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domingo, 30 de setembro de 2012

Guia de Quadrinhos: Graphic Novel vs. Comic Book


O Joshua viu nosso último post do Guia de Quadrinhos e falou que ainda não entendia muito bem a diferença entre comic book e graphic novel. Eu, Dana, tinha curiosidade de saber mais sobre os dois tipos,  então fiquei com isso na cabeça e decidi vir falar aqui. E aí, você sabe por que o do Avatar na imagem é chamado de graphic novel e o do Deadpool é chamado de comic book?

Pensa na diferença entre série e filme. Ambos usam imagem em movimento, som, (...) para contar história, mas desenvolvem com estruturas diferentes. Em série cada episódio (edição da comic) costuma ter início, meio e fim, às vezes com dois episódios se completando. Cada mini-história de um episódio se completa formando uma temporada. Se forem muitas temporadas, tipo Doctor Who, até há outras divisões para conjuntos de temporadas. Já os filmes cada um praticamente se basta, no máximo tendo esses I, II e III da vida.
*Comic book, comic, gibi, quadrinhos, essas revistinhas.... 


Se você acabou de chegar no planeta e nunca assistiu filme nem série, vou melhorar a explicação (tem que pensar nos leitores alienígenas, né?). Existem dois tipos de graphic novel:

1- Graphic Novel que é coleção de comic book. 

Uma coisa que eu sempre digo é que ler livro é muito mais fácil do que ler quadrinhos. Você pega o primeiro livro do Harry Potter e pronto, já sabe o que aconteceu. Se não for série, melhor ainda, já termina ali. A graphic que é coleção de comic é a mesma coisa: ela junta vários números dentro de um ciclo da história (tipo o dvd da primeira temporada de uma série) e você lê. Pronto. Tão simples quanto um livro (quase). Há quem chame qualquer compilação de quadrinhos uma Graphic Novel, mas não é bem assim. 

Pessoalmente, prefiro chamar só quando completa uma história. Esses dias na livraria peguei um de capa dura sobre a Mulher Gato que reúne algumas edições que contam uma aventura dela pela Europa. Beleza, Graphic Novel. Daí a pegar uma faixa aleatória de edições, tipo do número 134 ao 157 do Batman, e juntar, só para comprarem em bloco, eu continuo chamando de compilação de comic book. 


Em uma parte do gif acima diz "52 all-new graphic novel", o que eles fizeram foi pegar as comics dos Novos 52 que estão saindo e juntar em volumes. Depois que sai umas 6 edições, eles lançam tudo junto em uma "graphic novel", tipo Catwoman Vol. 1: The Game

Ao mesmo tempo, aqui no Brasil a DC é lançada pela Panini e eles sempre colocam na mesma edição mais de um número, ou às vezes mais de um título (esse da Catwoman aqui sai em "A Sombra do Batman", veja mais). Seria quase como dizer que aqui no Brasil não existe comic, só graphic novel. Não é bem assim, acho que o diferencial da graphic novel é ter um ciclo de história fechado e a vantagem de não precisar sair atrás de várias revistinhas perdidas

Cá entre nós, daqui a um tempo vai ser tão difícil encontrar um vol 1 desse da DC quanto a edição 1, mas até que facilita não ter que passar 6 meses grudado na banca. 

2- Graphic Novel que é um livro escrito com imagens

Imagina que você quer contar uma história e você decide fazer isso com imagens. Imagine que a Suzanne Collins escreveu Jogos Vorazes com imagens. Pronto, esse é o segundo tipo. Ele não é necessariamente a reunião de várias comics como no caso anterior. Muitas vezes a própria estrutura é parecida com a de livros, com divisão de capítulo e tal. Só que em vez de ler um bando de palavras, você lê imagens.

Um exemplo é a trilogia The Promise que continua a história da série Avatar: The Last Airbender (A Lenda de Aang), que é feita pelas mesmas pessoas e continua logo depois do final da série. Acho que eles queriam contar mais história, mas não rolava fazer algo tão "grandioso" quanto uma série de TV, então eles tinham duas opções: 1) escreviam um livro contando ou 2) faziam uma graphic novel. 
*um fato interessante: a própria série do Avatar é dividida em livros para cada temporada, Livro 1, Livro 2... A estrutura realmente é de livro, principalmente Korra, só que com imagens. 

A diferença é que a comic book pode continuar saindo quase para sempre, acaba sendo feita por várias pessoas diferentes e é trabalhada ao longo do tempo. É algo mais seriado, dividido. Já a graphic novel é mais autoral, às vezes realmente mais trabalhada e que pode se fechar em si. (não é regra! assim como não é regra para série e filme)

Outro comentário no último Guia de Quadrinhos é do João, que falou que graphic novel parece ser mais sério que comic book,  mas isso não é bem assim. Tanto comic quanto graphic novel podem ser todo tipo de coisa. Assim como existem livros mais sérios e livros mais "descomprometidos". Na verdade, é uma forma de contar história, assim como a escrita e a imagem em movimento. Nada tem a ver com o conteúdo. Há, com certeza, gibis/comics e graphic novels infantis. Assim como há erótico. Você pode ler um extremamente filosófico, ou um que é puro entretenimento. 


