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quarta-feira, 19 de setembro de 2012

[Resenha] O Inverno das Fadas, de Carolina Munhóz

por João Pedro 
- Livro: O Inverno das Fadas
- Livro Único
- Autora: Carolina Munhóz
- Editora: Fantasy
- Comprar: Submarino, Extra, Saraiva.
- No skoob









Mini-crítica: 
Aparentemente tudo vai bem em Fairyland. Exceto para uma criatura em particular: Sophia, uma espécie rara de fada que inspira os seres humanos e alimenta-se de sua energia. Faz muito tempo desde que ela absorveu a vida de uma vítima, e essa falta de alimento a está deixando cada vez mais fraca. Sua única esperança é o surgimento de William, um jovem escritor que vem atormentando seus sonhos. Porém, logo após o primeiro encontro, Sophia percebe que ele não é como os outros (e outras) que ela já seduziu: há algo muito mais profundo em sua relação do que apenas atração física. O único problema é: como poderia uma “fada-vampira” se apaixonar, quando isso levaria seu amado à morte?

Lendo a sinopse, dá a sensação de que o romance será como outros tantos que vemos por aí hoje em dia: um ser místico e um ser humano se apaixonam, surge um amor de início impossível, mas que resulta num final feliz. No entanto, a autora vai além disso. “O Inverno das Fadas” é um livro cheio de referências e que, apesar de conter falhas quanto aos personagens e à narração, tem uma história bem bacana. Com certeza é uma leitura agradável e que atinge em cheio seu público alvo.

Quer saber mais? Clique abaixo para conferir a resenha completa.

Olá, leitores do CC. Aqui é a Dana falando para anunciar essa resenha especial! Ela é colaboração do João Pedro, leitor aqui do blog. Me surpreendi e gostei bastante, espero que vocês também aproveitem. :)

“O Inverno das Fadas” é um livro bom, mas que poderia ser melhor. Houve algumas coisas mal aproveitadas e que empobreceram a história em alguns sentidos. Mesmo assim, a autora consegue prender o leitor do início ao fim com uma trama original e cheia de significados por trás das linhas.

O livro começa mostrando um pouco do mundo das fadas e seu funcionamento. Embora tenha sido uma boa escolha da autora trazer esta pequena introdução para apresentar o reino desconhecido ao leitor, a ideia foi um pouco mal executada. Há uma avalanche de informações pouco claras e que confundem bastante. Durante todo o livro há cenas importantes pouco detalhadas, enquanto outras não tão importantes assim (como o preparo de poções e execução de rituais) têm várias páginas de explicação. Os diálogos também são um pouco mecânicos, mas nada que comprometa muito o desenrolar da história.

O que ameniza um pouco esses pequenos defeitos são os elementos que a autora usa durante a escrita. Em cada fim de capítulo há uma frase de efeito, na maioria das vezes bastante inteligente, que deixa o leitor muito ansioso para ler o que acontece a seguir. Os títulos também são muito interessantes, cada um contendo o trecho de uma música em inglês – com a devida tradução embaixo – que se encaixam perfeitamente com o conteúdo do capítulo. Essas músicas são de artistas bem conhecidos, como Kelly Clarkson, Adele, Evanescence e Avril Lavigne, ótimos para o público-alvo do livro.

Os personagens também foram bem construídos, principalmente os dois protagonistas. Me senti realmente próximo deles, e torci a cada segundo para que os inúmeros conflitos e obstáculos em sua relação fossem resolvidos. O que faltou foi um maior aproveitamento dos personagens secundários, como o padre, a ex-namorada gótica de William e uma certa fada apaixonada, todos com grande potencial. Às vezes até sentimos que eles só aparecem para exercer uma determinada função no livro e depois não têm mais importância. É um pouco constrangedor.

Um dos pontos altos do livro é a ambientação. A história toda acontece em Keswick, uma cidadezinha da Inglaterra que tem por volta de cinco mil habitantes, e a autora soube como colocar no livro as características de uma cidade do interior. Foram inseridas coisas simples, como comidas típicas e tradições culturais, até características mais complexas, como a forte influência da religião na população. Tudo isso em cenários incrivelmente bonitos e muito bem colocados dentro da história. Merece aplausos.

