é extraordinário, mas quando as pessoas começaram a conhecer todos os livros já estavam lançados (além de serem poucos, além de já surgirem 9832 de séries por aí...).

Harry Potter também apareceu em um mundo "pouco povoado por séries", ou por crianças acostumadas a ler. Na verdade, se você tem um blog literário hoje, deveria mandar sua carta de agradecimento à J.K. Rowling. Não que tenha sido apenas ela, mas ela é com certeza um dos maiores motivos. Muitos autores até agradecem a ela.

Retornando... O que é que acabou? Acabou a escola. A maioria das pessoas dessa geração Harry Potter, que cresceram acompanhando, já terminaram a escola. E, do mesmo modo, se formaram em Hogwarts.

Então, foi essa época que acabou. De resto, está tudo igual. Existe Vida após Potter? Claro que sim, até melhor. Porque depois que você entra de verdade em Hogwarts, não tem volta (o resto é trouxa...). Por causa de toda fama, hoje em dia é mil vezes mais fácil qualquer um começar a ler e conhecer isso que nós vivemos durante os últimos anos. Sem falar que: você já leu todos os livros (os extras também)? Assistiu coisas tipo o A Very Potter Musical? Já jogou os mais de 7 jogos feitos ao longo desses anos? Tem acompanhado o Pottermore? Já foi ler fics?



Quem estudou em Hogwarts dificilmente esquece e é isso que a gente leva em frente. Seria MARAVILHOSO uma história oficial dos marotos, a vida do Dumbledore ou um no estilo "Voldemort troll, a oitava vida". Mas para quem quer mesmo continuar nesse mundo, ainda tem 908493489438 de fics espalhadas por aí. Eu sempre fui Rony e Hermione (se fosse contar a quantidade de fics que eu li deles... Não esqueço até hoje de ficar chorando com uma adaptação de "O Jardineiro Fiel"), mas vamos ser sinceros? Nem todo mundo gosta deles juntos. Com as fics vocês ainda conseguem encontrar todo tipo de coisas que vocês sonhavam. Harry e Hermione, Draco e Hermione, Draco e Gina (o Draco é tipo o campeão)... Encontrei até uma da Gina com a peixe dela. "A" porque não basta ser uma relação com um peixe, tem que ser homessexual.

É claro que a gente encontra muita fic sem sentido (já falei da Gina com a peixe?) e coisa mal escrita, mas também tem muita coisa boa. Um exemplo é a trilogia do Draco feita pela Cassandra Clare (sim, a autora de Instrumentos Mortais), que eu já escuto as pessoas falarem aqui no Brasil há mais de 6 anos.

E você, tipo o meu irmão que não começou a ler ou que leu tudo direto depois que estava lançado, isso não quer dizer que você esteja excluído. Acho que ler agora não é exatamente a mesma coisa (não poderia ser) e acredito que esse seja o motivo de muita gente não "gostar" de Harry Potter. De qualquer forma, os livros estão aí em qualquer livraria para qualquer um abrir e aproveitar esse mundo. Eu só estou dizendo que o que acabou foi essa época.


Para você que gostaria de veros outros CCSextas, tem sobre os atores e diretos, sobre o novo livro da J.K. Rowling e sobre como os fã sites como o Potterish estão se virando sem muito conteúdo.

E o CC criou um formulário para vocês nos contarem como está a SUA vida após Harry Potter. É só clicar aqui para responder.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

[Resenha] O Nome do Vento, de Patrick Rothfuss

por Dana Martins
- Livro: O Nome do Vento
- A Crônica do Matador do Rei - Livro 1
- Autor: Patrick Rothfuss
- Editora: Arqueiro
- Comprar: Submarino, Fnac, Ponto Frio.
- No skoob
- Continua em: "O Temor do Sábio" e "The Doors of Stone", ainda não lançado lá fora.







