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quarta-feira, 15 de agosto de 2012

[Resenha] The Games, de Ted Kosmatka

por Dana Martins
- Livro: The Games
- Livro Único, até que se diga o contrário
- Autor: Ted Kosmatka
- Editora: Del Rey
- No skoob
OBS: o livro foi lançado em março lá fora, ainda não há precisão para lançar aqui e por ser ficção científica acho até difícil isso acontecer. :/







Mini-crítica: 
Em um futuro não muito longe, a genética vive sua era de ouro e a criação de "mutantes" virou competição. Nas Olimpíadas os países colocam suas criações em uma arena para lutarem como gladiadores e a vitória significa poder. Contudo, o cenário acaba de mudar. Um supercomputador cria a "fórmula" do competidor americano e junto com o Silas, a Vidonia e o Ben, você vai ter que se virar para entender o que é essa estranha criatura a tempo de vencer a competição. Não é a YA, é muito mais ficção científica. Particularmente, gostei bastante desse mashup de alienígenas com manipulação genética, sem falar da possibilidade da realidade virtual com o supercomputador que cria uma ponte com livros tipo "Neuromancer" (ou o filme "Matrix", ou o livro "Jogador Número 1"). E não se engane: o livro tem muito conteúdo para se discutir. 

Quer saber mais? Clique abaixo para conferir a resenha completa.

Vou confessar que boa parte do que me chamou atenção nesse livro foi a capa. Livro desconhecido americano com capa no mínimo bem feita é algo meio raro. Depois eu li a sinopse por cima... algo de mutantes, arena e luta para sobreviver. Fiquei com uns pés atrás por causa da semelhança com Jogos Vorazes (o próprio nome do livro é "The Games"!), mas ao mesmo tempo a perspectiva mais próxima da ficção científica (+ capa) me ganharam. Não custava tentar, não poderia ser tão ruim assim...

E não foi.

O livro se mostrou bem diferente do que eu imaginei e bem diferente de Jogos Vorazes (apesar de que tenho 90% de certeza de que teve alguma inspiração aí, vou falar disso depois). O que eu mais gostei foi que a história é parecida com a maioria desses YA, mas se desenvolve de modo bem diferente. Foi alivio me afastar da mesmice.

Universo
The Games acontece em futuro que não está tão longe assim. Nessa época, a ciência genética já se desenvolveu o suficiente para manipular genes e criar seres diferentes. É a chamada "época de ouro da genética", quando os estudos estão avançando mais do que nunca. Só que isso começou a causar alguns problemas: uma alteração em uma pessoa aqui, outra alteração ali... Se não houver um motivo para concentrar os estudos, sabe lá para que essa manipulação genética pode ser utilizada. E qual a alternativa encontrada?

Placar Olimpíadas Londres 2012 - Você acha que é só por causa dos esportes que o resultado é esse?
Olimpíadas. Todo mundo que conhece um pouco de História sabe que a guerra foi a maior impulsionadora de pesquisas científicas. Mas em um mundo com armas como a bomba atômica não dá para se permitir a guerra desfreada, é assim que ela acaba se transformando em uma competição olímpica. Isso mesmo. Esses jogos.

A cada olímpiadas os geneticistas dos países participantes colocam em uma arena seus gladiadores. A regra é simples: o último que sobreviver vence. A vitória garante ao país posição de privilégio na ordem mundial.

Sinopse
Até o momento, os Estados Unidos venceu todas as competições de mutantes nas Olimpíadas. E o geneticista Silas, chefe da equipe americana, aproveita o status por suas criações. Ou pelo menos aproveitava, porque dessa vez o design escolhido pela comissão foi o criado por um supercomputador que ninguém sabe como funciona. Agora ele precisa se virar para entender o que é esse ser que ele está criando enquanto lida com a pressão de entregar um gladiador medalha de ouro.

Análise
Eu quis fazer essa introdução maior para vocês terem ideia (direto) do que é o livro. Não é Jogos Vorazes, a parte dos jogos no livro é mínima e bem diferente. Eu também acrescentei essa comparação (guerra X desenvolvimento científico) que não está explícita no livro e é apenas uma das perspectivas que você pode encontrar.

Esse não é um livro 100%, acho que muitas pessoas poderiam ler e não gostar (não foi o meu caso). Acho que o problema que essas pessoas vão encontrar é o desenvolvimento dos próprios personagens, que recebem algum grau de profundidade, mas não são tudo aquilo. Na verdade, dá para dizer que o protagonista da história não é nem um personagem, é o mistério: O que nós estamos criando?