Castlerigg Stone Circle, um dos principais cenários do livro. É ou não é mágico? *o*

Outra coisa legal é a originalidade quanto ao tema, que foge do estereótipo de fada que temos em mente.
“Quando se pensa em uma fada, logo se imagina uma vara de condão e feitiços para melhorar a vida das pessoas. Como na história de Cinderela. Só que ela [Sophia] não era o tipo de fada descrita nos contos com finais felizes.” - p. 235.
As fadas que vemos no livro são seres sedutores, perigosos e cheios de atitude. Isso, pelo menos pra mim, foi uma grande surpresa. Aliás, todo o livro foi uma surpresa. Eu realmente não esperava que ele fosse tão maduro. “O Inverno das Fadas” trata de muitos temas polêmicos que não vemos com muita frequência nos livros nacionais: drogas, suicídio, fama, sexualidade... Provoca muita reflexão no leitor. Eu até não indicaria muito pra que tem menos de 14 ou 15 anos, por causa das cenas picantes e pelos temas mais fortes.

Sobre a nota: O livro é muito bom e original, mas pelas falhas com a escrita, com os personagens e pelo final previsível, perde alguns pontinhos. Mesmo assim, se você gosta de um bom romance misturado com fantasia, não deixe de conferir. Vale super a pena (:

Classificação:
(3,5/5 conversinhas)

João Pedro F. Gomes, 16 anos, vive no interior de São Paulo e é estudante do ensino médio. Amante de literatura fantástica e YA, Harry Potter, The Voice, Taylor Swift e tudo que envolve cultura pop.

Mais histórias sobre esse tipo de fada? Veja:

quarta-feira, 13 de junho de 2012

[Resenha] Sirensong, de Jenna Black

por Dana Martins
- Livro: "Sirensong: O Perigoso Chamado da Rainha"
- Faeriewalker - Livro 3
- Autora: Jenna Black
- Editora: Universo dos Livros
- No skoob
- Primeiro: Glimmerglass
- Segundo: Shadowspell







Mini-crítica: 
Se você já chegou até Sirensong, o terceiro livro, não há por que não continuar. Apesar de que se você não leu, vai ler a pena chegar até aqui. Dessa vez Dana entra em uma viagem através de Faerie para ir visitar a Corte Seelie e vai descobrir muito sobre esse novo mundo. Sirensong consegue ir além dos outros dois e misturar tudo o que a Jenna Black criou de melhor. Novamente, nós não temos ideia das surpresas que a autora vai tirar da manga para mexer com a vida de Dana. Se há um lado negativo, é que você vai sentir falta dos personagens no final. 

Quer saber mais? Clique abaixo para conferir a resenha completa.

Sirensong é o terceiro livro da trilogia Faeriewalker e último. Teve gente querendo mais, mas a autora falou que por enquanto não tem previsão para nada disso. Ué, mas então o livro não termina a história? É como eu falei na resenha de Shadowspell, eu encaro essa trilogia mais como vários episódios de um seriado (ou temporadas, considerando cada livro). Cada um tem uma história própria e ao mesmo tempo ela tem a ver com uma principal, mas vamos ser sinceros: não há jeito da Dana resolver o próprio problema, não é como se ela tivesse sendo perseguida pelo Voldemort ou coisa assim. Na verdade, relacionando com Harry Potter, é como se ela fosse a Varinha das Varinhas. Só acaba confusão por causa dela se... alguém acabar de vez com ela. Até lá, volta e meia vai haver alguma grande confusão para ver quem vai "dominar" ela.

