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sábado, 4 de fevereiro de 2012

Rumo ao Oscar 2012: "Os Descendentes" e "A Árvore da Vida"

por Paulo Vaughan

Primeira sexta-feira de fevereiro (na verdade, já é sábado de madrugada, desculpe pessoal!), temos um novo tema: os indicados ao Oscar de Melhor Filme. Será assim: a cada semana um de nós do blog falaremos sobre os 9 indicados - contando um pouco da história e o que achou dela. Hoje falarei de 2 filmes: "Os Descendentes" ("The Descendants") e "a Árvore da Vida" ("The Tree of Life"). Cliquem em "Continue lendo!" para ler meus comentários! (: 

Extra: nós também começamos o "Rumo ao Oscar" no tumblr, com uma foto por dia até lá, acompanhe aqui.


>>>Os Descendentes
- Título original: The Descendents
- Direção: Alexander Payne
- Roteiro: Alexander Payne, Nat Faxon e Jim Rash (roteiro adaptado); Kaui Hart Hemmings (livro)
- Atores: George Clooney, Shailene Woodley, Amara Miller, Nick Krause...
- Trailer

Quando escolhi esse filme para comentar hoje, resolvi fazer diferente: não leria NADA a respeito da história. As únicas coisas que eu sabia sobre o filme eram que George Clooney (que recebeu indicação ao Oscar de Melhor Ator) era o protagonista e que havia um livro no qual o filme foi baseado. Só. 

Fiz isso porque eu esperava me surpreender, há muito tempo não acontece comigo de ver um filme (ou até mesmo ler um livro) com expectativas baixas e ter uma surpresa boa. Mas... isso não aconteceu. 

O protagonista, Matt King (Clooney), está passando por um momento difícil de sua vida. Ele, que estava sendo um pai e marido ausente agora tem a responsabilidade de cuidar de suas filhas, a mais velha Alex (Shailene Woodley) e a mais nova Scottie (Amara Miller), já que sua esposa, Elizabeth King (Patricia Hastie), sofreu um acidente de barco e está em coma. Mas o filme não fica só nisso, em meio a tantos "abacaxis", Matt descobre que sua mulher o traía com Brian Speer (Matthew Lillard). Obviamente, Matt não deixaria essa história de traição de lado e junto com as filhas e o amigo da mais velha, Sid (Nick Krause), vai atrás de Brian numa jornada que possibilita a aproximação do protagonistas e suas filhas.

Vocês devem estar se perguntando: onde o título do filme se encaixa nessa trama? Bem, "Os Descendentes" da história são Matt King e suas dezenas de primos que juntos herdaram um terreno gigantesco em uma das ilhas no Havaí (estado onde a trama se passa) herdado da realeza havaina. Entre eles, Matt é o único que trabalha (os outros vivem do dinheiro do terreno) e é o responsável por gerir o que restou do patrimônio da família. E enquanto acontece tudo que falei acima, ele ainda tem que decidir: aceitar ou não uma proposta de meio bilhão de dólares sobre o terreno da família?

A história não fica só no drama, ela tem certas doses de comédia. Há cenas que arrancam risadas do público e uma que eu gostei muito é quando o Matt vai correndo (de chinelo) até a casa de um casal de amigos. Detalhe: esses amigos não moram perto de sua casa! Com seu jeito largadão e suas atitudes bem... idiotas, Sid também garante umas cenas engraçadas.

Bem, o filme não é exatamente ruim, mas também não é maravilhoso. A história não me prendeu, precisava de mais alguma coisa para me cativar. Estou até me achando sem coração porque muita gente que conheço disse que amou o filme e chorou em praticamente todas as cenas e eu não me emocionei em nenhuma delas. A ambientação de "Os Descendentes" também não foi, para mim, um ponto alto do filme. Posso até estar sendo um pouco cruel, mas preciso dizer uma coisa: odeio o Havaí (e todas as músicas no estilo havaiano que me irritaram do início ao fim do filme). 

O filme não me agradou muito, mas com críticos de cinema foi o contrário. A história, por ser um drama  "descontraído" (normalmente filmes dramáticos são muito rasos ou profundos demais), foi bem vista ao redor do mundo. Olhando por alguns pontos, acho a indicação ao Oscar de melhor filme justa (ainda mais porque o filme é uma produção independente). Não acho que a estatueta irá para "Os Descendentes", mas o George Clooney e o diretor, Alexander Payne, merecem as estatuetas.

Se fosse uma resenha comum, o filme levaria 3 conversinhas.

>>> O filme também foi indicado ao Oscar nas categorias: Melhor diretor (Alexander Payne), Melhor Ator (George Clooney), Edição e Melhor Roteiro Adaptado. Confira a lista completa aqui.

