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quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Looper acerta onde O Vingador do Futuro se perde


Enquanto eu estava fazendo a resenha de Looper comecei a perceber várias semelhanças entre "Looper: Assassinos do Futuro" e "O Vingador do Futuro" (remake). Já podemos começar pelos títulos, né? Estilo de nome que manda os dois direto para a mesma prateleira em uma locadora. Só que um deu certo, o outro não.

Calma, calma, calma. Eu não estou dizendo que um dos filmes é ruim. A diferença é na hora de sair de casa: pra um você leva o cérebro e pra o outro você deixa. "O Vingador do Futuro" é muito bom se você quer ver coisa bonita (cenário futurístico legal, Colin Farrell), mulher se arranhando e um corre corre clichê. Melhor do que Looper, que pode dar a volta em você. (desculpa, não resisti)


Uma das primeiras semelhanças que eu me dei conta foi o estilo de pôster da pessoa se "desfazendo", que é o problema nos dois filmes. Em O Vingador do Futuro você tem os problemas com implante de memória e não sabe direito o que é real. Ou seja: ele está se "desfazendo" nas memórias. Em Looper a questão é viagem no tempo e o fato de que se você voltar ao passado poderá alterar a si mesmo no presente. Então pra mudar alguma coisa você corre o risco de se "desfazer". 

Os dois se passam em um futuro um pouco distópico (mas não diria que são filmes distópicos). Looper, um futuro mais próximo e mais real. O Vingador do Futuro, um mais distante e extremo.

Durante os filmes há confronto entre os dois "eu". Em O Vingador do Futuro ele precisa confiar nas palavras de um completo estranho: ele mesmo no passado. Já em Looper o foco está no eu do passado, que tenta superar seu eu do futuro.

É interessante perceber que em O Vingador do Futuro o conflito é mais interno, o personagem tem uma ideia de quem é e luta para ser outra pessoa (mesmo que seja alguém que ele já foi). Já em Looper o Jovem Joe e o Velho Joe são diferentes e lutam por essas diferenças. 

Acho que você já entendeu que eles são parecidos. E onde é que um deles tropeçou?

O Vingador do Futuro se perde bastante na hora do conteúdo. O cenário legal? É só um cenário legal. As mulheres se arranhando? Uma causa a correria no filme inteiro por dor de cotovelo e a outra é a mulher que gosta dele (ponto final). O conflito interno? Rende algumas boas cenas, mas no principal ponto foge pelo caminho mais fácil e começa a correr (e só corre até o fim). 

(SPOILER DE O VINGADOR DO FUTURO NESSE PARÁGRAFO) Esse foi um aviso trazido diretamente do futuro, quando você terminou de ler esse parágrafo e se irritou pelo spoiler. Última chance de pular. A cena de quando ele vai tentar receber o implante e dá errado é legal, depois a dele no piano e principalmente quando ele está saindo do prédio. Nessa última você pensa até que pode haver algo mais, sente a tensão junto com o personagem, abre a oportunidade pra ele ser um completo idiota e acreditar na mentira... Mas daí ele se decide e pronto, vai pra o lado certo. Depois disso o conflito de "quem eu sou?" praticamente acaba e fica só ação clichê sem muita importância, no máximo uma apelação pro lado herói. Acho que a quebra da tensão do "quem sou?" antes do fim é o maior problema do filme. (FIM DO SPOILER)

Já Looper as coisas são diferentes. O cenário futurista de um país em crise com pobreza e criminalidade? Sem isso não tinha história. É em um cenário assim que uma pessoa vira looper e joga a vida fora sem pensar no futuro. Tem uma cena que mostra um pessoa numa rua que parece até cenário pós-apocalíptico com um velho empurrando umas tralhas, daí vai um cara, pega uma coisa e sai correndo. O velho tira uma arma na boa e mata o cara. Isso mostra como esse mundo é feito e como influencia os personagens.

O filme também é cheio de detalhes que vão contribuindo para criar o personagem principal (isso inclui: a versão dele mais nova, a versão dele mais velha e a versão dele depois de encontrar a mais velha). Quase não tem diálogo jogado fora. Looper ainda se dá um luxo de colocar detalhes que dão uma dica de como é melhor você ver a história, como se o filme tivesse discutindo o próprio filme. 