Mini-crítica: 
Game of Thrones de um só personagem, Harry Potter no passado, com um grande bardo e até participação especial de uma Alice [no País das Maravilha] dos esgotos. "O Nome do Vento" conta o início da vida de Kvothe, um desses grandes heróis de contos antigos que está perdido em uma pequena hospedaria, escondido enquanto os anos apagam seus feitos. O livro é dividido em três momentos diferentes, em que o personagem vai se definindo. O último e de maior destaque, da Universidade, é onde ele cresce como mago, músico e ainda descobre o amor. Apesar de começar devagar, a escrita bem trabalhada de Patrick Rothfuss compensa. Indicado para qualquer um que goste de histórias medievais que contam sobre a vida da pessoa (no caso, um herói em formação). Mesmo que apresente os seres retirados de algum inferno como qualquer Dragon Age (The Witcher e jogos do tipo), não é tanto para os mais novos*. É mais fácil gostar dos jovens adultos para cima.
*igual aos jogos citados, diga-se de passagem. A diferença é que para o livro a idade vem por causa de uma certa paciência e apreciação necessária para aproveitar, já os jogos é mais por causa da violência e sexo. 

Quer saber mais? Clique abaixo para conferir a resenha completa.

Esse é um dos livros que eu já tinha lido várias resenhas e foi isso que me convenceu a ler. Eu já tinha gostado da capa, mas eu achava que poderia não gostar tanto. Bem, nada do que eu li me deu ideia do que o livro realmente era e vou tentar evitar que vocês se enganem também.

Sinopse:
O livro começa a contar a história de Kvothe. Ele é um desses heróis de histórias contadas antigamente, mas o boca a boca estava desfazendo a sua verdadeira história e ninguém tinha certeza se ele fora um homem bom ou ruim, ou se algo daquilo fora verdade. O que realmente acontecera estava escondido bem fundo dentro do próprio Kvothe, que agora se fazia de um simples hospedeiro chamado Kote e se perdia aos poucos na própria máscara. Ficamos sabendo que ele está escondido, mas pouco é revelado sobre por que o grande herói se transformou naquilo. Entre os dias vazios da hospedaria, uma grande cronista acaba encontrando-o e convence Kvothe de contar sua verdadeira história. "Três dias", ele diz. "É o tempo que a história vai durar". "O Nome do Vento" é sobre o primeiro dia.

O primeiro dia abarca os primeiros anos da vida de Kvothe, até uns 16 anos. Nesse tempo, ele vai de uma grande trupe itinerante para a vida nas ruas de uma cidade cruel, até chegar à Universidade e começar a criar a própria fama.

Análise:
No início, a história vai devagar, mas para o final entra em um ritmo tão bom que chega a ser ruim o fim do livro "Logo agora que eu peguei o ritmo...". Em nenhum momento foi extremamente rápido e viciante, mas a leitura segue um ritmo bom e que tem a ver com o livro. Talvez você só precise de um pouco mais de força de vontade nas primeiras páginas.

Como eu disse, o livro é dividido em partes da vida dele. Três exatamente, que representam momentos diferentes. O primeiro, a parte da trupe, é onde ele começa a treinar simpatias e descobre a existência do "nome do vento", uma espécie de poder de chamar o vento como os grandes heróis das antigas histórias têm. É aí que ficamos sabendo o quanto ele é inteligente, nos desmanchamos diante do amor dos pais dele e o próprio Kvothe fixa seus objetivos.

A segunda parte é a que a atenção cai mais, porque o próprio Kvothe vira uma espécie de animalzinho. Ele não pensa e tudo o que faz é sobreviver à violência e à forme nos becos sujos da cidade. Me lembrou ao livro "A Passagem do Anjo", que também tem uma fase de transição em que o personagem fica na forma animal (lobisomem) e não pensa.

Quando ele finalmente consegue deixar isso para trás, chegamos à terceira parte. Ele não tem dinheiro, não tem nem roupas ou meios, mas quer ir para a Universidade. Ah, e sem falar que ele é novo demais.

