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sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Guia de Quadrinhos: Porque comic book, mangá e graphic novel é tudo a mesma coisa, não é?


Senhoras e senhores, chegamos à última sexta-feira de setembro!

Se nas últimas semanas indicamos alguns quadrinhos que gostamos, hoje vamos fazer diferente – vamos falar dos próprios quadrinhos.

Primeiramente, quero que você, leitor, perca qualquer preconceito que tiver com histórias em HQ. Seja sincero: quando você pensa em quadrinhos, as primeiras coisas que lhe vem à mente são crianças lendo gibis da Turma da Mônica ou estereótipos de nerd lendo revistas de super-heróis. É um pensamento muito comum, sim, mas o que acha de pensar de outro jeito? Essa é a proposta de hoje. 

Esse pensamento vem lá das nossas infâncias, quando nossas estantes são constituídas basicamente por livrinhos de pintar, livros que têm pelo menos metade das páginas com ilustrações e os próprios gibis. Com isso, as pessoas acabam inferiorizando esse tipo de literatura, enquanto deveriam ser tratados e glorificados como os livros são.
* Pensando e escrevendo sobre isso, imaginei criancinhas lendo “Kick-ass”, por exemplo. Totalmente traumatizante.

Enquanto elaborávamos esse post, a Dana escreveu algo perfeito sobre isso: “Vale lembrar um diferencial: essas histórias infantis são imagens que exemplificam a narração para incentivar a imaginação da criança. Já a história em quadrinho em si, pelo menos 80% da história, é contada na imagem. Mesmo que seja uma leitura diferente, ainda é uma forma de leitura. Não significa que é infantil só por ser imagem e, hipoteticamente, mais fácil de entender.”

Não preciso ser o professor Xavier para saber o que ela está pensando: o que estou fazendo aqui?!?!?!
E esse preconceito não fica só no meio dos leitores; obviamente, as livrarias inferiorizam esse tipo de literatura. Aliás, eles mesmos acabam sendo os responsáveis pela pequena quantidade de leitores de HQ no meio popular. É irritante como a área de quadrinhos é pequena mesmo nas maiores livrarias. Em muitas lojas da Saraiva, por exemplo, o setor de brinquedos é maior (e tem mais destaque) que o de quadrinhos. Os moradores de cidades maiores ainda têm algumas lojas só para esse tipo de literatura, mas quem mora em cidades pequenas acaba tendo que recorrer a lojas físicas.

Essa deveria ser a sua reação...
Sobre isso, a Dana completa: “Acho que uma das maiores irritações de fãs de mangás é que em livrarias eles sempre são jogados juntos, em um canto só, às vezes do lado da Turma da Mônica, como se fosse tudo a mesma coisa e infantil. Se não fossem tão poucos os títulos por aqui, dava pra fazer uma livraria inteira só de mangás e com mais divisões do que "infantil", "infanto-juvenil" e "literatura estrangeira". Eu já não aguento quando vejo Jogos Vorazes do lado de "Fala sério, mãe" e a biografia do Fiuk, imaginem com os quadrinhos, que não há o mínimo de respeito na maioria dos casos...”

Quais são os tipos de história em quadrinho?

Agora que você já deixou seu preconceito de lado (por favor, não me decepcionem, leitores), vamos falar dos diversos formatos de histórias em quadrinhos, as diferenças entre eles e também indicações de cada um.

As crianças adoram!
>>>Comic books
Bom, logo que se fala de HQ, os comic books são os primeiros a serem lembrados. As revistas em quadrinhos (ou gibis, como também são chamadas no Brasil) são publicadas em série, muitas vezes com um volume por mês. As histórias que são publicadas nesse formato são na maioria sobre super-heróis, que estão no mundo dos quadrinhos praticamente desde que esse mundo realmente nasceu.
* Obviamente, existem exceções, como os gibis infantis, por exemplo.

A Marvele a DC são empresas que estão aí há muitos e muitos anos e hoje são as maiores e mais conhecidas produtoras de comics do mundo. Se você vai começar nesse universo agora, uma dica é recorrer à internet e procurar arcos mais antigos das histórias dos super-heróis porque se você for às lojas hoje em dia a maioria vai estar em números bem altos, o que deixa difícil acompanhar. Mas se você quer ter os quadrinhos físicos mesmo, tem a Biblioteca Histórica Marvel, que reúne vários volumes em edições de luxo (veja mais aqui). A melhor opção é para quem gosta da DC, que como vocês já devem ter visto, cancelou todas as suas histórias e recomeçou-os da edição 1 recentemente com Os Novos 52.