Ou seja, essa mudança no modo de desenvolver a história pode desanimar os mais conservadores. No entanto, para nós, brasileiros, há uma surpresa quando se trata de personagens. Uma dos dois personagens principais é brasileira!

Conheça a personagem brasileira: Parte do meu interesse no livro era ficar criticando como ela era retratada*. Acho que ficou no 70%. Os 30% foram perdidos em 1)  coisas sem sentido, tipo o nome dela: Vidonia João. Nunca vi esse nome por aqui (desculpa se você for Vidonia), mas esse eu tinha deixado passar, até encontrar uma frase em português no final (imagino que tenha sido português) que não fez sentido. Por um lado, isso é válido porque aproxima a interpretação da de quem leu em inglês e não entendeu nada. Por outro, poderia ter feito mais do que usar o Google Tradutor, né? Agora 2) a segunda parte dos problemas dessa brasileira é o estereótipo. Negra, da favela e da Bahia (pelo menos não foi Rio ou São "Paolo"). Fora isso, a personagem é bem legal, adorei ela ser brasileira e eu não vou contar o que uma garota da Bahia tem a ver com manipulação genética americana. haha (6)
*Incluindo parar na madrugada para procurar o que é esse "peroxide" que é barato, tem em todo lugar e a gente usa como remédio. Aprendi muita coisa.

Agora, se eu for falar o lado bom... Eu encontrei várias coisas que fazem esse livro valer a leitura.

1- Conteúdo! Esse é com certeza o forte dele, que funciona quase como uma crítica e um lembrete do caminho que estamos tomando. O livro já trabalha dentro do panorama EUA vs. China, dentro do mundo das corporações e ainda trabalha uma nova perspectiva de guerra, mostrando que podemos não estar por aí em cima de um cavalo com uma espada na mão brigando por terra, mas ainda travamos essas batalhas por poder. Meu quote preferido é uma das mil mini-reflexões encaixadas na história (#reflitam):
"The man should run for president, Silas thought, as the applause went on and on. But no, then he'd lose too much power." - The Games, página 46. "O homem deveria concorrer a presidente, Silas pensou, conforme os aplausos continuavam. Mas não, assim ele perderia muito poder."
2- Medo. Se tem alguma coisa que te prende ao livro, essa coisa é o medo - medo do que está sendo criado. Várias vezes no próprio livro a criatura é comparada a alienígenas e de certo modo esse é um livro sobre isso. Me lembrou a Prometheus (com mais respostas) ou qualquer filme alienígena que eu tenha visto. Atenção: Medo do que estar por vir. Não é terror.

3- Não trata o leitor como burro. Uma coisa que me chamou atenção desde o início foi que havia tempo para você entrar na história e pensar o que estava acontecendo. Em grande parte, você é um dos personagens tentando entender a criatura. Não é aquela coisa de "Olha, essa tal de FMR é a polícia, eles são maus e eu estou citando aqui porque daqui a pouco eles vão bater na minha porta e levar minha mãe embora, então você já vai saber o que é". O livro deixa você entender naturalmente, como se você chegasse na situação e estivesse aprendendo tudo. Principalmente no início, várias coisas são citadas e você não faz ideia do que é, mas depois vai aprendendo.

4- Você pode investigar a história. Esse é mais uma continuação do anterior. Com base em próprios conhecimentos, tipo um pouco de Biologia, ou o de História que eu utilizei no início do post, você pode "investigar" sozinho. Eu fiz várias conexões e era legal entender o que estava acontecendo. E não se preocupe, não é nada de doutorado, o que eu fiz foi tudo com base de ensino médio*.
*Então... sim, leitores mais novos podem perder essa parte do livro. Notícia boa: Genética de escola é uma das coisas mais simples e fáceis (principalmente sem matemática). 

Acho que isso é o que vale a pena comentar (por enquanto). Eu gostei bastante desse mashup de alienígenas com manipulação genética, sem falar da possibilidade da realidade virtual com o supercomputador que cria uma ponte com livros tipo "Neuromancer" (ou o filme "Matrix", ou o livro "Jogador Número 1"). Fazendo esse post eu também percebi que é um livro baseado na estruturação de jogos de videogame (com história) e que o leitor é muito mais ativo. Indicado para qualquer um que goste de ficção científica ou queira experimentar na leitura. 


