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quarta-feira, 19 de setembro de 2012

[Resenha] O Inverno das Fadas, de Carolina Munhóz

por João Pedro 
- Livro: O Inverno das Fadas
- Livro Único
- Autora: Carolina Munhóz
- Editora: Fantasy
- Comprar: Submarino, ExtraSaraiva.
- No skoob









Mini-crítica: 
Aparentemente tudo vai bem em Fairyland. Exceto para uma criatura em particular: Sophia, uma espécie rara de fada que inspira os seres humanos e alimenta-se de sua energia. Faz muito tempo desde que ela absorveu a vida de uma vítima, e essa falta de alimento a está deixando cada vez mais fraca. Sua única esperança é o surgimento de William, um jovem escritor que vem atormentando seus sonhos. Porém, logo após o primeiro encontro, Sophia percebe que ele não é como os outros (e outras) que ela já seduziu: há algo muito mais profundo em sua relação do que apenas atração física. O único problema é: como poderia uma “fada-vampira” se apaixonar, quando isso levaria seu amado à morte?

Lendo a sinopse, dá a sensação de que o romance será como outros tantos que vemos por aí hoje em dia: um ser místico e um ser humano se apaixonam, surge um amor de início impossível, mas que resulta num final feliz. No entanto, a autora vai além disso. “O Inverno das Fadas” é um livro cheio de referências e que, apesar de conter falhas quanto aos personagens e à narração, tem uma história bem bacana. Com certeza é uma leitura agradável e que atinge em cheio seu público alvo.

Quer saber mais? Clique abaixo para conferir a resenha completa.

Olá, leitores do CC. Aqui é a Dana falando para anunciar essa resenha especial! Ela é colaboração do João Pedro, leitor aqui do blog. Me surpreendi e gostei bastante, espero que vocês também aproveitem. :)

O Inverno das Fadas” é um livro bom, mas que poderia ser melhor. Houve algumas coisas mal aproveitadas e que empobreceram a história em alguns sentidos. Mesmo assim, a autora consegue prender o leitor do início ao fim com uma trama original e cheia de significados por trás das linhas.

O livro começa mostrando um pouco do mundo das fadas e seu funcionamento. Embora tenha sido uma boa escolha da autora trazer esta pequena introdução para apresentar o reino desconhecido ao leitor, a ideia foi um pouco mal executada. Há uma avalanche de informações pouco claras e que confundem bastante. Durante todo o livro há cenas importantes pouco detalhadas, enquanto outras não tão importantes assim (como o preparo de poções e execução de rituais) têm várias páginas de explicação. Os diálogos também são um pouco mecânicos, mas nada que comprometa muito o desenrolar da história.

O que ameniza um pouco esses pequenos defeitos são os elementos que a autora usa durante a escrita. Em cada fim de capítulo há uma frase de efeito, na maioria das vezes bastante inteligente, que deixa o leitor muito ansioso para ler o que acontece a seguir. Os títulos também são muito interessantes, cada um contendo o trecho de uma música em inglês – com a devida tradução embaixo – que se encaixam perfeitamente com o conteúdo do capítulo. Essas músicas são de artistas bem conhecidos, como Kelly Clarkson, Adele, Evanescence e Avril Lavigne, ótimos para o público-alvo do livro.

Os personagens também foram bem construídos, principalmente os dois protagonistas. Me senti realmente próximo deles, e torci a cada segundo para que os inúmeros conflitos e obstáculos em sua relação fossem resolvidos. O que faltou foi um maior aproveitamento dos personagens secundários, como o padre, a ex-namorada gótica de William e uma certa fada apaixonada, todos com grande potencial. Às vezes até sentimos que eles só aparecem para exercer uma determinada função no livro e depois não têm mais importância. É um pouco constrangedor.

Um dos pontos altos do livro é a ambientação. A história toda acontece em Keswick, uma cidadezinha da Inglaterra que tem por volta de cinco mil habitantes, e a autora soube como colocar no livro as características de uma cidade do interior. Foram inseridas coisas simples, como comidas típicas e tradições culturais, até características mais complexas, como a forte influência da religião na população. Tudo isso em cenários incrivelmente bonitos e muito bem colocados dentro da história. Merece aplausos.