E agora? Você consegue diferenciar entre esses dois? Só pela quantidade já dá pra ter ideia: Aí na imagem tem vários do Deadpool e dois do Avatar. Os do Deadpool eu nem sonho em ter tudo o que era pra ter, enquanto o do Avatar só mais um e eu completo a trilogia. Outro diferencial (não é regra, mas normalmente é assim) é a qualidade. Não dá pra ver pela da imagem, mas enquanto o do Deadpool é o papel de HQ qualquer o do Avatar é mais duro e ainda tem lombada, sendo que é o tipo mais simples. Outros detalhes também fazem a diferença: só no do Deadpool tem data na frente e a parte de trás é propaganda. A primeira página do Deadpool é uma sinopse, créditos e depois vem história. No do Avatar parece mais com de livro. 

Enfim, são pequenas diferenças no formato e estrutura que aproximam mais a graphic novel de um livro. Novamente: nada é regra. Mas acho que com o que eu disse até aqui já dá pra pensar bastante no assunto e ir diferenciando.


Duas coisas para pensar: 
Graphic Novel parece mais sério porque às vezes é a desculpa de gente """cult""" para estar lendo quadrinhos sem parecer infantil.
Sempre que surge uma capa de livro no Japão que é estilo mangá tem sempre alguém pra comentar "lá tudo vira mangá!". Isso é porque essa narrativa com imagens é mais comum lá do que aqui, tem tanto quanto ou até mais valor do que a narrativa escrita (livro) aqui. 


domingo, 15 de abril de 2012

Discussão: Distópico vs. Pós Apocalíptico


O Paulo aqui do blog encontrou esse texto da autora Julie Kagawa ("O Rei de Ferro") falando sobre a diferença entre distopia e pós-apocalípse, que no meio dessa avalanche de livros desses estilos às vezes acabam sendo confundidos. A forma como ela enxerga e a opinião sobre o assunto é muito parecida com nossa, então nada melhor do que colocar aqui, né? E ainda dá para pegar dicas de alguns livros.

Distópico vs. Pós-Apocalíptico, por Julie Kagawa
O ano de 2011 veio e foi, e nós demos boas vindas a 2012 cheios de esperança, sonhos e ansiedade por causa de todos os livros que vão ser lançados nesse ano. O mundo literário foi inundado com listas de must-have em 2012, me fazendo perceber duas coisas.

1. Há um MONTE de livros distópicos e pós-apocalípticos sendo lançados esse ano.

2. Há um MONTE  de gente que pensa que os dois tipos são a mesma coisa.

E, como eu mesma tenho um livro pós-apocalíptico sobre vampiros que sairá esse ano ("The Immortal Rules"), eu pensei que poderia esclarecer as coisas. Pós-apocalíptico e distópico não são a mesma coisa. São dois gêneros diferentes; apesar de terem características parecidas, é errado misturar os dois. E vou explicar por que eu penso assim:

Distópico
Distópico tem sido um termo muito popular ultimamente, está na frase de efeito de todos os livros que apresentam uma sociedade futurística, ou um evento de fim do mundo, sobreviventes lutando contra situações horríveis, etc. Contudo, um livro de distopia é sobre a SOCIEDADE onde algo deu totalmente errado. Muitas vezes, o lado ruim e a corrupção da sociedade são retratados como algo normal, tipo em Jogos Vorazes em que a Colheita é um dia de celebração. Outras vezes, o lado ruim está escondido, apesar de sempre haver pistas logo abaixo da fachada cuidadosamente construída. Distopia é o oposto de utopia, onde a sociedade É perfeita e todos são felizes, a não ser pelo fato de que uma sociedade utópica quase sempre acaba se transformando em distopia, porque uma sociedade perfeita faria um livro bem tedioso.

Distopia e pós-apocalípse podem ser facilmente confundidos, porque uma sociedade distópica costuma surgir das cinzas que um evento pós-apocalíptico. No entanto, em um livro distópico o foco está na sociedade, no que há de errado nela, mais do que no apocalípse em si.

Exemplos de livros distópicos: Jogos Vorazes, 1984, Destino, Feios

Quer saber mais sobre distopia? Explicamos aqui.

Pós-Apocalíptico
Um livro pós-apocalíptico, por outro lado, é sobre um evento catastrófico que muda o mundo: enchentes, zumbis, epidemias, terremotos, tempestades solares, a lua saindo do alinhamento, etc. O evento pode já ter acontecido, ou estar acontecendo, mas um livro pós-apocalíptico é sobre os sobreviventes e como eles lidam com esse mundo novo - e letal. E pode até ter sinais de distopia no livro, como quando novas sociedades surgem do que sobrou da civilização. Mas um livro pós-apocalíptico é sobre os sobreviventes, e tudo o que eles enfrentam depois que o mundo acaba.

Exemplos de livros pós-apocalípticos: A Estrada, Life as we Knew it, A Dança da Morte, Ashes Ashes.

