Boa noite! Ou bom dia, ou boa tarde. Estava aqui pensando em como falar de Olimpíadas no CC e tropecei nesse "5 Things They Don't Want You to Know About the Olympics". Adorei esse post, não fazia ideia da maioria das coisas ditas (nunca tinha parado para refletir sobre a vida sexual na Vila Olímpica). Pode parecer meio grande, mas é mais texto com dados que compravam. Aproveitem. :D
O texto é daqui em inglês, mas nós traduzimos e colocamos nossos próprios comentários. Além de incluir curiosidades sobre as Olimpíadas no Brasil, parece que a famosa paisagem das praias da zona sul vai mudar para sempre!
5- A Vila Olímpica é pura orgia
Vila Olímpica é nome que dão a uma área onde os atletas permanecem durante os jogos, a do Rio já tem até lugar, será no antigo terreno do Rock in Rio, em frente ao novo local do RIR e ao lado de onde ocorre a Bienal do Livro carioca. Bem, para você ter ideia da fama desse lugar, há até quem chame de Sexsylvania (ou poderia ser Sexolandia).
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| Talvez você tenha ouvido falar do vídeo dos ginastas brasileiros tem circulado por aí. É só uma das consequências de viver em uma Sexsylvania hoje em dia... |
Imagine só viver em uma "cidade" povoada por jovens bronzeados, atléticos e mini-deuses no auge físico. Imagine todos os anos que eles dedicaram a disciplinar seus supercorpos, sem gordura, por uma chance de ficar nessa vila por algumas semanas. E então lá estão eles, todos os 10.000 atletas, sem pais, cônjuges e os regimes diários que têm regido suas vidas até esse ponto, em um lugar exótico com muito tempo livre. Bem, vamos ser um pouco mais diretos: em 1988 nos Jogos de Seul (Coréia do Sul) o problema foi tanto com umas camisinhas usadas que elas chegaram a aparecer no telhado de atletas britânicos. A Associação Olímpica teve que proibir sexo ao ar livre (só em inglês).
Dá pra imaginar uma crise tão grande por causa de camisinha espalhada que foi preciso banir oficialmente?! E isso não foi um caso isolado - pelo que parece, é o que acontece em cada uma das Vilas Olímpicas desde... sempre.
Quando chegou em 1992, os organizadores já estavam tão preocupados com a quantidade de sexo que decidiram começar a dar preservativo de graça para manter a Aids sob controle. Nos Jogos Olímpicos de Inverno de Vancouver (Canadá) em 2010, foram distribuídos 100.000 preservativos para cerca de 6.500 atletas e dirigentes. Isso é cerca de 15 preservativos por pessoa. E os 100.000 preservativos não foram suficientes. No meio dos jogos, uma remessa de emergência foi trazida para preencher a lacuna. E isso não é nem contando a quantidade de sexo desprotegido que estava rolando. Aliás, Londres bateu o record do número de camisinhas esse ano.
| Fã de Percy Jackson também recebe? |
-Onde é que o Dionísio passa os dias durante as Olimpíadas?
4- A cidade-sede é temporariamente transformada em um Estado de Polícia
Para recuperar a enorme despesa que é preciso para sediar os jogos, os anfitriões precisam de grandes marcas internacionais patrocinando as Olimpíadas. E como anfitriões, eles têm o direito de deixar apenas as principais marcas venderem seus produtos. Justo.
A menos, é claro, que você seja uma mãe inglesa esperando para aproveitar essa oportunidade de lucrar que só ocorre uma vez na vida. É melhor você nem pensar em usar palavras comuns como "Jogos", "2012", "Ouro," Prata", "Bronze", "Londres", "Medalhas", "Patrocinadores" e "Verão" nos seus produtos ou propagandas. Se você acidentalmente combinar qualquer uma dessas palavras divulgando o seu pequeno negócio é uma multa de 30.000 libras (algo como 95.250 reais).
| "Esse acidente que vai acabar com a sua carreira foi patrocinado por..." |
Isso pode ser até estranho, mas se você quiser salvar o seu país da falência, vai acabar precisando fazer algum acordo com o diabo. É feio, mas é melhor do que acabar como a Grécia*, né?
*mais sobre isso depois.
Mas digamos que por alguma razão você é totalmente contra os Jogos Olímpicos. Bem, não espere poder usar a sua liberdade de expressão para deixar claro a sua posição. O Comitê Olímpico exige que, durante os jogos, a cidade anfitriã receba direitos especiais. Não o de se gabar para as outras cidades, apesar de que isso também é dado, mas o direito de poder passar por cima de todas as leis locais relativas à liberdade de expressão. O contrato de Londres, por exemplo, explicita que todos os outdoors espalhados pela cidade devem ser alugados pela prefeitura e que só poderão ser usados pelos patrocinadores dos jogos. Se alguém quiser colocar um cartaz anti-Olimpíadas, estará proibido. A polícia ainda tem o poder de entrar na sua casa para rasgar suas placas anti-Olimpíadas.
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| Mas sempre há uma alternativa, né? A imagem acima é de um dos protestos, leia aqui (português). Ainda há outro que burlaram o "não use nada relacionado às olimpíadas em seus produtos". |
Só de incorporar o logo das Olimpíadas é um ato de desafio - uma loja de lingerie foi forçada a desfazer uma vitrine com cinco bambolês e alguns sutiãs imitando os anéis olímpicos, provavelmente por medo de alguém confundir a entrada com a da Vila Olímpica (ta dum tss).
