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sexta-feira, 13 de abril de 2012

Brasileiros na Inglaterra: Giu Fernandes


Mais uma sexta, ou seja, mais um depoimento de alguém que já foi para o lugar que muitos desejam ir, a Inglaterra. 

Na semana passada tivemos o depoimento da Geovanna, que lutou bastante para conseguir chegar na Inglaterra. A convidada da semana, que também foi  fazer intercâmbio, é a Giu Fernandes do blog literário Amount of Words. Cliquem em "continue lendo!" para ler o que ela tem para dizer para vocês.

* No Tumblr estamos fazendo um desafio semelhante ao do mês passado, só que agora são artistas ingleses e, no momento, estamos tendo fotos de atores e atrizes ingleses. Para conferir o desafio basta clicar aqui.


Meu nome é Giu Fernandes, tenho 19 anos e estou no segundo ano de Direito. Eu sempre, sempre, sempre tive um fascínio por intercâmbios: eu ouvia relatos de quem já tinha ido (e adorado), eu devorava livros com essa temática e, ano passado, eu me perguntei por que eu não fazia um também?

Então, com 18 anos eu decidi passar um mês fora do Brasil. A princípio, a única coisa que você sente é animação e não-vejo-a-hora-de-embarcar-no-avião, mas quanto mais perto da data, maior o medo que dá... afinal, você vai sair do país! Sozinha!! Durante um mês (no meu caso)!!

Eu fiquei três semanas em uma pequena cidade há meia hora de Londres, em uma faculdade chamada London Holloway. Eu fui para treinar a falar inglês, mas, principalmente, pela experiência de sair do país e entender por que intercâmbios me fascinavam tanto.
London Holloway, foto tirada pela Giu
A ideia original era os Estados Unidos, mas optei pela Inglaterra de última hora para conhecer um outro país, já que tinha ido duas vezes para os EUA (e também porque na última semana eu viajaria pela Itália — uma oportunidade que não dá para deixar passar!).

Convencer meus pais foi ao mesmo tempo fácil e um pouquinho complicado: eles queriam que eu fosse, mas ao mesmo tempo não queriam. No entanto, eles apoiariam qualquer decisão e incentivariam minha vontade. Arrumar documentação não foi necessário porque eu já tinha tudo pronto. A parte da segurança foi um ponto decisivo para meus pais deixarem eu ir (o que também é uma boa dica para quem quer ir: escolha um lugar que você e seus pais gostem): eu fiquei no campus de faculdade, tudo era muito regulado, tinha refeitório (com uma comida horrível!!! A comida da Inglaterra não é seu ponto alto....) e os dormitórios — fato divertido: depois das onze, não podia sair do quarto. Mas sempre a gente sempre escapava e se encontrava no corredor. Os dormitórios eram conjugados e todo mundo quebrava “as regras” — era como se eu estivesse mesmo vivendo uma daquelas experiências que eu sempre li.

A Inglaterra é linda! Eu conheci várias cidades — Oxford, Brighton, Londres, Cambridge, Egham —, mas Londres e Brighton foram meus lugares favoritos. Brighton é uma cidade com praia (apesar de que mesmo no verão, estivesse frio demais para entrar no mar) linda! Londres dispensa comentários... a cidade é linda! De dia, de noite, com chuva, nublada, ensolarada! Uma das dicas que eu dou é experimentar um waffle em Lodres — são deliciosos! Ainda preciso comer um tão bom quanto o de Lodres!

As aulas... foram meio entediantes. Eu tenho certeza de que, apesar de a aula ajudar quem quer aprender inglês, o melhor lugar é na rua, conversando, se virando na cidade. É a melhor forma de aprender — interagindo com os ingleses ou com quem o único meio de se comunicar é com o inglês. É incrível o que você não faz quando quer saber como chegar em determinado lugar.. você fala inglês como nunca!

Esses 30 dias que passei fora do país foram ao mesmo tempo os melhores dias da minha vida, os mais ocupados, cheios de novidade, mas também muito complicados: não é tão fácil quanto parece estar em um país tão diferente, ainda mais se é a primeira vez, mas eu não trocaria a experiência por nada — nada! E se eu descobri por que eu gosto tanto de intercâmbios? Bom, eu descobri um pedacinho, que é que o intercâmbio é algo que você faz esperando muitas coisas, com muita expectativa, mas sem saber ao certo o que esperar. E essa é a graça do intercâmbio: você nunca sabe o que vai encontrar,  mas pode ter certeza é algo que te marcará para sempre. 

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Brasileiros na Inglaterra: Geovanna Giannini


E mais um mês começa. Dessa vez, em um clima internacional - na terra da rainha. 
Seja para estudar, trabalhar  ou 'apenas' passear, ir para a Inglaterra é o sonho de muita gente. Porém, alguns encontram certas dificuldades como falta de dinheiro, burocracia, etc. Então, para esse mês o ConversaCult convidou algumas pessoas que já foram para a Inglaterra e vão contar aqui suas experiências, dar dicas e tirar algumas dúvidas que o pessoal tem.

A primeira convidada é a Geovanna Giannini (ela já apareceu aqui no blog falando sobre alguns filmes que foram indicados ao Oscar 2012), para saber a história dela na Inglaterra clique em "Continue lendo!".

* No Tumblr estamos fazendo um desafio semelhante ao do mês passado, só que agora são artistas ingleses. Na primeira dezena do mês são os autores ingleses e nos vinte dias seguintes teremos bandas, cantores e atores. Para conferir o desafio basta clicar aqui.

>>>Dica: "O Mundo Segundo os Brasileiros", episódio Inglaterra.


Meu nome é Geovanna, tenho 20 anos, sou apaixonada por filmes (principalmente musicais), séries e livros, sou professora de inglês e aspirante a internacionalista.

Estive na Inglaterra do final de 2010 até a metade de 2011, e é sobre isso que estou aqui para falar.

A Inglaterra sempre me fascinou, especialmente a monaquia, com rainhas, príncipes, princesas, duques, lordes... E também os filmes, livros, música, o humor britânico, o estilo, a história, moda, foi tudo um conjunto bem magnético, que com o tempo ia me atraindo cada vez mais.

Talvez você se relacione com o sentimento que eu tinha, que era de ir pro mundo, de ter nascido pra ir pra outros lugares, não se conformar de ficar na mesma cidade, vendo as mesmas pessoas, com a mesma cultura, fazendo as mesmas coisas e com sonhos tão limitados. Eu precisava ir embora. E qual o lugar que eu idealizava chegar? A Inglaterra! Acho que eu pensava ser tão inalcansável por ser em outro continente, por ter a moeda mais cara do mundo, ou simplesmente porque a gente sempre acha que nosso objetivo final é tão difícil. Se você pensa assim, ou se simplesmente quer muito viajar para fora, esse post é seu! Vou te contar minha história (tentarei ser breve), e vou dar o máximo de informações para conseguir chegar lá, como eu consegui.

Bom, desde os 14 anos imaginava formas de ir para outros países (mas sempre querendo ir para juntar dinheiro e no final ir para a Inglaterra), fui em agências, vi intercâmbios para os EUA, Canadá, Nova Zelândia, Austrália e carregava minha mãe, que só falava "vamos ver". Chegou um momento em que eu vi que meus pais não iriam me "patrocinar", então eu teria que fazer por mim mesma. Trabalhei por uns meses e juntei dinheiro para ir por conta própria para Portugal, pois meu tio tinha um apartamento vazio lá. Devido à crise, foi impossível de arrumar emprego, e eu tinha tão pouca experiência de trabalho, que aí mesmo que ficou mais difícil, mas eu não ia desistir até chegar na minha terra prometida, a.k.a Inglaterra. Levei dinheiro para ficar três meses sem precisar trabalhar, mas um mês já tinha se passado, e nada! Então minha tia me apresentou para uma amiga que morava na Irlanda, e ela disse que eu poderia ficar na casa dela no interior. Lá fui eu! Cada vez mais perto. Fiquei encantada com Dublin, com a mistura de povos, os irlandeses ruivos, as senhoras com bochechas rosadas, os indianos nos mercadinhos, era tudo muito interessante. Como estava com pouca grana, fui lá para o interior, uma cidade com aproximadamente 3 mil habitantes, e, obviamente, sem empregos. Depois de 2 meses, devido à falta de emprego (só dava para ser diarista e babá, tentei ambos e não consegui, de verdade!) e de problemas pessoais, resolvi voltar, até porque meu dinheiro estava acabando. Então foi aí que o ANJO do meu pai se ofereceu para pagar meus custos na Inglaterra, já que estava tão perto!!! Arrumei minhas malas e fui embora, sem nem ter lugar para ficar... Isso é que era aventura (não recomendo pra qualquer um). A amiga de uma amiga de uma amiga da minha mãe me recebeu e disse que só dava para eu ficar na casa dela por 3 dias, e depois disso precisava ter arrumado outro lugar para ficar. Morar em Londres é caro se você tiver com uma renda em real, então eu multiplicava tudo por 3. Depois dos dias, eu não tinha arrumado nada por menos de 150 libras por semana, mas era o que dava... Para minha extrema sorte, a moça que eu fiquei os 3 dias tinha uma irmã com um quarto para alugar na casa, e foi lá que eu fiquei por quase 1 ano, até voltar para o Brasil. Meus gastos eram altos para pagar em real, por mês, minha despesa ficava entre 1700 e 2000 reais, taí porque você deve ir com tudo programado! Não consegui emprego, principalmente pela falta de experiência, e porque na verdade eu estava procurando um que fosse perto de casa também, o que complicava um pouco mais, bem no meio da crise econômica européia.

O que não falta em Londres (no Reino Unido inteiro) são escolas de inglês, eu estudei na St Giles pois tinha uma amiga lá, e fiz um preparatório excelente para o IELTS. Mas preste atenção: para requerer o visto de estudante, a imigração britânica não tem aceitado pessoas com nível baixo de inglês, você terá mais chances de ter o pedido de visto aprovado se for para estudar do nível intermediário para cima.

Antes de pensar em ir para qualquer lugar, pesquise se sua família tem alguma descendência estrangeira, de onde você possa puxar uma cidadania, ter um segundo passaporte pode fazer toda a diferença na hora de viajar.

Fiz uma lista das principais dicas que eu poderia te dar:
- Antes de ir, junte o máximo de dinheiro possível, começando com o valor da passagem (que pode ser parcelada em 5x na maioria dos casos), e pelo menos mais uns 3 mil reais.
- Se for viajar por agência, procure uma bem conhecida e que tenha bastante feedback na internet de pessoas que já viajaram por ela. Comece a planejar pelo menos um ano antes. 
- Se for sem agência, como eu, pesquise sobre a imigração, sobre o tempo permitido para você ficar como turista (varia de país para país, mas geralmente é de 3 a 6 meses), se é preciso pedir visto antes de ir ou não, preços de acomodações, sistema de transporte da(s) cidade(s) e faça orçamentos, sempre arredondando para mais. Comece a se preparar com bastante tempo de antecedência, e PESQUISE MUITO!
- Se for especificamente para Londres, há muitas atrações grátis, caso queira fazer um roteiro de baixo custo.
- A maneira mais barata de viajar pela Europa não é de trem, mas de avião. Empresas como a Ryanair e a Easyjet possuem vôos de até 0.00 euros! Você só paga a taxa de embarque. Claro que para isso, só pode viajar com uma bagagem de mão.
- Acompanhe sempre a cotação do dólar, vai ser sempre muito importante. A libra esterlina costumava ficar na casa dos R$6, e agora tá menos de R$3! Dedos cruzados para cair mais!
- Pense bem se é isso que você quer, pois é algo grande, exige muita preparação e sacrifícios.

Eu morei em Londres, mas conheci cidades do interior, e sugiro que você não fique só na capital. Se possível, conheça a Escócia, País de Gales e a República da Irlanda (ao sul). Se estiver com um orçamento mais folgado, vá para St Pancras em Kings Cross (é, a estação do Harry Potter) e pegue um trem Eurostar, que vai por baixo do Canal da Mancha até França, Bélgica, Alemanha, Suíça ou Holanda, e tem ida e volta por menos de £200.

A Inglaterra é o lugar para você se você gostar de castelos, museus, história, monarquia, Beatles, Oasis, Sex Pistols, Harry Potter, As Crônicas de Nárnia, Orgulho e Preconceito, moda, mistura de culturas, sotaques, musicais, teatro, e principalmente, de inglês! Se você achar mesmo que é o seu lugar, não se deixe abater por nada, corra atrás, é possível!

* Caso você queira saber mais sobre como foi quando a Geovanna ficou na Europa, clique aqui e visite o blog dela