Comentário extra - Dana Martins
Acabou que eu também assisti o filme. Eu já to na curiosidade com essa coisa do Oscar e parecia algo simples (pra ver com a vovó haha). Eu gostei muito do filme, nem esperava. O filme é sobre um cara que quando é confrontado com a situação da mulher acaba repensando a vida, a questão do terreno lá é uma forma de "enfatizar" o homem que ele virou. É bem simples e bom pra ver quando quer algo tranquilo. Acho que foi indicado ao Oscar porque essa transformação é bem desenvolvida (algo que deveria ser comum por aí, mas não é), tem uma montagem que foge aos padrões de Hollywood, tem isso da transformação das pessoas (filme que traz uma mensagem) e com um ator americano de peso, tudo o que o pessoal do Oscar gosta. Me surpreendeu (também, não esperava nada...).

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>>>A Árvore da Vida
- Título original: The Tree of Life
- Direção: Terrence Malick
- Roteiro: Terrence Malick
- Atores:  Brad Pitt, Sean Penn, Jessica Chastain...
- Trailer

É muito difícil falar de "A Árvore da Vida" por dois motivos: primeiro porque é um tanto quanto complexo, segundo porque me afeiçoei demais. Ele é um filme bastante visual e que precisa ser visto com atenção (talvez até revisto). Muita gente até saiu do cinema entediados, enquanto outros se encantaram e continuam buscando entender tudo o que o filme quer passar.

A história se passa nos anos 50 e nos apresenta a família O'Brien. O personagem de Brad Pitt, Sr. O'Brien, é um pai opressor, que educa seus três filhos com rigidez. Esses, por sua vez, vêem em sua mãe, Sra. O'Brien (Jessica Chastain), um lugar seguro.

Após um dos filhos morrer, a família entra em desespero. O filme mostra o primogênito, Jack (Hunter McCracken quando jovem e Sean Penn na fase atual), reagindo ao fato e todo o seu amadurecimento psicológico. Ao longo da trama Jack vai perdendo sua inocência e entra na fase do Complexo de Édipo.  Por definição da Wikipédia, esse é o período em que a criança atinge o período sexual fálico, em que ela se dá conta da diferença de sexos, tendendo a fixar a sua atenção libidinosa nas pessoas do sexo oposto no ambiente familiar.

O desenvolvimento do psicológico humano e o questionamento religioso estão presentes no filme. Além disso, em meio a história dos O'Brien temos algumas cenas que parecem não fazer sentido, de planetas, explosões cósmicas, células... O filme retrata acontecimentos desde o big bang até o fim dos tempos. Há também algumas cenas onde aparece algo como uma chama, uma luz vermelha que representaria a essência humana.

Com certeza essa minha "sinopse" ficou rasa, diz muito pouco sobre a história. Não consigo passar para palavras o filme, talvez porque ainda não tenha "digerido" a história. Como disse no início, a história é complexa, não é um filme para ser visto para se descontrair, para relaxar. Esta é uma história que tem que ser digerida com calma, com paciência. Às vezes até ser visto mais de uma vez. Um texto que li na internet e gostei muito, é o do Rubens Ewald Filho. No "Para Entender 'A Árvore da Vida'", o Rubens desenvolveu bastante várias questões apontadas no filme (algo que eu nunca conseguiria nem em muitos anos fazendo críticas! hahahha).

Como eu disse, a religião, assim como em outros filmes de Malick, é um tema muito presente em "A Árvore da Vida".  Temos um questionamento de onde estará o salvador, onde estará Deus por parte de Sra. O'Brien e de Jack. A própria árvore do título, a Árvore da Vida, é um exemplo forte. Além de sentidos mais profundos, ela seria, de acordo com a Bíblia, a árvore que Deus permitia que Adão e Eva colhessem frutos, ao contrário da Árvore do Bem e do Mal. 

Uma coisa que me incomodou em "A Árvore da Vida" foi a falta de falas. Os dois filhos mais novos da família O'Brien, por exemplo, não falam nada durante todo o filme e o próprio Jack tem a maior parte de suas falas em pensamentos, algumas em sussurros quase inaudíveis. 

A indicação ao Oscar é muito justa, na minha opinião, mais do que a de "Os Descendentes". Dentre os indicados, esse é o meu segundo preferido (o primeiro é "Histórias Cruzadas", que a Dana comenta semana que vem). Embora eu prefira "Millennium" para Melhor Fotografia, acho que há grandes chances de "A Árvore da Vida" ganhar. Eu, particularmente, não daria o Oscar de Melhor Diretor ao Terrence Malick, mas por conta de todo seu esforço com esse filme (ele já havia sido todo filmado em 2007, porém a edição e outros problemas só possibilitaram sua estreia no ano passado), o prêmio seria merecido. Uma coisa interessante é que o Brad Pitt foi indicado ao Oscar de Melhor Ator, mas não por sua atuação em "The Tree of Life", mas sim em "Moneyball" ("O Homem que Mudou o Jogo"), outro indicado também a Melhor Filme e que aparecerá aqui.

Leva 5 conversinha e um lugar especial no meu coração, hahahahah.

>>> O filme também foi indicado ao Oscar nas categorias: Melhor diretor (Terrence Malick) e Fotografia. Confira a lista completa aqui.