Para quem gosta de histórias mais sombrias e sem muitos super-heróis, vale a pena pesquisar os quadrinhos da Vertigo. Ela é uma espécie de selo adulto da DC e publica histórias para um público mais velho. O esquema deles é mais ou menos o mesmo que o dos quadrinhos de super-heróis (revistas mensais), mas aqui no Brasil as publicações saem em edições (algumas em capa dura, outras não) com mais de um número. Boas recomendações são Y – O Último Homem, Sandman, Hellblazer e V de Vingança.

>>>Mangás
Agora vamos atravessar o mundo, vamos para o Japão e conhecer seus mangás. Eles seguem mais ou menos o esquema dos comic books tipicamente americanos, mas do seu próprio jeito. Como vocês devem saber, os mangás são em preto e branco e devem ser lidos do jeito oriental, ou seja, de trás para frente.

Confesso que eu não sou o maior conhecedor do estilo, na verdade, li apenas o primeiro volume de Deadman Wonderland, que promete ser muito bom. Aqui no blog a Igra indicou VampireKnight e posso citar alguns dos mais conhecidos, como Naruto, Ouran, One Piece e Fairy Tail.


Depois de Turma da Mônica, compra um desse pra o seu filho e, de quebra, leva esse aqui.

>>>Graphic Novels
História só com a imagem...
O ultimo tipo que vou falar hoje são as graphic novels. Como já falei aqui em alguns posts, elas são, literalmente, romances gráficos. Ou seja, são histórias representadas graficamente. Entre os estilos que falei nesse posts, as graphic novels são as que mais se aproximam dos livros em si.

Diferente das revistas mensais e dos mangás, elas não costumam ser publicadas em série e, quando são séries, costumam ter poucos volumes, como Scott Pilgrim Contra o Mundo, por exemplo. Outra característica das graphic novels é tratarem de temas mais complexos e profundos* e serem na maioria das vezes direcionadas ao público adulto (há exceções, como o já mencionado Scott Pilgrim).
*Não que os outros não tratem de temas assim, é claro que alguns o fazem, mas as GN são diferentes.

Ainda não tive a oportunidade de ler muita coisa no estilo, mas posso dizer que meu autor preferido desse tema é o Craig Thompson. Ele escreveu os maravilhosos Habibi e Retalhos, que além de terem uma arte linda, trazem histórias lindas. Também recomendo Persépolis, Bordados e Frango Com Ameixa, todos da Marjane Satrapi. Uma graphic novel que eu pretendo ler em breve porque parece ser bem legal é Maus, que recebeu vários prêmios importantes. 

Então é isso, pessoal! Gostaram do tema que tratamos nas sextas desse mês? Gostou de algo que indicamos? Conta pra gente nos comentários! :D


Veja mais:

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Guia de Quadrinhos: Vampire Knight


Mais uma sexta-feira no ar e dessa vez o Guia dos Quadrinhos vai ser sobre um tipo de HQ completamente diferente do que a Dana apresentou na semana passada. Hoje nós vamos conhecer o pouco mais do mundo dos mangás!! Sim, aquelas historinhas escritas de trás para frente (embora não seja lida de baixo para cima, pelo menos não aqui no Brasil)... Mas chega de enrolação! Deixem-me apresentar a vocês o glorioso, estupendo, magnífico.... Vampire Knight!

Eu nem era muito fã de mangás, na verdade - vou confessar um segredo - eu tinha muito preconceito. Daí, um belo dia, uma amiga minha estava lendo esse mangá na sala de aula e eu fiquei encantada com a arte, tudo era tão detalhado... A capa do mangá era linda! E eu tenho aquela queda básica por capas que vocês já sabem. De qualquer forma, depois de muita insistência, resolvi dar uma chance. 