The Hunger Games vs. The Games


Eu já disse que "The Games" é diferente e com essa resenha você provavelmente reparou nisso sozinho, mas não dá para negar: uma arena com mutante é algo muito parecido. Principalmente que Silas, o personagem "principal", tem um interesse bem peculiar: atirar com arco e flecha. Isso não tem uma importância enorme na história como tem para a Katniss em Jogos Vorazes, daria no mesmo com espada ou qualquer coisa assim. Eu acredito que o autor tenha lido Jogos Vorazes e se inspirado para falar de um mundo onde mutantes estão por aí e os problemas disso. O Silas usar o arco seria mais uma "referência honrosa". Ou não. Talvez eu esteja completamente errada.


Sobre a nota: Vai ficar com 4, porque eu acho que não é qualquer um que acabou de largar Crepúsculo que vai conseguir aproveitar, mas no meu ranking pessoal ficou com 4,5. 

Classificação:



(4/5 conversinhas)

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

ConversaCult TV #49 - Percy Jackson e a Música do Rio 2016

Toda segunda um vídeo novo é indicado. Porque, às vezes, o melhor é jogar as pernas pro alto e apenas assistir.

As Olimpíadas de Londres 2012 acabaram ontem e hoje o Rio já é oficialmente a cidade-sede. Com isso, foi lançado o clipe da música tema das olimpíadas de 2016. Escrita por Arlindo Cruz, com participação até do Zeca Pagodinho e com a finalização brasileira de ontem você já tem ideia do que está por vir. Foi melhor do que eu imaginava e valia a pena um CCTV pra todo mundo conhecer. O mais legal é a letra, que fala sobre os deuses do Olimpo virem para o Rio e não quererem mais ir embora. Só não citaram o renegado do Hades, que se muda pra cá todo verão...


Música Rio 2016 Olimpíadas

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

5 coisas que eles não falam sobre as Olimpíadas


Boa noite! Ou bom dia, ou boa tarde. Estava aqui pensando em como falar de Olimpíadas no CC e tropecei nesse "5 Things They Don't Want You to Know About the Olympics". Adorei esse post, não fazia ideia da maioria das coisas ditas (nunca tinha parado para refletir sobre a vida sexual na Vila Olímpica). Pode parecer meio grande, mas é mais texto com dados que compravam. Aproveitem. :D

O texto é daqui em inglês, mas nós traduzimos e colocamos nossos próprios comentários. Além de incluir curiosidades sobre as Olimpíadas no Brasil, parece que a famosa paisagem das praias da zona sul vai mudar para sempre!

5- A Vila Olímpica é pura orgia 

Vila Olímpica é nome que dão a uma área onde os atletas permanecem durante os jogos, a do Rio já tem até lugar, será no antigo terreno do Rock in Rio, em frente ao novo local do RIR e ao lado de onde ocorre a Bienal do Livro carioca. Bem, para você ter ideia da fama desse lugar, há até quem chame de Sexsylvania (ou poderia ser Sexolandia).

Talvez você tenha ouvido falar do vídeo dos ginastas brasileiros tem circulado por aí. É só uma das consequências de viver em uma Sexsylvania hoje em dia...
Imagine só viver em uma "cidade" povoada por jovens bronzeados, atléticos e mini-deuses no auge físico. Imagine todos os anos que eles dedicaram a disciplinar seus supercorpos, sem gordura, por uma chance de ficar nessa vila por algumas semanas. E então lá estão eles, todos os 10.000 atletas, sem pais, cônjuges e os regimes diários que têm regido suas vidas até esse ponto, em um lugar exótico com muito tempo livre. Bem, vamos ser um pouco mais diretos: em 1988 nos Jogos de Seul (Coréia do Sul) o problema foi tanto com umas camisinhas usadas que elas chegaram a aparecer no telhado de atletas britânicos. A Associação Olímpica teve que proibir sexo ao ar livre  (só em inglês). 

Dá pra imaginar uma crise tão grande por causa de camisinha espalhada que foi preciso banir oficialmente?! E isso não foi um caso isolado - pelo que parece, é o que acontece em cada uma das Vilas Olímpicas desde... sempre.

Fã de Percy Jackson também recebe?
Quando chegou em 1992, os organizadores já estavam tão preocupados com a quantidade de sexo que decidiram começar a dar preservativo de graça para manter a Aids sob controle. Nos Jogos Olímpicos de Inverno de Vancouver (Canadá) em 2010, foram distribuídos 100.000 preservativos para cerca de 6.500 atletas e dirigentes. Isso é cerca de 15 preservativos por pessoa. E os 100.000 preservativos não foram suficientes. No meio dos jogos, uma remessa de emergência foi trazida para preencher a lacuna. E isso não é nem contando a quantidade de sexo desprotegido que estava rolando. Aliás, Londres bateu o record do número de camisinhas esse ano. 