Castlerigg Stone Circle, um dos principais cenários do livro. É ou não é mágico? *o*

Outra coisa legal é a originalidade quanto ao tema, que foge do estereótipo de fada que temos em mente.
“Quando se pensa em uma fada, logo se imagina uma vara de condão e feitiços para melhorar a vida das pessoas. Como na história de Cinderela. Só que ela [Sophia] não era o tipo de fada descrita nos contos com finais felizes.” - p. 235.
As fadas que vemos no livro são seres sedutores, perigosos e cheios de atitude. Isso, pelo menos pra mim, foi uma grande surpresa. Aliás, todo o livro foi uma surpresa. Eu realmente não esperava que ele fosse tão maduro. “O Inverno das Fadas” trata de muitos temas polêmicos que não vemos com muita frequência nos livros nacionais: drogas, suicídio, fama, sexualidade... Provoca muita reflexão no leitor. Eu até não indicaria muito pra que tem menos de 14 ou 15 anos, por causa das cenas picantes e pelos temas mais fortes.

Sobre a nota: O livro é muito bom e original, mas pelas falhas com a escrita, com os personagens e pelo final previsível, perde alguns pontinhos. Mesmo assim, se você gosta de um bom romance misturado com fantasia, não deixe de conferir. Vale super a pena (:

Classificação:
(3,5/5 conversinhas)

João Pedro F. Gomes, 16 anos, vive no interior de São Paulo e é estudante do ensino médio. Amante de literatura fantástica e YA, Harry Potter, The Voice, Taylor Swift e tudo que envolve cultura pop.

Mais histórias sobre esse tipo de fada? Veja:

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Para quem gosta de música: Marina and The Diamonds

"Alguém que gosta muito de música tentando dizer por que esse artista chamou atenção. O nome para quem gosta de música não é à toa, essa coluna aleatória é dedicada a todos aqueles que adoram descobrir um novo artista. Aqui eles estão, aproveite e até indique algum." 

Hoje: Marina and The Diamonds
Origem: Reino Unido (Mais exatamente, Abergavenny, Monmouthshir. Boa sorte)
Similares: Katy Perry, Enya, Robyn, La Roux, Cher Lloyd, Muse, Florence and The Machine, Nicola RobertsEllie Goulding...

Finalmente o "Para quem gosta de música" está de volta! O nosso lugar no CC de indicar música para quem quer algo novo/diferente na playlist. Vamos começar pelo lado pop (e UK) da coisa com Marina And The Diamonds. Como eu falei em PQGdM anteriores, o pop britânico nunca é apenas pop, eles sempre parecem que estão criando algo novo. Dessa vez o pop vem com... Enya?

Eu não lembro bem como eu conheci Marina And The Diamonds, provavelmente em algum comentário do twitter, ou em alguma das vezes que o Paulo falou que não gostava dela. De uma forma ou de outra, foi só quando eu encontrei o post "10 músicas que você precisa ouvir" (veja aqui) é que eu realmente comecei a ouvir. "Primadonna" me conquistou de cara com o jeito pop eletrônico com base em um pop rock, uma mistura atual e ela ainda varia o jeito de cantar o tempo todo. É claro que ficou aí, né? Na época ela ainda não havia lançado o "Electra Heart" e eu me contentei ouvindo música da Neon Hitch (outra sem cd...).

Um bom tempo depois de deixar a Marina com os diamantes pra lá, lembrei que o cd finalmente havia saído. Eu não fazia ideia de como aquele tipo de música que eu encontrei em "Primadonna" se espalharia por um álbum inteiro, mas o resultado foi surpreendente.

também conhecida como Dona Florinda
STOP! Uma pausa para fazer uma comentário: antes do álbum Electra Heart ela havia lançado o The Family Jewels, mas não sei por qual motivo alienígena eu não percebi/dei atenção na época. As músicas dele também são legais, cada vez eu me surpreendo gostando mais. Só não indico como introdução.