O primeiro livro, Glimmerglass, prende a sua atenção no início porque você está descobrindo tudo, então junto com a Dana você não sabe em quem confiar ou qual vai ser a próxima reviravolta a acontecer. Em Shadowspell, a curiosidade fica por contar de Erlking, um personagem atraente e perigoso ao mesmo tempo, que te faz questionar as intenções e surpreende. Já em Sirensong, em boa parte não há essa curiosidade. Pelo menos por umas 100 páginas, você sabe a situação de Dana, os inimigos dela e tem ideia do que vai acontecer. Então a leitura, apesar de para mim não ter sido muito diferente, pode ser meio parada para quem não se anima muito com a narração dela. Depois, é claro, isso muda e fica melhor ainda, com um acontecimento importante depois do outro.
Eu não fazia ideia de como a história ia continuar, mas depois de Shadowspell eu sabia que a autora poderia surpreender. Dessa vez, Dana Hathaway (e não Stuart, como o pai dela gosta de dizer) recebe a honra de ser convidada pela rainha Seelie a se apresentar diante da corte. O que significa viajar até lá, através de Faerie, para encontrar a mulher que abertamente deseja sua morte. A ideia já parecia ótima assim, só fica melhor ainda quando ela descobre que a sua outra opção é fazer a mesma viagem, mas como prisioneira. Adivinhe qual ela escolheu. Ah, e isso é só o começo. 
A viagem à Faerie é mais surpreendente do que podemos imaginar. Conhecemos novos seres feéricos (tanto Seelie quanto Unseelie), mais sobre a vida desses seres que em vez da tecnologia possuem a mágica e mais sobre os próprios personagens. Inclusive o lindo do Erlking (que apesar de todo perigo eu adotei para mim). Sabe, é mais como se os primeiros livros fossem apresentando e desenvolvendo os personagens, enquanto nesse nós ficamos conhecendo o resultado disso tudo.

A maior diferença entre esse livro e os outros é que muda um pouco o modo como toda a situação é retratada. Nos primeiros nós temos os acontecimentos e então a Dana super-analisando todas as situações e decidindo como vai seguir em frente. Nesse nós ainda temos a Dana calculista, mas boa parte do livro é surpresa com o novo lugar e tanta coisa acontecendo que a coitada não tem muita chance de pensar direito. Ou seja, para quem não gostava muito da narração dela, talvez esse possa ser o melhor.

Eu gostei muito de como essa trilogia se desenvolveu (mesmo sendo tão feminina e tendo uma narração tão pessoal que pode afastar muita gente), todo o clima de história medieval e mágica que tem nesse livro, do mundo das fadas, de como os personagens são tão bem criados e do lado jovem de tudo isso. Também, diferente do que eu imaginei, não é muito um YA “empacotado”, temos um pouco do triângulo amoroso, mas ainda há outros “jogadores” e os personagens interagem com a história de um modo mais livre*.
*Normalmente é tipo: “é um triângulo amoroso” e a história fica crescendo em volta disso. Mas na trilogia Glimmerglass coloca a situação, cada personagem tem os próprios interesses e eles se aproximam ou se afastam de acordo com isso. Às vezes forma um triângulo? Forma. Às vezes cai em uma situação bem YA? Cai. Mas outras vezes se afasta muito disso.


Sobre a nota: De 0 a 5, o livro fica com 4-quase-5. Ele é o que eu dei a nota mais alta da trilogia e só não ganha máxima por comparação com os outros que receberam o 5 (Jogos Vorazes, Harry Potter…). De qualquer forma, eu tenho um carinho especial pela história e a qualquer hora que a Dana conseguir arranjar mais problema eu estou aqui para ler.

Classificação:



(4,5/5 conversinhas)


Quero aqui agradecer à Universo dos Livros não só por ter enviado o livro, mas também por ter publicado toda a trilogia e em uma velocidade aceitável. É cansativo essas editoras que lançam 493393 livros, mas enrolam para lançar (quando lançam) o resto da série. 




quarta-feira, 7 de março de 2012

[Resenha] Shadowspell, de Jenna Black

por Dana Martins
- Livro: "Shadowspell: O misterioso Reino de Avalon"
- Faeriewalker - Livro 2
- Autora: Jenna Black
- Editora: Universo dos Livros
- No skoob
- Primeiro: "Glimmerglass: O Encontro de Dois Mundos"
- Próximo (e último): "Sirensong" (ainda não publicado no Brasil, previsão para esse semestre).