-Onde é que o Dionísio passa os dias durante as Olimpíadas?

4- A cidade-sede é temporariamente transformada em um Estado de Polícia

Para recuperar a enorme despesa que é preciso para sediar os jogos, os anfitriões precisam de grandes marcas internacionais patrocinando as Olimpíadas. E como anfitriões, eles têm o direito de deixar apenas as principais marcas venderem seus produtos. Justo.

"Esse acidente que vai acabar com a sua carreira foi patrocinado por..."
A menos, é claro, que você seja uma mãe inglesa esperando para aproveitar essa oportunidade de lucrar que só ocorre uma vez na vida. É melhor você nem pensar em usar palavras comuns como "Jogos", "2012", "Ouro," Prata", "Bronze", "Londres", "Medalhas", "Patrocinadores" e "Verão" nos seus produtos ou propagandas. Se você acidentalmente combinar qualquer uma dessas palavras divulgando o seu pequeno negócio é uma multa de 30.000 libras (algo como 95.250 reais).

Isso pode ser até estranho, mas se você quiser salvar o seu país da falência, vai acabar precisando fazer algum acordo com o diabo. É feio, mas é melhor do que acabar como a Grécia*, né?
*mais sobre isso depois.


Mas digamos que por alguma razão você é totalmente contra os Jogos Olímpicos. Bem, não espere poder usar a sua liberdade de expressão para deixar claro a sua posição. O Comitê Olímpico exige que, durante os jogos, a cidade anfitriã receba direitos especiais. Não o de se gabar para as outras cidades, apesar de que isso também é dado, mas o direito de poder passar por cima de todas as leis locais relativas à liberdade de expressão. O contrato de Londres, por exemplo, explicita que todos os outdoors espalhados pela cidade devem ser alugados pela prefeitura e que só poderão ser usados pelos patrocinadores dos jogos. Se alguém quiser colocar um cartaz anti-Olimpíadas, estará proibido. A polícia ainda tem o poder de entrar na sua casa para rasgar suas placas anti-Olimpíadas.

Mas sempre há uma alternativa, né? A imagem acima é de um dos protestos, leia aqui (português). Ainda há outro que burlaram o "não use nada relacionado às olimpíadas em seus produtos".

Só de incorporar o logo das Olimpíadas é um ato de desafio - uma loja de lingerie foi forçada a desfazer uma vitrine com cinco bambolês e alguns sutiãs imitando os anéis olímpicos, provavelmente por medo de alguém confundir a entrada com a da Vila Olímpica (ta dum tss).

3- Sediar as Olimpídas pode falir o seu país

Cidades no mundo inteiro brigam por uma chance de levar os maiores jogos do mundo para o seu país. É como os Jogos Vorazes do mundo adulto, só que sem a fome, assassinato e incesto (é uma brincadeira do autor do texto, que não leu Jogos Vorazes). Ser escolhida para sediar os Jogos Olímpicos é o reconhecimento de que a sua cidade é grande e digna dos olhos de todo o planeta. Você acha que alguém vai fazer campanha para levar as Olimpíadas para qualquer fim de mundo? Sediar as Olimpíadas significa que sua cidade será lembrada e respeitada por décadas. Existe alguma outra honra maior do que isso?

Mas há um preço para obter o privilégio de sediar as Olimpíadas, e esse preço pode ser a sua economia inteira. A Grécia aprendeu a lição da maneira mais difícil.


O orçamento inicial da Grécia para os Jogos de 2004 foi de 4,5 bilhões de euros, mas o custo real dos jogos rapidamente duplicou essa estimativa. Quando tudo foi dito e feito, o custo dos jogos foi de 5% do PIB da Grécia, e oito anos depois, o país não se recuperou da dívida. A cidade de Vancouver desistiu de recuperar todo o dinheiro investido em sua extravagante Vila Olímpica, que foi posteriormente convertida em casas residenciais. Hoje os edifícios formam uma cidade fantasma*.
*Quem lembrou de Paper Towns, do John Green, levanta os braços. \o/

As Olimpíadas de Inverno de Nagano (Japão, 1998) mergulhou a cidade em uma recessão que custou uma carga tributária de 30.000 dólares por família da cidade (algo como 60.800 reais). Fora a Grécia, nenhum desses desastres financeiros pode ser comparado ao de Montreal (Canadá). O estádio Olímpico levou 11 anos para terminar de ser construído depois que os jogos acabaram - e eles levaram 30 anos para pagar a dívida contraída para sediar as Olimpíadas de 1976.