Imagine um cruzamento da Katy Perry do One of The Boys com Enya (trilha sonora de Senhor dos Anéis) versão europeia com batidas eletrônicas um pouco mais puxadas. Eu sei que é bem difícil imaginar. A boa notícia é que você não precisa, é só escutar Marina And The Diamonds.
"É tipo pegar o Pavarotti e colocar pra cantar funk" - meu irmão sobre a voz dela, há um fundo de verdade.
Além disso, como eu falei de "Primadonna", ela usa a voz de mais de uma forma, às vezes com uma pegada clássica. No início dava a impressão até de que era mais de uma pessoa. Curiosamente, no clipe de "Primadonna" o cabelo dela começa preto e depois é loiro, o que dá uma sensação engraçada. Se você focar no preto, você vê uma pessoa. Se focar no loiro, você vê "outra".

olha bem....
"Primadonna": foi o que me conquistou, acho que vale a pena colocar aqui. Mas no final do post vou colocar uns links acústicos muito legais que eu acabei de descobrir. *-*


O que ouvir para começar? Fora a que foi citada mil vezes nesse post, duas me chamaram atenção: "Homewrecker" e "Teen Idle". A primeira é a que eu mais gosto, perdi a conta das vezes que andei por aí cantando "They call me... homewrecker, homewerckeeeer". Fica na cabeça. A segunda é mais viajada e o lado Enya da coisa, mas foi a letra que toda santa vez me chamava atenção:
 "Wish I’d been a prom queen fighting for the title, instead of being sixteen and burning up a bible... Feeling super, super, super suicidal" - tipo: wtf essa mulher tá cantando?
Uma das mais fáceis de gostar é "Hypocrates" (e essa eu indico a todos), é aquela tranquila que você escuta com a janela do carro aberta no fim da tarde. Eu poderia indicar todo o resto, mas para começar acho que essas valem. E depois que você se acostumar com todo o Electra Heart, aí você pode pensar em conhecer o "The Family Jewels" (sério).


Veja também
>>> Assista a um vídeo acústico de Lies
>>> Assista a um vídeo acústico de Homewrecker
>>> Assista a um vídeo acústico de Primadonna
>>> Veja outros Para quem gosta de música

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Brasileiros na Inglaterra: Giu Fernandes


Mais uma sexta, ou seja, mais um depoimento de alguém que já foi para o lugar que muitos desejam ir, a Inglaterra. 

Na semana passada tivemos o depoimento da Geovanna, que lutou bastante para conseguir chegar na Inglaterra. A convidada da semana, que também foi  fazer intercâmbio, é a Giu Fernandes do blog literário Amount of Words. Cliquem em "continue lendo!" para ler o que ela tem para dizer para vocês.

* No Tumblr estamos fazendo um desafio semelhante ao do mês passado, só que agora são artistas ingleses e, no momento, estamos tendo fotos de atores e atrizes ingleses. Para conferir o desafio basta clicar aqui.


Meu nome é Giu Fernandes, tenho 19 anos e estou no segundo ano de Direito. Eu sempre, sempre, sempre tive um fascínio por intercâmbios: eu ouvia relatos de quem já tinha ido (e adorado), eu devorava livros com essa temática e, ano passado, eu me perguntei por que eu não fazia um também?

Então, com 18 anos eu decidi passar um mês fora do Brasil. A princípio, a única coisa que você sente é animação e não-vejo-a-hora-de-embarcar-no-avião, mas quanto mais perto da data, maior o medo que dá... afinal, você vai sair do país! Sozinha!! Durante um mês (no meu caso)!!

Eu fiquei três semanas em uma pequena cidade há meia hora de Londres, em uma faculdade chamada London Holloway. Eu fui para treinar a falar inglês, mas, principalmente, pela experiência de sair do país e entender por que intercâmbios me fascinavam tanto.
London Holloway, foto tirada pela Giu
A ideia original era os Estados Unidos, mas optei pela Inglaterra de última hora para conhecer um outro país, já que tinha ido duas vezes para os EUA (e também porque na última semana eu viajaria pela Itália — uma oportunidade que não dá para deixar passar!).