(SPOILER DE LOOPER NESSE PARÁGRAFO) Se você curioso sobre esses detalhes, um exemplo é a cena da conversa deles na mesa da lanchonete que o Velho Joe (Bruce Willis) diz algo como "se a gente discutir sobre viagem no tempo vai levar horas, vamos ficar fazendo diagramas. Mas isso não importa, o que importa é..." (FIM DO SPOILER)

Eu poderia falar muito mais sobre Looper, mas vou terminar aqui com uma última diferença: Até a prostituta que aparece numas 3 cenas tem mais profundidade do que a mulher que gosta do Colin Farrell em O Vingador. (pode fazer a lista de informações sobre cada para testar)

Moral da história, O Vingador do Futuro se perdeu na hora de dar atenção ao que seria o principal dilema da história ("quem sou eu?") e não deu profundidade ao mundo e personagens, virando só mais uma ficção científica com ação pra passar na tarde domingo. Já Looper...  Looper acertou justamente nisso.


Só uns comentários extras: Eu não estou falando do filme original de "O Vingador do Futuro" ou do conto do Philip K. Dick. Esse post também não significa que eu gostei mais de um ou de outro. Na verdade, acho muito mais fácil gostarem de "O Vingador do Futuro". O objetivo aqui foi mostrar semelhanças e diferenças que fazem um diferencial na construção da história.

Para ver as minhas resenhas dos filmes:


quinta-feira, 30 de agosto de 2012

[Resenha] O Vingador do Futuro, remake

por Dana Martins

- "O Vingador do Futuro"
- Total Recall (2012)
- Direção: Len Wiseman
- Roteiro: Kurt Wimmer e Mark Bomback
- Atores: Colin Farrell, Kate Beckinsale, Jessica Biel, Bill Nighy...
- Ação / Ficção Científica / Aventura - 14 anos - 121 min. - Trailer
- Nos cinemas brasileiros desde 17 de agosto de 2012
- Baseado no conto de Philip K. Dick








Mini-crítica: 
Esse é um filme de ação adaptado em um cenário futurístico de ficção científica que é uma das coisas mais legais de toda a história. "O Vingador do Futuro", título que não faz muito sentido, conta a história de um operário tão cansado da vida que acaba indo na Rekall tentar implantar memória para ter a vida mais feliz. As coisas não saem muito bem e ele precisa se virar com um passado que ele não sabe nem se existe. Muita ação, personagens mais ou menos... Se você não está nem aí para a história, quer se divertir com algo que parece que tem história, com ação e um universo bem legal, vai ver o filme. Ou se estiver em casa procurando aquele filme de ação sem compromisso...

Quer saber mais? Clique abaixo para conferir a resenha completa.

Esse é um filme que eu queria assistir simplesmente porque é o remake de um (outro) filme com mesmo nome. Esse outro foi baseado em um conto do Philip K. Dick - e o Philip K. Dick é um autor que tem me atraído ultimamente (ainda estou na fase da atração, é muito difícil eu me forçar a ler coisa antiga). Eu também sabia que o Colin Farrel estaria lá e terminamos aqui os meus conhecimentos prévios sobre o filme (dessa vez, o novo).

Queria ter assistido o filme original e lido o conto antes, mas o mundo não é tão bonito assim e lá fui eu com o meu amigo assistir "O Vingador do Futuro" na estreia.

"We Can Remember It for You Wholesale"
A história original, aliás, faz parte da coletânea "Realidades Adaptadas: Os Contos de Philip K. Dick", livro que reúne o conto que deu origem aos dois filmes e outras histórias do escritor adaptadas para o cinema como "Os Agentes do Destino" e "Minority Report".



Foi um filme maneiro, com bastante ação e um cenário MUITO legal (algumas vezes me lembrou ao que eu imaginava de Neuromancer - esse é um antigo que passou da fase de sedução, eu li por acaso). Lembra a um jogo de videogame às vezes. Tem uma príncipio de história legal. Mas não me conquistou. Não é um filme ruim (apesar de que eu acho que muita gente não vai gostar), mas também não é aquela coisa maravilhosa. Eu preferia muito mais ter assistido no conforto do lar com uma pipoca e a família do que ter ido até o cinema para isso.

