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domingo, 26 de agosto de 2012

[Indicação] Paper Towns, de John Green

por Paulo Vaughan e Dana Martins

Na resenha que eu fiz que "A Idade dos Milagres", falei de uma "subdivisão" de gênero muito comum nos livros Young Adult Contemporâneo, o Coming of Age. Me pediram para fazer um post indicando livros nesse estilo, porém eu mesmo não li muitos. E eis que, pensando sobre qual livro falar no post de hoje, lembrei de "Paper Towns", um dos maravilhosos livros do John Green.

Informações:
Paper Towns
Autor: John Green
Editora: Dutton (EUA)/ Intrínseca (BR; sem previsão de lançamento)

"Paper Towns" é o terceiro livro solo do John Green e, como vocês devem saber, eu e o resto da equipe adoramos o autor. Você pode encontrar aqui resenhas de "A Culpa é das Estrelas"/"The Fault in our Stars" e posts do especial #CulpaDoJohnGreen.
The way I figure it, everyone gets a miracle. (…) My miracle was this: out of all the houses in all subdivisions in all of Florida, I ended up living next door to Margo Roth Spiegelman.

Sobre o que é?

Quentin Jacobsen – ou simplesmente Q - sempre foi apaixonado por Margo Roth Spiegelman, uma garota fantástica, linda e, hm, misteriosa. Os anos se passaram e, ao chegarem ao último ano do ensino médio, Q não tem mais o mesmo contato que tinha com Margo quando eram crianças. São quase como a popular e o excluído. Pelo menos até uma noite em que Margo aparece na janela de Q com uma missão especial.

Depois de uma noite cheia de aventuras*, um novo dia começa e Q descobre que Margo desapareceu e deixou pistas para ele e, bom, se ele quer encontra-la, vai ter que desvendar esse mistério.
*leram isso com a voz do locutor dos comerciais da Sessão da Tarde, né? Hahaha

Por que é bom ler?

Se alguém me perguntasse isso, eu automaticamente responderia “Porque é do John Green”. Alguns de vocês podem achar os elogios ao John Green chatos e repetitivos, mas “Paper Towns” é maravilhoso. Não lembro quem foi que disse isso, mas o John Green não escreve livros, escreve experiências. Os livros dele conseguem chegar muito próximos de nós, leitores, e, assim como os personagens, amadurecemos durante a leitura.

Nesse livro, o John volta com o “garoto-perdido” e a “menina-dos-sonhos” de “Quem é você, Alasca?” e por mais que existam, sim, algumas semelhanças na estrutura de ambos, você consegue sentir as histórias e as particularidades de cada uma delas.

Outro ponto alto dos livros do John são os personagens “secundários”. Tenho que confessar que em Alasca e Paper Towns os protagonistas não são pessoas com as quais você gostaria de conviver, porém os amigos deles conseguem te fazer morrer de vontade de tê-los como amigos. Ben, Radar e Lacey são fantásticos. Sério, nos últimos capítulos principalmente eu fiquei morrendo de vontade de [spoiler] fazer uma road trip com eles [/spoiler].

“Paper Towns” é um livro que traz para o YA contemporâneo uma certa dose de mistério e investigação. Eu realmente gostei do livro e se “A Culpa é das Estrelas” não existisse, seria o meu livro favorito do John. Indico para todos que gostam do estilo ou para quem quer sair dos livros YA mais simples e passar para uma leitura que te faz refletir mais.


Dana aqui! - Leia, mas não por ser do John Green

Eu falei TANTO desse livro durante a semana do John Green (e antes e depois dela) que eu tinha que deixar meu comentário aqui. Esse foi o primeiro livro do John Green que eu li e, na época, não fazia ideia de quem ele era. Foi algo como: "Estou para fechar uma compra de cds na Amazon! Quero levar algum livro que eu não conheça pela experiência!" - Amazon indica Paper Towns, eu gosto da capa e coloco no carrinho. O nome já parecia muito interessante e eu fiquei curiosa para conhecer.

Eu gostei tanto desse livro que depois não quis ler mais nada do John Green (falta de lógica 1x0). Paper Towns é novamente o John Green criando uma história tangível aos leitores e passando várias camadas de reflexões sobre a vida. Mas o que eu mais gosto é que ele transforma tudo em um clima de "amigos desvendando um mistério", fazendo a leitura ficar leve e divertida.

Quis comentar isso porque alguém podia passar direto tipo "tá, é um bando de fã cego do autor". Não é bem assim, essa história apareceu do nada e me conquistou completamente. Indicado principalmente se você estiver naquele momento de "reflexões sobre a vida" (aka: o que eu faço agora?). 

Vai ter filme de Paper Towns?

Assim como os outros livros do John Green, "Paper Towns" também tem os seus direitos vendidos - nesse caso, a detentora deles é a Mandate Pictures (a mesma de "Juno"! <3). O próprio John escreveu o roteiro, mas a produtora resolveu não fazer o filme.

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Chegou até o fim e ficou com vontade de ler o livro? Participe da nossa promoção de 1 ano, você pode ganhar esse e qualquer outro livro do John Green (além de concorrer a outros prêmios)! :D Mas fiquem atentos, a promoção vai só até o dia 31.

    quarta-feira, 11 de agosto de 2010

    Trecho Apocalipse Z


    "Com tudo empacotado, apoiei a bagagem no saguão de entrada, bem ao lado do portão por onde terei de sair em poucos minutos. Lúculo está extremamente nervoso e me custou um bom bocado de persuasão, carícias atrás das orelhas e muitos sussurros para convencê-lo a entrar em sua gaiolinha. Ele nunca gostou dela (de fato, no carro ele sempre vai sentado no SEU banco, o do passageiro), mas não tenho alternativa. Não posso me arriscar a levar o gato no colo com essas coisas tentando nos pegar. Lamento por Lúculo, mas ele terá de ir na gaiola. Se esses bichos me pegarem, isso significará morte certa para meu pequeno amigo, que não terá possibilidade de fugir, mas acho que é um risco que devemos correr.

    Vesti a roupa de neoprene e verifiquei minhas três armas: arpão, Glock e espingarda. Dei uma última volta pela casa, acariciando com o olhar todos os cantos que me são tão familiares. Não sei se um dia votarei a ver isso tudo. Toda a minha vida está aqui, e agora tenho de sair com rumo desconhecido e sem ter a certeza de estar vivo daqui a meia hora. É de enlouquecer. Minha sala, minha cozinha, meu escritório, que nunca cheguei a pintar da cor que realmente queria, esse sofá com o estofado totalmente arranhado por meu pequeno companheiro. Subi ao sótão com lágrimas nos olhos e peguei uma velha blusa dela. Todas as coisas dela estão aqui desde que morreu, e agora vou abandoná-las para sempre...

    Enxuguei as lágrimas e fui para o quintal, para começar a executar meu plano. Da próxima vez que escrever neste diário será para contar como foi. Se não escrever de novo... Bem, evidentemente, algo terá saído errado e um novo cadáver vestindo roupa de mergulho andará pela cidade. Mas não sem antes ter vendido sua pele bem caro. Estou aterrorizado. Estou nervoso. Mas também estou decidido. Vamos lá."

    Páginas 102-103