3- Sediar as Olimpídas pode falir o seu país
Cidades no mundo inteiro brigam por uma chance de levar os maiores jogos do mundo para o seu país. É como os Jogos Vorazes do mundo adulto, só que sem a fome, assassinato e incesto (é uma brincadeira do autor do texto, que não leu Jogos Vorazes). Ser escolhida para sediar os Jogos Olímpicos é o reconhecimento de que a sua cidade é grande e digna dos olhos de todo o planeta. Você acha que alguém vai fazer campanha para levar as Olimpíadas para qualquer fim de mundo? Sediar as Olimpíadas significa que sua cidade será lembrada e respeitada por décadas. Existe alguma outra honra maior do que isso?
Mas há um preço para obter o privilégio de sediar as Olimpíadas, e esse preço pode ser a sua economia inteira. A Grécia aprendeu a lição da maneira mais difícil.
O orçamento inicial da Grécia para os Jogos de 2004 foi de 4,5 bilhões de euros, mas o custo real dos jogos rapidamente duplicou essa estimativa. Quando tudo foi dito e feito, o custo dos jogos foi de 5% do PIB da Grécia, e oito anos depois, o país não se recuperou da dívida. A cidade de Vancouver desistiu de recuperar todo o dinheiro investido em sua extravagante Vila Olímpica, que foi posteriormente convertida em casas residenciais. Hoje os edifícios formam uma cidade fantasma*.
*Quem lembrou de Paper Towns, do John Green, levanta os braços. \o/
As Olimpíadas de Inverno de Nagano (Japão, 1998) mergulhou a cidade em uma recessão que custou uma carga tributária de 30.000 dólares por família da cidade (algo como 60.800 reais). Fora a Grécia, nenhum desses desastres financeiros pode ser comparado ao de Montreal (Canadá). O estádio Olímpico levou 11 anos para terminar de ser construído depois que os jogos acabaram - e eles levaram 30 anos para pagar a dívida contraída para sediar as Olimpíadas de 1976.
O que deixa claro o porquê das pessoas de Berne, da Suíça, votarem contra a chance de sediarem os jogos.
2- Quem paga mais dinheiro fica como anfitrião
A única coisa mais difícil do que uma cidade completar o processo de licitação dos Jogos Olímpicos é uma cidade completar o "Nós agora não temos mais moradores de rua e todo mundo aqui é bonito". O COI analisa tudo, desde locais da cidade, esportes, capacidades de infraestrutura, de transporte, habitação e a atitude geral dos próprios cidadãos. Você sabe por que Paris não chegou a sediar os Jogos Olímpicos de 2012? Porque houve uma greve geral no dia que o Comitê Olímpico visitou a cidade e o transporte público estava paralisado. Boom. Nada de Jogos Olímpicos para você, França. Boa sorte da próxima vez. Você não pode fingir estar pronto para acolher milhares de pessoas para o evento de uma vida.
Se isso for verdade, só posso acreditar que essa segunda parte foi o que fez o Rio de Janeiro virar sede das Olimpíadas...
| "Você pode olhar um pouco melhor a decisão final?" - Aliás, essa foto é de um treinador falando com os juízes. |
1- Gente pobre é tirada do caminho para dar espaço
Uma das maneiras que as cidades conseguem dinheiro para sediar as Olimpíadas é prometendo aos seus cidadãos que tudo vai valer a pena. No final do dia, todo mundo vai ter instalações de classe internacional, novos lugares para morar, incontáveis oportunidades de emprego, uma receita imensa, e como legado vários programas esportivos para os jovens da cidade. O que não amar?
| Estão com o projeto de criar esse negócio no Rio de Janeiro. Solar City Tower, veja mais aqui. |
Bem, todos esses novos espaços e habitações precisam estar em algum lugar, que normalmente é onde as pessoas pobres vivem. Trinta mil habitantes de Atlanta foram deslocados pelos Jogos de 1996, e em 1988, 720.000 foram obrigadas a deixar suas casas em Seul. Os que tiveram o azar de não ter um teto sobre suas cabeças foram caçados e alojados fora de vista durante os jogos. Mas nada se compara a Pequim - 1,5 milhões de chineses foram forçados a abandonar suas casas nos preparativos para os jogos de 2008.
Mesmo que as pessoas não sejam forçadas a sair, em muitos casos o aluguel fica tão caro que eles não podem se dar ao luxo de viver em suas casas. E sobre as instalações de classe internacional, na Grécia, 21 dos 22 estádios agora estão às moscas. Mas tudo bem, tudo vai valer a pena porque agora vai dar para definir de vez qual país é o melhor em nado sincronizado...
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Espero que tenham gostado! É sempre bom ver os dois lados, né? Eu até acredito que o Rio vai se sair melhor do que a maioria dessas cidades (sim, vai ficar muita construção fantasma por aqui, como já temos a Cidade da Música e vamos sofrer de abandono), porque nós temos algumas vantagens. Por exemplo, diferente do Japão, nós temos espaço. A Vila Olímpica mesmo está sendo construída em um lugar que já estava inutilizado e com a quantidade de prédio que tem surgido pela Barra provavelmente brotaria algo ali mais cedo ou mais tarde.
A minha maior preocupação é com o trânsito*, vou ter que criar um estoque de sobrevivência aqui em casa durante as Olimpíadas, porque se tentar sair...
*Se você não for do Rio, para dar uma ideia, hoje em dia no horário de trânsito dá para levar uma hora ou mais de carro em um caminho que é feito em 5 minutos em um dia normal.