Convencer meus pais foi ao mesmo tempo fácil e um pouquinho complicado: eles queriam que eu fosse, mas ao mesmo tempo não queriam. No entanto, eles apoiariam qualquer decisão e incentivariam minha vontade. Arrumar documentação não foi necessário porque eu já tinha tudo pronto. A parte da segurança foi um ponto decisivo para meus pais deixarem eu ir (o que também é uma boa dica para quem quer ir: escolha um lugar que você e seus pais gostem): eu fiquei no campus de faculdade, tudo era muito regulado, tinha refeitório (com uma comida horrível!!! A comida da Inglaterra não é seu ponto alto....) e os dormitórios — fato divertido: depois das onze, não podia sair do quarto. Mas sempre a gente sempre escapava e se encontrava no corredor. Os dormitórios eram conjugados e todo mundo quebrava “as regras” — era como se eu estivesse mesmo vivendo uma daquelas experiências que eu sempre li.

A Inglaterra é linda! Eu conheci várias cidades — Oxford, Brighton, Londres, Cambridge, Egham —, mas Londres e Brighton foram meus lugares favoritos. Brighton é uma cidade com praia (apesar de que mesmo no verão, estivesse frio demais para entrar no mar) linda! Londres dispensa comentários... a cidade é linda! De dia, de noite, com chuva, nublada, ensolarada! Uma das dicas que eu dou é experimentar um waffle em Lodres — são deliciosos! Ainda preciso comer um tão bom quanto o de Lodres!

As aulas... foram meio entediantes. Eu tenho certeza de que, apesar de a aula ajudar quem quer aprender inglês, o melhor lugar é na rua, conversando, se virando na cidade. É a melhor forma de aprender — interagindo com os ingleses ou com quem o único meio de se comunicar é com o inglês. É incrível o que você não faz quando quer saber como chegar em determinado lugar.. você fala inglês como nunca!

Esses 30 dias que passei fora do país foram ao mesmo tempo os melhores dias da minha vida, os mais ocupados, cheios de novidade, mas também muito complicados: não é tão fácil quanto parece estar em um país tão diferente, ainda mais se é a primeira vez, mas eu não trocaria a experiência por nada — nada! E se eu descobri por que eu gosto tanto de intercâmbios? Bom, eu descobri um pedacinho, que é que o intercâmbio é algo que você faz esperando muitas coisas, com muita expectativa, mas sem saber ao certo o que esperar. E essa é a graça do intercâmbio: você nunca sabe o que vai encontrar,  mas pode ter certeza é algo que te marcará para sempre. 

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Brasileiros na Inglaterra: Geovanna Giannini


E mais um mês começa. Dessa vez, em um clima internacional - na terra da rainha. 
Seja para estudar, trabalhar  ou 'apenas' passear, ir para a Inglaterra é o sonho de muita gente. Porém, alguns encontram certas dificuldades como falta de dinheiro, burocracia, etc. Então, para esse mês o ConversaCult convidou algumas pessoas que já foram para a Inglaterra e vão contar aqui suas experiências, dar dicas e tirar algumas dúvidas que o pessoal tem.

A primeira convidada é a Geovanna Giannini (ela já apareceu aqui no blog falando sobre alguns filmes que foram indicados ao Oscar 2012), para saber a história dela na Inglaterra clique em "Continue lendo!".

* No Tumblr estamos fazendo um desafio semelhante ao do mês passado, só que agora são artistas ingleses. Na primeira dezena do mês são os autores ingleses e nos vinte dias seguintes teremos bandas, cantores e atores. Para conferir o desafio basta clicar aqui.

>>>Dica: "O Mundo Segundo os Brasileiros", episódio Inglaterra.


Meu nome é Geovanna, tenho 20 anos, sou apaixonada por filmes (principalmente musicais), séries e livros, sou professora de inglês e aspirante a internacionalista.

Estive na Inglaterra do final de 2010 até a metade de 2011, e é sobre isso que estou aqui para falar.

A Inglaterra sempre me fascinou, especialmente a monaquia, com rainhas, príncipes, princesas, duques, lordes... E também os filmes, livros, música, o humor britânico, o estilo, a história, moda, foi tudo um conjunto bem magnético, que com o tempo ia me atraindo cada vez mais.