"The Last Of Us" é um jogo pós-apocalíptico

É possível um livro ser os dois? Sim, com certeza. "A Floresta de Mãos e Dentes" da Carrie Ryan me vem à cabeça. Claramente, o mundo foi tomado por um apocalípse zumbi, mas o livro é também sobre o vilarejo e a sociedade cercada pela floresta. Então há misturas. Mas eu quis apontar as diferenças entre distopia e pós-apocalípse, porque não são a mesma coisa. Então quando você pegar o livro que você está louco para ler, você vai saber do que chamá-lo.

Repare que essa é a opinião de uma pessoa sobre o assunto.

Comentário do ConversaCult
Acho que agora ficou um pouco mais claro, não é? Isso me fez lembrar das minhas inúmeras aulas em que eu precisei analisar um texto buscando certos aspectos (como procurando gêneros) e os professores insistiam mais ou menos umas mil vezes: "Não tem só um, mas tem um que aparece mais!". Na hora de classificar livros (músicas, filmes, etc.) é exatamente assim. Dificilmente você terá só um gênero, praticamente todos têm um pouco de romance ou comédia. Porém, ter um romance não significa que o livro seja um romance (ou vai dizer o que? "Tá querendo um romancezinho? Vai ler Harry Potter!"). 

O mesmo acontece com esses gêneros mais diferentes e que não estamos acostumados, tipo distopia e pós-apocalípse. A maioria dos livros dos dois tipos que eu li acabam misturando os elementos, às vezes chegando a ficar difícil definir o livro. Jogos Vorazes na maior parte do tempo é distopia, mas tem pós-apocalípse (Panem surgiu de onde?), sobrevivência (parte das arenas), ficção cientifícias (bestantes e todas aquelas coisas)... Ao mesmo que, Apocalipse Z, que nós indicamos no Distrito 13 para os fãs de Jogos Vorazes, começa como um clássico livro pós-apocalíptico, de um homem enfrentando o inferno para sobreviver aos zumbis; Mas a trilogia termina com uma distopia muito boa. 

Tá, e que diferença faz na nossa vida saber se é uma coisa ou outra? As classificações são para nos ajudar no meio desse mundo de opções a escolher o que queremos sem precisar ler um por um. E se você for ler uma distopia procurando pós-apocalípse, vai acabar não gostando e criticando um livro por algo que ele não é. Para você ter ideia, um livro que você talvez até tenha ouvido falar e provavelmente nem goste só pelo que ficou sabendo, "Sangue Quente", sofre com um problema assim**. Primeiro, você acha que é de zumbis. Depois, acha que é romance (de um zumbi com um humana!!!!). O livro tem esses elementos, mas não é sobre uma coisa nem outra, é sobre a recuperação da humanidade. O apocalípse que eles enfrentam não é só a destruição do mundo ou o ataque de zumbis, é a falta de humanidade. Aí você abre o livro procurando "The Walking Dead" ou Crepúsculo*, fica difícil. 
*Não que eu esteja culpando ninguém, a propaganda tem sido muito errada e eu tenho medo do filme transformar a história nisso. Quando eu comecei a ouvir falar, também achava algo assim, até que eu decidi ler o livro e ele apagou meus preconceitos. 
**Uma curiosidade do momento: depois de escrever esse post encontrei um comentário falando que o final de Apocalipse Z deixa muito a desejar, mas é porque acontece isso com a história: começa uma coisa, pós-apocalíptico, e termina como outra, distópico. Se a pessoa não aceitar os dois tipos, vai desanimar. 

Outros livros dos estilos:

"Divergent", de Veronica Roth. O primeiro livro não é distopia nem pós-apocalípse, mas a série/trilogia caminha para ser distopia 

"A Passagem", de Justin Cronin. Um pós-apocalípse mais adulto e com um toque sobrenatural (ou qualquer coisa que nós ainda não descobrimos), mas, como normalmente acontece, mostra um pouco sobre essas distopias que surgem das cinzas das civilização.

"Bios", de Luiza Salazar. Esse livro está no meio do caminho de tudo, mas consegue criar um estilo pós-apocalípse no início e para o final uma espécie de distopia.

"O Pacto", de Gemma Malley. Mais infantil e uma mistura entre utopia e distopia. 

"Os Anos de Fartura", de Chan Koonchung. Esse é mais para quem gosta do lado distópico-crítico da coisa, o livro traz verdades sobre o agora e o possível futuro que às vezes deixamos passar direto.

"Gone - O Mundo Termina Aqui", de Michael Grant. Imagine um Sidney Sheldon escrevendo uma série, com personagens mais novos, com detalhes mais crus e sobre um fim do mundo que é a sua cidade ficar isolada e todos maiores de 14 anos desaparecerem. Pós-apocalípse e, pelo menos no primeiro, nenhuma grande distopia chega a ser construída. 

"A Hospedeira", de Stephenie Meyer. Aqui os mundos são dominados por alienígenas que na busca da paz não exitam em passar por cima dos humanos. Pós-apocalíptico.

O texto foi cedido pela autora para tradução.