Total Neuromancer

sinopse:
O filme conta a história de um futuro onde aconteceu alguma coisa e só restaram dois lugares habitáveis na Terra: algo como o Reino Unido e a Colônia (que seria a Austrália). Eles criaram uma espécie de túnel que cruza o centro do planeta e você pode ir de um lugar ao outro em 17 minutos, é chamado de "A Queda". Na Colônia vivem todas as pessoas pobres e renegadas, que vão até o outro lado do planeta para servir de mão de obra. Nesse cenário vive Doug Quaid, um operário que tem uns sonhos estranhos e está insatisfeito com a própria vida. É assim que ele vai parar na Rekall, uma empresa que implanta memórias. A partir disso, ele descobre que está acontecendo muito mais do que ele imaginava - ou poderia lembrar - e se vê no meio de uma briga entre o serviço secreto do "Reino Unido do futuro" e a Resistência, um grupo de rebeldes da Colônia.

A trama me chamou muito a atenção, cheguei a pensar até em indicar na nossa resenha mensal do Distrito 13 para os fãs de Jogos Vorazes (tudo isso durante o filme), mas aí a coisa começou a desandar. Vou falar como é o filme para vocês:
Conflito existencial do personagem - corre corre corre - Conflito existencial do personagem - corre corre corre - Conflito existencial do personagem - corre corre corre... 
O conflito não é nem tão aprofundado assim, já que mesmo que as informações apareçam aos poucos, é detalhe bobo e coisa fácil de deduzir. Lá pela metade do filme você já cansou do estilo e só resta ficar esperando o personagem salvar o dia e aproveitar os cenários.
*Tenho que me render a uma cena muito boa no estilo "o que é real?"

Meu amigo achou muito bom, mas depois concordou que perto de vários filmes ele nem é tudo isso. É ação de entretenimento, dá pra assistir.

Olha o Rio aí gente! só que não. É a colônia. E o Colin Farrel circulando sem camisa quase faz o filme valer.

A estrutura me lembrou muito a de jogo de videogame: você caminha por um cenário, enfrenta alguma ação e descobre um pouco para montar o quebra-cabeça. A diferença é que no jogo você pelo menos está se virando para jogar, no filme você fica sentado esperando os caras terminarem de brigar.

Nem o projeto de triângulo amoroso funcionou. A mocinha é apenas uma coisa na história: mulher que gosta dele. Fora isso a personagem não tem nenhuma profundidade. Nem a vilã, que causa a maior confusão por dor de cotovelo. Isso tudo até que é desenvolvido um pouco mais, na crise existencial, mas não é aquele processo de evolução tocante.

Esse é o problema do filme: ele não toca. Parece não ter alma, ser só um bando de ação barata, em um mundo legal de ficção científica com uma história que não é nem tão bem aproveitada. Vou dar um exemplo: Resident Evil. É uma série de filmes com muito problema de continuação e tem menos história do que a sinopse de O Vingador do Futuro, mas faz filmes legais de assistir. Nada contra ação, o problema do filme nem é esse, mas fica meio chato depois de um tempo.

Só agora que eu me dei conta de que a Kate Beckinsale que está no filme é a mulher de Anjos da Noite (o diretor e marido dela, também é o mesmo nos dois). Aliás, esse é outro exemplo de filmes com ação que funcionam. O Vingador do Futuro não chega a isso.

Foi o que eu disse no início: se você não está nem aí para a história, quer se divertir com algo que parece que tem história, com ação e um universo bem legal (eu indicaria o filme só pelos cenários), vai ver o filme. Ou quando estiver em casa procurando aquele filme de ação sem compromisso, é até indicado. 

Sobre a nota: 3,5. É um filme mediano que levaria até 3 se não valesse um pouco mais por causa de todo o cenário. Sabe aqueles jogos de videogame ou histórias futuristas que você gostaria de ver como ficaria na "realidade"? Aí está.


Classificação:
(3,5/5 conversinhas)

Veja também: