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quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Ser fã é lucrativo: Top 5 de celebridades-fãs


Os seus problemas acabaram e isso aqui não é nem um programa de comédia. Agora quando alguém falar que você está perdendo tempo sendo fã, você vai ter um bom contra-argumento. Essa aqui é uma lista de pessoas que através de sua devoção de fã conseguiram se dar bem na vida.

Encontramos um top 5 bem legal (e com boas surpresas, coisas que eu nem imaginava) no Cracked, então decidimos fazer uma versão traduzida, com comentários nossos e detalhes que nós fomos lembrando, além de acrescentar gente que nós conhecemos. Se você acha que o seu fanatismo é difícil de gerar dinheiro, esqueça isso. Não importa do que você seja fã, dá pra plantar uma árvore de grana e fama em cima. Seja a partir de obsessões por filmes, livros, séries ou até videogames.

5- O gamer viciado que foi parar no jogo


Os dedos podem doer depois de horas apertando botão, ou a bunda de tanto ficar sentado. Mas o que realmente incomoda é aquele falatório de "larga esse videogame!". Seth Killian simplesmente passou por cima disso. 

Hoje em dia vocês podem conhecer ele como... o chefão Seth, em Street Fighter IV


...ou como um funcionário da Capcom.

Como ele chegou lá?

Seth Killian foi um dos milhares de jogadores viciados em Street Fighter II na época da moda, mas ele levou um pouco mais a sério. Seth ficou tão bom no jogo que passou a participar de competições e, quando isso não foi suficiente, começou a organizar os próprios torneios.

Foi nesse ponto que ele entrou numa longa jornada para tentar convencer a Capcom a patrocinar seus eventos. Imagine as editoras brasileiras antes da internet. Pois é. O resultado foi frustração.

Ainda assim, Seth continuou a desenvolver suas habilidades como gamer e fazer seus torneios. Até que, anos depois, ocorreu uma mudança administrativa na Capcom e eles decidiram que era hora de fazer as coisas de modo diferente. Qual foi uma das medidas? Ir atrás de seu maior fã e oferecer um emprego.

É claro que nesse ponto o Seth já tinha pego raiva da Capcom e negou a proposta. E foi aí que eles falaram qual seria o pequeno projeto no qual Seth trabalharia: Street Fighter IV.

Hoje Seth Killian é diretor de estratégia, entre outras coisas, dos jogos da Capcom e prefere que seus amigos o chamem de S-Kill. Ah, e ainda virou o chefão do Street Fighter IV. 


Curiosidade: o corpo do personagem foi modelado de acordo com o tamanho exato do Seth.

4- A fã de Harry Potter que não estava tão no mundo da lua assim. Ou estava...


Imagine só aquela criancinha de 11 anos com um cosplay feito na base de canetinha em uma fila imensa esperando para ganhar autógrafo do livro recém-lançado. Quem diria que esse trabalho todo dado aos pais levaria Evanna Lynch a ser uma das principais estrelas do filme de Harry Potter?


Como ela chegou lá?

Anos antes de conseguir seu papel como Luna Lovegood, a pequena Evanna Lynch já aparecia nas páginas de jornal por seu fanatismo. Ela era só uma estudante irlandesa qualquer que adorava Harry Potter e queria acampar para o lançamento de A Ordem da Fênix, mas seus planos foram interrompidos porque ela foi hospitalizada. Incansável, a pequena Evanna Lynch fez os pais e os médicos concordarem em deixar elas sair por uma hora para se arrumar e ir para a fila conseguir um livro autografado.

Evanna era esse tipo de fã tão viciado que deu nomes dos personagens para os próprios bichos de estimação e que encheu tanto o quarto de pôsters que até bloqueavam a luz(!). 

Então, anos depois, quando começaram a fazer os testes de elenco para a personagem Luna Lovegood, ela decidiu tentar... junto com provavelmente cada garota adolescente num raio de mil quilômetros. A fila para audição se esticava por uma dúzia de blocos e consistia em mais de 15.000 potenciais Lunas entusiasmadas. Mas parece que uma tímida menina irlandesa tinha o fangirl power a seu favor.


Evanna surpreendeu a todos no seu teste com a interpretação, mas com foi sua atenção aos detalhes que ela realmente conquistou o papel. Ela fez questão de se vestir de uma maneira tão peculiar quanto a Luna se vestiria e até fez brincos de rabanetes (que depois eles deixaram ela usar no filme!). 

Desde então, Evanna Lynch tem sido elogiada como uma das melhores atrizes em uma série de filmes que conta com a maioria dos grandes atores britânicos. Talvez os outros teriam feito melhor se tivessem praticado as falas com um gato chamado Dumbledore.

Fãs uma vez... Será que a Evanna consegue um papel em Jogos Vorazes? Eu não teria nada contra.

3- O menino que entrou para o Esquadrão Classe A


Você provavelmente brincou de alguma coisa no jardim quando era pequeno. Era um dos Cavaleiros do Zodíaco, Power Rangers, 007... ou talvez tentasse se tornar um mestre pokémon. Mas e se, por acaso, você acabasse virando realmente o novo 007? Essa é a história do Sharlto Copley. 

Ele era uma criança da década de 80 muito muito muito viciada em Esquadrão Classe A que 25 anos depois virou um dos personagens no reboot. 

Só para refrescar a memória: ele é o protagonista daquele filme de alienígenas na África do Sul, o Distrito 9.
Como ele chegou lá?

Para começar, Sharlto Copley não é um ator. Não realmente, ele não planejou fazer filmes. Ele só era amigo do diretor de Distrito 9 e conseguiu fazer o filme basicamente sendo ele mesmo. Sharlto Copley improvisou todas as frases durante a gravação do filme.

Ele comemorando o aniversário... do personagem.
Mas a ambição de vida do Copley nunca fui estrelar um filme cult de ficção científica. Quando ele era criança, tinha uma obsessão diferente: a série Esquadrão Classe A. Se você não cresceu na década de 80 não faz ideia do sucesso que era. E ele, como todos os outros dessa lista, levou a sério demais. Na escola, ele e os amigos até criaram o próprio Esquadrão Classe A e venceram um Esquadrão rival. 

Mas a série acabou, ele cresceu, acabou estrelando Distrito 9... e enquanto divulgava o filme ouviu falar que Hollywood estava planejando fazer um remake de Esquadrão Classe A. Melhor ainda: ouviu falar que eles ainda não haviam contratado um ator para Murdock, sue personagem preferido.

Então ele fez exatamente o que vinha fazendo: improvisou. Gravou uma fita de audição no quarto do hotel interpretando o Murdock e causando confusão com um cachorro invisível. Sharlto Copley não tinha nada a ver com o ator que eles estavam procurando, mas Dwight Schults (que fez Murdock na primeira versão) gostou tanto que insistiu para que chamassem o Sharlto. 

Resumindo: Sharlto Copley passou a infância brincando de Esquadrão Classe A e 25 anos depois recebeu milhões para fazer a mesma coisa - e entrar no tapete vermelho em um tanque.


Sonhos 1, realidade 0. 

2-  O Geek que virou o Doctor Who


Temos aqui o clássico viciado, um dos mais fáceis de se reconhecer. Aquele que fala tanto tanto que ninguém mais aguenta. Imagine aquele fã de Jogos Vorazes que até os professores já sabem o que é Peeniss, ou eu com o meu novo vício de Avatar dividindo as pessoas em dobradores de água/fogo/terra/ar. Agora imagine alguém muito mais viciado do que isso: está chegando perto de David McDonald.

De fã viciado em Doctor Who... ele virou o próprio Doctor.

Como ele chegou lá?

Recentemente Doctor Who venceu Star Trek como série de ficção científica passando por mais tempo. Mais atores interpretaram o papel de Doctor do que o de James Bond. E na década de 70 quando o quarto Doctor (Tom Baker) protagonizava a série, seu maior fã no universo era uma criança geek chamada David McDonald.

ele tinha até um cachecol igual a esse
Mas era uma criança talentosa, mesmo que canalizasse todo esse talento para falar até não poder mais sobre Doctor Who  (um professor ainda tem um de seus trabalhos, intitulado "Intergalactic Overload", no qual ele fala sobre ter ficado obcecado em se tornar o "Time Lord"). David entrou para uma escola de teatro e só porque lá já tinha um cara chamado David McDonald, ele mudou o nome para... David Tennant. Agora faz sentido?


Como você deve imaginar, não foi a mudança de nome que garantiu o papel. Tudo começou mais ou menos enquanto ele trabalhava em uma peça teatral de rádio e ficou sabendo do que estava acontecendo no estúdio ao lado: o desenvolvimento de uma animação de Doctor Who que tentava reviver a série depois de 14 anos. Essa foi a chance do David Tennant. Ele se meteu no meio da produção e convenceu o diretor a dar a ele um pequeno papel.

Agora que já estava com o pé na porta, foi só um passo. Ele fez a audição para ser o novo Doctor e... perdeu para Christopher Eccleston. Mas um ano depois quando o Christopher saiu ele foi chamado. David Tennant foi votado a melhor versão de todos os tempos pelos fãs, o que faz sentido, porque ele conhece o personagem melhor do que qualquer um na história do universo.

E, como se isso tudo não fosse demais para a realidade, David Tennant ainda casou com a filha do Peter Davison, o quinto Doctor.

1-  E. L. James e a a fanfic que virou livro


Se você conhece um pouco do que tem acontecido no mundo literário, provavelmente já ouviu falar de "50 Tons de Cinza", o livro "erótico" que está roubando o primeiro lugar nas listas de mais vendidos e fazendo as editoras perceberem que sexo vende. Efeito parecido com o de um livro que talvez você conheça, chamado "Crepúsculo", que mostrou que sobrenatural e romance é uma combinação lucrativa.

O que muita gente não sabe é que "50 Tons de Cinza" começou como uma adaptação da história da Bella e do Edward publicada na internet. Uma fanfic para maiores de 18. Isso mesmo, uma dessas milhões de histórias espalhadas pela internet e escritas por milhões de fãs obcecados no mundo inteiro.

Como ela chegou lá?

E. L. James te seduz
Erika Leonard James, que também atende pelo pseudônimo E. L. James, sofria a famosa síndrome de dona de casa moderna (a mesma da Stephenie Meyer). Cansada da vida que levava, com filhos para cuidar e blablabla, ela encontrou em Crepúsculo, como milhões de pessoas, um vício incontrolável.

E, como qualquer fã com boa imaginação e uma obsessão, começou a escrever. Quando descobriu o mundo das fics, só ficou mais à vontade ainda e começou a publicar. Em nenhum momento ninguém tenta negar: os personagens principais de 50 Tons de Cinza são Bella e Edward em um mundo real realizando todas as fantasias sexuais de uma mulher de quase 50 anos que encontrou na internet um modo de "sacudir" a vida.

Como resultado, a fic fez tanto sucesso e confusão (por causa do conteúdo com os nomes do personagem de Crepúsculo) que ela passou tudo para o próprio site com uma nova formulação e publicou como um livro. Uma vez publicado, a fama de suas histórias se espalhou mais ainda até o que conhecemos hoje em dia.


Quem diria que ficar sonhando com os seus personagens preferidos poderia te levar para o topo dos mais vendidos?


E tem mais gente

Além desse pessoal todo que a gente citou, ainda tem muita gente por aí fazendo dinheiro com o seu fanatismo. Para você ter uma noção de como a coisa é rentável,  temos casos parecidos com a literatura YA do momento, vocalista de banda cover indo pra banda original e até outro caso de fanfic.

Quem leu e é fã de Jogos Vorazes pode começar a se animar: você pode estar no próximo filme da saga!  E se você acha que é impossível, pode ter certeza que essa palavra não existe no vocabulário de Isabelle Fuhrman, a Clove do primeiro filme (tudo bem que ela já era atriz, lembram de "A Órfã"?). Ela já era fã dos livros daquelas que lê mil vezes antes de ser chamada - e continua lendo, como  mostrou na entrevista à MTV brasileira.

Outra que também caminhou pelos campos férteis da literatura foi Cassandra Clare, autora de Os Instrumentos Mortais - Cidade dos Ossos. Assim como E.L. James, Cassandra tinha uma obsessão desmedida por seu livro favorito (Harry Potter) e na época era conhecida por suas fics da Draco Triology até aqui no Brasil. Por isso que muita gente encontra até hoje semelhanças inegáveis entre as duas histórias, muito embora não dê pra  dizer que é uma cópia. Atualmente o livro está até sendo adaptado para o cinema,

E na música? Temos o músico Tim Owens, vocalista da banda de metal Judas Priest*. Ele era do tipo adolescente fanático pelo grupo, começou a própria banda cover e imitava nos mínimos detalhes o Rob Halford, o vocalista na época. Foi tão reconhecido que quando surgiu a "vaga" de vocalista, não tinha ninguém melhor do que um cara que estava treinando para isso há anos. Imagina só crescer fã da banda e depois entrar pra ela?
*esse é original do top 5 do Cracked, que nós trocamos.

Se pesquisarmos, vamos encontrar por aí muitas outras pessoas que eram fãs e ficaram famosas por isso, seja fazendo parte do que idolatra ou simplesmente ganhando dinheiro. Até aqui no Brasil. Lembram da Babi Dewet? O livro dela Sábado à Noite era uma fanfic de McFly. Até a última vez que eu vi, ela não fazia parte da banda, mas se você conhece o nome dela com certeza é fruto dessa "vida de fã".


Agora você pode dizer pra sua mãe que ser fã é uma coisa saudável e até aconselhável. Ao que parece, é o modo mais divertido de enriquecer. Lembrou de alguém que também era fã e ficou famoso? Comente!  

terça-feira, 12 de junho de 2012

20 bolos de casamento nerd


Já vai casar, já vai gastar dinheiro... pelo menos que seja pra fazer algo legal, né? Nós pesquisamos e escolhemos os 20 bolos de casamento nerd mais legais entre os que estão circulando pela internet. Tem de tudo: Mario, Senhor dos Anéis, Assassin's Creed, Zumbis, 007, Doctor Who, Ghostbuster... No final do post nós do CC ainda comentamos e falamos qual escolheríamos para o nosso casamento. Vejam e nos digam o qual vocês preferem também. :)

1-
2-
3-
4-
5-
6-
É do jogo Halo, para quem não reconhecer
7-
Mistura Senhor dos Anéis e um monte de jogos. Aqui explica e tem a lista.
8-
9-

10-
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Stargate
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 17-
 18-
 19-
20-

E aí, gostaram? Achei alguns bem legais e dentro do contexto, tipo os dos zumbis e esses últimos do 007. O 15 deles chegando na igreja é muito bom (porque pra enfrentar um monte de zumbis assim tem que estar com muita vontade de casar...). E esse 19 do 007 indo buscar a noiva é um amor também. 


Equipe CC responde: Qual você escolheria para o seu casamento?

>>>Dana: Se eu tivesse que escolher um para o meu casamento, seria o 7, porque é simples, muito bonito e engloba um monte de coisas (o do 007 é tentador, mas a noiva está muito passiva para o meu gosto). O problema desses do zumbis (pra mim) é que eu não consigo misturar gente morta e comida. 


>>>Igra: Curti o 7 também, embora o último tenha me chamado atenção, o avião ficou sensacional. No geral, eu não gosto muito de bolos escuros, de modo que a maioria acabou sendo descartada, apesar de serem todos muito legais - mesmo. Assim como a Dana, não consigo misturar gente morta e comida (pode causar indigestão), e acho que é por isso que eu sou do tipo convencional: casamentos pedem bolos brancos, vocês não acham? 


>>>Paulo: Para mim os mais bonitos são o 4 e o 20, teria que pedir ajuda da minha noiva para escolher, hahaha. E adorei a ideia do 8 mas o resultado ficou muito "pesado", sabe? Não ficou bonito. O de Doctor Who também é super legal, mas eu mudaria as cores escuras e trocaria para o tradicional branco, o cinza me deu enjoo (?). 


Mais sobre bolo ou casamento?

sexta-feira, 4 de maio de 2012

DON'T PANIC: Douglas Adams


Essa é a primeira sexta do nosso guia do Guia (GUIACEPTION) do Mochileiro das Galáxias, que não é O guia, porque até o Neil Gaiman fez um guia desse Guia, então já começamos desafiando padrões extraterrestres. Porém, segurando firme a toalha, vamos seguir em frente e ajudar você, caro leitor, a não ficar tão perdido em maio, o mês dos nerds. Por que mês dos nerds? Porque é o mês das duas maiores celebrações nerds: o Dia do Orgulho Nerd e Dia da Toalha, que são comemorados, é claro, no mesmo dia, 25 de maio. Se você já está perdido, keep calm DON'T PANIC e continue lendo.

Quem já ouviu falar d' O Guia do Mochileiro das Galáxias? Douglas Adams, o autor da "trilogia" de cinco (deixemos para falar do "sexto" livro em outro post...) livros é o nosso queridinho de maio. Vamos falar dele, da série e de muitas outras nerdices por aqui. Para começar, apresentaremos a história inicial, uma pequena trajetória do que o tio Douglas fez e como surgiu a sua pequena série.


>>>Por que Nerd?

Para quem não sabe, Douglas foi um ateísta. Não que isso seja um pré requisito para ser um nerd. Mas o que diabos é ateísmo, você deve estar se perguntando. Ateísmo é aquilo que contrasta diretamente com o termo teísmo, que seria a crença em pelo menos uma divindade. Ou seja, em outras palavras, Douglas Adams era ateu. E um dos radicais. Um biólogo chamado Richard Dawkins lhe dedicou um livro, onde escrevia que Douglas havia se tornado ateu (dos extremistas) devido a sua compreensão completa da Teoria da Evolução*. Devido a tudo isso, e à sua fama inegável de pertencer mais à ciência e à tecnologia do que às artes, Douglas acabou se tornando um protetor fervoroso dos animais e do meio ambiente. Tinha também uma ligação (ou obsessão) por carros - automóveis em geral - e por câmeras. Ele era bem fã da tecnologia. Chegou a escrever textos sobre e-mails quando esse tipo de comunicação nem sequer era conhecida. Além disso, foi um professor extremamente requisitado nos tópicos (mais do que óbvios) da ciência e da tecnologia. Isso para você ter uma ideia da fama que o cara tinha.
*seleção e evolução natural das espécies a partir dos estudos de Darwin; juntamente com as pesquisas acerca de uma genética como base para a herança biológica de Gregor Mendel; e a teoria da genética populacional.

Essa coisa toda com animais talvez tenha nascido de sua criação muito próxima com a avó, que possuía um refúgio para os animais machucados. Quando os pais se separaram e Douglas e a irmã se mudaram com a mãe para a casa da avó, a proximidade apenas se intensificou. O que é irônico, no entanto, é que parece que ele segue completamente o esteriótipo de um cara nerd: Douglas desenvolveu asma. Só faltou o cara ser míope, pode falar.

>>>E a arte?

Douglas Adams, diferentemente do que você deve estar pensando, não se limitou à ciência. Ele era ligado - sempre foi - à criação e ao desenvolvimento de histórias (tendenciosas, que fique claro), e suas influências científicas e tecnológicas serviram de base para a criação de muitos enredos malucos. Douglas escreveu esquetes para uns caras da TV britânica, que ninguém jamais ouviu falar: Monty Phyton´s Flyng Circus. Ele também escreveu quadrinhos, participou de peças de teatro (escrevendo-as, claro), foi dramaturgo e até mesmo músico. O cara era de tudo um pouco, né minha gente. E pra você que achava que os nerds só podiam ficar enclausurados no quarto estudando a teoria da relatividade....

O Guia do Mochileiro das Galáxias a princípio era um programa de comédia da BBC transmitido pelo rádio. Mais tarde, se desenvolveu para uma série de livros que inicialmente era uma trilogia. Sabe como é essa coisa de inicialmente, né? Sempre tem mais alguma coisa para ser contada. O Guia do Mochileiro tem críticas explícitas ao consumismo, à política, à burocracia (ou ausência dela) e até mesmo às manias das pessoas. Tudo usando de um humor escrachado e de uma ironia bizarra. O efeito quase nos faz questionar se Douglas Adams era, além de nerd, um idealista.


Nos livros, ainda percebemos influências - além das óbvias já citadas - musicais, como Bob Dylan, The Beatles, Pink Floyd, Procol Harum e muitos outros. Adams teria usado o Pink Floyd para criar a banda fictícia "Disaster Área", descrita nos livros como “não só a banda de rock mais alta na galáxia, como na verdade o maior ruído de qualquer natureza”. A proximidade com o Pink Floyd talvez tenha sido gerada porque Adams era amigo do guitarrista da banda. Ele chegou a ser convidado, em seu aniversário de 42 anos*, a fazer uma participação num concerto que aconteceu em Londres, onde apareceu em duas músicas: "Brain Damage" e "Eclipse". Sim, ele sabia tocar guitarra. E tocava de modo canhoto, além de algumas fontes afirmarem que o escritor tinha 24 guitarras diferentes em sua casa. Pra que colecionar bolinhas de gude, se a gente pode colecionar guitarras....
*O número 42 teria um significado especial, sendo referência para a última questão do Universo, da Vida, de Tudo. Além disso, foi também quando Douglas tinha 42 anos que nasceu sua filha Polly.

Douglas também era amigo de Gary Brooker, integrante de outra banda que teria influências em O Guia do Mochileiro das Galáxias, o Procol Harum. Gary seria o vocalista, pianista e compositor de rock progressivo (deu pra notar que os amigos dele também faziam muitas coisas ao mesmo tempo...). Assim como no concerto do Pink Floyd, Adams também tirou alguma experiência tocando com seu amigo musical, dessa vez participando da música “In Held Twas in I” num show do Procol Harum.

>>>Ciência e Arte

Para quem não sabia, Douglas Adams também criou jogos de computador. Ele escreveu, arquitetou e deu "vida" à sua ideia, unindo em um só lugar toda a ciência e a tecnologia da qual jamais se distanciou, e a arte que sempre esteve presente em sua vida. Em 1984, juntamente com o Steve Meretzky, da Infocom, Douglas criou uma versão de ficção interativa de HHGG. Douglas ainda esteve presente em reuniões da equipe de jogos da Lucasfilm, onde participou ativamente da criação do jogo Labirinto. Ele também foi responsável pela criação do jogo Starship Titanic que só foi publicado em 1998 pela Simon and Schuster (três anos antes de sua morte por ataque cardíaco).


O Guia do Mochileiro também teve sua versão dos jogos. Primeiramente, tornou-se série de televisão, e posteriormente gerou projetos paralelos que desenvolveram jogos como o Bureaucracy. O Starship Titanic também teria sido criado com base no Guia, e Adams ainda ia escrever um livro sobre isso, mas estava ocupado demais com o jogo para se dedicar integralmente. Porém, o livro "Douglas Adam’s Starship Titanic" foi lançado, escrito não pelo próprio Adams, mas pelo escritor também britânico Terry Jones.

O editor de Douglas Adams teria tido que, devido a toda essa movimentação, trancar Douglas num quarto de hotel com uma máquina de escrever para que ele terminasse a série O Guia do Mochileiro das Galáxias. Na verdade, Duglas assumiu que isso realmente aconteceu.

>>>Curiosidades

Em homenagem ao Douglas Adams, foi criado o Dia da Toalha, que é celebrado no dia 25 de maio. A escolha da "toalha" é por causa do fato de que, n' O Guia do Mochileiro, Adams gastou uma página inteira falando de uma toalha e sua importância para a história. A data é comemorada pelos fãs e nerds no geral com o uso da toalha durante o dia todo, ficando grudados a ela até ser dia 26. Algumas pessoas preferem enrolá-la na cabeça, outras a usam como capa ou qualquer outra maluquice que se julgue conveniente.


Sua participação na rádio gerou a Douglas uma oportunidade na série televisiva Doctor Who em 1979, quando o Doutor era interpretado por Tom Baker. Três episódios teriam sido escritos pelo autor, mas apenas dois foram ao ar, sendo eles - até hoje - considerados alguns dos melhores episódios da série.

Neil Gaiman, por incrível que pareça, também era amigo de Adams. Ele tinha umas amizades incríveis, pode falar. Gaiman, para quem não sabe, é autor de vários quadrinhos e romances (inclusive Sandman e Stardust). Em 1988, após a publicação dos quatro primeiros livros da série O Guia do Mochileiro, Gaiman - ainda desconhecido -, escreveu um livro sobre O Guia e sobre Douglas Adams, cuja capa você pode conferir abaixo. O livro se chamava Don't panic (não entre em pânico), nome que motivou o título do nosso especial e virou um marco para os fãs. Gaiman escolheu tal expressão porque ela na verdade é usada inicialmente no próprio Guia :D