Talvez você se relacione com o sentimento que eu tinha, que era de ir pro mundo, de ter nascido pra ir pra outros lugares, não se conformar de ficar na mesma cidade, vendo as mesmas pessoas, com a mesma cultura, fazendo as mesmas coisas e com sonhos tão limitados. Eu precisava ir embora. E qual o lugar que eu idealizava chegar? A Inglaterra! Acho que eu pensava ser tão inalcansável por ser em outro continente, por ter a moeda mais cara do mundo, ou simplesmente porque a gente sempre acha que nosso objetivo final é tão difícil. Se você pensa assim, ou se simplesmente quer muito viajar para fora, esse post é seu! Vou te contar minha história (tentarei ser breve), e vou dar o máximo de informações para conseguir chegar lá, como eu consegui.

Bom, desde os 14 anos imaginava formas de ir para outros países (mas sempre querendo ir para juntar dinheiro e no final ir para a Inglaterra), fui em agências, vi intercâmbios para os EUA, Canadá, Nova Zelândia, Austrália e carregava minha mãe, que só falava "vamos ver". Chegou um momento em que eu vi que meus pais não iriam me "patrocinar", então eu teria que fazer por mim mesma. Trabalhei por uns meses e juntei dinheiro para ir por conta própria para Portugal, pois meu tio tinha um apartamento vazio lá. Devido à crise, foi impossível de arrumar emprego, e eu tinha tão pouca experiência de trabalho, que aí mesmo que ficou mais difícil, mas eu não ia desistir até chegar na minha terra prometida, a.k.a Inglaterra. Levei dinheiro para ficar três meses sem precisar trabalhar, mas um mês já tinha se passado, e nada! Então minha tia me apresentou para uma amiga que morava na Irlanda, e ela disse que eu poderia ficar na casa dela no interior. Lá fui eu! Cada vez mais perto. Fiquei encantada com Dublin, com a mistura de povos, os irlandeses ruivos, as senhoras com bochechas rosadas, os indianos nos mercadinhos, era tudo muito interessante. Como estava com pouca grana, fui lá para o interior, uma cidade com aproximadamente 3 mil habitantes, e, obviamente, sem empregos. Depois de 2 meses, devido à falta de emprego (só dava para ser diarista e babá, tentei ambos e não consegui, de verdade!) e de problemas pessoais, resolvi voltar, até porque meu dinheiro estava acabando. Então foi aí que o ANJO do meu pai se ofereceu para pagar meus custos na Inglaterra, já que estava tão perto!!! Arrumei minhas malas e fui embora, sem nem ter lugar para ficar... Isso é que era aventura (não recomendo pra qualquer um). A amiga de uma amiga de uma amiga da minha mãe me recebeu e disse que só dava para eu ficar na casa dela por 3 dias, e depois disso precisava ter arrumado outro lugar para ficar. Morar em Londres é caro se você tiver com uma renda em real, então eu multiplicava tudo por 3. Depois dos dias, eu não tinha arrumado nada por menos de 150 libras por semana, mas era o que dava... Para minha extrema sorte, a moça que eu fiquei os 3 dias tinha uma irmã com um quarto para alugar na casa, e foi lá que eu fiquei por quase 1 ano, até voltar para o Brasil. Meus gastos eram altos para pagar em real, por mês, minha despesa ficava entre 1700 e 2000 reais, taí porque você deve ir com tudo programado! Não consegui emprego, principalmente pela falta de experiência, e porque na verdade eu estava procurando um que fosse perto de casa também, o que complicava um pouco mais, bem no meio da crise econômica européia.

O que não falta em Londres (no Reino Unido inteiro) são escolas de inglês, eu estudei na St Giles pois tinha uma amiga lá, e fiz um preparatório excelente para o IELTS. Mas preste atenção: para requerer o visto de estudante, a imigração britânica não tem aceitado pessoas com nível baixo de inglês, você terá mais chances de ter o pedido de visto aprovado se for para estudar do nível intermediário para cima.

Antes de pensar em ir para qualquer lugar, pesquise se sua família tem alguma descendência estrangeira, de onde você possa puxar uma cidadania, ter um segundo passaporte pode fazer toda a diferença na hora de viajar.