Mini-crítica: 
Essa é uma trilogia que eu encaro como aquele desenho que a gente assitia quando era pequeno (não sei por que, mas lembro de "Três Espiãs Demais" e "Sorriso Metálico"), você senta, passa um tempo junto, se diverte, gosta dos personagens e no dia seguinte volta para uma nova aventura. Mas não mais que isso. Shadowspell, o segundo livro da trilogia Faeriewalker, traz uma nova "aventura" de Dana, a garota faeriewalker metida em uma Disney onde a magia existe de verdade e que precisa conciliar entra a busca pela própria liberdade e o fato de que muitos a preferem morta do que usando seus poderes. Dessa vez, um novo feérico* aparece mostrando interesse em seus poderes e ela precisa decidir se confia ou não nele. Além disso, todos os feéricos bonitões continuam por perto, fazendo os dias de Dana piores - ou melhores. Ah, e cuidado: o livro contém partes com teor sexual e violência, não indicado para criancinhas.
*Feérico: que diz respeito a fadas. Maravilhoso, deslumbrante. (retirado de Glimmerglass)

Quer saber mais? Clique abaixo para conferir a resenha completa.
Quando eu terminei e li a resenha percebi que consegui fazer algo que fala de modo geral sobre o novo livro, mas sem spoiler desse ou do primeiro livro. Ainda assim, é melhor para quem já leu Glimmerglass (resenha do Paulo aqui), já que é mais um "o que esperar de Shadowspell...". 

Eu sabia que a situação da Dana teria que se resolver de algum modo, mas eu não imaginava como seria, principalmente por saber que esse não seria o último livro. Como é que a autora vai enrolar?

Bem, a primeira resposta veio logo no verso do livro: Não vai enrolar. Um elemento surpresa entra na história e muda tudo. Erlking, um rei sem reino, temido pelas rainhas feéricas e qualquer um em sã consciência de Faerie, surge porque acredita que uma faeriewalker tem lá seus valores e decide entrar no jogo político.

No geral, a história não se mostra realmente diferente do primeiro livro, tanto que poderiam ser um livro só se não fosse ficar meio cansativo. Parece até mais um episódio ou algo assim ("Em mais um dia de Dana em Avalon...").

Tudo o que se pode dizer de bem ou mal de Glimmerglass está nesse, a narração de Dana continua pessoal (e, portanto, se você não gosta do estilo ou do que uma garota pode pensar, novamene pode encontrar problemas) e todos os personagens conhecidos estão lá sem nenhuma grande surpresa, só a continuação simples e lógica de tudo o que teve no primeiro livro (ela conhece mais sobre Avalon, Faerie, magia, os outros personagens...).

O grande ponto desse livro é o Erlking, porque ele muda toda a perspectiva. Eu achei realmete muito bom porque é toda uma situação não esperada, mas um não esperado diferente. Porque algumas séries, como "Jogos Vorazes", trazem várias surpresas (final de "Em Chamas" que o diga), mas de alguma forma isso pertencia mesmo à história. O surgimento do Erlking é diferente disso, como se você tivesse um esquema pronto e de repente surgisse algo para bagunçar tudo e mudar a visão sobre os acontecientos.

O Erlking também não é um personagem comum, você (e a Dana) fica tentando decifrá-lo. Como eu disse lá no balanço de leituras, ele virou um dos meus preferidos.

Depois de ler eu finalmente entendi o título "Shadowspell", que me deixava curiosa para saber o que tinha a ver. E só agora colocando o post aqui que eu vi o veado na capa. Não gosto muito dela, mas ganhou alguns pontos da minha simpatia pelo detalhe.

Aviso: novamente (e mais ainda) a autora não segura muito a mão na descrição das cenas "hot". Eu acho importante avisar porque às vezes esse livro pode parecer para garotinha, mas a autora não parece se importar com o público, fazendo a história como ela é, e ainda trata de assuntos mais pesados.

Sobre a nota: Enquanto eu lia parei para pensar... Não era realmente um livro em que eu poderia encontrar pontos negativos, mas também não colocaria do lado de "Jogos Vorazes" na nota. Foi aí que eu lembrei de "O Herdeiro Guerreiro". Tanto esse quanto "Glimmerglass" são livros que eu gosto de ler, tem uma mitologia bem criada e interessante, personagens legais, mas que não causam toda aquela emoção. Por isso eles ficam com 4 conversinhas, tenho um carinho pela história, gostei de ler, mas realmente não são tudo aquilo. 

Classificação:



(4/5 conversinhas)


O livro foi um oferecimento da nossa parceira, a Universo dos Livros! Muito obrigado =)