E me apaixonei, GENTCHE! Eu perdi muito tempo da minha vida tendo preconceito com mangá, principalmente porque a imagem que eu tinha antes era de que esse tipo de história tinha conotações... er... um tanto quanto tendenciosas demais, além de extremamente machistas. TUDO BABOSEIRA. Embora haja, é claro, esse tipo de mangá por aí,  ainda assim há mangás superdivertidos e que valem uma conferida.

Pois bem, mas sobre o que é Vampire Knight?  É uma história que se passa em uma instituição de ensino (Colégio Cross) que possui dois turnos de aulas: o da noite (o dos vampiros) e o do dia (humanos). Yuuki, a personagem principal, é a monitora do colégio juntamente com Zero, o garoto de cabelos brancos e piercings na orelha que você pode ver nas imagens acima. Os dois cuidam para que a ordem esteja sempre garantida, já que a proposta da instituição é promover a convivência pacífica entre as duas espécies. Os vampiros nem mesmo são autorizados a tomar sangue humano dentro dos limites da propriedade, eles na verdade se alimentam de pastilhas de sangue.

No entanto, apenas Yuuki e Zero (da turma do dia) sabem da existência dos vampiros, o que faz com que entendam, de certa forma, porque muitos dos humanos idolatram os estudantes da noite por serem tão bonitos e esbeltos. Aliás, até a própria Yuuki idolatra um deles, o claro líder, Kaname Kuran. Essa coisa toda de adorá-lo se deve principalmente porque Yuuki não tem lembrança alguma de antes dos 5 anos de idade, quando foi salva pelo próprio Kaname de um vampiro Classe E (ex-humano que não consegue se controlar e vive à merce dos próprios instintos). Ao ser salva, Yuuki foi levada à instituição, onde foi adotada por um amigo de sua família,  Kaien Kurosu, o diretor do colégio. Com isso, acaba herdando a visão idealista de que vampiros e humanos podem sim viver em paz.


Isso tudo é vastamente criticado por Zero, o melhor de amigo de Yuuki, que diz que nem todos os vampiros são bons e que Yuuki confia demais neles. Zero claramente é um garoto solitário e fechado, e embora conviva com Yuuki há bastante tempo, é evidente que não consegue superar o rancor que sente por qualquer vampiro. Seu passado e o de Yuuki são até mesmo bastante semelhantes, não fosse o fato de que não houve ninguém para salvar Zero quando um vampiro dizimou por completo sua família, deixando-o como único sobrevivente. Uma verdadeira infância manchada. E não! Nada disso é spoiler. 

Mundo dos Mangás
A parte mais legal de ler um mangá são os desenhos. O traço da Matsuri Hino (autora e ilustradora) é tão bonito que parece que a cada página temos uma nova obra de arte. As edições chegam a se superar. Os estudantes do dia com seus uniformes escuros e os estudantes da noite com seu imaculado branco, é como se a Hino quisesse construir algum tipo de ironia. Além disso, a autora sempre deixa ilustrações extras na contra capa., uma mais linda que a outra. Os próprios fanarts são um espetáculo à parte, e às vezes são tão incríveis que se assemelham aos desenhos originais, como a foto principal do post.

Mas, sem dar spoilers, o que posso dizer é que há muita ação, reviravolta e o claro triângulo amoroso que gira em torno de Yuuki, Zero e Kaname. Eu poderia até mesmo falar que muito mangá por aí tem uma história digna de livro (já li alguns da própria Matsuri que seriam incríveis), mas Vampire Knight ganha de todos. Em questão de enredo principalmente, porque quando você acha que não tem mais com o que se surpreender... Tcharan: descobre uma coisa que definitivamente não esperava.

Os mangás de Vampire Knight, diferentemente da maioria, não se torna  repetitivo e não é voltado unicamente para a aventura, ação ou coisa assim. Além do claro romance, tem política, questionamentos internos e até certa crítica social, se você souber analisar. 

Yuuki e seu Yin e Yang
Ao todo, até agora, já foram lançados 86 capítulos, divididos em cerca de 16 exemplares. Aqui no Brasil, parou no volume 13, capítulo 63. Quando comecei a ler, saía um exemplar a cada dois meses, sempre custando uma média de R$ 10,00 cada. Hoje em dia, por já ter quase alcançado a edição japonesa, eles lançam uns dois por ano. É praticamente um sofrimento, mas sempre da pra ler online, porque os capítulos são lançados separadamente, em geral são 5 por edição. 

Onde eu Compro?
Como eu disse, a Panini, responsável pelos lançamentos aqui do Brasil, está segurando os exemplares por conta da aproximação com o original. Embora haja essa demora, até mesmo lá fora está atrasado.  Isso ainda piorou porque o Japão sofreu uma crise com o tsunami de 2011, e mais alguns problemas consequentes ao evento, o que fez com que muita coisa saísse dos trilhos. 

O último volume lançado por aqui saiu em agosto, e se você não se importar com spoilers, pode correr até a banca mais próxima e ainda encontrá-lo por lá. Mas se você não quer pegar o bode andando, pode comprar os exemplares em pacote e a preço de custo nas Bienais do Livro país afora, eles sempre vendem todos os exemplares e alguns volumes - se você não correr - chegam a esgotar.

Não quer esperar a Bienal ou não tem Bienal do Livro perto da sua cidade? Leia online! É de graça e ainda por cima tem o mesmo efeito. Tem em português e inglês até o capítulo 85, aqui e  aqui.

Isso tudo fora as promoções que vira e mexe essas livrarias estão fazendo. Você pode comprar exemplares tranquilamente na Submarino e na Saraiva, por exemplo. Eles não disponibilizam toda hora, mas às vezes eu vejo alguns volumes por R$ 7,90.

E ainda tem os sebos, que às vezes vendem exemplares em ótimo estado também. Vale dar uma procurada, encontrei outros títulos da autora na Estante Virtual.

>>>Anime
Enfim! O sucesso de Vampire Knight foi tão grande que eles fizeram um anime! SIM! Essa é pra você que não sabe ao certo se quer ou não dar uma chance à história.

São duas temporadas, ambas muito bem adaptadas a partir dos mangás, e com aberturas belíssimas*. A primeira temporada vai até o episódio 13, onde há 'a grande descoberta número 1' (tem que dar número porque são tantas....). A segunda temporada, chamada Vampire Knight Guilty, também tem 13 episódios e pode ser contada como do 14 ao 26 (porque começa onde a anterior termina) ou como - novamente - do 1 ao 13. Nessa parte tem a 'grande descoberta número 2'.
*Não veja a entrada da segunda temporada sem antes ter visto a primeira temporada inteira, porque ela contém spoilers.  

Pra você que quer assistir e acha que não existe legendado, pode ver aqui. Tudo bonitinho, todos os episódios com legenda em português e até mesmo a segunda temporada.

Pra finalizar, deixo que vocês deem uma conferida básica na primeira abertura (com legendinha em inglês, embora a qualidade não esteja muito boa).

                         

Conhecia Vampire Knight? Comente! 

domingo, 8 de julho de 2012

Iniciação: Durarara!!

por Thaísa Escudero*

O post de hoje não é de um livro, filme ou série de TV e sim de um anime, algo que ainda não falamos aqui no blog. Ele foi feito pela Thaísa, uma amiga minha, que de vez em quando vai entrar na nossa conversa para falar sobre animes, mangás e o que mais der vontade. Hoje ela disseca o anime "Durarara!!" (comentário aleatório: toda hora me enrolo falando e escrevendo o título XD), veja a ficha técnica abaixo e o que a Thaísa achou depois do "pulo".
Ficha técnica
Autor:  Ryohgo Narita
Estúdio: Brains Base
Direção: Takahiro Omori
Episódios: 24 +2 especiais
Ano: 2010
Dubladores: Masaomi Kida: Miyano Mamoru / Shizuo Heiwajima: Daisuke Ono / Mikado Ryugamine: Toshiyuki Toyonaga  / Anri Sonohara: Kana Hanazawa  / Celty Sturlson: Miyuki Sawashiro / Shinra Kishitani: Jun Fukuyama  / Izaya Orihara:  Hiroshi Kamiya / Simon: Takaya Kuroda


Ikebukuro, bairro de Tóquio, capital do Japão. É aí onde tudo acontece.

Durarara começou de uma Light Novel publicado em 2004, ganhando um mangá em 2009 na Monthly GFantansy, e em 2010 seu anime.

Vamos juntar uma motoqueira fantasma, um informante, sushi, um aluno transferido e mais um monte de outras coisas normais e anormais, amarrar todas elas perfeitamente de modo criativo e contar uma história. Apresento-lhes “Durarara!!”. 

É difícil fazer uma sinopse de drrr (apelido carinhoso abreviação) porque são muitos plots envolvidos, fazendo isso, um spoiler poderia ser liberado. Mas posso dizer como a história começa: Mikado Ryugamine, um estudante do interior se muda para Tóquio para estudar a convite do amigo de infância Masaomi Kida. Kida apresenta a cidade à Mikado, que fica radiante com a imensidão da cidade grande. O interessa aumenta mais ainda quando eles cruzam com a famosa lenda urbana do bairro: A Motoqueira Fantasma. Porém, outras coisas estão acontecendo enquanto eles vivem suas vidas...


Em Drrr, não há um protagonista concreto
“HÃ? Como assim?”
CALMA, Vamos rever como reconhecemos um protagonista: Ele é o que mais aparece, em geral, a história é desenvolvida com base nele, é ele que faz acontecer... Enfim, acho que todos sabem o que é um protagonista. Em “Durarara” não é tão claro assim. 


Na verdade, podemos dizer que é o Mikado, claro, mas você chega a ficar em dúvida em alguns pontos da história sobre quem é o protagonista de verdade. A história não gira em torno dele e ele não tem um objetivo para dar o “fim da história”. Há até alguns que digam que a Celty é a protagonista. É até plausível acharem isso, mas ninguém pode afirmar com total certeza. Meio confuso? É... assistindo, vocês entenderão melhor.


Tudo de interliga; é isso que acontece em “Durarara!!”.
Os três primeiros episódios são uma introdução geral aos personagens e à atmosfera da cidade. Logo depois, vêm as histórias individuais dos personagens e as suas vidas, narradas pelos mesmos, misturados com episódios comuns, que vão até mais ou menos o episódio 8-9, Isso mesmo, a história só começa a se desenrolar por aí.

Mas sem preguiça, lembra que tudo se interliga? Nesses episódios são mostrados vários detalhes que vão ajudar você a conseguir resolver os mistérios da trama ao longo dos episódios. Na verdade, várias coisas são jogadas na sua cara, e você que se vire para entender esse começo, mas tudo é devidamente explicado por conta do “tudo de interliga”... Todos os acontecimentos e detalhes mais cedo ou mais tarde irão se ligar por meras coincidências (ou armações) da vida já que todos convivem no mesmo lugar e acabam se topando (mundo pequeno né?) sem você esperar, causando desfechos inesperados, emocionantes e te mantendo vidrado na trama.


Os personagens são outro charme de “Durarara!!”
O anime tem uma boa quantidade de personagens e eles têm personalidades distintas, únicas e carisma, fazendo você odiar uns e amar outros.

Temos um negro russo carismático descendente de afro-americano vendendo sushi. Um barman que quando fica com raiva joga, literalmente, as coisas para o alto, e tem como alvo preferido um charmoso informante da cidade. Também temos um casal de otakus super divertido, um cara feliz que guarda um passado escuro, uma garota tímida e retraída, um médico do submundo, uma dullahan* conhecida como lenda urbana da cidade que anda de moto preta e se comunica através de um celular... E vários outros.
* “O Durahan, também chamado de Dullahan e Gan Ceann, é um tipo de criatura lendária imortal proveniente da mitologia irlandesa. Ele não tem cabeça e geralmente é visto montado num cavalo negro, também sem cabeça, e carregando sua própria cabeça nos braços.” 

O autor consegue amarrar todos esses personagens de uma maneira surpreendente na trama. Dando destaque e desenvolvendo cada personagem quando se deve.


Quanto ao lado técnico, o anime não faz feio!
O traço é simples e a animação bem fluída, maravilhosa nos primeiros episódios e decaindo a qualidade conforme o tempo, nada muito absurdo, ocorrendo somente aqueles errinhos comuns de distorção de traço em uma cena mais agitada.

As cores e os cenários da cidade são extremamente realísticos, em todos os mínimos detalhes, o que vemos, na maioria das vezes é realmente Ikebukuro, grande maioria das locações mostradas no anime realmente existem (como as imagens abaixo)! Há quem diga que existem até as máquinas que o barman preferido dos fãs joga por aí. 


Outro ponto para destacar é o trabalho dos dubladores. Um elenco principal experiente, famoso, que realmente dão vida aos personagens. O dublador do Kida, Miyano Mamoru, é excelente exemplo (ele é um dos meus seiyuus preferidos) porque consegue dar vida total ao Kida.

E mais, até os sons do anime são realísticos! O barulho da moto de Celty é incrivelmente real, essa junção soberba de cenário e sons tornam toda a atmosfera do bairro única, como em nenhum outro anime.

Falando em sons, tem a linda e maravilhosa trilha sonora. Não tem como elas passarem despercebidas enquanto você assiste o anime, as trilhas são marcantes e bem diferenciadas uma das outras e de qualquer outro anime. Os temas de abertura e encerramento são TÃO viciantes que em pouco tempo você fica com elas na cabeça e quando se da conta já está cantando.  

Nas aberturas, são mostrados resumos de algum fato do anime que irá se refletir no episódio assistido enquanto uma parte instrumental da música toca ao fundo. Espero que ninguém chegue ao ponto de quando estiverem escutando a música inteira e chegar nessa parte da abertura, escutar as vozes nos personagens como eu. Sério.

Er, continuando... Outro detalhe técnico é o fato dos figurantes serem cinza, uma maneira de economizar dinheiro? É, pode ser. Mas essa jogada destaca os personagens que estão interagindo na história, e mais para frente, esses personagens cinza contribuem para uma das cenas mais impactantes do anime, uma das minhas preferidas, aliás.


Para os mais experientes em animes, também é divertido prestar atenção nos pôsteres que tem pela cidade, pois cada um deles é uma referência à algum anime, Walker e Karisawa também fazem muitas referências enquanto conversam. São tantas referências que você nem presta atenção, animes como “Darker Than Black”, “Shakugan no Shana”, “Baccano”, “Jikogu Shoujo”, “Toradora”, “Accel World” e vários que nem eu percebi. Sem falar das mais descaradas como o imenso telão animado que mostra uma cena de “Kuroshitsuji II”, Walker e Karisawa brincando com os bonequinhos da Shana (“Shakugan no Shana”) e da Taiga (“Toradora”) e os cosplays de “Baccano” no episódio 10.

É uma diversão à parte, que no máximo não te deixará entender as citações do Walker e da Karisawa, nada que altere a compreensão da história.


O Sushi Especial do cardápio do Russian Sushi se chama durarararara[...]-okn

Ação, comédia, alguma bizarrices, mistérios, personagens interessantes, desfechos emocionantes, ótimo lado técnico, um pouco de romance, criatividade e originalidade, você encontra tudo nesse anime. Ele é ideal para quem quer alguma coisa diferente. A segunda temporada só é um pouco mais fraca do que a primeira. Não é ruim, mas a primeira é muito melhor. Necessita de uma continuação urgentemente.

Para continuar a acompanhar drrr:
Tanto a Light Novel quanto o mangá são difíceis de achar algum material completo, ainda mais em português. Você pode ler alguns capítulos da Light Novel aqui em inglês. Mas um aviso: não estão com todos os volumes completos, talvez se você procurar ache capítulos soltos. Você pode ler o mangá online até o capítulo 14, neste link em português, mas essa parte já é representada no anime. Infelizmente só achei muito mal alguns pouquíssimos capítulos soltos ou raws ainda em japonês. Sinceramente não sei por que essa dificuldade, já que o mangá é publicado na mesma revista que “Kuroshitsuji”.

Mas você pode comprar os 3 primeiros volumes do mangá em inglês no Book Depository E não sei quanto aos outros 2 volumes, mas o primeiro vem com um pôster colorido do Shizuo e do Izaya! Se alguém quiser me dar de presente, agradeço. E se conseguirem achar algum link bom para ler ambos, poste aqui, ^^

Para terminar, fiquem com a primeira abertura do anime, aqui.


*Thaísa Escudero tem 14 anos e é estudante do ensino fundamental. Fã de animes, mangás e tudo que envolva a cultura japonesa, sonha em viajar para o Japão e conhecer tudo isso de perto. Twitter. Facebook.