Fiz uma lista das principais dicas que eu poderia te dar:
- Antes de ir, junte o máximo de dinheiro possível, começando com o valor da passagem (que pode ser parcelada em 5x na maioria dos casos), e pelo menos mais uns 3 mil reais.
- Se for viajar por agência, procure uma bem conhecida e que tenha bastante feedback na internet de pessoas que já viajaram por ela. Comece a planejar pelo menos um ano antes. 
- Se for sem agência, como eu, pesquise sobre a imigração, sobre o tempo permitido para você ficar como turista (varia de país para país, mas geralmente é de 3 a 6 meses), se é preciso pedir visto antes de ir ou não, preços de acomodações, sistema de transporte da(s) cidade(s) e faça orçamentos, sempre arredondando para mais. Comece a se preparar com bastante tempo de antecedência, e PESQUISE MUITO!
- Se for especificamente para Londres, há muitas atrações grátis, caso queira fazer um roteiro de baixo custo.
- A maneira mais barata de viajar pela Europa não é de trem, mas de avião. Empresas como a Ryanair e a Easyjet possuem vôos de até 0.00 euros! Você só paga a taxa de embarque. Claro que para isso, só pode viajar com uma bagagem de mão.
- Acompanhe sempre a cotação do dólar, vai ser sempre muito importante. A libra esterlina costumava ficar na casa dos R$6, e agora tá menos de R$3! Dedos cruzados para cair mais!
- Pense bem se é isso que você quer, pois é algo grande, exige muita preparação e sacrifícios.

Eu morei em Londres, mas conheci cidades do interior, e sugiro que você não fique só na capital. Se possível, conheça a Escócia, País de Gales e a República da Irlanda (ao sul). Se estiver com um orçamento mais folgado, vá para St Pancras em Kings Cross (é, a estação do Harry Potter) e pegue um trem Eurostar, que vai por baixo do Canal da Mancha até França, Bélgica, Alemanha, Suíça ou Holanda, e tem ida e volta por menos de £200.

A Inglaterra é o lugar para você se você gostar de castelos, museus, história, monarquia, Beatles, Oasis, Sex Pistols, Harry Potter, As Crônicas de Nárnia, Orgulho e Preconceito, moda, mistura de culturas, sotaques, musicais, teatro, e principalmente, de inglês! Se você achar mesmo que é o seu lugar, não se deixe abater por nada, corra atrás, é possível!

* Caso você queira saber mais sobre como foi quando a Geovanna ficou na Europa, clique aqui e visite o blog dela

terça-feira, 3 de abril de 2012

Para quem gosta de música: Nicola Roberts

"Alguém que gosta muito de música tentando dizer por que esse artista chamou atenção. O nome para quem gosta de música não é à toa, essa coluna aleatória é dedicada a todos aqueles que adoram descobrir um novo artista. Aqui eles estão, aproveite e até indique algum." 

Hoje: Nicola Roberts
Origem: Inglaterra
Similares: Robyn, Katy Perry, The Veronicas, Madonna, Ellie Goulding, DJ Marlboro...
*vá com mente aberta. 

Nos últimos "Para quem gosta de música" estivemos muito para o lado rock da força, agora vamos trazer um pouco de pop. Mas não o pop comum, vai ser o pop britânico da Nicola Roberts. O que eu acho mais legal nessas cantoras britânicas é que elas não fazem só um pop comum, elas praticamente criam um novo estilo. A Jessie J traz o pop "dos mano", com rap, rock e hip hop. Ellie Goulding, que já esteve por aqui, faz esse pop eletrônico-folk. Já a nossa convidada de hoje, Nicola Roberts, faz um pop indie-funk. Isso mesmo que você leu, funk - o brasileiro. Mas não se deixe levar pelo preconceito nem acredite que o pancadão vai baixar aqui no CC, continue lendo para entender.

Eu acho que conheci a Nicola em um YAY! Monday do Vibrasônico, vi um clipe e decidi ouvir o cd para ver como era. Acho que o que realmente me chamou atenção foi a imagem. A Nicola, em si, é diferente. Ruiva, branca até não poder mais e magrela. Mas todo os clipes, as fotos, site, cd (...) são bem feitos e trabalhados. Um estilo apelativo para mim.


No segundo momento, o que me chamou atenção foi o nome do cd "Cinderella's Eyes". E para quem estava em pleno vício de Once Upon A Time, qualquer coisa minimamente ligada a contos de fadas chamava atenção.

Agora você está se perguntando: e a música? Bem, a música não fica para trás. A Nicola Roberts leva todo esse trabalho de imagem para o álbum e ainda consegue fazer algo bom. Como eu disse, um pop cheio de batidas e indie.

O trabalho em cima do "Cinderella's Eyes" foi muito bem feito, é um álbum feito em vários detalhes e não só para agradar. Conseguiu trazer algo novo de uma salada de referências e ainda ser bem acabado, de um modo que passa a ser uma música comercial com consistência. E eu não falo só de som, as letras também me chamaram atenção. Não daquele modo que faz a sua tia dizer "oh, que linda", mas da forma como elas encaixam nas músicas e são um pouco temáticas ("Cinderella's Eyes", "Gladiator"...).

Happily Ever After...
Outra coisa que se destaca muito nas músicas é a voz dela. A voz não é tipicamente pop, pelo contrário, me faz lembrar a algo clássico e diferente. Então, quando você encaixa isso nas músicas dela, fica perfeito. Às vezes (eu estou dizendo às vezes!) me lembra à Madonna.

Eu encaro muito esse cd como a descarga de uma acumulação de potencial (e dinheiro). Para quem não sabe, a Nicola Roberts era a "renegada" do Girls Aloud, um grupo de cantoras formado por um reality show britânico. Até na página do Wikipédia dela fala sobre as dificuldades que ela teve na competição, de como um produtor disse que ela não ganharia e da eliminação dela (que depois acabou voltando e ganhando junto com as outras). Mesmo que ela tenha entrado para o Girls Aloud, dava para ver que ela era meio excluída*. Acho que isso serviu para ela crescer como artista e agora investir tudo com liberdade na carreira solo, criando um cd bom e que a valorizasse (as músicas são MUITO boas, mas a voz dela contribui bastante).
*Eu assisti alguns vídeos e dava para sentir isso, como na transmissão de um show em que a câmera está filmando o telão que aparece cada uma delas e na vez da Nicola filma a multidão e depois volta para mostra mais uma. Também vi um clipe em que ela estava cortada do enquadramento (se alguém puder me explicar aquilo...). E em alguns outros em que ela tinha pouco destaque nas músicas cantadas. 

"Yo-Yo": Esse não é o meu clipe preferido, mas a música é uma das mais fáceis de quem não conhece gostar. Indico muito "Beat Of My Drum", que até dança da bundinha tem.


Sobre as músicas: Algumas músicas são bem pop, do estilo Britney Spears ou Katy Perry (sem perder o tom de originalidade da Nicola), como "Yo-Yo" e "Lucky Day". Outras caem mais para um indie que poderia ser até de bandas com rock, tipo "Say It Out Loud". Se você gosta de uma mais lentinha, fique com "Sticks + Stones". Também há muito de eletrônico e as batidas estão sempre presentes. No início pode causar estranhamento, mas passando por um período de imersão você vai ouvindo todas as músicas e passando por momentos em que aprende a apreciar cada uma. Eu tenho um detalhe preferido em todas. Alguns exemplos: em "Gladiator" tem uma parte em que ela canta "Show show show..." que é impossível não lembrar do conhecido "Chão chão chão..." do funk brasileiro. Em "Porcelain Heart" ela dá um grito que eu adoro. Em "Lucky Day" tem o "You've got a fast car, so why the hell we driving slow?", que eu até já usei aqui no CC

"Pega o que na essência seria aquele pop bonitinho comum, passa uma camada de eletrônica, mais uma outra de um indie eletrônico cool europeu, tem referências nesses resgates a estilos comuns como o funk e joga a voz pura dela que é meio... não sei bem a melhor palavra, mas talvez clássica. No final, dá vontade de dançar."
Nem todas as imagens puderam entrar aqui, então veja outras fotos no tumblr.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Para quem gosta de música: Ellie Goulding

"Alguém que gosta muito de música tentando dizer por que esse artista chamou atenção. O nome para quem gosta de música não é à toa, essa coluna aleatória é dedicada a todos aqueles que adoram descobrir um novo artista. Aqui eles estão, aproveite e até indique algum." 

Hoje: Ellie Goulding
Origem: Inglaterra
Similares: Robyn, Owl City, God Is An Astronaut, Dragonette, Bon Iver...
*não consegui encontrar nada realmente muito bom, mas vá com mente aberta. 

Essa semana me deu vontade de falar da Ellie Goulding, então fui pedir ajuda ao Wikipedia para começar. Lá as músicas dela são classificadas nos gêneros: Indie pop, electropop, synthpop e folktronica. O que é uma boa definição. Mas não vá pensar que ela é uma dessas cantoras com músicas cheias de batidas eletrônicas como essas que tocam nas boates à noite. É claro que podem servir para isso, mas há alguns elementos que diferenciam e mostram por que vale a pena dar atenção a Ellie Goulding.

O primeiro elemento diferencial é o que eu imagino ser bem descrito com o gênero "folktronica". Se tirasse todas as batidas e desacelerasse, provavelmente encontraríamos algo como Bon Iver. Ellie Goulding é uma versão da garota com violão revestida de um estilo eletrônico frio, que às vezes lembra até um pouco a Owl City. O segundo elemento a destacar é a voz dela, que é tão importante que duvido que o efeito seria o mesmo se fosse outra pessoa cantando (e não é dessas vozes cheias de efeitos comuns no estilo). Já o terceiro são as letras, que fogem um pouco do padrão e são um pouco "picotadas", como se as palavras vagassem, mas ainda fazendo sentido. 


You show the lights that stop me turn to stone; You shine It when I'm alone...

O nome do album, "Lights", representa bem o que as músicas dela são (e a capa do "Bright Lights" também!). É mais como se você entrasse num quarto escuro cheio de lasers e se deixasse levar. Se eu tivesse que resumir a sensação que as músicas passam, eu diria: viagem espacial. Com certeza um bom cd para um astronauta levar quando for visitar a lua (se você for um astronauta, anote a indicação). Ou para deitar e ver as estrelas. É claro que o cd é representado em várias nunces disso, como "The Writer" que ela se afasta e cria um clima para aproveitar o vento no fim de tarde próximo à natureza, enquanto "Your Biggest Mistake" é mais para um pop-rosa-chiclete. 

"Starry Eyed": Esse clipe é provavelmente o que mais representa a Ellie Goulding e o que mais me marcou, só não esqueça de manter os pés no chão. 


Sobre as músicas: Eu descobri que gosto de todas de vários jeitos, então é difícil decidir. "Starry Eyed" já está li e a própria "Lights" também vale muito a pena. "The Writer" é linda, "Believe Me" é interessante (com um jeito mais para pop rock, mas ainda revestido do eletrônico) e "Everywhere I Go" já tocou até na série "The Vampires Diaries". Ah! E ela ainda tem uma nova versão muito boa de "Your Song" do Elton John. A verdade é que você deveria ouvir todas as músicas.

Ela já lançou os cds "Lights" e "Bright Lights", sendo o segundo quase uma versão deluxe do primeiro com 6 músicas a mais. Além disso, ela tem o EP "An Introduction to Ellie Goulding" e não não é difícil encontras "cds" com as músicas de algum show ou participações em música de outros artistas, como em "Summit" do Skrillex.

Extra: você pode baixar de graça uma música dela no site oficial.

Uma curiosidade nada a ver que eu vou comentar mesmo assim é ela me fazer lembrar da Luna Lovegood. Sim, a personagem de Harry Potter. Eu não sei se é a Ellie Goulding em si, se são as músicas ou a combinação entre os dois, mas se Harry Potter fosse mais urbano com certeza seria a trilha sonora perfeita para Luna Lovegood. 

Bem, acho que é bem isso. Diferente do The Maine ou do We The Kings, eu não tenho exatamente uma história com ela. Não lembro nem como eu conheci, só sei que eu conheço faz um bom tempo. Ela já até esteve aqui no blog, no CCTV "Porque caminhar é para os fracos..." (no vídeo do parkour toca uma música dela e o primeiro vídeo ela que indicou no twitter!). Às vezes, eu não consigo ouvir as músicas porque não estou no clima, mas ultimamente eu tenho estado num clima sci-fi que tem combinado muito bem.

Nem todas as imagens puderam entrar aqui, então veja outras fotos no tumblr.