O que deixa claro o porquê das pessoas de Berne, da Suíça, votarem contra a chance de sediarem os jogos.

2- Quem paga mais dinheiro fica como anfitrião 

A única coisa mais difícil do que uma cidade completar o processo de licitação dos Jogos Olímpicos é uma cidade completar o "Nós agora não temos mais moradores de rua e todo mundo aqui é bonito". O COI analisa tudo, desde locais da cidade, esportes, capacidades de infraestrutura, de transporte, habitação e a atitude geral dos próprios cidadãos. Você sabe por que Paris não chegou a sediar os Jogos Olímpicos de 2012? Porque houve uma greve geral no dia que o Comitê Olímpico visitou a cidade e o transporte público estava paralisado. Boom. Nada de Jogos Olímpicos para você, França. Boa sorte da próxima vez. Você não pode fingir estar pronto para acolher milhares de pessoas para o evento de uma vida.

Se isso for verdade, só posso acreditar que essa segunda parte foi o que fez o Rio de Janeiro virar sede das Olimpíadas...

"Você pode olhar um pouco melhor a decisão final?" - Aliás, essa foto é de um treinador falando com os juízes.
E o dinheiro tem um grande papel na hora de convencer os membros do COI para escolher a sua cidade. Foi descoberto que nas Olimpíadas de Inverno de Nagano foram gastos dezenas de milhares de dólares só para cortejá-los. Enquanto Salt Lake City estava dando aos membros da comissão câmeras descartáveis de brinde, os japoneses estavam distribuindo câmeras de vídeo caras como se fossem doces. Enquanto o limite de presente era 200 dólares, os japoneses gastaram uma média de 5.700 dólares em cada membro da comissão. Depois de tudo, o custo que Nagano teve em sua oferta passava de 24 milhões de dólares, cinco vezes mais do que Salt Lake City. E nem toda essa informação foi transparente, já que Nagano destruiu os registros de despesas antes que alguém pudesse pegá-los.

1- Gente pobre é tirada do caminho para dar espaço

Uma das maneiras que as cidades conseguem dinheiro para sediar as Olimpíadas é prometendo aos seus cidadãos que tudo vai valer a pena. No final do dia, todo mundo vai ter instalações de classe internacional, novos lugares para morar, incontáveis oportunidades de emprego, uma receita imensa, e como legado vários programas esportivos para os jovens da cidade. O que não amar?

Estão com o projeto de criar esse negócio no Rio de Janeiro. Solar City Tower, veja mais aqui.

Bem, todos esses novos espaços e habitações precisam estar em algum lugar, que normalmente é onde as pessoas pobres vivem. Trinta mil habitantes de Atlanta foram deslocados pelos Jogos de 1996, e em 1988, 720.000 foram obrigadas a deixar suas casas em Seul. Os que tiveram o azar de não ter um teto sobre suas cabeças foram caçados e alojados fora de vista durante os jogos. Mas nada se compara a Pequim - 1,5 milhões de chineses foram forçados a abandonar suas casas nos preparativos para os jogos de 2008.

Mesmo que as pessoas não sejam forçadas a sair, em muitos casos o aluguel fica tão caro que eles não podem se dar ao luxo de viver em suas casas. E sobre as instalações de classe internacional, na Grécia, 21 dos 22 estádios agora estão às moscas. Mas tudo bem, tudo vai valer a pena porque agora vai dar para definir de vez qual país é o melhor em nado sincronizado...


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Espero que tenham gostado! É sempre bom ver os dois lados, né? Eu até acredito que o Rio vai se sair melhor do que a maioria dessas cidades (sim, vai ficar muita construção fantasma por aqui, como já temos a Cidade da Música  e vamos sofrer de abandono), porque nós temos algumas vantagens. Por exemplo, diferente do Japão, nós temos espaço. A Vila Olímpica mesmo está sendo construída em um lugar que já estava inutilizado e com a quantidade de prédio que tem surgido pela Barra provavelmente brotaria algo ali mais cedo ou mais tarde.

A minha maior preocupação é com o trânsito*, vou ter que criar um estoque de sobrevivência aqui em casa durante as Olimpíadas, porque se tentar sair...
*Se você não for do Rio, para dar uma ideia, hoje em dia no horário de trânsito dá para levar uma hora ou mais de carro em um caminho que é feito em 5 minutos em um dia normal.