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quinta-feira, 28 de junho de 2012

Três livros sobre... adolescência problemática



É engraçado como as coisas acontecem às vezes, tipo você acabar lendo três livros seguidos que acabam sendo bem parecidos sem nem saber. Depois de mil anos, eu finalmente fui ler "As Vantagens de Ser Invisível". Logo depois, passei para "The Girls of No Return" (que eu comprei sem saber o que era). E fechei com "Garotas de Vidro", que o Paulo indicou aqui no blog. Por acaso, ao mesmo tempo nós decidimos começar a fazer o "Três livros sobre...". Foi só questão de tempo para unir tudo isso. Aqui é o seu lugar se você está atrás de a) histórias sobre traumas no passado que influenciam a adolescência, mas não chegam a ser depressivas ou entediantes; ou b) livros realmente bons. - Dana Martins
*Essa é uma coluna da Iris Figueiredo no Literalmente Falando, chamada 'Três livros sobre...', que nós estamos usando aqui no blog. O primeiro foi Três livros sobre... amor, feito por todos da equipe do blog.



Além do nome que me chamou atenção (The Perks Of Being a Wallflower) e que já dá uma ideia do que está por vir, eu não sabia muito sobre o que era. Nós conhecemos a história através de cartas do protagonista, que decidiu fazer uma espécie de diário, mas achou que seria melhor se alguém lesse (ideia inusita e interessante, que você vai entender melhor no livro). Charlie é um garoto diferente, você vai ver pela forma como ele narra o mundo, e tem dificuldades para se encaixar. Pelo menos até conhecer Sam e Patrick, que dão espaço para que Charlie os acompanhe. A príncipio, a história que nós vemos é de um garoto narrando a própria vida, meio que dividida em três pontos: situações adolescentes que ele passa com Sam e Patrick, casos da própria família e os livros extras que o professor passa para ele. Você não sabe muito bem onde vai levar, o que vai acontecer, mas o diferencial de Perks é cada momento, o jeito que ele narra e uma ou outra coisa aleatória da vida. Bem, pelo menos até você entender (em parte) por que Charlie é assim (você sabe o tempo inteiro que tem alguma espécie de segredo, mas não faz ideia).


Novamente, eu não sabia o que esperar desse livro. "The Girls of No Return" é sobre Lida, que é mandada para uma escola para garotas "problemáticas" em uma região isolada no meio de montanhas e floresta. Lá ela vai conhecendo outras garotas, tenta entender por que elas estão lá e apenas quer passar o tempo até que ela possa voltar para casa. O que ela não percebe é que isso é uma estrada sem volta direto para um confronto com seus próprios fantasmas. A narração em primeira pessoa é dividida entre o momento atual e o passado que ela está contando (mas é narrado como presente). É como se a história fosse a partir do momento que ela vai para essa escola, mas a autora foi inteligente o bastante para intercalar com alguns pequenos trechos de comentário da própria personagem no futuro, só para te matar de curiosidade. Às vezes me lembrou a "Quem é você, Alasca?" do John Green, por algumas semelhanças (nada de cópia, só o estilo mesmo)



Em "Garotas de Vidro" você sabe desde o início o problema (a personagem também) e a visão é praticamente de dentro da cabeça da Lia. Ela e a melhor amiga Cassie haviam feito uma aposta para ver quem seria mais magra. Mesmo muito tempo depois quando elas nem se falavam mais, Lia continua com a obsessão pela magreza. As coisas só pioram quando Cassie é encontrada morta sozinha em um quarto de motel e mais tarde Lia descobre que a ex-amiga havia ligado para ela 33 vezes na noite antes de morrer. A partir disso, a vida de Lia só começa a entrar mais ainda em declínio. Assim como o anterior me lembrou um pouco ao do John Green, esse me lembrou a "Just Listen", da Sarah Dessen.


É como se "Garotas de Vidro" e "As Vantagens de Ser Invisível" fossem as duas pontas da balança enquanto "The Girls of No Return" é a ponte entre os dois. Na essência, os três livros são sobre: personagens adolescentes que são afetados por algum problema sério e a história do livro é a evolução até que eles consigam desenterrar esses fantasmas e encarar. E não termina aí, isso afeta de modo parecido os três: personagens sem vida social ("invisíveis"), ligados a (problemas de) família e que encaram o mundo de uma forma diferente.

As semelhanças continuam no modo que a história se desenvolve. Os três livros têm um clima meio frio ("As Vantagens de Ser Invisível" é o mais leve, enquanto "Garotas de Vidro" o mais pesado). Os personagens estão contando a própria história (essa é a parte legal): Charlie escreve cartas em forma de diário; Lida escreve uma carta em forma de diário que ao mesmo tempo mistura com a forma de pensar dela; e com a Lia já é puro pensamento. Todos os três ainda têm um pouco de "romance" de apoio.

Os três livros foram leituras muito boas (cada um de seu modo) e ainda tratam de assuntos muito parecidos. Não é um caso de um tema específico, tipo o de "Três livros sobre... amor", ou algo como o mesmo problema como "livros sobre suicídio". Mas, de algum modo, eles estão falando sobre a mesma coisa em três estilos diferentes que seguem uma estrutura parecida. Encare como "adolescentes com problemas" ou... ser invisível.

Millennium, porque a Lisbeth Salander... 
Eu achando que tinha acabado, fui ler "A Menina que Brincava com Fogo" (segundo da trilogia Millennium). Mesmo a Lisbeth Salander sendo teoricamente adulta e os livros serem sobre limpar sujeiras sociais jogadas embaixo do tapete, é indiscutível que os acontecimentos da série sejam de certo modo parecidos com os desses três livros. Uma das coisas que mais chama atenção em "Os Homens que Não Amavam as Mulheres" é você não conseguir entender a personagem totalmente e saber que tem algo escondido no passado (assim como o Charlie, a Lida e a Lia). O segundo livro desenterra parte desse passado e nós vemos como a história do primeiro livro "ajudou" em alguns "problemas" da personagem.