Essa parte me lembrou muito a Harry Potter, porque é quase como se ele estivesse em uma escola de magia, precisando lidar com professores que não vão com a cara dele e tendo amigos. Mas não é de um jeito moderno e o universo do livro é mais aberto, já que ele pode ir e vir a vontade sem as regras e o isolamento de Hogwarts. Nessa parte ele está lindando com várias coisas, como o constante perigo de não conseguir pagar o próximo bimestre da Universidade e acabar se afastado dos estudos, a necessidade (e vontade) de avançar mais rápido do que os outros e a busca por criar uma grande imagem em torno de si. Ele ainda arranja tempo para criar um inimigo, ir atrás de uma garota especial e para a música.

Como você pode ver, essa parte é muito mais agitada. É nessa que estão as minhas partes preferidas, como uma em que Kvothe está tocando e você fica até sem fôlego. Estou falando sério, o autor consegue te fazer acompanhar as variações da música e as sensações. E, quando para, você sente muito mais o silêncio a sua volta. Lembro de estar lendo deitada e quando perceber estar sentada já.

Isso, é claro, vem de um dos pontos altos do livro: a escrita. Eu falei na resenha de "O Caderno de Maya" que quando eu comecei me fez lembrar do que realmente era ser escritor. Por acaso, acabei passando para outro que trouxe a mesma ideia. Patrick Rothfuss sabe como lidar com as palavras e transformá-las em sensações e imagens, além de ter um estilo próprio.

Tem duas coisas que eu adorei e quero destacar. A primeira é o romance. O autor consegue fazer uns casais tão legais. Se ele escrevesse um livro de romance seria lindo. Já a segunda são os diálogos, que às vezes são bem naturais e divertidos, principalmente nas conversas entre amigos. Só não coloco aqui porque os meus preferidos são spoilers, infelizmente.

Uma espécie de reclamação

Eu falei que nada tinha me dado uma ideia correta sobre o que o livro é, né? E algo que contribuiu bastante para a ideia errada é a sinopse do verso. O problema dela é que é mais uma sinopse para a trilogia inteira do que para o primeiro livro.
"Pouco a pouco, o passado de Kote vai sendo revelado, assim como sua multifacetada personalidade - notório mago, esmerado ladrão, amante viril, herói salvador, músico magistral, assassino infame."
Quem leu, pode encontrar sentido e até entender, mas a sinopse é feita para quem não leu e isso dá várias ideias erradas. O grande Kvothe ainda está sendo formado, nesse livro nós vemos como ele foi se transformando nisso. Eu também imaginei que ele seria desses com várias mulheres, quase um Jack Sparrow, mas ele está muito mais para um Edward da vida (idoso e virgem).

No início da sinopse também diz "Ninguém sabe ao certo quem é o herói ou o vilão (...) Na realidade, essas duas figuras se encontram em Kote", eu sei que é bonito falar assim, mas novamente dá ideia errada. Parece que é um desses livros que colocaram em destaque a ideia de herói e vilão, tipo Instrumentos Mortais, enquanto isso praticamente não faz a menor diferença.

Eu imaginava que era algo muito mais urbano, enquanto é mais rural. Se preferir, eu associava a Piratas do Caribe, enquanto esbarra em Game of Thrones (a série de TV, os livros eu ainda não pude ler).


Sobre a nota: Eu queria dar um 5, porque o autor é ótimo e a história também, mas não foi aquele livro que atingiu lá no fundo, sabe? Eu criei um carinho enorme pelo Kvothe, adorei a garota e a Universidade, mas faltou aquele "maravilhar". Me falaram que "O Temor do Sábio" é melhor ainda, vamos ver.

Classificação:



(4/5 conversinhas)



O livro foi um oferecimento da nossa parceira, a Arqueiro! Muito obrigada. E eu não sabia, no início do livro vem contando de onde saiu o nome "Arqueiro" e do criador da Sextante. Achei legal. :)




Então é isso, até a próxima!